Archive for Agosto, 2015

OS CORPOS INTENSIVOS QUE PRODUZEM A SENSUALIDADE ERÓTICA ESTÃO NA EXPOSIÇÃO “ERÓTICA, DESEJOS TRADUZIDOS”

Agosto 31, 2015

ErotismoÉ lá, no Morro da Conceição, na Zona Portuária do Rio de Janeiro, especificamente na Villa Olivia que o público vai poder vivenciar através de 100 obras de pinturas, esculturas, desenhos e fotografias, criadas por 20 artistas brasileiros os corpos que compõem o erotismo humano.

O público vai poder vivenciar até o dia 17 de outubro, por exemplo, uma armadura feminina de cobre que simboliza – simboliza ? – a castidade que refletem os corpos moral, religioso, social e político de sua época. Já o artista Paulo Vilela usa o humor como vetor do elemento erótico.

“O erotismo é um componente primordial da arte. Desperta o humano, o sublime, o animal e o inexplicável em nós. Desperta pela sua crueza, pelos sentidos e pela certeza de que o sexo continua sendo um dos maiores tabus da sociedade contemporânea.

A arte erótica vem das cavernas na pré-história e antecedeu a escrita. Isso possibilitou acompanhar a evolução humana, das cavernas ao ambiente interativo da internet e dos aplicativos de encontros em celulares”, observou Marcelo Frazão, um dos artistas expositores e curador da exposição.

A exposição ocorre de quarta a sextas-feiras das 14 horas às 18 horas.

A arte erótica mostra a impotência da pornografia que é a perversão do amor de Eros. 

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VAI UM CINEMINHA AÍ? Uma curta história de amor

Agosto 30, 2015

SEMPRE ATUANDO NAS RUAS A TRUPE DUNAVÔ ATACA AGORA COM “REFUGO URBANO”

Agosto 29, 2015

2ae1a195-9a7a-49ef-8990-077876de0d68O teatro como arte coletiva se originou com temas ligados às questões econômicas, políticas e sociais. Mesmo quando parecia que os deuses dominavam a cena, como ocorreu com o teatro grego. Os deuses eram tão somente personagens que expressavam discursos políticos referentes à política humana.

Todos os três principais trágicos gregos Ésquilo, Sófocles e Eurípedes colocaram em cena esses temas que eram fundamentais à sociedade grega. Mesmo que o teatro de Ésquilo só apresente deuses, esses deuses não escapavam da potência terrena que envolve os homens. Sófocles deixa os deuses um pouco de lado e engaja o homem na cena. Mas é com Eurípedes que a cena grega é dominada pelo homem. Porém, de qualquer sorte os três só trataram dos “negócios do homem”, como diz o teatrólogo alemão Brecht. No mesmo movimento humano nasce e se desenvolve a comédia grega com seu expoente Aristófanes.

Para alguns críticos existem dois tipos de teatro de acordo com sua temática. O chamado teatro gastronômico-burguês cuja única intenção é “embalar os bocejos e os sonhos matinais (Belchior)” dessa classe parasitária, e que na dita era virtual é apresentado em alguns lares pela televisão alienadora. E o teatro conceituado como político que teve como seus grandes inspiradores Piscator e Brecht cujos espetáculos tratavam da exploração dos trabalhadores pela ideologia burguesa do capital. Um teatro onde é claramente mostrada a luta de classe.

De um lado a força de produção, máquinas, matérias primas, força de trabalho, ferramentas e prédios. E de outro lado às relações de produção fomentadas pelas duas classes antagônicas. A classe capitalista proprietária do capital e da força de trabalho do operário, e classe trabalhadora cuja única riqueza é sua força de trabalho.

Porém, é preciso considerar que o chamado teatro gastronômico-burguês também é político, já que ele mostra a moral burguesa em sua clara e insofismável impotência. O gosto burguês é uma forma pedagógica de quem quer saber o que não é necessário para vida estudá-lo. A diversão para o burguês é uma forma de anestesia provocada por sua própria condição abstrata. Diante dos eflúvios sonoros de Wagner eles simulam experimentar. É gosto gastronômico só para classificar, mas o burguês sequer sabe comer. Daí uma fonte política exuberante para servir de estudo.

Mas o teatro político não é só um teatro que visibiliza claramente as contradições próprias da estrutura do capital em forma material de luta de classe. Ele é também um teatro que mostra o invisível da sociedade atual dissimulando a luta de classe como o racismo, a homofobia, misoginia, discriminação do índio, entre outras invisibilidades.

