Archive for Setembro, 2017

PORTAL FORUM: MESA “LETRA DE MULHER” E ESCRITOR PORTUGUÊS RUI ZINK SÃO DESTAQUES DA TARRAFA NESTE FIM DE SEMANA

Setembro 30, 2017
 Evento que é apoiado pela Revista Fórum acontece em Santos, litoral de SP, e a entrada é gratuita.

Da Redação

Desde a última quarta-feira (27) Santos, no litoral de São Paulo virou palco do “maior festival de literatura do estado”. É a 9ª edição da Tarrafa Literária, que reúne grandes nomes da literatura nacional e internacional. E o melhor de tudo isso, a entrada para todas as atividades é gratuita.

Nesta sexta (29), acontece a mesa “Letra de mulher” a partir das 17h, no Teatro Guarany. Apresentando histórias femininas de superação, com a participação das premiadas escritoras Conceição Evaristo e Ana Maria Gonçalves. A mediação fica a cargo de Bianca Santana, também escritora, jornalista e vencedora do Prêmio Jabuti em 2016.

Já no sábado (30), duas mesas reuniram outros grandes autores. Às 17h, Maria Rita Kehl e Eugênio Bucci são mediados por Matthew Shirts, em “Um país encara o espelho”. Às 19h, é a vez de “Vida dos outros” com os escritores Jotabê Medeiros e Marcelo Rubens Paiva, mediados por João Gabriel de Lima.

No domingo (01), é a vez do escritor português Rui Zink, atração internacional desta edição da Tarrafa Literária Ele participa da mesa “Conquista do leitor”, com o premiado autor Luiz Ruffato, e mediação do jornalista Rodrigo Savazoni, às 17h.

Além disso, Zink lança seu novo livro, Anibaleitor. Onde conta a história de um jovem rebelde que se envolve por acidente na caça a um ser mítico devorador de humanos e livros. Ao final da obra, o próprio autor nos faz um alerta: “cuidado, um texto pode esconder outro”. No caso de O Anibaleitor, são muitos “outros textos”, que formam uma colcha de retalhos rica e instigante.

No encerramento da Tarrafa, tem a mesa “Jornalismo do agora e do amanhã”. Contando com presença da jornalista e blogueira Cynara Menezes, na companhia do diretor e fundador da emissora ESPN Brasil, José Trajano e com mediação do também jornalista e professor Vladir Lemos.

Confira a programação completa da Tarrafa para os próximos dias:
Sexta-feira, 29 de setembro

17h00 – Mesa: Letra de mulher
Com Conceição Evaristo e Ana Maria Gonçalves / Mediação: Bianca Santana
Local: Teatro Guarany – Praça Andradas, S/N, Centro – Santos/SP

19h00 – Mesa: Escrevo pra mim, ou pra você?
Com Stella Florence e José Roberto Torero / Mediação: Gustavo Klein
Local: Teatro Guarany – Praça Andradas, S/N, Centro – Santos/SP

19h00 – Lançamentos Edições SESC
Livro: Dimensões da Cultura – políticas, culturas e seus desafios / Isaura Botelho
Local: SESC Santos – Rua Conselheiro Ribas, 136 – Aparecida, Santos

Sábado, 30 de setembro

13h – Intervenção: Polvos Poéticos / Grupo Sensus
Local: SESC Santos – Rua Conselheiro Ribas, 136 – Aparecida, Santos

15h – Mesa: HQ – A vida quadro a quadro
Com André Dahmer e Rafael Coutinho / Mediação: Jorge Oliveira
Local: Teatro Guarany – Praça Andradas, S/N, Centro – Santos/SP

17h – Mesa: Um país encara o espelho
Com Maria Rita Kehl e Eugênio Bucci / Mediação: Matthew Shirts
Local: Teatro Guarany – Praça Andradas, S/N, Centro – Santos/SP

17h30 – Lançamentos Edições SESC
Livro: Tudo sobre Tod@s” / Sergio Amadeu
Local: SESC Santos – Rua Conselheiro Ribas, 136 – Aparecida, Santos/SP

