Archive for Abril, 2014

LEO GILSON RIBEIRO E A TRANSFIGURAÇÃO POÉTICA DO EXPRESSIONISMO

Abril 30, 2014

Ontem, esse Esquizofia publicou um texto tratando da obra-relíquia do intelectual brasileiro Leo Gilson Ribeiro, Os Cronistas do Absurdo que apresenta ensaios de vários artistas e intelectuais como Kafka, Brecht, Büchner e Ionesco, além dos principais poetas expressionistas como Ernst Stadler e Geor Heym.

Despois de uma breve abordagem sobre a obra e o autor, foi publicado o poema de Stadler, Diálogo, que mostra que o destino do homem é o próprio. Todas suas nagustias sejam terrenas ou metafísicas são de sua total responsabilidade. Daí não adianta querer buscar em um mundo metafísico, criado por ele próprio, sua salvação. Tanto sua salvação como sua perdição faz parte de sua escolha, como diz o filósofo francês, Sartre. Stadler com sua poesia reafirma o dizer de Protágoras: “Tudo que é humano não me é estranho”. O fez o filósofo Marx a escolher como uma das mais importantes que já conhecera em sua existência.

Hoje, estamos publicando o poema do “poeta do demonismo das metrópoles modernas”, Georg Heym, que morreu aos 25 anos. E para expressar a turbulência dos sentimentos intensos e revoltos que constituem a poesia expressionista, escolhemos o poema, Os Demônios das Cidades.

 

Os Demônios das Cidades

“Erram, dentro da noite das cidades,

Que, negras, se curvam sob seus pés.

Como barbas de marujos enlaçam-se em seus queixos

As nuvens, enegrecidas pelo fumo e pela densa fuligem.

Sua sombra imensa oscila sobre o mar de casas

E apaga as luzes dos postes nas ruas.

Como névoa, arrasta-se, pesada, sobre o asfalto

E apalpa casa por casa, avançando lentamente.

Um pé calçado sobre uma praça,

A outra perna ajoelhada em cima de uma torre,

Eles se destacam em meio à negra chuva que cai,

E sopram flautas de Pan na tempestade que agita as nuvens distantes.

Em torno a seus pés gira o estribilho

Do mar de cidades com sua triste melodia,

Uma litania imensa, cujo tom, ora opaco, ora estrídulo, varia,

Baixando às profundezas escuras.

Vagueiam junto ao rio que, escuro e largo, flui,

Como um réptil, as costas manchadas de amarelo,

Do amarelo que tomba da luz dos lampiões,

E a escuridão tristemente gira, cobrindo o céu impenetrável.

Encostando-se, pesados, ao parapeito de uma ponte,

Eles enfiam as mãos no cardume de seres humanos, como faunos,

Que à beira de pântanos metessem os braços na lama espessa.

Um deles se levanta. Sobre a lua pálida pendura

U’a máscara negra. A noite,

Que escorre como chumbo líquido, no céu sinistro,

Aperta as casas mais para o fundo do poço,

Do fundo do poço da escuridão.

……………………………………………………………………………

Em um quarto invadido pelas trevas,

Uma parturiente grita presa da dor.

Seu corpo volumoso salienta-se, gigantesco, sob a colcha,

Em redor da qual os Satãs, imensos, velam.

Ela segura-se, trêmula, ao espaldar de seu leito de martírio.

O quarto vacila em torno a ela, vibrando ao som de seus urros.

E surge o fruto de seu ventre…

… Um dos diabos parte o rebento em dois.

Os pescoços dos demônios crescem como os das girafas…

O recém-nascido não tem cabeça. A mãe o ergue diante dos olhos

E o horror, com seus dedos de sapo, lhe rasga as costas,

Quando ela cai sobre o leito.

Mas os demônios crescem, gigantescos,

Seus chifres, saídos das têmporas, rasgam o céu, ensanguentando-o.

Terremotos trovejam sobre o regaço da terra,

Circundando suas patas, que línguas de fogo chamuscam”.

