Archive for Abril, 2010

UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Abril 30, 2010

Haia, 07 de janeiro de 1882

Ferragus se apoiando na sua bengala (20/11/1846- Le Chirivari) , DAUMIER

Ferragus se apoiando na sua bengala- Para Balzac

Neste trecho Van Gogh comenta sobre a relação  que ele como artista possui com a natureza:

(…) Eu me lembro de ter vivido uma época em que a sensibilidade para a paisagem me obecava fortemente, e que eu ficava mais imprenssionado com um quadro ou um desenho nos quais um efeito de luz ou uma atmosfera estivessem bem expressos do que com uma figura.

Em geral, os pintores de figuras inspiravam-me um frio respeito, mais que uma calorosa simpatia.

Lembro-me ainda de ter ficado particularmente impressionado neste época por um desenho de Daumier, um velho sob as castanheiras dos Champs-Elysées (uma ilustração para Balzac), embora este desenho não fosse tão importante; mas sei muito bem que ele me impressionou particularmente pela concepção forte e viril de Daumier. E disse a mim mesmo: deve ser bom sentir e pensar desta maneira, e passar por cima de uma porção de coisas para concentrar-se no que dá o que pensar, e no que diz respeito de uma maneira mais pessoal ao homem enquanto homem, mais do que às pradarias e as nuvens.”

Honoré-Victorien Daumier foi um gravurista, caricaturista, chargista, pintor, escultor e ilustrador francês cujo trabalho oferece ricos comentários sobre a vida social e política da França no século XIX.  Um artista com grande talento em diferentes áreas, ficou bastante famoso como caricaturista de figuras políticas e de pessoas do campo, sendo considerado o “Michelangelo da Caricatura. Outra área de grande destaque é a das litogravuras cujo mais de 4000 foram produzidas em sua vida e sendo considerado o pioneiro do naturalismo.

Nascido em 26 de Fevereiro de 1808 em Marselha, filho de Jean-Baptiste Louis Daumie, um vidraceiro e Cécile Catherine Philippe  . Devido as aspirações literárias do pai, sua família se mudou para Paris tentando a publicação de um livro de poesia. Desde sua juventude Daumier já se interessava pelas artes, indo com certa freqüência ao Museu do Louvre e estudando profundamente as obras de Rubens e Ticiano. Mas a pedido de seu pai trabalhou primeiramente como porteiro, e depois como livreiro. Posteriormente em 1822, virou pupilo de Alexandre Lenoir, um arquelogista e artista, entrando no ano segunte para a Académie Suisse.  Suas primeiras obras  profissionais foram litografias feitas no trabalho com um publicitário chamado Belliard, depois trabalhando com publicitários músicais e ilustrando propagandas. Anos depois durante  o governo de Louis Philippe ele se juntou com outros artistas no jornal cômico, La Caricature, que satirizava a corrupção da realeza e a inutilidade da burguesia. Sua caricatura Gargântua, que ridicularizava o rei Luís Filipe, custou-lhe seis meses de prisão em 1832. Privado da liberdade, o ilustrador matava o tempo retratando os presos. Quando foi solto Daumier fundou o célebre Le Charivari, que produziu caricaturas sociais sobre a sociedade e os artistas burgueses. Com uma linha, Daumier podia redefinir um conceito psicológico, como no Ratapoil (1850).

Os trabalhos de Daumier com esculturas também é bastante louvável, principalmente as de barro não-assado e bronze. Na pintura percebe-se a busca da veracidade de sua visão e o poderoso direcionamento de suas pinceladas. A paleta de cores se simplifica nos tons ocre e terra. Os temas são artistas em desgraça e crianças na miséria, algo que o mobilizava de maneira singular. No entanto, seus quadros não visam à emoção gratuita; seus personagens conservam o tempo todo a dignidade humana.

O poeta Baudelaire escreveu sobre Daumier: “Um dos homens mais importantes, eu não diria somente da caricatura, mas também da arte moderna.”

Fotografia de Daumier por Félix Nadar

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Às sextas e terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor monoauricular Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui.