19h – Mesa: A vida dos outros
Com Jotabê Medeiros e Marcelo Rubens Paiva / Mediação: João Gabriel de lima
Local: Teatro Guarany – Praça Andradas, S/N, Centro – Santos/SP

Domingo 01 de outubro

09h – Futebol com os autores
Local: Associação Atlética Portuguesa – Av. Sen. Pinheiro Machado – Marapé, Santos/SP

13h – Intervenção: Polvos Poéticos
Com o Grupo Sensus
Local: SESC Santos – Rua Conselheiro Ribas, 136 – Aparecida, Santos/SP

15h – Mesa: Das tripas, coração. Literatura e comida
Com Nina Horta e Jota Bê / Mediação: Rodrigo Levino
Local: Teatro Guarany – Praça Andradas, S/N, Centro – Santos/SP

17h – Mesa: A conquista do leitor
Com Rui Zink e Luiz Ruffato / Mediação: Rodrigo Savazoni
Local: Teatro Guarany – Praça Andradas, S/N, Centro – Santos/SP

19h00 – Mesa: Jornalismo do agora e do amanhã
Com Cynara Menezes e José Trajano / Mediação: Vladimir Lemos
Local: Teatro Guarany – Praça Andradas, S/N, Centro – Santos/SP

Fotos: Divulgação/Tarrafa Literária

PORTAL FORUM: EXPOSIÇÃO COM HOMEM NU ENLOUQUECE BOLSONARO E MBL

Setembro 29, 2017

A jornalista Rita Lisauskas comentou as reações contrárias à exposição de forma irônica: “Meu Deus! Um homem! Um pinto! Que horror”. Bastou para ser atacada também.

Da Redação*

Durante uma intervenção nesta quinta-feira (28), no 5° Panorama da Arte Brasileira, que está sendo realizado no Museu de Arte Moderna de São Paulo, um homem ficou nu enquanto era observado e tocado pela plateia, inclusive crianças.

Em resposta aos ataques nas redes e a presença da criança, o MAM se pronunciou através de nota, onde diz que tudo foi devidamente sinalizado e a criança que aparece no vídeo veiculado por terceiros estava acompanhada e supervisionada por sua mãe (Leia na íntegra abaixo).

A cena bastou para que as “cajazeiras” de sempre, incluindo aí, é claro, o MBL e Jair Bolsonaro (PSC-RJ), partissem para o ataque de forma violenta contra a mostra, chamando organizadores e realizadores de “pedófilos”, entre outros adjetivos.

O Deputado Jair Bolsonaro gravou um vídeo reproduziu a cena com a legenda: “Cenas que revoltam… uma criança toca homem nu ‘em nome da Cultura.’ Coloquei a tarja no vídeo em respeito a vocês. MIL VEZES CANALHAS!”.

O grupo de direita “Avança Brasil” marcou manifestação para esta sexta-feira (29), na porta do MAM, para exigir e fechamento da exposição. A polêmica segue nas redes e promete novos episódios ao longo do dia.

Nota de Esclarecimento – MAM

O Museu Arte de Moderna de São Paulo informa que a performance ‘La Bête’, que está sendo questionada em páginas no Facebook, foi realizada na abertura da Mostra Panorama da Arte Brasileira, em apresentação única.

A sala estava devidamente sinalizada sobre o teor da apresentação, incluindo a nudez artística, seguindo o procedimento regularmente adotado pela instituição de informar os visitantes quanto a temas sensíveis.

O trabalho apresentado na ocasião não tem conteúdo erótico e trata-se de uma leitura interpretativa da obra Bicho, de Lygia Clark, historicamente reconhecida pelas suas proposições artísticas interativas.

Importante ressaltar que o material apresentado nas plataformas digitais não apresenta este contexto e não informa que a criança que aparece no vídeo veiculado por terceiros estava acompanhada e supervisionada por sua mãe. As referências à inadequação da situação são resultado de desinformação, deturpação do contexto e do significado da obra.

O MAM reafirma que dedica especial atenção à orientação do público quanto ao teor de suas iniciativas, apontando com clareza eventuais temas sensíveis em exposição.

O Museu lamenta as interpretações açodadas e manifestações de ódio e de intimidação à liberdade de expressão que rapidamente se espalharam pelas redes sociais.