É observando o mundo atual que a Trupe DuNavô apresenta seu mais novo espetáculo Refugo Urbano nascido das experiências de seus membros através do teatro de rua. A trupe encontra-se na rua há mais de dois anos. O chamado teatro de encontro ao povo que prosperou no período da ditadura.

Pamplona e Claudius são dois palhaços que se encontram em um beco e a partir desse encontro passam a encenar situações com personagens invisíveis que eles mesmos criam. Para eles o invisível é tudo que se encontrar ao redor, mas que eles ignoram por não ser agradável ou porque preferem permanecer na bolha individual. Através do lúdico circense eles tentam mostra o que há de trágico nas ruas.

“Chamamos “invisíveis” tudo aqui que está ao nosso redor, mas preferimos ignorar a existência, por não ser agradável aos olhos ou porque nos habituamos a ficar em nossa bolha individual. O que ambicionamos foi criar uma obra capaz de dialogar com todos os cidadãos, propondo uma reflexão sobre o que há nas ruas e qual é a nossa capacidade de resignificar o que nossos olhos já habituaram a ignorar”, observou Gislaine Pereira, atriz da trupe.

Para a atriz Gabi Zanola, o espetáculo trata da nossa humanidade que muitas vezes aparece como “mais sinceras tolices”.

“O espetáculo é cheio das nossas mais sinceras tolices humanas, que podem ser bem engraçadas, muito dolorosas e cruéis. Refugo Urbano é a permissão de dois mundos diferentes, que se deixam levar juntos para um mesmo propósito, o que os torna iguais. A partir da solidão e da individualidade de cada mundo, esses dois palhaços tão distintos, e ao mesmo tempo tão iguais, criam um universo único”, disse a atriz Gabi que contracena com o ator Renato Ribeiro.

“Ô raia o sol, suspende a lua!

Olha o palhaço no meio da rua!”

Se você for passando por uma rua e esses palhaços estiverem circenciando, aproveite! Aplausos!

Veja o teaser.

VIVA O VINIL – LOURENÇO BAÊTA

Agosto 28, 2015

P1010271“Ao teu canto cigarra

A ele se agarra

Meu coração desesperado

Às cinco da manhã

Meu coração não tá aguentando a barra

E ao teu canto se amarra

Pra se perder nesse vazio

Às cinco da Manhã

E também canto cigarra”.

Sacou, esquizovinilfílico? Pois é! Cantos, composição de Lourenço Baêta e o revolucionário do cancioneiro brasileiro, Aldir Blanc.

P1010273Estamos em 1979. A ditadura civil-militar ainda come no centro! No entretanto, vamos entrando no Estúdio Transamérica, com produção Discos Continental para observar a gravação da bolacha-crioula do talentosíssimo músico e cantor Lourenço Baêta que conta com a direção artística de Cesare Benvenuti, direção musical de Dori Caymmi, arranjos e regências de Dori Caymmi, Gilson Peranzzetta e o próprio Lourenço Baêta, fotos de Lizzie Bravo, fotos e layout da capa Januário Garcia e direção de arte de Oscar Paolillo.

Não conceder nossa opinião sobre esse maravilhoso e inédito trabalho-musical de Lourenço Baêta. Vamos deixar vocês com seu insigne amigo, o poeta e músico Cacaso, que faz a apresentação da bolacha-crioula.

P1010275 P1010277 P1010274BATEU VALEU

“Para mim não é fácil falar objetivamente do trabalho de Lourenço, pelo fato de compormos juntos e eu ter cumplicidade na tramoia. De modo que meu palpite é de parceiro e não de observador. Acho que em matéria de música letra pronta a boa parceria não é aquela que se limita a repetir e recitar melodicamente os versos, mas aquela em que o resultado final exprima tonalidades, sentimentos, perspectivas que existiam virtualmente no poema, mas não estavam na cara.

A música do Lourenço costuma revelar coisas sobre minhas próprias letras que até então eram inteiramente desconhecidas por mim, e presumo que afim ocorra com os seus outros letristas, o Serginho e o Aldir.

É uma leitura que acrescenta, que intensifica, que amplia. É um abismo de vertigem, um estranhamento, olho por dentro de mim e não consigo ver o fundo do poço. Neste sentido nossa parceria tem sido uma fonte permanente de aprendizado além de ser uma aventura livre, arriscada, íntegra.

Acho mesmo que integridade é a palavra justa para definir a atitude artística do Lourenço, onde a emoção do canto é ao mesmo tempo prioritária e inseparável de sua formação de músico, seu desempenho de instrumentistas, sua imaginação de compositor.