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OS CRONISTAS DO ABSURDO DE LEO GILSON RIBEIRO – TRANSFIGURAÇÃO DA POESIA EXPRESSIONISTA

Abril 29, 2014

Em 1964, ano do golpe de Estado dado pelos militares apoiados pelas famílias burguesas e reacionárias do Brasil que redundou em 21 anos de ditadura que sequestrou, prendeu, torturou e matou alguns opositores do regime de terror, o intelectual com formação na Alemanha, Leo Gilson Ribeiro, lançou uma obra prima da literatura crítica mundial: Os Cronistas do Absurdo. E para coroar a importância do lançamento, seu prefácio foi do outro intelectual e escritor famosos, Otto Maria Carpeaux, que mandou recado aos falsos intelectuais ao afirmar que a cultura de Leo Gilson Ribeiro “não é fruto de leituras caóticas nem de apressado amaestramento em cursos de verão”.

Pois bem, nos Cronistas do Absurdo, Leo Gilson Ribeiro, apresenta alguns ensaios sobre o Expressionismo Alemão que são verdadeiras obras-primas da literatura. Ele escreve sobre Kafka, Büchner, Brecht e Ionesco, e, também, sobre os conhecidos poetas expressionistas do início do século XX que tiveram mortes prematuras como Ersnt Stadler que morreu em 1914 aos 31 anos e Georg Heym, “o poeta do demonismo das metrópoles modernas”, que morreu com 25 anos, entre outros que foram assassinados pelo regime nazista. E os que conseguiram escapar procuraram asilo na França, Estados Unidos, Argentina (sempre a Argentina, só para tocar em nossa vaidade telúrica) e outros países.

Para o ensaio sobre o Expressionismo Leo Gilson Ribeiro, concede o título de Delírio e Transfiguração e diz contra o que esses artistas se insurgiam. “A revolução expressionista foi uma revolta total: no plano artístico contra as regras “tradicionais” da “Arte” burguesa e contra um esteticismo impressionista, divorciado da condição angustiosa do Homem moderno. No plano moral estruturou-se todo um levante ético  contra a desumanização progressiva do Homem, contra mecanização do mundo, a escravização do proletariado aos senhores da Revolução Industrial.

As palavras do autor refletem, de certa forma, o que crítico Kurt Pinthus, autor da mais importante ontologia documental do Expressionismo (uma relíquia, joia rara), Crepúsculo da Humanidade, afirmou sobre esses poetas em 1919. “Quando, há 40 anos, chamei estes poetas de “um punhado de malditos que aspiravam a um ideal utópico”, eu ignorava quanto esta definição simbólica de então se tornaria mais tarde monstruosa realidade”. Ele também concebeu estes poetas como poetas políticos.

E para presentear os esquizopoéticos, e lhes mostrar o quanto eles eram verdadeiramente malditos e que tinham influências dos filósofos Nietzsche e Marx, entre outros malditos, e de poetas malditos como Hölderlin e Kleist, nós escolhemos o poema Diálogo, de Ersnt Stadler. Vamos a esse Diálogo com Deus que somos nós mesmos.

 

Diálogo

– “Meu Deus, eu Te busco.

Vê-me, ajoelhado à soleira da Tua porta,

A mendigar entrada.

Vê: estou perdido entre tantos caminhos que me arrebatam,

Rumo ao ignoto.

E nenhum deles me conduz de volta ao lar.

Deixa-me suplicar-te abrigo entre Teus jardins,

Para que, na clama das suas tardes,

Minha vida, partida em mil fragmentos, se encontre de novo.

Sempre corri em busca das luzes coloridas,

Ansioso por milagres, até que avida,

O desejo e a meta desapareceram na noite.

Agora amanhece, cinzento, o dia. Agora pergunta-me meu coração,

Prisioneiro na masmorra dos seus erros,

Pergunta, amedrontado, qual o sentido

Das horas confusas e perdidas?

E não encontro respostas.

Sinto que minha nave leva últimas cargas,

Que em meio às tempestades

Sem rumo vagueiam pelos mares,

E que se iniciei minha viagem destemido e esperançoso, na manhã primeira,

Meu navio agora se rompe

Contra a montanha magnética de um destino errante.

– Silêncio, alma! Não conheces teu lar de origem?

Vê: tu és em ti mesmo. A luz incerta,

Que te confundia, era a luz eterna,

Que arde no altar da tua vida.

Por que temes as trevas?

Não és tu mesmo o instrumento

Em que a rebelião de todos os tons

Se desfaz, numa harmonia final?

Não ouves a voz de criança

Que das profundezas do teu ser canta baixinho?

…A rosa dos ventos do teu destino:

Tempestade, noite de vendaval e mar tranquilo,

Tudo é parte de ti mesmo:

O inferno, a ascensão ao céu e o eterno retorno:

Vê: Teu último desejo,

Para o qual tua vida estendera, sôfregas, as mãos,

Já brilhava, flamejante, no céu da tua primeira saudade.

Como dentro de um escrínio.

E nada, de tudo o que passou e sucederá ainda,

Jamais deixou de ser teu, para todo o sempre”.

 

ESOPO, A CIGARRA, A FORMIGA E O TRABALHO-HUMANO

Abril 28, 2014

cigarra

O homem, em função de sua impotência e seu medo relacionado aos outros animais, antropomorfizou toda a natureza. Em cada ser-natural projetou sua consciência-humana. Em vários animais viu seus vícios, sua frustrações, suas vaidades, seus anseios, suas inseguranças, suas maldades, todos os signos culturais por ele criados. Por analogia, seu juízo, e semelhança, sua cópia, chamou os animais de burro, cavalo, lesma, preguiça, cobra, jumento, cachorro, veado, vaca, papagaio, macaco, galinha entre outros.

ANTROPOMORFIZAÇÃO DOS ANIMAIS

O homem codificou os animais de acordo com ele mesmo. Então, passou a distribuir sua codificação antropomórfica e zoológica. Ou seja, antropomorfizou os animais. “Esse cara é burro, diz o ignorante que se toma por sábio. Essa mulher é uma vaca, diz misógino que tem pavor de mulher. Ele não faz nada, é uma verdadeira preguiça, diz o ambicioso. Trai como uma cobra, diz o falso honesto. É lento como uma lesma, diz o compulsivo. Aquele cara é um cachorro, diz o campeão da moral. Ele é veado, diz o homossexual latente”. E os animais só na deles.

ESOPO ABERRA A FORMIGA

Foi então, que o fabulista grego Esopo, fazendo uso do antropomorfismo-moral humano, passou a criar algumas fábulas atribuindo qualidades humanas aos animais, entre elas A Cigarra e a Formiga. Cujo tema é o trabalho. Na verdade uma condenação à preguiça e ao ócio. Como a maioria já conhece a Cigarra só queria cantar, enquanto a Formiga só trabalhar. A primeira fazia de seu ócio um prazer. A segunda, de sua insegurança um futuro seguro. Queria um inverno quentinho e com comida necessária.

Na verdade, a Cigarra é um ser original e singular. Seu modo de ser é produzido por sua essência: criar sons. Para Esopo, cantar como forma de não fazer nada produtivo. Viver no inócuo-ócio. Já a Formiga, para ele, trabalhava. Acumulava, poupava para os dias incertos. Mas, filosoficamente, a Formiga, de Esopo, é uma aberração. Não vive seu modo de ser original e singular de formiga. E muito menos trabalha.

 A FORMIGA REFLEXO DO VÍCIO CAPITALISTA

 A Formiga é como o capitalista: vive do que o trabalhador produz. A Formiga guarda o que encontra pela frente já produzido, seja pela natureza ou por outros bichos. A segurança da Formiga, como a do capitalista, é constituída pela alienação do que os outros bichos produzem. A como o capitalista é egoísta e invejosa. Poupa para si e tem inveja do modo de ser da Cigarra que é singular. A Cigarra, como diria o filósofo Spinoza, compõe o que seu corpo pode. A Formiga é uma aberração, porque trai sua essência e não compõe com o que pode seu corpo. Ela compõe com os afetos humanos. A Formiga é uma formiga-humanamente capitalista. O filosofo Nietzsche diria que ela é uma “humana demasiada humana”.

SOBRE A OBRA DE MERCADO QUE SE QUER ARTE

Em tempo de comemoração do Dia do Trabalhador é preciso analisar os fundamentos da estética na pós-modernidade. É preciso distinguir, diferenciar, isolar e examinar o que é uma obra artística cujo interesse é a elevação do espírito humano a um grau além da objetividade estabelecida pela sociedade capitalista e uma falsa obra que se considera artística quando apenas reflete a sustentação dessa sociedade de opulência, como mostra o filosofo Marcuse.

Uma obra de mercado que serve apenas para embalar bocejos vaidosos de uma burguesia alienada sem qualquer critério estético. Uma burguesia, que como a Formiga de Esopo, só lucra, acumula imaginando sua segurança e quer através da “arte” de mercado ostentar uma sensibilidade que não tem. Ela pode até ter na segurança de seu ostentador lar, Picasso, Portinari, Dali, Neruda, Drummond, Manuel, Shakespeare, Brecht, Mozart, Verdi, Chopin, Wagner, Egberto Gismonti, Hermeto Paschoal e outros personagens representantes da estética elevadora do espírito, mas ela não sente. Sua sensibilidade é produto do mundo abstrato fantasmatizado pelo capital. Onde não há possibilidade alguma da vivência estética que sensibiliza os sentidos para além dos sentidos constituídos.

Moral sem moralidade: a arte é singular expressão de quem é livre em-si, a Cigarra, e não mimeses de quem põe pressupostos já estabelecidos, a Formiga-humana demasiadamente humana. 

GISBRANCO REALIZA SHOWS E WORKSHOP

Abril 27, 2014

Ontem, dia 26, o Duo Gisbranco composto por Cláudia Castelo Branco e Bianca Gismonte iniciou, em Furnas, seus dois shows que hoje, dia 29, é completado com a realização de um workshop, hoje, domingo, com entrada gratuita para estudantes e profissionais musicais.

Nos shows o Duo toca obras de seus dois primeiros discos e algumas inéditas. Entre elas, Aquelas Coisas Todas, de Toninho Horta e Deixa, de Baden Powell que no disco recebeu um arranjo de samba-funk.

Egberto Gismonti, pai de Bianca Gismonti, e Lis, filha de Cláudia, são homenageados durante os shows com as músicas Festa do Carmo, de Bianca Gismonti, e Flor de Abril, de Cláudia Castelo Branco. Mas não fica por aí as homenagens. O duo também interpreta a composição Arco-Íris que realizaram com a parceria do talentoso músico-canto e secretário de Cultura de Campina Grande, Chico César. Tem também o maracatu Abertura, de Délia Fischer, e o famosíssimo Ponteio, de Edu Lobo e Capinam.

Bianca falou sobre as perspectivas com o compositor Chico e o workshop.

“O nosso próximo disco será todo baseado em poemas que o Chico escreveu pra nós duas, como tradução inspirada nas nossas vivências artísticas.

O workshop é o trabalho corporal e a performance ao piano”, disse Bianca.

CICLO DE CINEMA ÁRABE

Abril 26, 2014

Começou ontem, dia 25, e vai até o dia 28, o Ciclo de Cinema árabe promovido pelo Instituto Cultural Árabe com a parceria da produtora argentina Cine Fértil e o Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ cujo fim é comemorar os 10 anos de existência da entidade no Rio de Janeiro. Assim, promover o mundo árabe através de sua srealidades política, social e cultural.

A realização ocorre no cinema Joia, em Copacabana, e contou como tema de abertura o Grupo de Dança Hátor e o debate Conjuntura Política e Cultura na Palestina tendo como debatedor o escritor e pesquisador argentino-libanês, Saad Chedid e a professora e coordenado do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Beatriz Bissio.

 Para Geraldo Adriano Godoy de Campos, curador e diretor do evento e diretor cultural do instituto a migração de árabes para o Brasil fomenta a produção cinematográfica com esse tema e ajuda diminuir preconceitos.

 “O que percebemos ao longo dos anos, é que o público brasileiro demonstra cada vez mais interesse em conhecer essa cinematografia. A missão do instituto, criado há dez anos, tem sido mostrar a diversidade que existe no mundo árabe.

Ao mesmo tempo que o brasileiro vive no dia a dia um cotidiano permeado de cultura árabe, ainda existem focos de preconceitos, particularmente depois das transformações geopolíticas  de 2001.

Infelizmente, ainda vemos muitas representações midiáticas que deturpam as notícias que chegam sobre o mundo árabe. Então, por um lado, temos essa esta presença cultural imensa e, por outro, a necessidade constante de termos de reafimar, por exemplo, que o mundo árabe é muito diverso”, disse Geraldo

 O ciclo não exibirá apenas cinema genuinamente árabe. Também exibirá produções realizadas em parceria com diretores árabes e brasileiros como Constantino, de Otávio Cury; Sob o Véu do Islã, de Luiz Carlos Lucena; Hijab – Mulheres de Véu, de Paulo Halm; Habi, La Extrajera; de Maria Florência Álvares; Ok, Basta, Adiós, de Rania Attieh e Daniel Garcia. Entre outros imperdíveis para os cinéfilos e não cinéfilos.

VIVA O VINIL! “SERTÃO EM VÁRIOS CANTOS” DE ROSEMBERG OLIVEIRA & ANSELMO SIQUEIRA

Abril 25, 2014

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Supérfluo se torna escrever uma só linha sobre o esquizófico Viva o Vinil: “Sertão em Vários Cantos” de Rosemberg Oliveira e Anselmo Siqueira, gravado revolucionariamente de forma independente, em Vitória da Conquista, na Bahia, no ano de 1989.

 Por que supérfluo? Por quê? Quando se tem cantos como este composto por Rosemberg Oliveira, “O Suor do Catingueiro”?

“E intão o brilho do secante astro

Abaixa aqui no meu margo sertão,

E indurece a varge da verdinha fava,

Marela epidemia assola todo o chão…

Reserva d’água bebe o mandacaru

No mais tudo interra é sequidão…

Que eu vejo no oiá do catingueiro

Ele sê um brasileiro, a percura d’ua mão!”

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Sabe por que esquizovinílicos? Porque a bolacha crioula tem a apresentação de ninguém mais do que o trovador das caatingas diretamente da Casa dos Carneiros, Elomar. E alguém pode apresentar uma bolacha crioula autóctone melhor do que ele? E com assinatura ou rubrica, dependendo do gosto do filólogo. Logicamente que não!

Por esta realidade, essa bolacha crioula é joia rara, relíquia, mano velho! Sabe lá o que é dois talentosíssimos músicos apresentados por Elomar? É o bicho da estética musical, “companheiro que passa pela estrada, seguindo pelo rumo do sertão”, como diz o poeta-musical de Sobral (só para rimar), Belchior. 

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Fala, Elomar! Deixa teu legado para as gerações que não te conhecem, mas te respeitam e adoram!

“MADE IN BRAZIL” – VEJA ESSE FILME COM O BAILARINO DOUGLAS, DG, ASSASSINADO NA FAVELA E REFLITA SOBRA UMA MORTE A PRIORI

Abril 24, 2014

Em 2013, Douglas Rafael da Silva Pereira, dançarino, foi protagonista desse curta, Made In Brasil com a direção de Wanderson Chan. O objetivo era só mostrar “os nossos problemas sociais em paralelo com a euforia da Copa”, disse o diretor.

Na segunda-feira ele foi assassinado na Favela Pavão-Pavãozinho, segundo o laudo da perícia. Sua mãe, Maria de Fátima, afirmou, depois de examinar o corpo do filho, que ele fora torturado antes de ser assassinado. Há acusações que Douglas foi assassinado por policiais. O secretário de Segurança do Rio de Janeiro não descarta a possibilidade.

Vejam o filme perscrutem sobre se há possibilidade de uma morte a priori. Ainda mais a morte de um jovem. O senso comum diz que só se morre na hora, mas será possível morte a priori? Vejam o filme e tentem responder.

 

OS ESCRITORES BERNARDO KUCINSKI E ÍTALO TRONCA LANÇAM A OBRA: “PAU DE ARARA: A VIOLÊNCIA MILITAR NO BRASIL”

Abril 24, 2014

Hoje, dia 24, o jornalista, escritor e professor da USP Bernardo Kucinski, que foi perseguido no regime militar e teve sua irmã assassinada pelo mesmo, e o escritor Ítalo Tronca, lançam a obra Pau de Arara: A Violência Militar no Brasil. Trata-se de um livro que aborda a violência contra os direitos humanos no Brasil durante a ditadura militar que assolou o país entre os anos de 1964 e 1985. O livro também analisa o poder econômico na época além de apresentar documentos que afirmam o início da prática da tortura.

Há algo de muito importante histórica e politicamente nessa obra. Foi o primeiro livro a mostrar no exterior que o regime militar usava da tortura para calar os presos ou pessoas que manifestavam contra a ditadura. Seus autores lançaram a obra no ano de 1970, na França, e, em 1972, no México. Outro signo importante na obra: para que seus autores tivessem suas vidas resguardadas, seus nomes foram ocultados. Na introdução do livro lançado no país do filósofo da liberdade Sartre, os autores mostram suas preocupações com o futuro da sociedade brasileira sobre o regime de exceção.

“…levando em consideração as dificuldades inerentes a este tipo de obra, é possível que o texto apresente pequenas imprecisões. Será necessário esperar muitos anos antes de termos um quadro completo dos crimes cometidos pela ditadura atualmente no poder”.

O lançamento da obra inédita no Brasil é de autoria da Fundação Perseu Abramo. Nessa edição brasileira, os autores são apresentados de maneira fiel ao que representam como personagens que lutaram contra o regime opressor. Ela apresenta, ainda, uma homenagem ao jornalista Eduardo Merlino, preso, torturado e assassinado no DOI-Codi, em 1971.

 

PROJETO IMAGENS DO POVO MOSTRA UM MUNDO QUE AS FORÇAS DOMINANTES QUEREM NEGAR

Abril 23, 2014

Tudo começou quando João Ripper, artista de grande acuidade visual/política e talento e profundo observador das existências das comunidades mais desfavorecidas, em 2004, foi convidado pelo Observatório de Favelas, para fazer algumas fotografias da Favela da Maré. Durante a realização das fotos, João Ripper, foi fazendo amizade com os moradores e descobriu o grande interesse por fotografia. Daí, não deu outra: ele iniciou um curso de fotografia. Em maio de 2004, foi formada a primeira turma composta por 22 alunos/fotógrafos.

Em 2006, aumentou a carga horária do curso e João Ripper convidou, para trabalhar com ele, o professor de fotojornalismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Dante Gastaldoni, para ser o coordenador acadêmico do curso.

“Naquele ano eu estava completando 30 anos de magistério e o curso foi um presente. Fiquei encantado com a receptividade. Aqui há uma desorganização criativa, uma liberdade, que não se encaixa nos cânones do sistema de créditos. O projeto tem pulsação própria, a sensação de pertencimento que há aqui não existe na universidade.

Mesmo com essa desorganização criativa, temos critérios firmes. Ao final do curso, cada aluno apresenta um projeto e é avaliado por uma banca. Se o processo avaliativo não fosse sério, não teria a chancela de universidades federais”, observou Dante.

Antes os certificados eram emitidos pela Universidade Federal Fluminense (UFF), agora é pela UFRJ. Uma das grandes realizações do projeto é a criação dos Educadores em Fotografia. Os alunos formados são responsabilizados para ministrar oficinas. A importância dessa experiência é testemunhada por Ratão Diniz, educador-fotográfico formado pelo projeto cuja tese defendida por ele foi o grafite.

“Tem a ver com a democracia, com direito à comunicação, a mudança do olhar. Por isso, não gosto de dar aulas se perceber que o trabalho não vai ter continuidade. Tenho planos de fazer uma viagem pelo interior do Nordeste fotografando, mas também ensinando a fotografar. E planejo deixar a câmara quando for embora de cada cidade”, observou Ratão Diniz.

Para quem pode vivenciar as fotos que revelam Imagens do Povo, dos artistas que fazem parte do projeto, é só dá uma chagada no Rio. As imagens mostram situações das populações ricas em dignidade, beleza, inteligência, sensibilidade e, acima de tudo, vontade de construir uma existência humanizada.   

ATENÇÃO! “O VENENO ESTÁ NA MESA 2”

Abril 23, 2014

O cineasta Silvio Tendler está preste a lança no circuito alternativo de exibição como escolas, faculdades, igrejas, centros comunitários seu segundo documentário do Projeto Campanha Permanente Contra o Agrotóxico e pela Vida, O Veneno Está na Mesa 2, com 70 minutos de duração, que contou com o apoio da Fundação Oswaldo Cruz. O documentário foi lançado no dia 16, no Rio de Janeiro.

No documentário, Silvio Tendller, propõe, como forma de uma alimentação saudável e humana, a agroecologia.

“A agroecologia é fundamental como forma de produção econômica, social e de desenvolvimento. No filme eu mostro pessoas que plantam e cultivam de forma sadia e também as dificuldades que elas enfrentam para a comercialização dos alimentos que produzem”, disse o cinegrafista.

Alan Tygel, um dos coordenadores da Campanha, por sua vez, falou sobre a inverdade de que o agrotóxico é “a modernidade no campo”.

 “O povo brasileiro não pode mais engolir essa história de que o agrotóxico é a modernidade no campo. Ele gera câncer, trabalho escravo e manda todo seu lucro para o exterior”, mandou ver, Alan, contra a estupidez-perniciosa e exploradora que só pretende o lucro, como os empresários do agronegócio.