A instituição acredita no diálogo e no debate plural como modo de convivência no ambiente democrático, desde que pautados pela correta compreensão dos fatos.

Foto: Reprodução/Através

DOCUMENTÁRIO: ‘EXODUS – DE ONDE EU VIM NÃO EXISTE MAIS’: RETRATO DOS DRAMAS E ESPERANÇAS DE REFUGIADOS

Setembro 29, 2017
 

DOCUMENTÁRIO

Longa-metragem conta a história de seis pessoas de diferentes partes do mundo que foram forçadas a deixar suas casas para reconstruir suas vidas sob novas e desafiadoras circunstâncias
por Xandra Stefanel, para a RBA.
 
DIVULGAÇÃO

Dana

Perigos da guerra e saudades: a síria Dana vive no Brasil e espera poder reunir sua família no Canadá

Segundo a Agência da Organização das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), uma em cada três pessoas no planeta é solicitante de refúgio, deslocada interna ou refugiada. Pela primeira vez na história, o número de deslocamentos forçados ultrapassou os 60 milhões de pessoas e chegou à marca de 65,3 milhões, de acordo com o relatório Tendências Globais.

Para dar cara e vida à essas histórias, o cineasta Hank Levine decidiu fazer um documentário que acompanha a trajetória de seis pessoas de diferentes partes do mundo que tiveram de abandonar seus lares e tentar recomeçar a vida em outra cidade ou país. Produzido por Fernando Meirelles, Exodus – De Onde Eu Vim Não Existe Mais tem estreia comercial nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (28). Ele foi exibido pela primeira vez em dezembro de 2016, na Mostra Internacional de Cinema.

O longa-metragem começa com impressionantes cenas no deserto do Saara: crianças gritam por direitos humanos na caçamba de um caminhão e uma multidão forma na imensidão arenosa um gigantesco apelo por liberdade ao som da narração de Wagner Moura: “Eu não sei onde estou indo, sei que ainda não cheguei. Os campos, as marchas, a espera constante, a caminhada sem parada. Uma vida pausada. Uma língua estrangeira, uma angústia estrangeira. Tudo o que deixei para trás: lembranças de sementes de esperança, o cheiro de casa e o próprio sentido. O medo de ser esquecido, o medo de ser temido, a distância de casa,” anuncia a abertura.

Durante dois anos, a equipe acompanhou os protagonistas, que contam suas histórias em primeira pessoa: a ativista política Napuli foi obrigada a deixar o Sudão do Sul e ir para a Alemanha, onde luta por seus direitos e contra a saudade da família. Tarcha nasceu no Saara Ocidental e teve de fugir para a Argélia em 1975 devido à invasão do Marrocos, e vive desde então em campos de refugiados. Dana, nascida na Síria, chegou ao Brasil e está desesperada para poder reunir sua família no Canadá. O jovem sírio-palestino Nizar veio para o Brasil, encontrou o irmão em Cuba e seguiu para a Europa, onde espera receber refúgio e reunir a família. Bruno, de Togo, ficou nove anos em campos na Alemanha, até ser finalmente legalizado e passar a lutar pelos direitos de refugiados. Lahtow e Mahka, de Kachin, em Mianmar, tiveram de abandonar suas casas por causa de conflitos militares.

Não há no filme discussões sobre a legalidade ou ilegalidade de cruzar fronteiras e permanecer. O que ficam evidentes são as problemáticas que obrigam as pessoas a deixarem tudo para trás para começar – muitas vezes do zero – uma nova vida. “Eu fui presa e torturada durante quatro dias. Saí e escapei para Uganda em abril de 2011, depois da separação [de Sudão do Sul]. Em 2012, eu vim para a Alemanha e não tinha ideia de que eu pediria asilo. Eu achei um jeito de vir para cá e pensei: ‘Ok, já estou aqui. Agora eu preciso dar continuidade aos meus sonhos, estudar, terminar a universidade – eu estudei Artes e Desenvolvimento em Uganda e no Sudão. Mas não tinha como, havia bloqueios em todos os lugares: sem estudo, sem trabalho, sem nada. Eu não posso alugar uma casa, eu não posso fazer nada. Então, o único jeito de ficar aqui é pedir asilo”, afirma Napuli.

