Archive for Fevereiro, 2018

TRABALHO, UM TANTÃO ASSIM; DINHEIRO, UM TIQUINHO ASSIM. POR CARLOS MOTA

Fevereiro 28, 2018

Trabalho, um tantão assim; dinheiro, um tiquinho assim

por Carlos Motta

Em 1956, Marlene lançava a música “O Lamento da Lavadeira”, de Monsueto Menezes, João Violão e Nilo Chagas, que foi posteriormente gravada por vários intérpretes, entre eles Pery Ribeiro, Elza Soares, Martinho da Vila, Dudu Nobre e Marisa Monte.

​Os versos da composição falam do trabalho cotidiano extenuante das lavadeiras que eram empregadas das mulheres da “alta sociedade” – outra leitura é que a música aborda as condições em que determinadas escravas eram obrigadas a trabalhar.

Seja como for, a degradante realidade exposta em “O Lamento da Lavadeira”, por incrível que pareça, permanece atual no Brasil, seis décadas depois de a obra se tornar pública.

O mais conhecido de seus autores, Monsueto, falecido em 1973, deixou várias composições que são ainda cantadas pelos mais importantes artistas da música popular brasileira, como “Eu Quero Essa Mulher Assim Mesmo”, “Me Deixa em Paz”, “Mora na Filosofia” e a “A Fonte Secou”.

Monsueto também trabalhou em cinema, tendo participado de dez filmes brasileiros, três argentinos e um italiano, e na televisão, em quadros de programas humorísticos. Fora isso, ainda se virava pintando quadros na linha dos artistas “primitivos”, mesmo estilo que consagrou Heitor dos Prazeres, um dos pioneiros do samba.

Outro dos autores desse clássico da MPB, Nilo Chagas, foi parceiro de Herivelto Martins na dupla Preto e Branco, que se tornou posteriormente o Trio de Ouro, com o ingresso de Dalva de Oliveira.

“Trabalho, um tantão assim/Cansaço, é bastante, sim/A roupa, um montão assim/Dinheiro, um tiquinho assim”: impressionante, nada muda neste país!

https://www.youtube.com/watch?v=MakChh80hX0

Sabão, um pedacinho assim

A água, um pinguinho assim
O tanque, um tanquinho assim
A roupa, um montão assim

Para lavar a roupa da minha sinhá
Para lavar a roupa da minha sinhá

Quintal, um quintalzinho assim
A corda, uma cordinha assim
O sol, um solzinho assim
A roupa, um montão assim

Para secar a roupa da minha sinhá
Para secar a roupa da minha sinhá

A sala, uma salinha assim
A mesa, uma mesinha assim
O ferro, um ferrinho assim
A roupa, um montão assim

Para passar a roupa da minha sinhá
Para passar a roupa da minha sinhá

Trabalho, um tantão assim
Cansaço, é bastante, sim
A roupa, um montão assim
Dinheiro, um tiquinho assim

Para lavar a roupa da minha sinhá
Para lavar a roupa da minha sinhá

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MARX: AS LUTAS DOS TRABALHADORES GANHAM VERSÕES PARA AS CRIANÇAS

Fevereiro 27, 2018

LITERATURA

Luta de classes, jornada de trabalho, salário justo e mais-valia são explicados de forma lúdica no ‘O Capital para Crianças’. Boitempo também lança biografia de Marx em HQ e ‘O Deus Dinheiro’
por Redação RBA.
 
                                                 REPRODUÇÃOVovô

Marx se transforma em vovô Carlos para contar para crianças a partir de sete anos como o capitalismo funciona

São Paulo – Sempre que vão visitar o vovô Carlos, seus netos pedem que ele conte uma história. O que os pequenos não esperavam dessa vez é que a aventura não teria dragões nem princesas nem nada fantasioso. Ao contrário. Vovô decidiu contar algo que aconteceu de verdade e que continua acontecendo em vários lugares do mundo: as incríveis histórias de luta dos trabalhadores. É o que traz o novo livro do selo infanto-juvenil Boitatá, da Boitempo Editorial, ‘O Capital para Crianças, adaptado pelo escritor catalão Joan R. Riera e com ilustrações de Liliana Fortuny.