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Coriscorre

Abril 30, 2010

Se entrega, Corisco!
Eu não me entrego não!
Eu não sou passarinho
Pra viver lá na prisão!
Se entrega, Corisco!
Eu não me entrego não!
Não me entrego ao tenente,
Não me entrego ao capitão,
Eu me entrego só na morte,
De parabelo na mão!

Mais forte são os poderes do povo!
Farreia, farreia, povo,
Farreia até o sol raiar
Mataram Corisco,
Balearam Dadá.

O Sertão vai virar mar,
E o mar vai virar sertão!

Tá contada a minha estória,
Verdade, imaginação.
Espero que o sinhô tenha tirado uma lição:
Que assim mal dividido
Esse mundo anda errado,
Que a terra é do homem,
Não é de Deus nem do Diabo!


Sérgio Ricardo- Perseguição / O sertão vai virar mar

Do Cinema “Deus e o Diabo na Terra do Sol” de Glauber Rocha

Não chores pelo que não mais existe

Abril 29, 2010

Não chores mais o erro cometido;
Na fonte, há lodo; a rosa tem espinho;
O sol no eclipse é sol obscurecido;
Na flor também o inseto faz seu ninho;
Erram todos, eu mesmo errei já tanto,
Que te sobram razões de compensar
Com essas faltas minhas tudo quanto
Não terás tu somente a resgatar;
Os sentidos traíram-te, e meu senso
De parte adversa é mais teu defensor,
Se contra mim te excuso, e me convenço
Na batalha do ódio com o amor:
Vítima e cúmplice do criminoso,
Dou-me ao ladrão amado e amoroso.

William Shakespeare- Soneto XXXVI

Kinemasófico: A princesa nicotina, O delírio de Hasher e Jogos Viris

Abril 28, 2010

” A PRINCESA NICOTINA”

Título Original: Princess Nicotine

Diretor: Desconhecido

País: Estados Unidos

Ano: 1909

Duração: 7 Minutos

Sinopse (Resumo da História do Filme) : Quando um fumante cai no sono, duas fadas brincam com seus artigos de fumante. No meio das brincadeiras das fadas, o fumante acorda e começa a ver as fadinhas a mexer e bagunçar todo seu cachimbo e fósforos. Para conter a bagunça o fumante decide brincar um pouco com a fadinha.

Após este filme foi discutido se o que o fumante tinha visto havia sido uma alucinação ou um delírio, e explicado a diferença, então foi trabalhado o segundo curta, que trás no título a palavra delírio mal empregada.

“O DEL[IRIO DE HASHER”


Título Original:La songe d’un garçon de café

Diretor: Émile Cohl

País: França

Ano: 1910

Duração: 3 Minutos

Sinopse (Resumo da História do Filme) : Neste curta francês, um garçon sofre uma alucinação e passa a ver figuras distorcidas pelo alcool, e depois começa a enxergar sua própria distorção, onde não há mais o espaço de fora e o de dentro.

JOGOS VIRIS


Titulo Original: Muzné Hry

Diretor: Jan Svankmajer

País: República Checa

Ano:1988

Duração : 17 minutos

Sinopse (Resumo da História do Filme) : Este curta conta a história de um fanático de futebol que frente a um jogo imperdível começa a imaginar que todos os participantes do jogo são ele próprio criando uma outra realidade do futebol a partir da violência em campo. Em certo momento o campo passa a ser seu próprio apartamento, e todo esta virilidade do esporte está ameaçada de se tornar um outro propósito além do futebol. Consiguirá o torcedor desvencilhar o futebol de sua própria imagem?


O Kinemasófico é um vetor cinematográfico que a Afin realiza todos os domingos à boca da noite, contando com um curso artístico (teatro, cinema…), sempre com a apresentação ao final da atividade de um cinema. Mais informações, clique aqui.

Pãoieses

Abril 28, 2010

GENESE PAN


A mão amassa a massa,

a massa de farinha

apertada pelas juntas

e logo se esfumaça.


E quando está bem amassada

Leva o tempo do descanço

Para poder crescer em vida

E virar uma fornada

Do pão


PÃO N’OSSO


A mão reparte o pão.

e repassa o alimento

que vai para outras bocas

E se torna uma afecção.