Segundo o filme, as leis alemãs determinam que a maioria das pessoas que pedem asilo vivam em campos até que seus status sejam determinados. Enquanto esperam pela sorte, eles são proibidos de procurar trabalho e têm a liberdade de movimento severamente restrita. Bruno Watara passou sete anos em um campo de refugiados em Crivitz enquanto esperava a resposta para seu pedido de asilo. “Em algumas noites, não conseguíamos dormir e tínhamos de tomar soníferos, mas às vezes nem isso funcionava. Você fica na cama o dia inteiro e não consegue dormir. E durante o dia, o que poderíamos fazer? […] Poderia dizer que eles roubaram sete anos da minha vida”, afirma o togolês que hoje faz parte do Conselho de Refugiados de Berlim-Brandemburgo.

Para os deslocados e refugiados, muitas vezes, a única coisa que sobra, além da imobilidade forçada e do silêncio, é a esperança de poder recomeçar sua caminhada em paz e sem sofrer preconceito. Exodus – De Onde Eu Vim Não Existe Mais faz um apelo poético por dignidade e respeito para essas pessoas que já viveram tantas situações complexas: “De onde estou agora, posso ver a casa que deixei. Milhas acumuladas atrás de mim e muros em minha frente. A casa ainda vive dentro de mim, é música para meus ouvidos, é ar na minha pele, é paz nos meus sonhos. Eu vou construí-la de novo. Mas onde? Fora do fogo e no frio, eu começo a mais longa jornada. Milhas à frente antes que eu esteja livre. Milhas à frente antes que eu esteja em casa”, resume a narração.

Exodus – De Onde Eu Vim Não Existe Mais
Direção e roteiro: Hank Levine
Produção: Fernando Meirelles, Andrea Barata Ribeiro, Bel Berlinck, Fernando Sapelli, Hank Levine
Narração: Wagner Moura, Jule Böwe
Distribuição: O2 Play
País: Brasil, Alemanha
Gênero: Documentário
Duração: 105 minutos
Ano: 2016

CAFÉ PEQUENO RECEBE SHOW ‘RELÓGIO DALI’ DIA 5 DE OUTUBRO

Setembro 28, 2017

Apresentação faz parte do projeto ‘Café Pequeno em bom som’

Jornal do Brasil

No dia 05 de outubro, 20h, acontece o show ‘Relógio de Dali’ em que o quarteto formado pelos músicos Yuri Villar, Victor Ribeiro, Pablo Arruda e Lourenço Vasconcellos propõem ao público uma experiência musical contagiante!

Show 'Relógio de Dali' reunirá o quarteto formado pelos músicos Yuri Villar, Victor Ribeiro, Pablo Arruda e Lourenço Vasconcellos 

‘Relógio de Dali’ reunirá o quarteto formado pelos músicos Yuri Villar, Victor Ribeiro, Pablo Arruda e Lourenço Vasconcellos 

Quatro jovens instrumentistas, compositores e arranjadores carregam uma bagagem musical extensa e variada, com influências de jazz, rock, música erudita, choro e outros ritmos regionais brasileiros. A formação de saxofone, violão de 7 cordas, baixo e bateria, traz para o quarteto uma sonoridade bem surpreendente e incomum no universo da música instrumental. Tendo participado de importantes festivais no Rio de Janeiro – tais como Festival Villa Lobos, FIL-Festival Internacional Intercâmbio de Linguagens, TAU Jazz Festival, Village Jazz Festival, Dia da Música, entre outros – o Relógio de Dalí segue em apresentações impactantes que sempre marcam a plateia pela performance e pelo colorido das composições e arranjos!

No show, com duração de aproximadamente 1h15min, apresentarão um repertório com composições do álbum ‘Relógio de Dalí’ e inéditas dos quatro integrantes.