Neste disco de agora, onde faz sua estreia para um público mais amplo, ocorre uma fato positivo e mais raro do que se pensa. Existem compositores e interpretes que são veteranos porque já gravaram quatro, cinco discos, e no entanto permanecem artisticamente imaturos, verdes. Outros, quando chegam a gravar, já estão um pouco passados. São frutos colhidos antes ou depois do tempo. Lourenço coincide de ser lançado profissionalmente em disco no momento certo de seu amadurecimento artístico. Ou seja: é um ponto de partida, mas que já resume um processo anterior bem assimilado; por outro lado é apenas um ponto de partida, o que significa o muito que ainda tem pela frente que desenvolver e aprender. É isso que sinto, é isso que penso”.

Cacaso

P.S. Um beijo na Márcia

P1010278 P1010279 P1010282Essa bolacha-crioula conseguiu agregar o que há de mais expressivo da música brasileira. Saca, só! Danilo Caymmi, Sérgio Natureza, Davis Tygel, Mazinho, Cláudio Nucci, Zé Renato – lembra do Boca Livre? Pois é… -, Cesare, Vitor Farias, Chacal, Henrique Drach, Bebeto, Márcio Montarroyos, Antônio Adolfo, Márcio Molard, Fernando Leporace, Arlindo Penteado, Ibere Grosso, Edson Maciel, João Maciel, Rubinho, Frederick Stephany, Pareschi, João Daltro, Alfredo Vidal, Walter Hack, Eduarado Hack, Jean Arnaud, Alceu, José Botelho, Chiquinho, Joãozinho, Raquel, Lizzie Bravo, Ariovaldo, Antônio Sant’Anna, Waldemar Falcão e o engajado Aldir Blnc.

P1010280 P1010281VIVA O VINIL!

COMEÇA A 7ª EDIÇÃO DO FESTIVAL INTERNACIONAL DE TEATRO DE LÍNGUA PORTUGUESA (FESTLIP)

Agosto 27, 2015

home“Este ano, o Festlip amplia seu âmbito de atuação e dá início a um intercâmbio de produção teatral e a um concurso internacional de poesia, na tentativa de reforçar ainda mais os laços entre essas nações irmãs”, afirmou a idealizadora do festival, Tânia Pires, produtora e atriz.

Até o dia 6 de setembro estará sendo realizado no Rio de Janeiro a 7ª Edição do Festival Internacional de Teatro de Língua Portuguesa (Festlip). Na ocasião o evento homenageará Manoela Soeiro, atriz moçambicana, do Grupo Mutumbela Gogo, que completa 40 anos de teatro e de incentivo a revelação de grandes nomes do teatro no país. Manoela junto com os escritores, Mia Couto e Henning Mankell, escreveram a peça Os meninos de Ninguém que abre o festival.

foto_grupo_elingaO festival estará exibindo oito peças teatrais inéditas do Brasil, Angola, Moçambique, Portugal, Cabo Verde e Galícia que fica na região da Espanha, mas pratica um idioma próximo ao português que apresentará a peça Barbazul do diretor, ator e músico Borja Fernández. Os espetáculos serão apresentados em vários espaços culturais do Rio de Janeiro.

O teatro brasileiro estará representado pela Cia de Teatro Lula Lunera que encenará a peça Aquele Dois baseado em um conto do escritor Fernando Abreu que conta a relação de Raul e Saul funcionários de uma repartição. Amizade que conturba a moral dos outros funcionários.

A poesia foi escolhida, no festival, como a arte para homenagear os 450 anos da cidade do Rio. As criações poéticas serão apresentadas através exposição audiovisual. O tema das poesias é único para todos os poetas dos países: o Rio. Todas as poesias exibidas foram escolhidas através de concurso e são interpretadas por artistas do Rio.

Fica combinado: gagos ou não gajos, se puderem, devem participar. Sabe por quê? Há um bom signo. Além de ser um trabalho sensibilizador e necessário para o espírito, a entrada é franca. Francamente, não há como não ir. Quem pode.

AS FOTOGRAFIAS DE 25 FAMÍLIAS, REALIZADAS POR GUSTAVO GERMANO, QUE PERDERAM PARENTES PARA A DITADURA CONFIRMAM QUE O ESPAÇO NÃO É PERCEPTIVO

Agosto 26, 2015

images-cms-image-000452738Um dos estudos principais das especulações filosóficas e cientificas é o espaço. Muito mais que o tempo. Embora muitos filósofos e cientistas não os tenham separados. Há aqueles que não conseguiram estudar o espaço sem o tempo, visto que são duas condições imprescindíveis para a vida. Heidegger com seu O Ser e o Tempo. Ou Sartre com o seu O Ser e o Nada.