O filósofo alemão Karl Marx se transformou no vovô Carlos para contar para crianças a partir de sete anos como o capitalismo funciona e para explicar, de forma lúdica, simples e sensível, questões como salário, a exploração da mão-de-obra, a importância das greves e lutas dos trabalhadores para a conquista de melhores condições laborais, tudo o que envolve a mais-valia e o lucro dos empresários, entre outros temas.

                                                                             REPRODUÇÕESLivro
O Capital’ para Crianças, de Joan R. Riera e Liliana Fortuny, Boitatá Editorial, 32 páginas, R$ 3
No livro, Frederico não entende por que a meia que ele produz custa no mercado duas libras, sendo que ele ganha apenas 25 centavos pela produção de cada par. Um amigo explica que o valor inclui os gastos da empresa com os salários, o carvão, a lã, os custos com as máquinas etc. Mesmo assim, a conta não fecha. Por isso, sua amiga Rosa decide se debruçar sobre aqueles números e acaba descobrindo que 1,35 libra corresponde, na verdade, ao lucro do patrão. “Bom… Sabe o que eu acho? Que esse tal de ‘mais-valor’ deveria se chamar ‘trabalho não pago ao trabalhador’. É muito injusto!”, retruca Frederico.

Ao final do livro, o leitor encontra uma página que traz questões instigantes sobre a história, conteúdo que também pode ser usado em grupo, na escola ou em casa. ‘O Capital para Crianças introduz aos pequenos a raiz das injustiças sociais de uma forma totalmente palatável, como uma forma de instigar o pensamento crítico desde muito cedo. Este é o objetivo do selo Boitatá: promover o aprendizado, o questionamento crítico e a construção de um senso de justiça social por meio da literatura.

                                                                                             RBAHQ
Marx, Uma Biografia em Quadrinhos’, de Corinne Maier e Anne Simon, Barricada Editorial, 64 páginas, R$ 45
                                                                                              RBADeus
O Deus Dinheiro’, de Karl Marx, com ilustrações de Maguma, Boitatá Editorial, 64 páginas, R$ 69

A Boitempo Editorial tem lançado diversas obras para celebrar o bicentenário do alemão. Uma delas, Marx, Uma Biografia em Quadrinhos, de Corinne Maier e Anne Simon, acaba de chegar pelo selo Barricada. A HQ aborda a vida e as principais ideias do filósofo que sonhou com um mundo livre da exploração, da desigualdade e do desemprego. Além de também explicar de forma leve e bem humorada conceitos como capitalismo e luta de classes, a obra passa retraça alguns dos episódios mais marcantes da vida de Marx, como a redação do Manifesto Comunistapor exemplo.

No final de março, chega às bancas pelo selo Boitatá O Deus Dinheiro, em que o artista espanhol Maguma cria um mundo surreal alimentado pelo desejo insaciável do consumismo. O livro, também voltado para o público infantil, é baseado no conto bíblico da Queda e em extratos dos Manuscritos Econômico-filosóficos, escrito por Marx em 1844.

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FLÁVIO AGUIAR: BERLINALE: CINEMA ANTI-GOLPE BRILHA EM FESTIVAL ALEMÃO

Fevereiro 26, 2018

CULTURA

Filme romeno ‘Touch me not’ levou o Urso de Ouro. Os filmes brasileiros “Tinta Bruta” e “Bixa Travesty” também foram premiados

por Flávio Aguiar.
 
                                                                         REPRODUÇÃOBixa travesty

‘Bixa Travfine como bicha, trans, preta e periféricaesty’ narra a trajetória da cantora transexual Linn da Quebrada, que se de

Berlinale sem polêmica não é Berlinale, e a 68ª edição não fugiu a esta regra. O primeiro prêmio, o cobiçado Urso de Ouro para o melhor filme foi para a produção romena Touch Me Not – Não Toque em Mim –, dirigido por Adina Pontilhe, que focaliza a dificuldade de homens e mulheres em relação à intimidade sexual. Houve até quem considerasse o filme como pornográfico, pelas cenas de nudez e busca de relacionamento sexual.

O cinema latino-americano, o brasileiro em particular, saiu-se muito bem nesta Berlinale. O filme mexicano Museo, dirigido por Alonso Ruizpalacios, sobre um bem sucedido mas desajeitado furto de 140 peças do Museu Nacional de Antropologia do México, nos anos 80, ganhou o Urso de Prata de Melhor Roteiro.

Ana Brun, do filme paraguaio Las Herederas, de Marcelo Martinesi, ganhou o Urso de Prata de Melhor Atriz. O Brasil participou na co-produção, e foi a primeira vez que um filme do Paraguai concorreu na Berlinale.

Quanto ao Brasil, comecemos com Tinta Bruta, de Marcio Reolon e Filipe Matzembacher, que ganhou o Teddy Award (dado a filmes de temática LGBTI) de melhor filme. Tinta Bruta também ganhou o Prêmio Cicae, da Confedération Internationale des Cinemas d’Art et d”Essai. O filme Teatro de Guerra, da argentina Lola Arias, uma reencenação da Guerra das Malvinas por veteranos argentinos e britânicos, ganhou o prêmio Cicae na categoria Fórum, além do Prêmio do Júri Ecumênico.

Aliás, o Las Herederas, de Marcelo Martinessi, ganhou um Destaque, que equivale à Menção Honrosa, no Teddy Award. Ele ganhou também o prêmio Teddy Reader’s, o Prize Winner Competition 2018 e o prêmio da Associação Internacional de Críticos.

Continuando com o Brasil: Bixa Travesty, de Claudia Priscilla e Kiko Goifman, ganhou o prêmio Teddy de Melhor Documentário, com Linn da Quebrada. O filme foi aplaudidíssimo, e Linn recebia cumprimentos na rua por onde passava.

Zentralflughafen THL, dirigido pelo brasileiro Karim Aïnouz, uma co-produção brasileira e alemã, ganhou o prêmio da Anistia Internacional. O filme é um documentário sobre como vivem e sobrevivem os refugiados sírios, afegãos e russos no histórico aeroporto de Tempelhof, hoje desativado, e transformado simultaneamente em parque e abrigo para refugiados. 

O filme Obscuro Barroco, produção francesa e grega, direção de Evangelia Kranioti, sobre a cultura queer no Rio de Janeiro, com Luana Muniz conduzindo a narrativa, ganhou o Prêmio Especial do Júri Teddy.

Finalmente, O Processo, filme de Maria Augusta Ramos sobre o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, teve casa lotada em todas as sessões. As plateias aplaudiam o filme durante sua exibição. Na estreia o filme, que teve participação da própria Berlinale na sua produção, alem da Holanda, foi aplaudido de pé, e ganhou o prêmio de terceiro lugar na votação do público, uma honra em se tratando do Festival de Berlim e de seu público cinéfilo e sofisticado.

O filme consegue a proeza de sintetizar o processo do impeachment, desde sua abertura até o desfecho. A diretora informou ter 400 horas de gravação. A direção não é neutra, mas é objetiva e sóbria. Não há narração em off. Os personagens agem e se revelam por si mesmos. 

Em resumo, a 68ª Berlinale foi uma festa e uma vitória para o cinema brasileiro, pondo em relevo de forma vigorosa e rigorosa um Brasil denso e complexo – aquele que o condomínio golpista que nos assola desde 2016 quer esconder e talvez destruir.

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ÊXODO, AGRONEGÓCIO E TRANSFORMAÇÃO NO CAMPO SÃO MOTE DE DOCUMENTÁRIO

Fevereiro 25, 2018

CINEMA

‘Paulistas’, de Daniel Nolasco, acompanha as mudanças ocorridas em uma pequena cidade no sul de Goiás por meio do olhar de três irmãos
por Xandra Stefanel, especial para RBA.
 
                                                       DIVULGAÇÃOJovens

‘Paulistas’ registra uma forma de cultura que está prestes a desaparecer diante de tantas transformações

Os irmãos Samuel, Vinícius e Rafael tiveram de se mudar da pequena e campesina cidade de Paulistas para a região urbana de Catalão, no sul de Goiás. Todas as férias, eles voltam para visitar os pais e reviver uma cultura e os costumes que estão aos poucos morrendo. É o que acompanha o filme Paulistas, de Daniel Nolasco, que estreou esta semana no projeto Sessão Vitrine Petrobras em mais de 20 cidades brasileiras.

Primeiro longa-metragem de Nolasco, o filme resgata também a própria história do diretor, que nasceu em Paulistas e passou pelo mesmo processo de migração que vivem os três irmãos e todos os jovens da cidade. “Paulistas é a busca por deixar registrada uma forma de cultura que também me pertence e que está prestes a desaparecer diante de tantas transformações. O filme acompanha a dupla contradição entre o retorno e a partida, entre a tradição e modernidade, por meio dos três personagens. Jovens que se mudaram para a região urbana de Catalão e retornam à casa da família durante as férias. As férias de julho são o momento em que futuro e passado encontram-se completamente presentes em Paulistas“, afirma o diretor.

Até a década de 1970, a região era formada por pequenas fazendas que praticavam a agricultura de subsistência até que, no final dos anos 1980, a monocultura da soja passou a dar cada vez mais espaço ao agronegócio e aos latifúndios. E assim a população foi aos poucos migrando para a região urbana de Catalão. Segundo a equipe do longa, desde 2014, não existem mais jovens morando em Paulistas.

O filme registra o contraste entre os antigos costumes locais em vias de desaparecer e a modernidade homogeneizadora que vai tomando cada vez mais espaço. Imagens das casas abandonadas e invadidas pelo mato e pela soja, a floresta morta ao redor do rio, a hidrelétrica que transformou de forma irreversível a geografia da região são intercalados com cenas cotidianas dos irmãos e da população local.

                                                        DIVULGAÇÃOWander
Uma das cenas mais potentes do documentário é a de Wander tentando negociar um preço melhor para sua soja

Sem entrevistas nem vozes em off, o filme acompanha silenciosamente Samuel, Vinícius e Rafael e não parece ter intenção de se intrometer no desenrolar das férias dos três. A não ser pela sequência em que Wander, o pai dos jovens, se senta em frente à câmera para tocar violão, as cenas são, em sua maioria, ações corriqueiras que não parecem dirigidas nem posadas. É como se o diretor quisesse contar a história de todas as transformações que a região vem passando apenas pela forma de agir dos campesinos e pelos sons, ricamente registrados.

“O documentário pretende mostrar através de imagens e sons toda esta contradição. É buscando isso que a câmera sempre manterá uma distância dos personagens, assumindo a posição de observador. Um observador que mantém determinada distância para não ser invasivo, mas que ao mesmo tempo é afetuoso e respeitoso. Que buscará não só registrar a visualidade da região, mas a sonoridade e seu tempo. Esse tempo do campo que é diferente de uma cidade, mesmo das pequenas. Um tempo quase sempre governado pela luz do dia, no qual as pessoas acordam com o nascer do sol e vão se recolher no cair da noite“, conta Daniel Nolasco.

“Morei até os dois anos na região – minha mãe foi uma das primeiras a deixar Paulistas e se mudar para a cidade de Catalão, no interior de Goiás. Vi ao longo dos anos e do passar do tempo atransformação pela qual passou a região e as pessoas que se mudaram para áreas urbanas. Comecei a observar o fim daquela cultura e daquele modo de vida“, afirma.

Paulistas tem uma escolha narrativa corajosa, que não opta pelo didatismo e que tenta deixar as imagens falarem por si só. Uma das cenas mais potentes do documentário talvez seja a de Wander ao telefone com o que parece ser um revendedor agrícola. Ele pede ao interlocutor uma ajuda para conseguir vender sua soja a um preço melhor. Sinal dos novos tempos, em que os pequenos produtores imploram para desovar sua produção por preços miseráveis.

Todas as sessões de Paulistas serão abertas com a exibição do curta-metragem de animação Quando os Dias Eram Eternos, dirigido por Marcus Vinicius Vasconcelos, sobre a história de um filho que volta para a casa de infância para cuidar da mãe em seus últimos dias de vida.

CartazPaulistas 
Direção: Daniel Nolasco
Produção: Estúdio Giz e Panaceia Filmes
Gênero: Documentário
Duração: 76 minutos

PORTAL FÓRUM: FILMES BRASILEIROS SÃO PREMIADOS NO SEGMENTO LGBT DO FESTIVAL DE BERLIM

Fevereiro 24, 2018

MC Linn da Quebrada, em “Bixa Travesty” – Fotos Divulgação

O filme brasileiro “Tinta bruta”, dirigido por Filipe Matzembacher e Marcio Reolon, recebeu, neste sábado (24), o prêmio da Confederação Internacional de Cinema de Arte e Ensaio (CICAE) no Festival de Berlim. Exibido na mostra Panorama, a segunda mais importante do festival, o filme narra a história de Pedro, um jovem homossexual que ganha dinheiro com atuações em fóruns na internet.

Shico Menegat em cena de “Tinta Bruta”

“Tinta bruta” já tinha recebido nesta sexta (23) o prêmio Teddy, destinado a filmes com temática LGBT, de melhor ficção. Outra produção brasileira premiada na cerimônia foi “Bixa travesty”, de Kiko Goifman e Claudia Priscilla, que levou o troféu de melhor documentário.

PORTAL FORUM: DOCUMENTÁRIO SOBRE O GOLPE CONQUISTA O GRANDE PRÊMIO DO PÚBLICO DO FESTIVAL DE BERLIM

Fevereiro 24, 2018

Maria Augusta Ramos: “Quando a gente escolhe um tema para investigar e fazer um filme, existe um desejo de dividir esse mergulho com o público” – Foto: Divulgação. 

No momento em que o golpe no Brasil tenta, por meio do ministro da Educação Mendonça Filho, censurar disciplinas acadêmicas sobre o impeachment, o documentário “O processo”, que narra os bastidores da conspiração de políticos contra a presidenta Dilma Rousseff, venceu o grande prêmio do público no Festival de Berlim, um dos maiores do cinema mundial.

A premiação foi anunciada na tarde deste sábado (24) e foi comemorada pela diretora Maria Augusta Ramos. “Quando a gente escolhe um tema para investigar e fazer um filme, existe um desejo de dividir esse mergulho com o público. E depois, quando o filme fica pronto e recebe um prêmio do júri popular, eu arrisco dizer que talvez seja uma das maiores realizações como diretora. E é muito relevante também pelo filme ser sobre um episódio histórico do Brasil e estar sendo compreendido por audiências de outras latitudes”, disse ela ao jornalista Bruno Ghetti.

Com informações do Brasil 247

 

BANDA DE MILITANTES “MÚSICA POPULAR” FAZ DA LUTA SEU PALCO

Fevereiro 23, 2018

Banda que não dissocia música de política se prepara para lançar seu quinto álbum, com ritmos que vão da salsa ao forró

Norma Odara

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

Banda já está há oito anos na estrada e carrega na bagagem apresentações em atos que lutam contra perda de direitos  - Créditos: Reprodução
Banda já está há oito anos na estrada e carrega na bagagem apresentações em atos que lutam contra perda de direitos / Reprodução

Bandeiras, faixas e enormes balões começam a surgir no meio de militantes de vários movimentos populares. Enormes carros de som estacionam nas vias e os músicos da banda Mistura Popular já começam a se aquecer e afinar os instrumentos para animar mais um ato. 

Bateria, sanfona, baixo e violão, embalam o público militante e intercalam músicas às falas e informes. É esta a rotina de lutas da banda composta por militantes de movimentos, que há oito anos traz alegria e música engajada à festas, sindicatos e às manifestações. Entre elas a manifestação contra a reforma trabalhista, a reforma da previdência e em diversos atos contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

Mas o grupo não se apresenta apenas em espaços de militância, como explica Jadir Bonacina, que faz parte da banda e é militante do Movimento dos Atingidos por Barragens e defende a indissociação da música da política.

“O foco principal hoje é levar música boa na esquerda, no Brasil. A gente tem conseguido contribuir um pouquinho nessa questão.  A gente não consegue distinguir, no Mistura Popular, até tem muitas pessoas que falam que arte é arte, política é política, cultura é cultura. A gente não consegue fazer uma divisão da política com a arte. A gente acha que a arte e a política elas andam juntas, até porque geralmente a arte vem pra atender as necessidades da política e vice-versa”, explica. 

A diversidade de sons que “bebem da fonte” de ritmos tradicionais brasileiros e o resgate de ritmos latino americanos, refletem a preocupação com a valorização da cultura popular e, sobretudo, a fraternidade entre os povos latino americanos, que sofreram e sofrem processos de exploração.

Salsa, xote, frevo, baião são alguns dos ritmos que a banda Mistura Popular entoa em composições autorais, que estarão presentes no mais novo trabalho, o quinto disco. Intitulado “Misturando o Brasil 2” o cd está em fase de pré-produção e tem previsão de lançamento para meados de março, seguindo a lógica de apresentações de lançamento em espaços de luta e resistência popular.

“Então nesse trabalho a gente tá trazendo várias músicas, a maioria dos integrantes do grupo, que são compositores. A gente tá trazendo bastante a influência latino-americana, gravamos salsa, xote, frevo, baião e rock, neste material novo. A gente tá bem empolgado, estamos em pré-lançamento, vamos lançar ele oficialmente neste próximo mês”, afirma Bonacina. 

A banda pretende lançar o cd no mês que vem, com shows em espaços de luta, como o Armazém do Campo, no centro, que há um ano comercializa produtos da reforma agrária e incentiva a cultura popular, com shows às sexta-feiras e sábados. 

Edição: Camila Salmazio

PORTAL FORUM: RAPPER PAULISTANO YANNICK LANÇA O CLIPE “TAMBÉM CONHECIDO COMO AFRO SAMURAI REMIX”

Fevereiro 22, 2018
  O rapper paulistano Yannick Hara lança mais um vídeo de uma das faixas do EP Também Conhecido Como Afro Samurai. Desta vez, a faixa-título versão remix, última música do trabalho, ganhou um clipe cheio de efeitos e participações especiais.

Gravado em estúdio, o vídeo apresenta os dançarinos Danilo Martins e Dartlita Double-Lock em performances intercaladas com a presença do próprio artista. O cenário alterna as cores azul, vermelha e branca, gerando uma sensação de drama e suspense, como sugere a letra.

Na concepção da música, Yannick conta com a participação de Dieguito Reis (Vivendo do Ócio) e Petrus (OI Darth Bastard). O remix tem uma pegada trap, com uma roupagem eletrônica e mais pesada do que a original. A faixa apresenta, ainda, novas rimas, que lembram uma apresentação de Freestyle.

O vídeo é o sexto de uma séria de oito. “Pretendo lançar clipe de todas as faixas do EP até o final de 2018”, explica Yannick. O trabalho é totalmente inspirado no mangá e anime Afro Samurai, cujo o enredo narra a saga de um samurai negro chamado Afro que busca vingar a morte do pai, assinado por Justice.

YANNICK

Nascido e criado no centro de São Paulo, Yannick é um rapper independente que não segue os padrões tradicionais do gênero. Enquanto a maioria dos MCs falam do dia a dia nas periferias, críticas ao sistema ou – até mesmo – sobre amor, festas e luxo, Yannick busca inspiração em mangás, animes e a cultura geek para escrever suas letras. Pouco a pouco, o artista vem crescendo e conquistando respeito do público e da crítica. Com o EP Também Conhecido Como Afro Samurai, por exemplo, realizou mais de 40 apresentações e uma apresentação no Estúdio Showlivre, um dos principais palcos da música independente brasileira. O EP ganhou um resenha no blog Collectors Room de Florianópolis (SC), além de destaque no site Nação da MúsicaRap Nacional Download(RND). Concedeu entrevista para o Portal R7MonkeyBuzzRevista Arte BrasileiraThe Trend Killers e para o canal Yo Ban Boo. A pedido do Jornal Metro SP, o rapper resenhou a edição “Hip Hop Genealogia” que revê primórdios do gênero. Lançou o clipe de A Maldição da Bandana, com exclusividade pela Billboard Brasil, e o curta Afro vs Justice em parceria com o Omelete. Concedeu entrevista para o R7 e, também, lançou o clipe Luto Por Você pelo Portal. Participou do programa Manos e Minas (TV Cultura). Fez parte da coletânea “O Mundo Ainda Não Está Pronto – Um Tributo ao Pato Fu”, projeto que reuniu vários artistas de vários gêneros para homenagear os 25 anos da banda mineira. Yannick, junto com Camila Brumatti, fez a faixa “Eu Ando Tendo Sorte“. Em dezembro de 2017, cantou a faixa “Luto por Você” no programa do Ratinho (SBT) no quadro Dez ou Mil.

FICHA TÉCNICA

Realização: Live Station

Direção: Seiji Hara e Rodrigo Furlani

Edição e produção: Rodrigo Furlani e Norberto Filho

Beat por Everton Beatmaker

Participação especial de Petrus da Ol´Darth Bastard (@petrus.camargo), Dieguito Reis da Vivendo do Ócio (@dieguitoreiss)

Dançarinos: Danilo Martins (@danilo_kapela) e Dartlita Double-Lock (@darlita.albino)

Figurino: Rose N Crown Brasil (@rosecrownbrasil)

Mixado e masterizado por BlakBone nos estúdios da Live Station (@livestationoficial).

Disco: EP Também Conhecido Como Afro Samurai (2016)

PORTAL FORUM – MPF: NÃO TEVE CRIME DE PORNOGRAFIA INFANTIL NA PERFORMANCE DO MAM

Fevereiro 22, 2018
  Em meio a uma agenda conservadora e moralista que vem cerceando a liberdade artística no Brasil, uma decisão do Ministério Público Federal (MPF) divulgada nesta quinta-feira (22) animou artistas, museus e trabalhadores da área da cultura em geral. O órgão informou descartou o crime de pornografia infantil na performance “La Bête”, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), que gerou polêmica em setembro do ano passado com a divulgação de vídeos que mostravam uma criança interagindo com um artista nu.

O artista que protagonizou a performance e o museu foram alvos de violentos ataques de grupos de direita, que chegaram a pedir a até mesmo a prisão do performancer e o fechamento do MAM, os acusando, além de pornografia infantil, de pedofilia. A grita contra o museu veio logo após uma campanha, também de direitistas, que culminou na censura à exposição Queermuseu, em Porto Alegre (RS), que tratava sobre gênero e sexualidade.

O Ministério Público Federal, no entanto, descartou qualquer viés erótico na apresentação do MAM e valorizou, em seu pedido de arquivamento da investigação, a liberdade artística.

“A mera nudez do adulto não configura pornografia eis que não detinha qualquer contexto erótico. A intenção do artista era reproduzir instalação artística com o uso de seu corpo, e o toque da criança não configurou qualquer tentativa de interação para fins libidinosos”, destacou a procuradora da República Ana Letícia Absy, responsável pelo procedimento investigatório.

De acordo com o MPF, “para caracterização do crime que foi investigado, de divulgação de material de pornografia infantil pela internet, as imagens divulgadas teriam que conter cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente ou ainda situações em que o menor é retratado de forma sexualizada, com a intenção de satisfazer ou instigar desejo sexual alheio”.

O MPF mandou arquivar também uma investigação sobre “violação aos direitos de crianças e adolescentes” do MAM, também por conta da mesma apresentação. O tema já havia sido analisado por um grupo de trabalho da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, órgão do MPF em Brasília, resultando na publicação de uma Nota Técnica sobre os limites da liberdade de expressão artística perante o direito fundamental de crianças e adolescentes à proteção integral. Segundo o documento, uma exposição dispensa qualquer tipo de prévia classificação etária por parte do Poder Público. Os responsáveis pelo espetáculo têm como obrigação apenas informar ao público, previamente e em local visível, sobre a natureza do evento e as faixas etárias a que não se recomenda, de forma a permitir a escolha livre e consciente da programação por parte de pais e responsáveis pelas crianças ou adolescentes.

EAV PROMOVE ‘VIRADÃO’ DA DIVERSIDADE PARA IMPULSIONAR A VINDA DA EXPOSIÇÃO QUEERMUSEU

Fevereiro 21, 2018

Evento será realizado no Parque Lage

Evento terá debates, performances, grupos de cultura popular e bateria da Mangueira

Jornal do Brasil
Um levante festivo contra a censura e a intolerância. Um grande movimento que pretende dar voz às mais diversas manifestações artísticas brasileiras. Um espaço potente para produção de pensamento. Assim será o Levante Queremos Queer, que vai ocupar o Parque Lage no próximo dia 24, sábado, a partir das 10h.

O viradão seguirá embalado por apresentações de grupos ligados à cultura popular como o Tambores de Olokum, o Jongo da Serrinha e o Cordão do Boitatá. A bateria da Mangueira e o Afoxé Filhos de Gandhi são outros trunfos da instigante programação, que contará ainda com rodas de coco e com o Slam das Minas, Baque Mulher, Bunytus de Corpo, Tyaro Maya e muitos outros.

O Levante tem produção da Escola de Artes Visuais do Parque Lage em parceira com Dyonne Boy (coordenadora executiva do Jongo da Serrinha) e Julio Barroso (agitador cultural e integrante do Ocupa Carnaval).

Ao todo serão doze horas de programação gratuita e ininterrupta, que deve acontecer simultaneamente no jardim do chafariz, no palacete e na oca, que receberá artistas performáticos.

Evento será realizado no Parque Lage
Evento será realizado no Parque Lage
Tags: censura, intolerância, levante, manifestação, movimento