Serviço: ‘Relógio de Dali’

Data: 05 de outubro, quinta-feira, às 20h

Local: Teatro Municipal Café Pequeno – Av. Ataulfo de Paiva 269 – Leblon

Ingressos: R$40,00 (inteira) e R$20,00 (meia)

Classificação indicativa: Livre

Mais informações:  (21) 2294-4480

Tags: choro, fetaerj, jazz, música, música erudita, rock

SANGRIA: POETA LUIZA ROMÃO RECRIA A HISTÓRIA DO BRASIL PELA PERSPECTIVA FEMININA

Setembro 28, 2017

O livro de poemas retrata ciclos históricos do país sob a ótica de um útero

Marianna Rosalles

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

Ouça a matéria:

Além do livro, Sangria se desdobrou em uma websérie criada em parceria com outras mulheres artistas que trouxeram suas versões dos poemas - Créditos: Sérgio Silva
Além do livro, Sangria se desdobrou em uma websérie criada em parceria com outras mulheres artistas que trouxeram suas versões dos poemas / Sérgio Silva

Poesia é palavra em estado de lança. É assim, armada, que Luiza Romão traz ao mundo seu projeto Sangria. Inconformada com a versão fálica da história brasileira, a poeta decidiu mudar a perspectiva e retratar os processos do país sob a ótica de um útero. 

“Então quando eu comecei a escrever eu percebo que o feminino era uma coisa que perpassava todos os meus textos, e não só o feminino, mas o feminino numa dimensão estrutural. Então, a minha ideia de olhar para a história do Brasil revisitando como são as construções do feminino estão um tanto nisso. De ver como que hoje você tem tantos assédios no espaço público, você tem uma desigualdade absurda de gênero, você tem uma violência que mata muitas mulheres por dia. Não é uma coisa de agora, pelo contrário, a nossa nação ela foi fundada sob o vulto de uma menina desacordada, o patriarcado funda inclusive o nome do Brasil”, expressa Romão.

A poeta observa que o Brasil se consolidou economicamente em ciclos: o ciclo da borracha, o ciclo do café, o ciclo do ouro e o da cana de açúcar. Na política, de acordo com ela, o processo se repete e o país tem ciclos democráticos e ciclos de abruptas interrupções na democracia:

“Se você olhar para a nossa história, desde a independência até agora esse impeachment, que na verdade é um golpe, a gente sofre vários processos de interrupção de um possível nascimento de um Brasil. Então eu entendo a história brasileira como uma gestação que sempre é forçada a um aborto muito violento”, denuncia a poeta.

Em diálogo com a duração do ciclo menstrual, Romão organizou a sua narrativa norteada pelo número 28. São 28 poemas e 28 fotografias que preenchem as páginas do livro, que foi organizado como um calendário. 

Imagem que ilustra o dia 1 do livro Sangria/ Foto: Sérgio Silva

O ensaio fotográfico é fruto de uma parceria com o fotógrafo Sérgio Silva, que retratou partes do corpo de Luiza. Posteriormente, a artista fez intervenções nas imagens costurando com linha vermelha objetos metálicos, que representam as intromissões do patriarcado no corpo feminino.

Além do livro, Sangria se desdobrou em uma websérie criada em parceria com outras mulheres artistas que trouxeram suas próprias leituras sobre os poemas de Luiza. Para isso, as artistas exploraram linguagens diferentes como pintura, bordado, grafite e música. O material foi registrado em vídeo e contou com quase 50 mulheres envolvidas no processo.

Para apresentar tudo isso ao público, Luiza realizará a Ocupação Sangria no SESC Pinheiros no dia 11 de outubro. Serão 28 dias de programação que conta com exibição dos videopoemas, um show-lírico (com microfone aberto e jam session musical), uma oficina de videopoema e o lançamento do livro.

Confira o vídeo da websérie: 

Sangria termina com luta e sangue. Nas palavras de Luiza, o momento de grande conservadorismo que marca os dias de hoje no Brasil, pede que a palavra se torne granada. 