Por exemplo, na antiguidade a escola estoica se dedicou profundamente ao estudo do espaço, assim como a escola epicurista. Entretanto, apesar de ser objeto de estudos de todos os momentos da história, todavia, foi exatamente na modernidade que os temas tornaram-se mais presentes nos estudos filosóficos e científicos.

620_600x189_503193874_600x189 621_600x189_366979702_600x189 625_600x455_862482508_600x455Por que se afirma que o espaço é mais importante, como estudo, do que o tempo? Simples. Porque o tempo é construído pelo espaço. Mas é preciso observar: o espaço que se trata não é o espaço perceptivo, que é a representação resultante da experiência dos sentidos com a matéria exterior, como mostra o empirismo, porque ele em si mesmo não provoca o tempo. O espaço constrói o tempo por sua singularidade como devir. O espaço é o movimento que as pessoas e os objetos criam. São seus percursos.

A história de uma pessoa é a história de seus espaços construídos. Seus atos, suas práxis, seus enunciados, suas relações, seus afetos, são espaços. Quando uma pessoa amiga morre, nós não recordamos dela simplesmente por sua imagem, mas pelos espaços que ela construiu. Ou melhor: por onde ela passou. Na nossa lembrança esta pessoa encontra-se sempre em algum lugar. E como a construção desses espaços, decorrem das práxis da pessoa, essas práxis fundam o tempo. Todo espaço construído provoca a revelação-temporal. Por isso podemos dizer: Foi no dia tal.

631_600x291_122574618_600x291 632_600x453_168769947_600x453 633_600x187_501014432_600x187 634_600x393_687092792_600x393 635_600x189_183760825_600x189 660_600x189_769036533_600x189 661_600x187_313342235_600x187 662_600x428_916675810_600x428O criador da Psicanálise Freud, possibilitou, com sua consideração sobre o luto, o desdobramento do sentido da ausência de uma pessoa que morreu. Em um desses desdobramentos, outros psicanalistas, com seus estudos, vão mostrar o que realmente é o luto. O luto é a procura da pessoa que morreu onde ela não se encontra mais. Aí a grande angústia: encontra-se a imagem, mas sem espaço. É isso que desespera, porque  pessoa não tem mais práxis produtora de espaço. Aquilo que foi a revelação de sua história. E quando identificamos essa pessoa em espaços que ela construiu, aí o nosso sofrimento. A gente pode até imaginar a pessoa conversando com a gente, mas ela não se mostra espacializada. Sabe por quê? Porque ela não atua mais. Não cria espaços.

O fotografo Gustavo Germano, realizou uma criação fotográfica que clarifica melhor o que foi escrito aqui. Ele selecionou 25 fotografias de famílias que tiveram parentes mortos pela ditadura civil-militar que dominou o Brasil entre os anos de 1964 e 1985. Nessas fotografias, que reportam ao tempo da ditadura, aparecem parentes, amigos, juntos com pessoas que foram mortas pela repressão. Então, ele resolveu fotografar os amigos e parentes dos mortos, nos mesmos lugares em que eles foram fotografados no passado. Os mortos estão ausentes perceptivamente, mas estão presentes, embora não especializados, já que o espaço é produção deles.

663_600x188_172054804_600x188 665_600x189_175472654_600x189 666_600x187_407993059_600x187 667_600x354_438910893_600x354 668_600x218_859587171_600x218 665_600x189_175472654_600x189 666_600x187_407993059_600x187 Vejam as fotos e comparem com fotos em que vocês observam pessoas já falecidas, mas que aparecem nas fotos. Bem diferente dos que desapareceram das fotos. Mas não termina aí o que mostra Gustavo Germano. Entre as fotos em que aparecem os que foram mortos e as fotos atuais em que eles não aparecem, surgem seus espaços de combatentes que nós não testemunhamos perceptivamente nas fotos.

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“TRAVESTI NÃO É BAGUNÇA” MAIS UM CORDEL DA MILITANTE JARID ARRAES

Agosto 25, 2015

SCAN-TRAVESTI-NÃO-É-BAGUNÇA2-890x395Jarid Arraes é militante não só da causa feminista, mas de todas as causas que lutam contra a opressão da liberdade humana. Embora seja conhecida mais por seu engajamento na causa de combate ao racismo.

Mas há um talento dessa engajada militante que poucos conhecem, mas que devem procurar conhecer, que é seu talento de cordelista. Artista que recorre à forma literária do cordel para expressar os conteúdos de suas lutas. O cordel por sues corpos-estrofes rimados, mais seu movimento sonoro, tem um devir-pedagógico capaz de criar novas formas de entendimentos que impulsionam novos saberes.