Que se mate toda fome

Não por um mês ou por um dia

Mas enquanto houver a vida

E a inteligência de todos nós

Se torne sempre produção.


UM OUTRO PÃO


A vida que se segue

Faz do pão não mais um deus

Mas uma parte de nós homens

que juntos existimos

traçamos nossas leves linhas

e onde a força não é esquecida, não.

UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Abril 27, 2010

Haia, 07 de janeiro de 1882

Cabeças de Pessoas (série) , HERKOMER


Cabeças de Pessoas (série) – Amsterdam, Vicent Van Gogh Museum

Em mais uma longa carta, Van Gogh faz uma reflexão quando os seus desafetos com um grande amor, Mauve, e dos julgamentos que fazem sobre ele. Ainda faz uma análise sobre o uso dos bens de produção usados pelo pintor e da transformação da natureza em objetos de arte. Nesta carta descreve a Theo as gravuras em madeira que Vincent possui:

“GRAVURAS DE MADEIRA QUE VINCENT POSSUI

1 Pasta Tipos populares irlandeses, mineiros, fábricas, pescadores, etc., na maioria pequenos esboços a pena.

1 pasta Trabalhos do Campo de Millet, a seguir Breton, Feyen Perrin e lâminas inglesas de Herkomer, Boughton, Clausen, etc.

1 pasta Lançon

1 pasta Gavarni, completada por litografias, nenhuma rara.

1 pasta Ed. Morin

1 pasata G. Doré

1 pasta Du Maurier, munto chia

1 pasta Ch. Keene e Sambourne

1 pasta J. Tenniel completada pelos cartoons de Beaconsfield

Falta John Leech, mas esta lacuna pode ser facilmente preenchida pois pode-se obter uma reimpressão destas gravuras em madeira, o que não é muito caro.

1 pasta Barnard

1 pasta Fildes e Charles Green, etc.

1 pasta Pequenas gravuras em madeira francesas, álbum Boetzel, etc.

1 pasta Cenas a bordo de navios ingleses e croquis militares

1 pasta Heads of the Peole por Herkomer, completada por desenhos de outros artistas e retratos .(…)”

Hubert von Herkomer foi um pintor alemão que morou a maior parte de sua vida na Inglaterra. Além de pintor ele teve uma carreira como cineasta pioneiro e ainda de compositor.

Nascido em Waal, na região alemã da Bavária em 26 de Maio de 1849. Seu pai, Lorenz Herkomer, era um xilógrafo de grande habilidade que pensando em um futuro melhor para sua família partiu para os Estados Unidos, se fixando em algum tempo em Cleveland e retornando a Europa em 1857, quando foram morar em Southampton, Inglaterra, onde sua família viveu durante algum tempo.  Estudando em uma escola de arte local Hubert começou seu treinamento artístico e engressando durante pouco tempo a Academia de Munique. Em 1866 o pintor ingressou em um curso mais exigente nas Escolas de South Kensington, exibindo seus trabalhos pela primeira vez na Royal Academy em 1869. Nesta experiência estudou com Luke Fildes e foi influênciado pelo trabalho de Frederick Walker. Após deixar Kensigton começou uma carreira como ilustrador de livros e revistas. Neste mesmo ano, ele começou a trabalhar no recem-fundado jornal The Graphic.

Em 1880 Hubert se concentrou no campo lucrativo dos retratos. Neste período visitou os Estados Unidos e durante o period de dez semanas recebeu 6.600 libras por 13 retratos, virando mais rico do que muitos dos retratados.

Seus trabalhos artísticos desta época lhe deram bastante prestígio na Academia, e que lhe deu cursos de arte nos projetos Slade em Oxford, onde se manteve até 1894.

Seus trabalhos inclue retratos, pinturas subjetivas e paisagem, utilizando várias técnicas como óleo, aquarela, água-forte, entre outros. Em 1883 ele criou a Herkomer School em Bushey, na qual ensinou, dirigiu, e administrou até 1904, treinando mais de 500 estudantes.

Horkomer morreu em Budleigh Salterton em 31 Março de 1914.