Serviço:

11 DE OUTUBRO (quarta-feira)

19h: exibição dos videopoemas

20h: show-lírico com Luiza Romão e duo (part. especial Angélica Freitas e Luz Ribeiro)

07/10 a 28/10 – Oficina de videopoema

Sábados, das 14h às 17h (com Luiza Romão e Sérgio Silva)

Edição: Camila Salmazio

JOHNNY HOOKER SOBRE A ‘CURA GAY’ “QUANDO FERE A CONSTITUIÇÃO TODO ABSURDO É POSSÍVEL”

Setembro 27, 2017
Cantor e compositor pernambucano diz que tempos atuais são sombrios, desanimadores e ajudam na disseminação de ódio
por Redação RBA.
 
                                                              ROBERTO FILHO/DIVULGACÃO
Johnny Hooker.jpg

Para Johnny Hooker, decisão sobre a ‘cura gay’ é influenciada por um mercado interessado no ‘tratamento’

São Paulo – Para o cantor e compositor pernambucano Johnny Hooker, os tempos atuais são sombrios e desanimadores, e, por isso, ele não se surpreendeu com a decisão liminar do juiz federal Waldemar Cláudio de Carvalho, que na semana passada autorizou psicólogos a proceder tratamentos que visem à suposta “cura gay”. Segundo o cantor, atos de intolerância e preconceitos como estes surgem a partir da ruptura da sociedade com as instituições. “Quando você fere a Constituição, todo absurdo se torna possível”, disse, em entrevista na manhã desta terça (26) à Rádio Brasil Atual. 

“Tem de seguir o rastro do dinheiro. Todos sabem que (homossexualidade) não é doença, mas tem um mercado interessado, com pessoas conservadoras interessadas em perpetuar esses horrores”, acusa o músico.

Na mesma entrevista, o Johnny Hooker também comenta o tom político e afirmativo da representatividade gay do show que apresentou no Rock in Rio, no domingo (17), os ataques de ódio que sofre na internet e também sobre seu novo álbum, Coração.

“A internet é um lugar cheio de ódio. Tem muito ataque às minhas crenças e meus posicionamentos. Deveria ter um dispositivo que mostrasse (para o usuário): você já odiou o suficiente nesta semana”.

Ouça a íntegra da entrevista de Johnny Hooker à Rádio Brasil Atual:

 

DOCUMENTÁRIO: “VEM DE CUBA – MAIS MÉDICOS ONDE O VENTO FAZ A CURVA”. UM RETRATO DO PROGRAMA MAIS MÉDICOS EM SÃO MIGUEL DO GOSTOSO

Setembro 26, 2017

FILME PARANAENSE GANHA PRÊMIO DE MELHOR CURTA NO FESTIVAL DE BRASÍLIA

Setembro 26, 2017

“Tentei”, de Laís Melo, retrata a história de Glória, uma mulher que tenta denunciar a violência doméstica que sofre

Carolina Goetten

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

O filme foi um dos 12 selecionados entre 608 produções inscritas para compor a mostra competitiva do evento - Créditos: Jandir Santin
O filme foi um dos 12 selecionados entre 608 produções inscritas para compor a mostra competitiva do evento / Jandir Santin

Um filme criado e produzido no Paraná destacou-se no Festival de Brasília do Cinema Nacional, em cerimônia de premiação ocorrida neste domingo (24). “Tentei”, dirigido por Laís Melo e construído por uma equipe encabeçada por mulheres, ganhou três prêmios da mostra competitiva de curtas nacionais, nas categorias de melhor filme, melhor fotografia – pelo trabalho de Renata Correa -, e melhor atriz  – pela atuação de Patricia Saravy. Clique aqui para ver o trailer

O curta foi um dos 12 selecionados entre 608 produções inscritas para competir no festival. A cerimônia encerrou a 50ª edição do evento, após dez dias de programação em diversos pontos da capital federal do Brasil.

Por uma arte representativa

Em “Tentei”, a história se volta à denúncia de uma realidade vivida por muitas mulheres: a protagonista, Glória, tenta confrontar uma relação abusiva, na qual é cotidianamente violentada pelo marido. “No cinema, minha intenção desde esses lugares de privilégios que acesso, de mulher cis e branca e que tem conseguido fazer arte, apesar das tantas dificuldades, é criar espaços de escuta e voz às mulheres da classe trabalhadora, periféricas, negras, lésbicas, bissexuais, transexuais, do campo, indígenas… mas acima, criar estratégias de ‘fazer com’, repensando os modos de produção”, propõe a diretora, Laís Melo.