Há, no cordel, uma potência que leva e eleva o ouvinte. Além de, muitas vezes, ser carregado por corpos-cômicos. Que é um recurso muito usado pelos cordelistas, principalmente do Nordeste. Exemplo, Lampião no Inferno.

Hoje publicamos mais uma obra de cordel da militante Jarid Arraes. Trata-se do esclarecedor e político – a autora chama de insurgente – Travesti Não é Bagunça. Antes publicamos Quem Tem Crespo é Rainha e As Lendas de Dandara, Sobre a rainha africana.

Leia para comprovar que travesti não é bagunça.

Por Jarid Arraes

Quase todo mundo sabe
O que é uma travesti
Mas se faz de ignorante
Pra xingar e pra agredir
Porque sente intolerância
Por quem sabe transgredir.

Travesti não é uma coisa
Nem um bicho anormal
É somente uma pessoa
Com força fenomenal
Que se assume como é
E que vive tal e qual.

Muita gente vai pensando
Que é dona da verdade
Sai julgando a vida alheia
Com muita facilidade
Com nóia de pode-tudo
Em toda oportunidade.

Essa gente amargurada
Desconhece a realidade
Não sabe que a travesti
Enfrenta a dificuldade
Passando por violência
Sem receber caridade.

Muitas não podem estudar
Pois na escola vão sofrer
Com deboche e exclusão
De pequena até crescer
Porque a tal educação
Só uns poucos podem ter.

As famílias não aceitam
E as expulsam de casa
Muitas que vão para a rua
Foram antes deserdadas
Sem saída e sem carinho
Acabaram abandonadas.

Tantas ficam sem escolha
Vão pra prostituição
Pois só assim tem dinheiro
Pra comprar a refeição
Não que isso seja errado
Mas não há muita opção.

O estigma é criado
Faz-se o dito popular:
Travesti é tudo puta
Não se pode respeitar
E o povo pra agredir
Chega até a espancar.

Muitas são assassinadas
Sem a chance de viver
Só porque não são iguais
Aos que querem prescrever
Um jeito certo pra tudo
Sem a nada compreender.

Isso tudo é lamentável
É tão triste e revoltante
Travesti também é gente
Ser humano e importante
Quem não pensa desse jeito
É que é intolerante.

Não há nada nesse mundo
Que possa justificar
A falta de sentimento
De quem deseja matar
Seja o corpo que se toca
Ou a gana de sonhar.

Não tem nada horroroso
Em querer ser diferente
No mundo tem muita regra
Que não se faz coerente
Ser homem ou ser mulher
Não é marca com patente.

E por isso as travestis
Podem ser como quiserem
São livres desimpedidas
Onde quer que estiverem
Para mim são bem mulheres
Se isso também proferem.

O que temos que fazer
Para paz proporcionar
É ensinar nas escolas
Que se deve respeitar
E acolher com afeto
A travesti que estudar.

Pois não há nada melhor
Do que a pura educação
Para despertar carinho
E passar informação
Além de proporcionar
Caminho pra profissão.

Com acesso ao ensino
Travestis podem escolher
O que desejam da vida
Qual emprego querem ter
Se for prostituição
Então também pode ser.

O que importa é gerar
Várias possibilidades
Não apenas para poucos
Que tem mais facilidade
Mas pra todas as pessoas
Lá no campo ou na cidade.

Travesti também merece
Uma digna existência
Pois os direitos humanos
Não são de ambivalência
Valem para todo mundo
Com muita polivalência.

Se você abrir os olhos
Na internet pesquisar
Acabará encontrando
Muitos fatos de assustar
E verá por conta própria
Tanto pra se lamentar.

É espancamento e morte
Preconceito e exclusão
É um ódio muito extremo
Chega dói no coração
Isso tudo é crueldade
Essa é minha conclusão.

Se você não compreende
Não consegue aceitar
Vou te dar alguma dica
Para então facilitar
O seu puro raciocínio
Que deve se iniciar.

Travestis são como eu
Também são como você
Gostam de felicidade
Nisso você pode crer
Vivem procurando paz
Para enfim sobreviver.

Travestis são talentosas
Alegres e inteligentes
Criativas e esforçadas
Com espírito insurgente
Sabem vencer a batalha
Contra o ódio incoerente.

Não há nada de errado
Não há nada de anormal
Cada um deve ser livre
De sua vida o maioral
Porque liberdade plena
Sempre é primordial.

Quando vir uma travesti
Tenha muita gentileza
Ponha-se em seu lugar
Aja assim com esperteza
Só quem sabe respeitar
É que vive com grandeza.

Também vou lhe convocar
Para se juntar à luta
E falar aos sete ventos
Provocando essa escuta
Pelo bem, pela igualdade
Pelo fim dessa labuta.

Quando tiver uma chance
Fale em prol da travesti
Diga que aprendeu comigo
E sem medo de insistir
Não aceite preconceito
Que não deve coexistir.

Pra acabar o meu cordel
Uso uma chave de ouro
Pois nessa literatura
Travesti é um tesouro
Pra nossa diversidade
Trazem muito bom agouro.

Se não concordar comigo
Deixe logo de furdunça
Pois não tenho paciência
Pra trepeça, nem jagunça
O recado é muito claro:
Travesti não é bagunça!

FIM

O SAMBISTA WILSON MOREIRA, SUA INPIRAÇÃO AFRICANA E A DIFICULDADE EM GRAVAR SEU NOVO DISCO

Agosto 24, 2015

wilsonmoreiraNo universo do samba existem muitos temas que inspiram seus compositores. No caso do samba urbano são quase sempre temas relativos às relações amorosas – Por que vistes com propostas amorosas? Eu que vivia um perfeito mar de rosas – entre a mulher e o homem. O chamado samba romântico. É sempre caso de separação, saudade, desforra, ressentimento, perdão, recomeço entre outros afetos às vezes tristes e às vezes alegres.

O caso específico do sambista compositor e cantor Wilson Moreira, de 79 anos, segue o tema chamado de raiz-africana. Wilson Moreira busca inspiração em suas criações sambistas nas expressões afros como o lundu, calango, jongo. É foi com esses elementos ancestrais africanos, que ele compôs músicas gravadas por cantores e cantoras como Beth Carvalho, Alcione, Clara Nunes, Roberto Ribeiro, Zeca Pagodinho, João Nogueira, a divina Elizeth Cardoso, entre tantas e tantos. Assim como fez parceria com outros compositores como Nei Lopes.

Essas inspirações em forma musical, Wilson Moreira nos mostra em canções como Coisa da Antiga e Candongueiro. Entretanto, Wilson Moreira, apesar de ser um sambista respeitado ainda não teve o reconhecimento necessário para gravar sem ter que se preocupar com a realidade econômica. No momento ele tenta gravar seu novo álbum inédito Versos e Quadras, mas encontra dificuldades. Porém, parece que encontrou uma forma de diminuir a angústia imposta pela realidade econômica.

Ele criou o site www.kickante.com,br para todos que queiram contribuir na gravação do CD possam acessar e conceder sua contribuição. E como retribuição a contribuição, todos que participarem receberão um exemplar do CD autografado e entrada gratuita para assistir o show.

“Não conheci meu avô, mas minha mãe me contava que ele tocava caxambu, sanfona e gostava de dançar jongo. Minha família era de Minas, veio para o Rio, para região de Vassouras, Paraíba do Sul, Avelar, Andrade Costa. Já meu pai era de Realengo, bairro onde nasci”, disse o sambista autor de Gostoso Veneno. “Este amor me envenena, mas todo amor sempre vale apena. Desfalecer morrer de dor…”.

Se você gosta de samba ou se não gosta, mas que ajudar um artista a viver de sua arte, apesar de Wilson Batista ser funcionário público no cargo de agente penitenciário, é hora de participar dessa produção musical!

Vamos nessa que o samba é bom à beça!

Livro faz retrato da vida no sistema prisional feminino brasileiro

Agosto 23, 2015

Jornalista e fundadora do movimento Eu Não Mereço Ser Estuprada humaniza porção invisível da sociedade, sem vitimizá-la.

por Xandra Stefane

Em 2010, Nana Queiroz conheceu alguém que há anos vinha trabalhando no sistema carcerário feminino. Interessada pelo tema, a jornalista e fundadora do movimento Eu Não Mereço Ser Estuprada decidiu pesquisar sobre o assunto e descobriu que praticamente não existiam livros, documentários nem outros materiais sobre prisões femininas no Brasil. “Era como se não existissem mulheres presas”, lembra a jovem, que acaba de lançar Presos que Menstruam (Ed. Record, 294 págs., R$ 40), uma colcha de retalhos costurada durante cinco anos que apresenta um retrato dos problemas e desafios do sistema prisional feminino no país.

Capa do livro

Nana tira da invisibilidade 37.380 das 607.731 pessoas que, segundo o Ministério da Justiça, compõem a população prisional brasileira. Suas visitas a mais de dez instituições carcerárias renderam ao leitor histórias sobre gravidez no cárcere, mulheres torturadas com bebês no colo e no ventre, solidão, abandono, celas insalubres, torturas psicológicas, refeições intragáveis e tantos outros dramas vividos por presas anônimas e famosas.

Tremembé 1

Como não conseguiu da maioria das secretarias de Segurança Pública autorização para visitar os presídios, a jornalista entrou em algumas das instituições como voluntária e como parente de presa. “Descobri que não era apenas o governo que nos impedia de falar sobre o assunto. Tabus são mantidos, também, pelos que se recusam a falar sobre eles. E nós, sociedade, evitamos falar de mulheres encarceradas. Convencemos a nós mesmos de que certos aspectos da feminilidade não existirão se nós não os nomearmos ou se só falarmos deles bem baixinho. Ignoramos as transgressões de mulheres como se pudéssemos manter isso em segredo, a fim de controlar aquelas que ainda não se rebelaram contra o ideal da ‘feminilidade pacífica’. Ou não crescemos ouvindo que a violência faz parte da natureza do homem, mas não da mulher?”, questiona, no prefácio.

Com mais de 100 entrevistas com presas, ex-presas, familiares e especialistas, o livro humaniza essa porção invisível da sociedade sem vitimizá-la. “Não podemos desconsiderar que as mulheres são diferentes dos homens por uma série de condicionamentos culturais que elas recebem a vida inteira; por exemplo, a ideia de submissão”, afirma Nana Queiroz.

A submissão pode explicar muitas das detenções femininas. A obra traz à luz uma pesquisa feita pela Coordenadoria Penitenciária da Mulher, do Rio Grande do Sul, segundo a qual 40% das mulheres presas se envolveram no crime para fugir da violência doméstica. “Algumas delas eram obrigadas pelo parceiro a traficar, outras saíam de casa para escapar do abuso sexual. Ou o marido batia, ela precisou fugir de casa com as crianças e, sozinha, não conseguia ter um salário suficiente para sustentar a criançada. Então, ela acabava traficando para complementar a renda. Esta história é muito comum”, relata a jornalista.

Tremembé 2

Segundo o Ministério da Justiça, entre 2007 e 2012 a criminalidade cresceu 42% entre as mulheres. “Uma tese em voga entre ativistas da área é a de que a emancipação da mulher como chefe de casa, sem equiparação de seus salários com os masculinos, tem aumentado a pressão financeira sobre elas e levado mais mulheres ao crime no decorrer dos anos”, informa Nana no livro. “O número das que são de fato perigosas e que cometeram crimes contra a pessoa varia de 6% a 8%. O de mulheres que são presas grávidas ou lactantes é menor ainda. Se cruzarmos os dados das que são perigosas e lactantes, o número é muito menor. Isso significa que a maioria das gestantes ou lactantes poderia estar cumprindo pena domiciliar porque não representa risco para a sociedade”, declara a autora.

Mas não é o que acontece. Além da chocante situação das mulheres presas, Nana acaba apresentando também a terrível rea­lidade de centenas de crianças. Segundo ela, 166 bebês viviam presos com suas mães em instituições carcerárias enquanto ela escrevia o livro. É o caso de Luca, que estava no colo de sua mãe, Tamyris, quando ela foi presa por tráfico de drogas. Ela, um outro traficante e o bebê foram jogados na viatura e os policiais “distribuíram porrada sem discriminar em quem. Sobrou até para o pequeno Luca, que foi acertado na lateral do olho, que sangrou e inchou”. Alguns meses depois, já morando em uma unidade materno-infantil, o estado emocional da criança despertou a preocupação de sua pediatra, Mara Botelho: “Luca não sorria. Mara brincava com ele no consultório, fazia caretas e barulhinhos bobos. Nada atraía a simpatia do garoto”. A apatia foi a forma que seu inconsciente arrumou para lidar com tamanha violência.

Mãe sofre

O livro revela que a maioria das detentas grávidas já chega grávida na cadeia. Como em todo o país existem apenas 39 unidades de saúde e 288 leitos para gestantes e lactantes privadas de liberdade, na maioria dos presídios e cadeias públicas essas mulheres ficam misturadas com o restante da população carcerária. Não é incomum que os bebês nasçam dentro do presídio, nem é raro que as mães, mesmo na hora do parto, sejam mantidas algemadas na cama. “Como se ela pudesse levantar parindo e sair correndo”, critica Heide Ann Cerneka, coordenadora da Pastoral Carcerária nacional para as questões femininas.

Nana (autora)Nana, autora do livro: “Era como se não existissem mulheres presas”
Na visita ao um presídio no Pará, Nana Queiroz deparou com um ambiente completamente insalubre: vazamentos, infiltrações, falta de ventilação e excrementos saindo dos vasos sanitários fizeram com que ela tivesse vontade de deixar imediatamente aquele lugar. “Mas eu falei que se elas suportavam isso por anos, eu tinha de suportar por alguns minutos para ouvi-las”, afirma a autora. “Da cela, saiu uma mulher tão magra que dava para ver as pontas dos ossos dela… Ela me contou que tinha perdido o bebê um mês antes e que ninguém tinha feito curetagem nem exame. ‘Estou com febre, sangramento, e eu acho que meu filho está apodrecendo dentro de mim’, disse. Quando ouvi aquilo fiquei tão mal que quando saí dali, vomitei. Foi um chute no meu estômago”, lembra a jornalista.

Ela também escutou o desabafo de uma mulher que levou pauladas na barriga quando estava grávida de oito meses. “O guarda batia e dizia: ‘Não reclama. Esse é mais um vagabundinho vindo para o mundo. Tomara que ele morra antes de nascer’ Quando perguntei, no Pará, quantas delas tinham apanhado enquanto estavam grávidas ou lactantes, 90% levantaram a mão.” Será que agentes como esse acreditam que a violência promova alguma mudança positiva? Não é preciso ser especialista no assunto para entender que ela apenas piora e perpetua uma situação de exclusão.

Assim como fará a redução da maioridade penal, sobre a qual Nana é categórica: terá impacto diretamente na vida das mulheres. “Com a redução da maioridade penal, a gente colocaria na cadeia muito mais mães jovens, de família monoparental, abandonadas pelos parceiros. O cara engravida, desaparece, ela fica desesperada, começa a roubar, traficar, se envolve em crimes e vai parar na cadeia. Ou então ela é vítima de violência doméstica e mata o marido. Aí, como é pobre e não consegue fazer uma boa defesa, vai presa acusada de crime hediondo”, lamenta. Quem garante que o ciclo não se repita com algumas (ou muitas) das crianças que foram torturadas antes mesmo de nascer ou com as que passaram seus primeiros meses de vida encarceradas?

O que Nana pretende com Presos que Menstruam é que a sociedade reflita sobre a miséria em que o sistema prisional brasileiro está mergulhado. E também sobre como a sociedade patriarcal e o machismo têm levado cada vez mais mulheres para prisões, onde se tornam ainda mais invisíveis para a sociedade. “É fácil esquecer que mulheres são mulheres sob a desculpa de que todos os criminosos devem ser tratados de maneira idêntica. Mas a igualdade é desigual quando se esquecem as diferenças. É pelas gestantes, os bebês nascidos no chão das cadeias e as lésbicas que não podem receber visitas de suas esposas e filhos que temos de lembrar que alguns desses presos, sim, menstruam.”

Campinas 2

O ROCK ALTERNATIVO INICIA PROGRAMAÇÃO COM O SHOW “O DIA EM QUE A TERRA PAROU” COM A BANDA DENDÊ NA GAROA

Agosto 22, 2015

c431c0dd-12e3-44e0-9c48-96a67c4a8980Com o objetivo de construir uma programação especial para o rock, os organizadores do espaço cultural Vilinha da 23 de Março, que já apresenta shows variados de música nordestina, promovem o início da programação  roqueira com a apresentação da Banda Dendê na Garoa que mostra O Dia em Que a Terra Parou – Tributo a Raul Seixas.

A Banda Dendê na Garoa é formada por Diana Marinho, conhecida no universo roqueiro por “Janis Joplin da Bahia”, Adson Silva, baixo, Lucas Almeida, guitarra, e Hariel Queiroz, na bateria. Os músicos se reuniram, em maio, para acompanhar a “Janis Joplin da Bahia”, que foi descoberta por Carlinhos Brown na Timbalada.

Porém, Diana Marinho, que nasceu na Vila Ibiá, tinha no espírito a potência do rock e a partir de 1992, deixou esse espírito político-musical fluir e tornou-se roqueira e fã e interprete do rock alternativo apresentado por Raul dos Santos Seixas.

Assim, como não poderia ser diferente, no show vai cantar as contagiantes obras do Lado B do Maluco Beleza e que colocaram no pedestal do rock como uma das vozes mais importantes no Brasil.

A Vilinha da 23 de Março, fica, na verdade, entre as ruas 25 de Março e Barão de Duprat.

Preço do ingresso? Mulher paga R$ 20. Homem não paga. Não paga R$ 20. Paga R$ 30. E se for casal desembolsa R$ 40 tocos.

O show começa às 19 horas de hoje, dia 22.