Nas cartas anteriores a esta Vincent Van Gogh conta a seu irmão todas as experimentações que tem feito tanto no amor quanto na pintura. Inicialmente seus treinos ocorrem através de cópias de obras já conhecidas como podem ser visto abaixo… A última é produção do próprio Van Gogh, não sendo assim uma cópia.

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Às sextas e terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor monoauricular Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui.

O retorno de Vera Cruz

Abril 27, 2010

O cinema no Brasil  durante muito tempo foi, e de certa forma até hoje é, ligado a uma aristocracia. Quando se criou a maior parte das companhias cinematograficas, não se pensou em fazer um cinema popular voltado para o povo e sim voltado pelo amor ao capital. Assim surgiu a Atlântida, e assim surgiu a Vera Cruz. Criada em 1949 pelo industrial de origem italiana Ciccilo Matarazzo Sobrinho juntamente com o engenheiro Franco Zapari, a Vera Cruz se fixou em um modelo hollywoodiano em produzir filmes brasileiros. Esta empreitada que durou até 1954 tinha como base uma granja em São Bernardo, tendo os equipamentos todos importados e de grande desenvolvimento tecnológico. Um dos fatores que levaram a falência era a falta de um sistema de distribuição, que ficava por parte dos estúdios americanos, que ficavam com 60% dos lucros. Mesmo com o fracasso, a Vera Cruz produziu 22 filmes em seus 5 anos de existência, entre eles o cinema O cangaçeiro de Lima Barreto, (este nada trazia de Hollywood), Sinhá Moça de Tom Payn e o Cayçara.

A volta dos que já voltaram

Depois de bilhões de anos diz que os estúdios genuinamente tupiniquim Vera Cruz está de volta as filmagens. O novo longa que vai começar a ser rodado pela companhia, é “LB Persona” de Galileu Garcia que contará a história de O Cangaçeiro, sendo um pseudo-documentário. Será a primeira filmagem em 33 anos, já que mesmo falida, o espaço dos estúdios produziram “Paixões e Sombras de Walter Hugo Khouri em 77. Que a Vera Cruz produza realmente um cinema brasileiro.

Notas de cravo e rosa

Abril 25, 2010

  • No recente Leilão de arte contemporânea dos emergentes BRICS teve a obra “Bicho”, da brasileira Lygia Clark vendida por mais de US$ 564 mil (cerca de R$ 1 milhão) no leilão de arte organizado pela galeria londrina Saatchi. A obra que se molda conforme o contato é uma escultura metálica geométrica  de 1960 .

 

  • Durante esta semana de 26 a 29 de abril, de 19 às 22 h, o Centro de Teatro do Oprimido do Rio de Janeiro, está oferecendo um curso de estética da arte, incluindo do teatro. “A Estética do Oprimido é uma forma de combater a invasão do cérebro, que nos faz acreditar que nem todo mundo é artista porque coloca o oprimido como protagonista do processo estético, não simples fruidor de Arte, mero consumidor de produtos Artísticos.” diz o teatro criado por Augusto Boal e que conta com outros coringas. Para se inscrever mande um e-mail, ou ligue (21) 2232-5826, 2215-0503 e 9856-5604.

 

  • Um importante projeto sobre a história do nosso cinema está sendo desenvolvido e já vem ajudando a manter viva um pouco de cinema por aqui. Trata-se da digitalização de mais de 100.000 páginas das duas primeiras publicações brasileiras sobre cinema (Cinearte de 1926 e A Scena Muda de 1921) para a internet . Esta restauração ocorreu graças ao Museu Lasar Segall, com patrocínio da Petrobrás e a colaboradores. A iniciativa disponibilizou cerca de 110 mil páginas das duas publicações, que já podem ser lidas e baixadas diretamente e gratuitamente do site da Biblioteca Jenny Kablin Segall.