Premiação

O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, realizado pela Secretaria de Cultura do Distrito Federal, é um dos mais tradicionais eventos audiovisuais do país. Confira os vencedores da 50ª edição, na mostra competitiva:

 Troféu Candango – Longas:

Melhor Filme: Arábia, dirigido por Affonso Uchoa e João Dumans

Melhor Direção: Adirley Queirós por Era uma vez Brasília

Melhor Ator: Aristides de Sousa por Arábia

Melhor Atriz: Valdinéia Soriano por Café com canela

Melhor Ator Coadjuvante: Alexandre Sena por Nó do Diabo

Melhor Atriz Coadjuvante: Jai Baptista por Vazante

Melhor Roteiro: Ary Rosa por Café com canela

Melhor Fotografia: Joana Pimenta por Era uma vez Brasília

Melhor Direção de Arte: Valdy Lopes JN por Vazante.

Melhor Trilha Sonora: Francisco Cesar e Cristopher Mack por Arábia

Melhor Som: Guile Martins, Daniel Turini e Fernando Henna por Era uma vez Brasília

Melhor Montagem: Luiz Pretti e Rodrigo Lima por Arábia

Prêmio Especial do Júri: Melhor Ator Social para Emelyn Fischer, por Música para quando as Luzes se apagam

Júri Popular ( Prêmio Petrobras de Cinema) longa-metragem: Café com canela, dirigido por Ary Rosa e Glenda Nicácio

Troféu Candango – Curtas:

Melhor Filme: Tentei, dirigido por Laís Melo

Melhor Direção: Irmãos Carvalho por Chico

Melhor Ator: Marcus Curvelo por Mamata

Melhor Atriz: Patricia Saravy por Tentei

Melhor Roteiro: Ananda Radhika por Peripatético

Melhor Fotografia: Renata Corrêa por Tentei

Melhor Direção de Arte: Pedro Franz e Rafael Coutinho por Torre

Melhor Trilha Sonora: Marlon Trindade por Nada

Melhor Som: Gustavo Andrade por Chico

Melhor Montagem: Amanda Devulsky e Marcus Curvelo por Mamata

Prêmio especial: Peripatético, dirigido por Jéssica Queiroz

Júri Popular – Curta-metragem: Carneiro de ouro, dirigido por Dácia Ibiapina

Edição: Ednubia Ghisi

BIBLIOTECÁRIA CRIA LIVRARIA ESPECIALIZADA EM PROTAGONISMO NEGRO

Setembro 25, 2017
Loja virtual e itinerante Africanidades, de Ketty Valêncio, amplia acesso à literatura feita por mulheres negras e reúne quase 80 títulos, entre eles, obras de autoras independentes
por Redação RBA.
 
                                                                                           DIVULGAÇÃO

Ketty

Sentia uma angústia por ser mulher negra. Esta angústia foi motivada pela ausência de representatividade negra’

A bibliotecária Ketty Valêncio, que mora na zona norte de São Paulo, decidiu investir em um negócio e numa causa. Ela acaba de lançar a livraria virtual e itinerante Africanidades, especializada em autoras negras. Sua intenção é promover o protagonismo das mulheres negras na literatura mundial. Além de títulos de autoras conhecidas como Angela Davis, Alice Walker, Teresa Cárdena e Edwidge Danticat, a livraria tem obras de escritoras independentes, pouco conhecidas e/ou pouco acessadas.

“A ideia de criar a livraria veio da minha própria história de vida. Sentia uma angústia por ser uma mulher negra. Esta angústia foi motivada pela ausência de representatividade negra em todos os espaços de saberes que circulei, isso sem comentar a diminuição de pessoas afrodescendentes como estudantes no decorrer do tempo. Na escola, não aprendemos a literatura negra de homens ou mulheres. Na faculdade, também não. E a literatura reporta ainda mais a realidade que não aprendemos e colocamos a menina como protagonista da própria história ao ser uma criadora”, afirma Ketty, que também é pesquisadora pós-graduada em gênero e diversidade sexual, com um MBA em Bens Culturais: Cultura, Gestão e Economia.

Entre os quase 80 títulos disponíveis na loja, estão obras de Antonieta de Barros, Bell Hooks, Futhi Ntshingila, Jarid Arraes, Maria Firmina, Noémia de Sousa, Virgínia Bicudo, entre outras autoras. Por enquanto, a livraria divide as obras em 11 sessões: Ciências Sociais, feminismo, ficção, não-ficção, obras de referência, quadrinhos, poesia, religião, infanto-juvenil, biografias e artes, tudo voltado à cultura negra.

Para saber como e onde comprar, visite o site de Africanidades: www.livrariafricanidades.com.br

registrado em:       

ANNÁ LANÇA EP FEMINISTA E COM MENSAGEM CONTRA A GORDOFOBIA

Setembro 24, 2017

MÚSICA

‘Pesada’, primeiro trabalho autoral da cantora paulista, traz quatro músicas, duas delas abordam temas relacionados ao empoderamento da mulher
por Redação RBA.
 
REPRODUÇÃO

Anná

Já tive bulimia e sei como a gordofobia pode transtornar uma mente, daí vem minha vontade de lutar contra isso

“Você sabe o que é olhar para o espelho e desejar que aquele corpo não fosse seu? Sabe o que é não se achar em telas e papéis? Não é sobre ser gorda, é sobre o peso de se estar acima de um peso”. O verso de Carta à Boa Forma sintetiza bem a pegada do primeiro trabalho da cantora paulista Anná. O EP Pesada, que será lançado oficialmente no dia 29 de setembro em show no Sesc Ipiranga, em São Paulo, é uma ode ao empoderamento feminino, contra o machismo e a opressão dos padrões de beleza.

A cantora acaba de lançar o clipe desta faixa que é o carro-chefe do EP gravado por meio de de um financiamento coletivo. “Chegamos, chegamos, chegamos pra sentar nossa bunda gorda nessa sua ideia paranoica de que a gente não existe ou não devia existir. Aceita que dói menos, aceita que dói menos. Eu já aceitei, e foi delicioso”, canta Anna, cercada de mulheres com biquínis no videoclipe.

Outra faixa que aborda o tema, Grosse, é cantada em francês. “Fizemos um trabalho que tem a temática femini(sta)na e gorda. As quatro músicas abordam temas sociais, ora sutil, ora escancaradamente, e apresentam muitos ritmos diferentes, como maculelê, baião e polca”, afirma Anná.

A vontade de escrever sobre o assunto vem de sua história pessoal e da consciência sobre a importância de combater este tipo de preconceito. “Eu sou magra? Visto 44/46, não me considero magra. E quando eu vestia 38, também me sentia gorda. A diferença é que hoje ‘gorda’ não é um xingamento para mim. Já tive bulimia e sei bem o quanto a gordofobia pode transtornar uma mente, acho que é daí que vem minha grande vontade de lutar contra isso. Não sou obesa e entendo a necessidade dessa representatividade, mas também sinto que depois de lutar tanto para ficar bem com meu corpo, o mínimo que posso fazer é tentar transmitir isso às pessoas, especialmente às mulheres. Tem muita mulher magra se matando por se achar gorda, e eu quero tentar dizer ‘calma, ser gorda não é um defeito nem uma coisa ruim’ ao invés de dizer ‘ah, você é magra, para de pedir confete’”, declara.

A faixa Linha Vermelha, escrita em parceria com Samuel da Silva, foi feita em homenagem a Luis Carlos Rua, espancado até a morte no Natal de 2016 por defender uma travesti dentro da estação Pedro 2°, em São Paulo. A última canção de Pesada, Daqui, sugere que se escute os artistas brasileiros: “Abrir as portas do mundo é sempre bom, deixar fluir distintos arrebóis. Mas volta à casa e então tu ouvirás, o som da tua terra consegue te fazer vibrar”, canta Anná, conhecida em várias rodas de sambas paulistas e uma das vozes do bloco afro Ilú Obá de Min, que já se tornou tradição no Carnaval paulistano.

O EP completo pode ser ouvido no canal de Anna no YouTube.

registrado em: