Archive for Julho, 2012

VIVA O VINIL!

Julho 31, 2012

Os discos de vinil sofrem a todo o momento a comparação com o cd e outras mídias. O cd foi escolhido o suporte do mercado devido ao menor custo, capacidade e tamanho. Porém uma das coisas que o cd não consegue superar o vinil é a arte gráfica do vinil. Obviamente a capa do vinil é maior do que a do cd. Porém este tamanho permitia uma série de tipos de incrementos nas capas com capas duplas,com livretos, capa e contracapa acopláveis formando imagens, livro-discos entre outras coisas.

O esta edição do Viva o Vinil trazemos um disco que teve dois formatos de capa lançados: a primeira bem simples como um álbum comum e a segunda que misturava visualmente todo o potencial da arte vinílica. Obviamente estamos trazendo a segunda versão com a capa bem elaborada. Este mesmo disco possui ainda uma versão ao vivo que também é vibrante, mas que tem uma seleção musical bastante distinta.

VIVA O VINIL!    

e

TOQUES ESQUIZOMUSICAIS

ENUNCIAM

MILAGRE DOS PEIXES (1973)

CLIQUE PARA AMPLIAR

Certa vez um poeta amigo meu disse que o que diferenciava Milton Nascimento de outros cantores populares era que ele cantava com a alma e conseguimos sentir a vida presente em suas músicas. Milton tem uma produção musical bastante forte com raizes fincadas nos cantos negros quilombola, nas músicas sertanejas dos confins do Brasil, nos aboios, da música mourisca, dos cantos religiosos católicos, umbandisticos e das musicas rancheiras. E Milton juntou tudo e criou sua música uma música cheia de vida. 

Os músicos do disco são Nelson Angelo, Novelli, Naná Vasconcelos, Nivaldo, Wagner Tiso, Giancarlo Pareschi (spalla), Paulo Moura (sax), Radamés Gnatalli (regência), Daudeth de Azevedo, Paulinho (bateria), Sirlan, Paulinho Batera e contou com Direção Musical do Maestro Gaya e capa de Noguchi. Dentro da contracapa mostrada em cima está um portifólio que contem o disco e as letras impressas em papel colorido dando um belo toque estético.

Veja aqui o outro lado

O disco começa com um forte canto negro em Escravos de Jó que é feito com a participação de Clementina de Jesus num canto forte, cheio da potência produtiva dos negros e instrumentos de percurssão como atabaque (abatás), xequerê entre outros. A segunda faixa Carlos, Lucia, Chico e Thiago (eu sou uma preta velha aqui sentada ao sol) também mostra uma força vinda da força cantada de Milton que vive pela música rodeada de outros cantos. Depois das faixa instrumentais vêm a faixa tema do disco: Milagre dos peixes, que tem uma letra muito ligada a natureza que o homem faz parte e é composta por Milton e Fernando Brant

Eu vejo esses peixes e vou de coração
Eu vejo essas matas e vou de coração à natureza

Telas falam colorido de crianças coloridas
De um gênio televisor
E no ardor de nossos novos santos
O sinal de velhos tempos
Morte, morte, morte ao amor

Eles não falam do mar e dos peixes
Nem deixam ver a moça, pura canção
Nem ver nascer a flor, nem ver nascer o sol
E eu apenas sou um a mais, um a mais
A falar dessa dor, a nossa dor

Desenhando nessas pedras
Tenho em mim todas as cores
Quando falo coisas reais

E no silêncio dessa natureza
Eu que amo meus amigos
Livre, quero poder dizer

Eu vejo esses peixes e dou de coração

O lado A do disco termina  Apesar deste lado possuir apenas uma música que não seja instrumental, sentimos ele como uma unidade, onde as faixas se acoplam uma na outra criando uma unidade de disco

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Lado B começa com a faixa Pablo 2 (A festa), uma música instrumental leve e bela com uma composição vocal que tem em sua festa a presença de Maurício Mendonça e Gonzaguinha (que também aparece em Hoje é o dia de Del Rey.  E como o nome diz o disco continua festejante da nossa produção por aqui. O disco que prima por uma bela instrumentalidade e um coro que envolve qualquer silêncio.

Logo em sequência vem Tema dos Deuses e Hoje é dia de del rey cujo o toque de violão é marcante. A última sessão de cinema e Cadê tem uma bela percurssão sendo que esta última tem a letra de Milton com o músico e cineasta de Moçambique Ruy Guerra. Por fim temos Sacramento e Pablo. Esta última Milton nos envolve em um universo onírico da infância em uma letra que mostra o envolvimento da criança com o mundo, e principalmente sua ligação onde ela percebe que também é natureza.

Pablo (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos)

meu nome é pablo
como um trator é vermelho
incêndio nos cabelos
pó de nuvem nos sapatos
meu nome é pablo
nasci num rio qualquer
meu nome é rio
e rio é meu corpo
meu nome é vento
e vento é meu corpo
incêndio nos cabelos
pó de nuvem nos sapatos
como um trator é vermelho
pablo é meu nome
meu nome é pedra
e pedra é meu corpo


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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O cinema produtor de novos entendimentos de Chris Marker, o cineasta modificou a produção imagética

Julho 30, 2012

O cinema nasceu da fotografia, porém quando se colocou as imagens em movimento na velocidade da percepção da permanência da luz na retina, a movimentação da película nem sempre mostrou novas imagens. Durante a nouvelle vague houve uma preocupação muito grande na forma em que estas imagens seriam expostas e colocadas em movimento. Assim os diretores passaram a dar muita importância a montagem e a força que uma só imagem carrega. Houveram diversos documentários feitos a partir de um encadeiamento de fotografias, principalmente feitos por Agnes Varda e Chris Marker.

Chris Marker foi um dos principais produtores da nouvelle vague e criou mais de 50 documentários com diversas histórias que nunca deixava de lado o papel político do cinema. Ativo na resistência francesa ao nazismo, ele estudou e foi amigo de Jean Paul Sartre, e cinematograficamente participou dos coletivos “Groupe Medvedkine” e “Rive Gauche” além de dirigiu diversos cinemas com outros diretores como A batalha do Chile de Patricio Guzmán; Noite e Neblina, Toda a Memória do mundo e As estátuas também morrem de Alain Resnais;  A confissão de Costa Gavras; Os Astronautas with Walerian Borowczyk. Além disso ele participou e fez o corte final do documentário “Longe do Vietnã” (Loin du Vietnam) que foi dirigido por Agnès Varda, Willian Klein, Claude le louch, Alain Resnais e Jean-Luc Godard.

Dentro os cinemas feitos por Marker estão La Jetée, Sem Sol (Sans Soleil), O mistério Koumiko, Cinétracts, dois cinemas sobre o Brasil (On parle de Bresil: Tortures e Carlos Marighela), O fundo do ar é vermelho (Le fond de l’air est rouge), Junkopia, A.K.(Akira Kurosawa), A tumba de Alexandre, Nível Cinco e Quadros em uma exposição. Além disso ele produziu o Cd-rom Immemory, escreveu um romance chamado “Le coeur net” e produziu uma exibição de arte chamada “Owls at Noon Prelude: The Hollow Men”, no Museu das imagens em movimento em Manhattan, 2005.

Mesmo trabalhando como professor no centro IDHEC (La Fémis), ele sempre foi considerado uma pessoa privada, nunca garantindo uma entrevista e mantendo sua vida e informações pessoais em secreto. Sua vida entretanto está presente em três biografias escritas por Nora M. Alter, Catherine Lupton e André Bazin. Ele mantinha ativo um canal do youtube com diversos de seus vídeos.

O cinema de Marker embora documental não se foca na linearidade começo-meio-fim, deixa o espaço para o espectador se coloque e dialetize com a obra. Suas imagens criam um estranhamento as práticas cotidanas dos homens, e demonstram um cuidado do autor em cada situação exposta.

Photo graphein: Jean Fraipont

Julho 30, 2012

Vou rifar meu coração

Julho 29, 2012

A popular música brasileira em sua constante produção. Vai Evaldo Braga, Waldick Soriano, Carlos Alexandre,  Odair José, Fernando Mendes, Maurício Mauriti, Ronaldo Adriano, Diana e tant@s outr@s!!!

Notas gólgotas

Julho 28, 2012

 

  • O grande Martinho da Vila que está comemorando seus 45 anos de carreira vai relançar seu 1o álbum todo reformulado e a festa começa hoje (28) às 22 horas no Vivo Rio  onde mostra sambas de seu primeiro álbum como Casa de bamba, Quem é do mar não enjoa e O pequeno burguês. O público ficará bem próximo do palco e alguns espectadores poderão assistir ao  concerto ao lado do cantor. A única coisa que impede ficar bem pertinho é o ingresso que custam 70 tocos, e deixa o povo das vilas meio distantes… Mas a festança não vai parar.

 

  • A Livraria Cultura de Recife apresenta hoje (28) a noite a partir das 19 horas um tributo ao sambista Zé Keti no show “Eu sou o samba com o grupo MPB UNICAP. A entrada é grátis e o samba corre solto pela praça…

 

  • Estão abertas as inscrições voltada aos cursos profissionalizantes gratuitos oferecidos na Vila Olímpica da Mangueira (área 3), nas seguintes áreas: Construção Civil, Módulo Instalador (marcenaria/montador, elétrica e encanador), Espaço Beleza I (escova, penteado, corte e química),Espaço Beleza II (manicure, depilação e maquiagem artística). Os candidatos devem ter os seguintes pré-requisitos: escolaridade mínima sexto ano/quinta série, idade entre 17 e 24 anos. Os documentos necessários são: Identidade ou Certidão de Nascimento, CPF, comprovante de escolaridade e comprovante de residência.

 

  • O Curta Taquary – Festival Nacional de Curta Metragem está com inscrições abertas para sua 5º edição que acontecerá a partir de 21 de novembro em Taquaritinga do Norte (sertão pernambucano). Os realizadores interessados em participar tem até o dia 20 de agosto para se inscrever neste festival de curtas do coração do Brasil…

Tetê Espíndola

  • O Centro Cultural dos Correios do Rio inicia uma série de cantorias no projeto “Cordas Brasileiras” que trará nomes consagrados de nossa música de sexta à domingo vindouro (3 a 5 de agosto) sempre às 19 horas. Comentrada grátis e senhas distribuídas uma hora antes das apresentações, o projeto apresentam as cordas entesadas de Yamandu Costa no dia 3, seguido de Tetê Espíndola no dia 4 e finalizando no domingo (5) com João Bosco. Ai estas cordas de aço…

 

  • Você era vivo em 1962? Independente da tua resposta a curiosidade é atiçada na mostra “O Que Passou no Cinema em 1962” do Centro Cultural Banco do Brasil do Rio, que traz a partir desta terça (31) um seleção de 12 filmes lançados em 1962, como os clássicos Lawrence of Arabia e O Pagador de Promessas.

 

  • Arqueólogos italianos divulgaram esta semana a descoberta de uma ossada em um convento abandonado de Florença que pode ser da Gioconda que posou para Da Vinci em Mona Lisa e cujo o nome era Lisa Gherardini. Segundo o arqueologo Silvano Vinceti, ainda é necessários vários testes como o Carbono-14 e o DNA para provarem a identidade do esqueleto. Mesmo descoberta nossa Mona Lisa continuará um mistério.

 

  • A Mostra Cinema de Garagem da Caixa Cultural no Rio reúne uma seleção de 69 filmes independentes brasileiros realizados neste séculos. A mostra que vai até o próximo domingo (5) traz 25 longas e 44 curtas-metragens com o verdadeiro cinema brasileiro e realizadores que são essenciais para que exista um real cinema nestas nossas terras. Destaque para A Fuga da Mulher Gorila de Felipe Bragança e Marina Meliande; O céu sobre os ombros de Sérgio Borges; Pacific de Marcelo Pedroso; Estrada Para Ythaca dos Irmãos Pretti, Guto Parente e Pedro Diógenes;Acidente de Pablo Lobato e Cao Guimarães; Aboio de Marília Rocha; Mãe e filha de Petrus Cariry;  Noite de sexta, manhã de sábado de Kléber Mendonça; A curtição do avacalho de Filho de Petter Baiestorff. Venha aprender o que há de cinema no Brasil.

E o real cinema nacional brasileiro mostrando sua cara nos cinemas em produção de Carlos Gerbase

 

UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Julho 27, 2012
Bruxelas, 2 de abril de 1882

Monte Pierreux (c.1865) , CASSAGNE


Mont Pierreux  , Melun, Musée de Melun

CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR.


Van Gogh está em Haia, e cada vez mais se aprofunda nas técnicas artísticas e tem um entendimento maior sobre os sentidos da arte. Nesta carta ele faz uma reflexão sobre a pintura:

” A pintura é uma profissão que , tanto quanto, por exemplo, a de um ferreiro ou a de um médico, permite ganhar o suficiente para sobreviver. Um artista, em todo caso, é diametralmente oposto a um aposentado, e, como já o disse, se queremos estabelecer algum paralelo, há mais analogias com o ferreiro e o médico. Lembro-me muito bem, quando você me escrevia a este respeito, que antes, quando você me dizia que eu deveria me tornar pintor, eu achava isto muito fora do propósito e não queria nem ouvir falar a respeito.
O que acabou com a minha dúvida foi a leitura de um livro compreensivo sobre  perspectiva, de Cassagne: o A.B.C. do desenho, e o fato de que oito dias depois eu desenhei o interior de uma pequena cozinha com fogão, cadeira, mesa e janela, tudo em pe e em seu lugar, enquanto que antes eu atribuía a um sortilégio ou ao  acaso o fato de um desenho ter profundidade e uma perspectiva correta. Se você tivesse desenhado ao menos uma única coisa como se deve, tomaria um gosto irresistível em atacar mil outras coisas.
Mas fazer  passar este primeiro e único carneiro pela ponte, aí está a dificuldade!”

Armand Théophile Cassagne foi um pintor, aquarelista, esbocista, gravurista e litografo francês. Ele ficou conhecido como “o pintor da floresta de Fontainebleau” pois com grande entusiasmo retratou aquela floresta durante 40anos, além de ser relacionado com a Escola de Fointainebleau.

Nascido no dia 3 de maio de 1823 em Landin. Foi estudante do pintor, escritor e gravurista inglês James Duffield Harding que transpareceu em seu tratamento de árvores e folhagem. Com muito esmero ele produziu mais de 300 estudos, aquarelas e pinturas da Floresta que recentemente em 2007 foram expostas no musée de Melun na exibição “A apoteose da Floresta de Fointainebleau” e mais uma vez o consagrou. Além da Floresta ele também trabalhou com espontaneidade no vale de Chevreuse, nas montanhas do arredores de Grenoble, nas bordas do Rino.

Em 1847 é nomeado expert em escrituras junto aos Tribunais de Rouen. Em companhia do miniaturista Th. de Jolimont, do paleógrafo J.B. Silvestre e do bibliotecário H.Pottier ele estuda os manuscritos da Biblioteca de Rouen.Em 1852, estudando com Violet-le-Duc, ele colabora como dessenhista em certas obras de seu mestre. Em 1853 ele publica La Normandie seguido de L’auvergne em 1857. Neste mesmo ano passa a expor regularmente suas obras no Salon de la société des Artistes français (Salão da sociedade dos artistas franceses) e viaja para Fontainebleau onde fará um curso público de desenho.

Porém ele teve uma grande importância na metodologia da arte, sendo autor de O desenho para todos (Le Dessin pour tous, 1862) Tratado de Aquarela ilustrado (Traité d’Aquarelle illustré, 1877), O Guia do A.B.C. do Desenho (Guide de l’ABC du desin, 1880) e Tratado de perspectiva aplicado ao desenho artístico e industrial ( Traité de perspective appliquée au dessin artistique et industriel, 1884). Como vemos Van Gogh foi um autodidata, que estudou com as obras de Armand Cassagne.

Em 1889 ele é nomeado Oficial da Instrução Pública por suas aquarelas, obras e ensino da arte. Em 1892 expõe pranchas de litografia que lhe valeram uma menção no Salon. Em 1904 instala sua coleção no Museu Cassagne em Melun. No ano seguinte é afetado por uma convulsão e guarda toda sua energia e habilidade.

Ele parou de produzir em 5 de junho 1907 em Fontainebleau, e foi enterrado no Cemitério Norte de Merlun. Um de seus amigos, F. Henriet, escreveu uma crônica sobre Cassagne dizendo: “Ele amava os belos livros, as pinturas dos mestres, as curiosidades de todas ordens… o pequeno museu que ele tinha constituido foi a única distração de sua vida reclusa e laboriosa”.

Fotografia de Armand Théophile Cassagne

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Às sextas e terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor monoauricular Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui.

A poesia dos mundos negros de Oliveira Silveira

Julho 26, 2012
Encontrei minhas origens
Em velhos arquivos
Livros
 
Encontrei
Em malditos objetos
Troncos e grilhetas
 
Encontrei minhas origens
No leste
No mar em imundos tumbeiros
 
Encontrei
Em doces palavras
Cantos
Em furiosos tambores
Ritos
 
Encontrei minhas origens
Na cor de minha pele
Nos lanhos de minha alma
Em mim
Em minha gente escura
Em meus heróis altivos
 
Encontrei
Encontrei-as enfim
Me encontrei
 
Encontrei minhas origens
 
 
 
Treze de Maio
Treze de maio traição,
Liberdade sem asas
E fome sem pão
Liberdade de asas quebradas
Como
Este verso.
Liberdade asa sem corpo:
Sufoca no ar,
Se afoga no mar.
Treze de maio – já dia 14
O Y da encruzilhada:
Seguir
Banzar
Voltar?
Treze de maio – já dia 14
A resposta gritante:
Pedir
Servir
Calar.
Os brancos não fizeram mais
Que meia obrigação
O que fomos de adubo
O que fomos de sola
O que fomos de burros cargueiros
O que fomos de resto
O que fomos de pasto
Senzala porão e chiqueiro
Nem com pergaminho
Nem pena de ninho
Nem cofre de ouro
Nem com lei de ouro
O que fomos de seiva
De base
De Atlas
O que fomos de vida
E luz
Chama negra em treva branca
Quem sabe só com isto:
Que o que temos nós lutamos
Para sobreviver
E também somos esta pátria
Em nós ela está plantada
Nela crispamos raízes
De enxerto mas sentimos
E mutuamente arraigamos
Quem sabe só com isto:
Que ela é nossa também, sem favor,
e sem pedir respiramos seu ar
A largos narizes livres
Bebemos à vontade de suas fontes
A grossas beiçadas fartas
Tapamos-destapamos horizontes
Com a persiana graúda das pálpebras
Escutamos seu baita coração
Com nosso ouvido musical
E com nossa mão gigante
Batucamos no seu mapa
Quem sabe nem com isso
E então vamos rasgar
A máscara do treze
Para arrancar a dívida real
Com nossas próprias mãos.
 
Roteiro dos Tantãs

Photo graphein:W. Eugene Smith

Julho 26, 2012

Kinemasófico: 4 curtas

Julho 25, 2012

Na festa dominical do Kinemasófico as crianças afinadas produziram mais um encontro kinemasófico onde além de todas as brincadeiras, da produção de rimas e versos houveram 4 curtas que geraram muita discussão, começando com

A FOME


Titulo Original: La faim

Ano: 1974 (Melhor curta do Festival de Cannes, BAFTA de melhor animação)

Diretor: Peter Foldes

País: Canada
Duração :11 minutos

Sinopse (Resumo da História do Filme) : Um jovem executivo aguarda a hora do almoço impacientemente. Quando finalmente pode sair da empresa, ele se metamorfoseia em um carro e vai a um restaurante. Sua gula nunca é saciada e da comida ela passa para o consumo de superfluos. Aos poucos ele começa a necessitar desta ilusão para viver, enquanto se transforma em um monstro e o que era a fome se transforma em mais que isto.


PALAVRAS, PALAVRAS, PALAVRAS


Titulo Original: Reci, reci, reci

Ano: 1991 (Melhor curta de animação do Festival de Ankara, Prêmio do Público Anima Mundi, Grande Prêmio do Festival de Montreal,  Festival de Cracow)

Diretor: Michaela Pavlátová

Personagens: Pessoas em um bar.

País: República Checa

Duração : 7 minutos

Sinopse (Resumo da História do Filme) : Em um bar diversas pessoas se encontram e usa de suas palavras coloridas para se comunicar. Embora a maior parte dos discursos serem muito parecidos, pode surgir novas palavras. Assim de conversa em conversa aparecem fofocas, dívidas, amores e desilusões expressas pela linguagem oral na complexidade que é o ser humano .

O ESPANTALHO


Titulo Original: Cao Ren

Ano: 1985

Diretor: Hu Jinqing

Personagens: Pássaros, pescador e espantalho

País: China
Duração : 10 minutos

Sinopse (Resumo da História do Filme) : Dois passáros vão diariamente se alimentar dos peixes na beira de um rio. Quem não gosta disso é o pescador que teme que os paixes fiquem escassos. Ele então decide colocar um espantalho para espantar os pássaros. Porém os pássaros são muito espertos e descobrem a farsa. O que fazer então para espantar os pássaros?


OS FANTÁSTICOS LIVROS VOADORES DO SR. MORRIS LESSMORE


Ano: 2011

Diretor: William Joyce, Brandon Oldenburg

Personagens:  Rapaz e livros voadores

País: Estados Unidos

Duração : 15 minutos

Sinopse (Resumo da História do Filme) : Após um forte furação, o amante dos livros é levado a uma terra desconhecida, onde os livros tem vida, se alimentam e voam. Nesta aventura ele passa a cuidar de centenas de livros e começa a escrever uma história criada por ele. Com o tempo Lewis passará, mas os livros continuarão enquanto a paixão existir.

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O Kinemasófico é um vetor cinematográfico que a Afin realiza para crianças e jovens todos os domingos à boca da noite, contando com um curso artístico (teatro, cinema…), sempre com a apresentação ao final da atividade de um cinema. Mais informações, clique aqui.

Tréplicas, réplicas…

Julho 25, 2012

Réplica- Fausto- cinema de F.W. Murnau (1926)

Réplica- Fausto- cinema de Alexadr Sokurov (2012)