  • Uma das principais obras das áreas humanas, sociais, econômicas e politicas, O Capital de Karl Marx vai se tornar um cinema. A obra que explicou muito bem a exploração e funcionamento do sistema capitalista, será levado ao cinema pela mãos do realizador alemão Alexander Kluge (diretor de Despedidas de Ontem, Artistas na Cúpula do Circo, A indomável Leni Peickert, etc). Embora o projeto fora idealizado no passado pelo cineasta russo Sergei Eisenstein, nunca fora realizado antes. O filme de Alexander Kluge, com uma duração de 9 horas e gravado em 3 DVD’s, chama-se Nachrichten aus der ideologischen Antike: Marx – Eisenstein – Das Kapital (Notícias da Antiguidade Ideológica: Marx – Eisenstein – O Capital) e tem a chancela da prestigiada editora alemã Suhrkamp. No primeiro DVD, a ideia aborda a idéia geral de O Capital , o segundo mostra a relação dos homens com as coisas e o terceiro tem como ponto fulcral a sociedade de troca.O lançamento dos DVD’s no mercado está previsto para o dia 19 deste mês. Kluge é também um jurista, trabalhou com Adorno, e colaborou no manifesto do Grupo 47.
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  • Começou nesta semana e vai até dia 16 de maio, a Cinemateca Brasileira e no Centro Cultural Banco do Brasil SP, a segunda edição da mostra CLÁSSICOS & RAROS DO NOSSO CINEMA. Esta mostra tráz raridades como A filha do advogado (1926), de Jota Soares,  do Ciclo do Recife, A grande feira (1961), do bahiano Roberto Pires, diretor pioneiro do cinema baiano, e A mulher de todos (1969),   Damas do prazer (1979), de Antonio Meliande do cinema da Boca do Lixo, Preço de um desejo (1952) de Aloisio T. de Carvalho, E a paz volta a reinar (1955) de Yoshisuke Sato. A mostra ainda conta com um espaço criança com cinemas como o curta Macaco feio… macaco bonito… (1929), de Luiz Seel, uma das primeiras animações feitas no Brasil, em programa duplo com O Saci (1953), de Rodolfo Nanni, adaptação da obra de Monteiro Lobato para as telas. Depois de São Paulo, a mostra segue para o CCBB do Rio, de 11 a 30 de maio, e para o CCBB de Brasília, de 11 de maio a 6 de junho.
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  • Aos amigos pernambucanos lembramos a 14º Edição Cine Pe – Festival Do Audiovisual que ocorre no Centro de Convênções do Recife e conta com a participação de diversos cineclubes. Com diversas produções de todo o Brasil e uma homenagem que não vale e pena mencionar, o festival trás uma extensa programação que foge um pouco dos filmes esvaziados do cinema nacional (embora haja filmes monstruosos). Haverá ainda oficinas e outros eventos.

  • A arte surrealista de Max Ernst (1891-1976)  está em exibição no MASP, até o dia 18/7. Trata-se de colagens, principalmente da série completa “Uma Semana de Bondade”,  que ao contrário do nome mostra a violência, a tortura e a perversidade. Nesta série Ernst expõe a tortura dos tiranos e regimes totalitaristas, o horror burguês da tragédia psicologica, a família edipiana.  As gravuras que se parecem reais, pulam da realidade perversa criada pelas formas de produção do homem e suas implicações.
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  • A Rede Globo agora criou uma parceria com o cartunista Mauricio de Sousa, pai da “Turma da Mônica”. Embora não tenha dado detalhes da empreitada,  fica claro o interesse dos dois lados em negociar esta produção. Se formos pensar o trabalho de decadas de Maurício em produzir uma forma de entretenimento dos quadrinhos para a criança, seria um desperdício se ligar a uma rede que produz uma programação perigosa tanto para adultos quanto para crianças. Esperamos que o Maurício de uma coelhada afastando o risco que a globo representa as crianças.
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  • Dentre os filmes escolhidos para concorrer há Palma de Ouro para curtas o brasileiro “Estação”, de Márcia Faria está na disputa. O vencedor será anunciado no encerramento do festival, no dia 23 de maio. Outros diretores brasileiro na Quinzena dos Realizadores são de Marina Meliande e Felipe Bragança com “Alegria”.

 

  

 

  • A atriz Penélope Cruz deixou a vida de atriz por umas semanas para se tornar a redatora-chefe da edição francesa da revista “Vogue”, na qual apresenta amigos como Pedro Almodóvar e Bono. Este trabalho está direcionado para o próximo número da publicação. A revista terá 3 capas diferentes e os lucros serão revertidos para a luta contra a Aids, projeto que já vem sendo realizado por Penélope Cruz. Na revista haverá um dossiê com Penélope, uma reportagem de Vanessa Paradis, e um encontro com Almodóvar e Jeanne Moreau.

Hot Dog Latino

Abril 24, 2010

Povo da minha terra,
Tá inventando moda, Tá achando bom
Ninguém quer se chamar João
É Bill Clinton e Alain Delon.

Se Maria se chamasse Brooke Shields,
Micael, Jade, São José
Mary seria nome de valor
E Michael Jackson Zé

Os meninos do interior
Não quer se chamar José
É Michael Douglas, Leonardo DiCaprio
De Botinão no pé

Joaquim já deixou de ser Guinga
Diz agora é Rockfeller,
Foi pra Santa Fé embarcou no whiskey
Tá querendo ser cumpadi de Mike Jagger
Arnoldo e sua Jeca,
Quer se chamar Arnold Schwarzenegger

Povo da minha terra,
Tá inventando moda, Tá achando bom
Ninguém quer se chamar João
É Bill Clinton e Alain Delon.

Se Maria se chamasse Brooke Shields,
Micael, Jade, São José
Mary seria nome de valor
E Michael Jackson Zé

Cadê Herculano?
Tá rebatizando Jovelino
Manel filho de Gertrude
Agora é Joy Boy Boy-Bye menino

Pra Florida todo ano
Com Smith Fidilhopino
Só come diet só bebe light
Mas é um hot dog latino
Até meu cachorro caçador
Quer se chamar Farofino

Povo da minha terra,
Tá inventando moda, Tá achando bom
Ninguém quer se chamar João
É Bill Clinton e Alain Delon.

Se Maria se chamasse Brooke Shields,
Micael, Jade, São José
Mary seria nome de valor
E Michael Jackson Zé

Good Morni seu Raimundo
Meu breakfast é cuzcuz
O workshop dos tupiniquins é
Proteger os caititus

Tatu de paletó e gravata
É bravata Luizinho,
Mas é direito do jabuti
Querer se chamar Paul Newman
Mesmo que fique parecendo
Vitrô no rancho de capim

Povo da minha terra,
Tá inventando moda, Tá achando bom
Ninguém quer se chamar João
É Bill Clinton e Alain Delon.

Se Maria se chamasse Brooke Shields,
Micael, Jade, São José
Mary seria nome de valor
E Michael Jackson Zé

Good Morni seu Raimundo
Meu breakfast é cuzcuz
O workshop dos tupiniquins é
Proteger os caititus

Tatu de paletó e gravata
É bravata Luizinho,
Mas é direito do jabuti
Querer se chamar Paul Newman
Mesmo que fique parecendo
Vitrô no rancho de capim

O Letiço, Vem cá Letiço.
Que Letiço o que rapaz, você nunca viu filme americano não?
O nome do menino é Let’s go.


Juraildes da Cruz é músico, violonista e cantador do Estado de Tocantins. Participou do Festival da TV Tupi em 1979 ao lado de Genésio Tocantins. Jeca que é joia, Juraildes mostra nesta música a maneira que muitos brasileiros acatam totalmente os costumes americanos, muitas vezes sem saber o que as palavras estrangeiras dizem. Este alegre cantar mostra a expansão do inglês, que domina todo o mundo, e o desinteresse por nossas culturas.

UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Abril 23, 2010

Wasmes, Julho de 1880

Retrato de um erudito (1631) , KEYSER

Retrato de um erudito – The Hague, Royal Cabinet of paintings Mauritshuis

Em uma longa carta, Van Gogh conta para Theo seus aborrecimentos com o apego sufocante da família que lhe quer ditar a vida, e depois discorre sobre uma obra do teatro popular de Shakespeare, continuando da parte onde paramos no último pintor(Fabritius):

“E acredito que Kent, um personagem do Rei Lear de Shakespeare, é tão nobre e distinto quanto uma figura de Thomas de Keyser, embora Kent e Rei Lear tenham vivido muito tempo antes. Isto para não dizer mais nada. Meus Deus, como é belo Shakespeare. Quem é misterioso como ele? Sua palavra e sua maneira de fazer equivalem a um pincel fremente de febre e emoção. Mas é preciso aprender a ler, como é preciso aprender a ver e aprender a viver.

Portanto, você não deve acreditar que eu renegue isto ou aquilo, sou uma espécie fiel na minha infidelidade e, embora mudado, sou o mesmo e meu tormento não é mais bom do que este: do que eu poderia ser bom?

Não poderia servir e ser útil de alguma maneira? Como poderia saber mais e me aprofundar este ou aquele tema? Como você vê, isto me atormenta continuamente.”

Thomas de Keyser foi um pintor holandês, filho de um dos mais famosos arquitetos da Holanda,  Hendrick de Keyser. Segundo contam a história Thomas aprendeu com o pai grandes noções de arquitetura e teria se tornado arquiteto também. Porém fontes históricas dizem que nenhuma obra até hoje, teve autoria comprovada como sendo de Thomas, e apenas há registo de um projeto de um arco triunfal que nunca chegou a ser construido mas chegou a ser exposto.

Nascido em Amsterdam por volta de 1596/97, Thomas como pintor era de grande talento sendo o mais requisitado para retratos, perdendo o trono apenas para Rembrandt.  A arte do retrato usada por Keyser é geralmente lembrada pelo contorno dourado de suas pinturas e do método Rembrandtiano do chiaroscuro (técnica de claro e escuro). Embora muito dos retratos fossem do tamanho natural, o pintor preferia pintalos em escala menor.

Além de retratos são de sua autoria algumas imagens históricas e mitológicas como o mito de Teseu e Ariadne, entre outras cenas. Algumas fontes afirmam que ele trabalhou seus cinco últimos anos como arquiteto vislumbrando a construção da prefeitura de Nova Amsterdã, onde fica o palácio real atualmente. Outro fato que nos distancia de Keyser é sabermos muito pouco da sua formação como pintor, seus mestres, e cursos.

Nos anos 40, devido a uma grande quedas em seus pedidos, Thomas teve que abrir um negócio com basalto (uma rocha vulcânica), levando longos anos até voltar a pintura. Thomas Keyser morreu em 7 de julho de 1667 na mesma cidade em que nasceu.

em  com grande talento como retratista e pinturas que se preocupou com a luz e o espaço, influênciado pela estilística desenvolvida na escola de Delft do Século XVII. Tinha uma pintura luminosa com um grande contraste de efeitos cromáticos. Bastante conhecido por ser pupilo de Rembrant e mestre de Veermer.

Fabritius nasceu em Midden-Beemster, na Holanda em 27 de Fevereiro de 1622. Filho de um professor, na infância trabalhou como aprendiz de carpiteiro. No início de 1640 ele começou a estudar no estudio de Rembrandt junto com com seu irmão Barent Fabritius, se tornando um de seus grandes aprendizes. Com Rembrandt ele aprendeu muitas coisas, porém nos quadros de Rembrandt as figuras emergiam do fundo escuro e se moldavam pela luz; nas obras de Fabritius a silhueta era feita a partir de fundos ilumidados, tendo ele se especializado sutilmente em pintar os efeitos da luz do dia. Isto influênciou muito Pieter de Hooch e Johannes Vermeer, que foi um de seus pupilos.Alguns anos depois se mudou para Delf e se juntou a liga dos pintores de lá e onde produziu grande parte de suas obras.


Saindo do foco do Renascimento e migrando para iconografia, Carel se interessou em vários aspectos técnicos da arte da pintura. Ele usou cores e harmonias frias para criar a forma em seu estilo luminoso de pintura. Outro campo de seu estudo era efeitos espaciais complexos, a partir das perspectivas.

Ele morreu bastante jovem em 12 de Outubro de 1654, quando tinha 32 anos, em uma explosão de uma loja de armas de fogo em Delf. Nesta explosão grande parte da cidade foi destruida, incluindo o atelier de Fabricius e grande parte de suas pinturas.

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Às sextas e terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor monoauricular Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui.