Archive for the ‘Arquitetura’ Category

Oscar Niemeyer, o conatus político do viver criativo

Dezembro 6, 2012

Oscar Niemeyer architect arquiteto brazil brasileiro

Oscar Niemeyer não está preocupado com sua idade. Ele sempre carregou o si um conatus político, onde sua potência de criação sempre afirmando a vida, nunca deixando de reagir com o novo e a todo momento produzindo artisticamente sua existência. Também foi um homem de seu tempo, presente nas transformações e criações de nossa sociedade. Um político que com sua potência criadora participou de

Há muitos adjetivos para descrever Niemeyer, mas nenhum consegue em seu corpo de qualidades envolver uma pessoa cujo a existência foi repleta de vivências tão ricas e importantes para o Brasil e o mundo. Não pelo tempo cronológico de 104 anos (e quase mais um) que esteve presente, mas pela intensidade de sua presença.

OSCAR, O POLÍTICO

Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir,Oscar Niemeyer, Jorge Amado

Simone de Beauvoir,Oscar Niemeyer, Jean-Paul Sartre, Jorge Amado

Niemeyer e Israel Pinheiro conversam com Fidel Castro no Palácio da Alvorada, em abril de 1959

Niemeyer e Israel Pinheiro conversam com Fidel Castro no Palácio da Alvorada, em abril de 1959

Oscar Niemeyer PCB Roberto Freire

Oscar Niemeyer e Roberto Freire PCB

Além de sua transformação das sociedades através da arte, Oscar como homem político, produtor de composições com o corpus democrático. Não apenas político por sua filiação ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) do qual deixou em 1991, mas por seu posicionamento social e engajamento em diversas causas.

Sua convicção na mudança que lhe fez arquiteto, assim como lhe fez comunista. Esta luta pela liberdade e pela não aceitação das imposições do capitalismo que o fizeram proibido de trabalhar e morar nos Estados Unidos e posteriormente deixar o país durante a ditadura militar. Seu comunismo sempre foi na prática cotidiana em não aceitar imposição de uma cultura cultuadora da morte e da sabotagem da vida por uma alienação da importância de cada um nas práticas cotidianas.

Oscar Niemeyer e Fidel Castro

Oscar Niemeyer e Fidel Castro

Envolvido em encontros que aumentaram sua potência democrática, Niemeyer esteve ao lado de Fidel Castro, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Lula, Jorge Amado, Luís Carlos Prestes, Hugo Chávez, Ulisses Guimarães, Dilma Vana Rousseff, entre diversos outros nomes políticos.

Artistas participam duma passeata contra a repressão aos estudantes. Rio, 1968.da esq. p dir.Carlos Scliar, Helio Pellegrino, Clarice Lispector, Oscar Niemeyer, Glauce Rocha, Ziraldo e Milton Nascimento.

Artistas participam duma passeata contra a repressão aos estudantes. Rio, 1968.Carlos Scliar, Helio Pellegrino, Clarice Lispector, Oscar Niemeyer, Glauce Rocha, Ziraldo e Milton Nascimento.

OSCAR, O ARTISTA

Oscar Niemeyer

Sua carreira como artista começou com seu ingresso na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro em 1929, e que dois anos depois seria dirigida, por Lucio Costa. Lá ele se formou arquiteto e participou de uma palestra de Le Corbusier. Seu primeiro grande trabalho foi o Ministério da Educação e Saúde, e foi seguido de outra obra que aconteceu quando ele conhece o prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek (JK), em 1940 e assumiu o projeto da Pampulha. Na mesma década recebe reconhecimento internacional e projeta a Sede da ONU junto com outros arquitetos.

Seu grande impulso foi o convite de JK para a construção de Brasília em 1956, sendo ele nomeado diretor da Escola de Arquitetura da recém-criada Universidade de Brasília – UnB, cargo que manteve durante três anos e que terminou com protesto e pedido de demissão junto com vários acadêmicos devido o golpe militar. Impossibilitado de produzir devido as linhas duras da ditadura, Oscar ganhou o mundo, trabalhando em Paris e várias cidades da Europa durante 10 anos.

Oscar Niemeyer e Gilberto GilOscar Niemeyer Brasília

Oscar Niemeyer (de frente) conversa com funcionários do Departamento de Arquitetura da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), em Brasília.

Oscar Niemeyer com funcionários do Departamento de Arquitetura da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), em Brasília.

Desde criança Oscar desenhava no ar e sua produção continuou até o dia de ontem, quando foi interrompida. Seus traços produziram uma estética única que está presente em todo o mundo nos cinco continentes e em diversos prédios de importância mundial a Sede do Partido Comunista Francês, a Mesquita de Argel, o Centro Cultural Le Havre e vários outros. A simplicidade dos traços e curvas além da presença mais humana nas construções são características da obra de Niemeyer.

OSCAR, HUMANO

O arquiteto Oscar Niemeyer participou de ensaio da Beija-Flor de Nilópolis no sambódromo do Rio

O arquiteto Oscar Niemeyer no ensaio da Beija-Flor de Nilópolis, Carnaval 2012

Como Oscar sempre soube que a vida não é algo divisível, sendo diversos percursos continuos, ele nunca caiu no conto da melhor idade, e não soube o que era ser estigmatizado de velho. É claro que seu corpo sentiu as mudanças fisico-químicas comuns aos seres humanos, mas devido a sua persistência no ser ele nunca deixou de produzir sua vida e sua arte, pois só assim nutria a existência.

Muitos podem criticar sua existência, mas dificilmente conseguirão alcançar a livre produção e o gozo de vida que Niemeyer sempre teve. Mesmo que digam sobre seus habitos como o tabagismo, Oscar estava presente e nunca negou a vida. Com sua vida ativou o pensamento, e com seu pensamento afirmou sua vida (Nietzche).

Oscar Niemeyer e Martinho da VilaOscar Niemeyer mostra maquete a Ulysses Guimarães

Lúcio Costa, Israel Pinheiro, Juscelino Kubitschek e Oscar Niemeyer observam maquete da Praça dos Três Poderes no Rio de Janeiro, em novembro de 1958.

Lúcio Costa, Israel Pinheiro, Juscelino Kubitschek e Oscar Niemeyer observam maquete da Praça dos Três Poderes no Rio de Janeiro, em novembro de 1958.

Um homem eterno em seus traços políticos que semeiou a quatro ventos novas visões da urbes. Oscar com uma caneta ou lápis na mão era capaz de criar uma nova realidade com algumas poucas linhas e curvas. Muitas destas estão concretizadas e outras surgirão, mas ambas o vivificam. Seu fazer continuará presente no mundo quando estes olhos que nos lêem verem os últimos raios de luz, e que estes sejam belos e produtivos como todo o traçado deste arquiteto que brasileiro sempre foi uma parte de nosso povo e nosso tempo, tanto que hoje nos brasileiros e todo o mundo está sorrindo para a celebração vida junto com os dedos curvados e a caneta repousada.

Oscar Niemeyer com o economista Celso Furtado e o antropólogo e amigo Darci Ribeiro em 1987

Oscar Niemeyer com o economista Celso Furtado e o antropólogo e amigo Darci Ribeiro em 1987

Oscar Niemeyer, Gilberto Gil e Lula

Este Oscar Ribeiro de Almeida Niemeyer Soares Filho, amante da existência, da transformação do que está constituido e busca se impor, da arte, da mulher, da possibilidade do novo. Seu patrimônio que hoje está presente em diversos paises no mundo nos mostra novas possibilidades de estarmos presente nos espaços e vermos que também podemos modifica-los com o tempo. E este espirito do tempo que com seus minutos, horas, anos impõe o real nos faz perene, muda nosso caminhar, mas mantem muitas construções em pé, principalmente como as de Oscar, que tanto demonstram vitalidade e humanidade. Assim, Oscar conseguiu com seus riscos na tinta e papel renovar, através de uma arquitetura não burguesa e não voltada aos interesses do mercado, uma estrutura massificadora em seus espaços e formas que nos interpelam negativamente. Com a tinta e papel, mostrou que nem sempre a tinta e o papel do capital é o que importa, pois esta apenas carrega linhas duras, enquanto a arte sempre se abre nas linhas de corte. Sempre para o novo, como Niemeyer viveu.

Brazilian architect Oscar Niemeyer in Le Havre, France

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Cidade com arquitetura da Escola de Bahaus comemora 50 anos

Novembro 9, 2012

De Deutsche Welle Brasil

Projetada há cinco décadas para dar forma à utopia do arquiteto Walter Gropius, de moradias em áreas verdes na periferia da cidade, a Gropiusstadt encontra-se desde então em constante transformação.

“Antigamente era uma beleza”, lembra Renate Ahnert, “finalmente, não precisávamos mais ficar carregando carvão”. Para ela, a calefação central foi decisiva na hora de tomar a decisão em prol de uma mudança para a Gropiusstadt, em 1965.

O conjunto habitacional ainda estava em plena construção, depois do lançamento da pedra fundamental, em 1962. Havia apenas um bonde, o metrô viria depois. E não havia ainda tantos espaços verdes. “Tudo era ainda deserto. Nenhum jardim-de-infância, nada”, recorda a educadora.

Grande conjunto habitacional em área verde

Quando, em 1958, o arquiteto da Bauhaus Walter Gropius foi incumbido de construir o conjunto habitacional Britz-Buckow-Rudow, tratava-se, também, de uma utopia social: o sonho de moradias melhores na periferia da cidade, de trocar os escuros apartamentos de fundos do bairro Neukölln, com banheiros do lado de fora e aquecimento a carvão, por um grande conjunto residencial em meio ao verde.

Gropius planejou complexos de prédios não muito grandes, com uma média de quatro e um máximo de 17 andares, atravessados por um cinturão verde. Além disso, uma boa infraestrutura com centros comerciais, cinema, correios e centros comunitários de lazer, a fim de garantir aos moradores as condições necessárias à vida urbana.

Vista aérea da Gropiusstadt Vista aérea da Gropiusstadt

Mas em 1961 o Muro de Berlim acabou sendo construído e o bairro estava localizado nas imediações da fronteira entre os lados ocidental e o oriental. A área do loteamento foi reduzida, os prédios tornaram-se mais altos.

No lugar dos planejados 14.500 apartamentos, foram construídos 19 mil. Os edifícios, com até 30 andares, abrigavam mais de 50 mil pessoas. Quando as obras acabaram, em 1975, a Gropiusstadt (Cidade de Gropius), como passou a ser chamada, tinha se transformado num verdadeiro monstro habitacional.

Cheiro de campo

“O quê? Você é da Gropiustadt? Na época, as pessoas viam isso como uma ameaça”, recorda Ingo Höse, hoje professor numa escola nas imediações do bairro berlinense. Nos anos 70, quando passou ali sua juventude, a imagem não podia ser pior. Gropiusstadt era considerada “uma área problemática”, marcada por drogas e criminalidade.

Uma percepção dos de fora, com a qual os moradores não concordam. Ingo Höse não lembra de qualquer sinal da suposta criminalidade juvenil na área. É claro que o lugar ficava um pouco “no fim do mundo”, trazia o cheiro de esterco dos enormes campos vizinhos, mas ali se tinha tudo que era necessário, lembra o professor: o centro comercial, os grupos de jovens e também sua escola. Foi a primeira gesamtschule da cidade, escola que reunia em um modelo todos os tipos de escola do sistema de ensino alemão, com aulas em horário integral e engajados professores de esquerda.

Realmente multicultural

“Tenho colegas de 18 nações”, aponta Cornelia Weis-Wilcke, com uma ponta de orgulho. Ela dá aulas há anos na Escola Walter Gropius. Ali, a realidade é, de fato, multicultural, se comparada a outros bairros berlinenses.

Depois da queda do Muro, muitos dos antigos moradores mudaram-se para uma periferia mais distante e o bairro atraiu gente nova, sobretudo migrantes do Leste Europeu – Rússia, Ucrânia, Polônia –, mas também muitos turcos, árabes e asiáticos. Os apartamentos eram baratos e grandes o suficiente para as famílias com muitos filhos.

Que hoje 30% das crianças do bairro vivem em famílias dependentes da previdência social é um fato que não se pode mascarar. Por isso, as escolas e outras instituições sociais oferecem aulas de reforço e ajudam na execução dos deveres de casa, tentando também auxiliar os pais com ofertas especiais.

Festividades na Lipschitzplatz: tentativa de revitalizar o bairro Festividades na Lipschitzplatz: tentativa de revitalizar o bairro

Quando, 50 anos atrás, Gropius projetou o primeiro conjunto habitacional berlinense em grande escala, a ideia era ainda parte de uma utopia social. Desde então, a Gropiusstadt encontra-se em constante transformação. “Não falo de religião, mas de cultura”, diz Julia Pankratyeva de maneira decidida. A efusiva ucraniana é considerada o “coração” do Centro Intercultural da Casa Comunitária, no centro da Gropiusstadt.

Engenheira de formação, ela trabalha ali há 15 anos. Quando chegou, sentiu-se de imediato em casa, uma vez que conhecia arranha-céus semelhantes em sua terra natal. “E aqui ainda tinha tanto verde”, lembra. Hoje, ela organiza no bairro noites de canto e dança, sobretudo para os moradores mais idosos e as crianças. Com seu jeito generoso e uma certa insistência, ela conseguiu reunir pessoas que antes evitavam o contato umas com as outras. A noite curdo-turco-grega, por exemplo, é um verdadeiro sucesso. Através da música e do canto, surgem interesses comuns entre as pessoas.

Atmosfera de mudança em ano de comemorações

Somos da Gropiusstadt é o título de uma exposição no shopping Gropiuspassagen, que reúne pequenos retratos de habitantes de diversas idades e origens. O que eles têm em comum é o fato de gostarem de viver ali e terem orgulho disso.

No ano de comemoração dos 50 anos de existência do bairro, luta-se para mudar a imagem do lugar. Um total de 400 novos apartamentos, lojas e hotéis deverão atrair inquilinos mais abastados para a região, fazendo com que ela se torne um pouco mais “urbana” – o que certamente não desagradaria a seu criador, Walter Gropius.

UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Maio 29, 2012
Cuesmes, 24 de setembro de 1880

O Moinho de Montréal  (c. 1865), VIOLLET-LE-DUC


Montréal in Mauléon-Licharre  , Pyrénées-Atlantiques, França


Van Gogh chega na cidade belga de Cuesmes e continua a carta falando das referências:

” É por essa razão que é grande (James Tissot), é imenso, é infinito; r ponha ao lado Viollet-le-duc e verás pedras, enquanto outro, ou seja, Méryon, é Espírito. Méryon teria um tal poder de amar, que agora, como Sydney Cartone de Dickens, ele amaria as próprias pedras de certos lugares.”

Eugene Emmanuel Viollet-Le-Duc foi um arquiteto e escritor sobre arquiologia francês. Seu trabalho foi importantissimo para restaurar com excelência a arquitetura milenar da França, além de construir novos prédios que se tornaram históricos no país. Isto pois tinha um entendimento próprio e criou um Teoria da Restauração, que devia respeitar sempre a forma original e entender o espírito do arquiteto criador.

Nascido em Paris em 21 de Janeiro de 1814,filho de um alto funcionário da Restauração e posteriomente da Monarchie de Juillet. Mesmo sendo autodidata, ele foi pupilo de Achille Leclere, e em 1836-37 passou um ano estudando a arquitetura greco-romana na Itália, nas cidades de Sicília e Roa, e se familiariza com conservação arquitetônica. Seus desenhos e aquarelas medalhas na Exposição Universal em 1834, 1838 e 1855, sendo que a última foi o primeiro lugar.

Seu principal interesse, entretanto, era no período da arte gótica, e como o Sir Gilbert Scott na Inglaterra, ele foi empregado para restaurar algumas das principais construções medievais na França, sendo seus primeiros trabalhos a Abadia de Vezelay, várias igrejas em Poissy, St. Michel em Carcassonne, a Igreja  Semur em Cote-d’or, e várias cidades góticas de Saint-Antonin e Narbonne, todas feitas entre 1840 e 1850. Entre 1845 e 1856 ele se ocupou da restauração da lendária igraja Notre Dame de Paris em conjunção com Lassus, e também da abadia de St.Denis.

Em 1849 ele começou a restauração das fortificações de Carcassone e a Catedral Amiens; e nos anos seguites restaurou a Catedral Laon, o Castelo de Pierrefonds, e muitas outras construções importantes.Em 1863 é se torna membro da Academia Real de Belas Artes da Bélgica e também se torna professor de História da Arte e Estética da Escola de Belas Artes de Vaillant, ficando apenas um ano no cargo. Ele ainda foi nomeado oficial em 1858 e comendador em 1869 da Legião da Honra Francesa.

Ele foi amigo íntimo de Napoleão III e durante o estado de sítio de Paris (1871) deu uma valiosa ajuda como engenheiro para importunar o exército. Ele teve muitos escritórios tanto políticos quanto artísticos, e foi durante quatro anos inspetor geral de construções antigas da França. Seu último trabalho foi o esquema geral 1; além disso ele publicou em 1867-69 um ótimo trabalho mostrano suas decorações coloridas não muito sucedidas aplicadas nas Capelas de Notre Dame para a exibição de prédios de Paris em 1878. Ele morreu no dia 17 de setembro de 1879 em Lausanne.

Como um desenhista Viollet-le-Duc ocupou somente um lugar secundário, mas como escritor de arquitetura medieval e artes relacionadas ele tem o mais alto nível. Seus dois grandes dicionários de arquitetura são trabalhos padrões em sua áres, e são os mais belos ilustrados com desenhos hábeis feitos a mão pelo arquiteto. Viollet-le-Duc foi um homem brilhante das habilidades mais variadas, dotado de um poder de trabalho que raramente é igualado. Ele foi artista, homem da ciência, um erudito arqueólogo e um acadêmico. O mapa no seu “O Massivo de Mont Blanc”, mostrando o contorno da rocha e a geleira do Mont Blanc, é um modelo de tipo, que combina grande beleza artística com a precisão do mais habilidoso engenheiro. Sua decoração forte e poética permitiu a ele reconstruir a vida e construções da idade média da maneira mais vívida possível.

Seus principais trabalhos literários são: Dicionário de arquitetura Francesa do Século XI ao XVI (1868); Dicionário da mobília françesa (1875); A arquitetura militar na Idade Média (1854); Manutenção da arquitetura (1872); Cidades e ruinas americanas (1863); Memória sobre a defesa de Paris (1871); Habitações modernas (1877);História da habitação humana (1875) A Arte russa (1877); entre dezenas de outros.

 

Eugene Emmanuel Viollet-Le-Duc em fotografia de Felix Nadar

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Às sextas e terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor monoauricular Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui.

Montréal in Mauléon-Licharre (Pyrénées-Atlantiques, France

Oscar Niemeyer: uma existência construtiva

Dezembro 16, 2010

Oscar faz muito mais do que ajudar a construir Brasília, ou prédios, construções em geral. Ele possui uma existência construtiva, aeonica e que nunca tem a necessidade de parar ou se classificar. A vida de Oscar é realmente uma vida pulsante feita de linhas de cortes que não permitem que o tempo exista como prisão chronos-imóbilidade. É por isso que a idade de Oscar não é feita por números, por 103 datas passadas, mas por forças alegres que continuam ativando a vida.


Zé Celso Martinês escreve cartinha ao Papai Noelsilvo

Novembro 26, 2010

O ser teatro brasileiro José Celso Martines Corrêa há mais de 25 anos mantém uma luta com o grupo milionário Silvio Santos por uma área vizinha ao espaço do Teatro Oficina (este que já existe há anos e foi projetado por Lina Bo Bardi) , onde poderia ser feito um grande complexo cultural e que só não foi feito pela caturrice do grupo de Silvio. Para tentar resolver esta pendência e com a quebra do “velhinho” que doa dinheiro, Zé Celso escreveu uma carta aberta publicada no sítio do Teatro Oficina  e que está reproduzida na integra abaixo. Que Silvio seja um bom velhinho

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Ió! SILVIO SANTOS

Ió! POVO DO BIXIGA DE SAMPÃ E DO BRASIL

Lutamos 30 anos por estes dias, contracenando com nosso PÚBLICO e com você SÍLVIO SANTOS, a Musa de nosso crescimento Social e Estético, jogando sempre no papel de nosso Antagonista com a mesma elegância, virtude, com que hoje assume pessoalmente todas as dívidas de seu banco, dispondo de todas as suas empresas, apoiado delicada e publicamente pelas suas Quatro Míticas Filhas e Esposa.

Queremos realizar estas DIONIZÍACAS em SAMPÃ, dedicando-a a você, PÚBLICO de SAMPÃ, especialmente a você, do BAIRRO DO BIXIGA e a você SÍLVIO SANTOS, como nosso CORÉGA. Assim chamavam os gregos, os que recebiam a honraria de Patrocinar os COROS DA TRAGÉDIA GREGA. O Cidadão era escolhido entre os mais ilustres e ricos das cidades. Desejamos não seu dinheiro, SÍLVIO SANTOS, mas que coroemos juntos o final destes 30 anos de Guerra, dando início à uma Paz duradoura, fazendo acontecer numa ESTRUTURA DE TEATRO DE ESTÁDIO PROVISÓRIA, construída no EX-ESTACIONAMENTO DO BAÚ DA FELICIDADE por 3 semanas, as DIONIZÍACAS de SAMPÃ.

O entorno do Oficina, não poderá ter outro destino de compra ou venda, por seu TOMBAMENTO FEDERAL. No espólio de seu GRUPO, este lugar terá este destino, mas isso virá num processo mais complexo, que pressupõe o tempo das negociações jurídicas, burocráticas, e de construção deste Complexo Cultural.

Queremos é aproveitar agora esta oportunidade histórica, de ter a RUA CANUDOS OFICINA ABERTA e o seu Espaço emprestado para darmos uma Mostra Concreta da grandiosidade do Projeto que ambicionamos para este CHACRA DE SAMPÃ, O BIXIGA.

O PÚBLICO entraria para esta MAQUETE DE ESTÁDIO DE TEATO para 2.000 pessoas, pela RUA OFICINA CANUDOS – projetada há 30 anos por um dos maiores “arquitetos” do século XX, Lina Bo Bardi – a própria PISTA DO TEATO OFICINA.

O Inicio do 1º Rito Espetáculo: TANIKO, um Nô Japonês, que recriamos como NÔ BOSSA NOVA TRANS-ZEN-IKO homenageando os 102 anos da Imigração Japonesa para o Brasil, nossa primeira peça para crianças de todas as idades, é a ABERTURA DO BECO SEM SAÍDA no final da PISTA-RUA DO TEATO OFICINA. O arquiteto Edson Elito, que concluiu a 1ª Parte da obra de Lina Bardi, prepara-se para fazer a engenharia desta abertura com o carinho e a delicadeza Zen do Rito Espetáculo que a inaugura.

SÍLVIO SANTOS, você e sua FAMÍLIA, o POVO do BIXIGA, e de SAMPÃ, são os CONVIDADOS ESPECIAIS dos ARTISTAS DE TODAS AS MÍDIAS E PROCEDÊNCIAS que participarem deste RITO e especialmente dos ARTISTAS do OFICINA UZYNA UZONA, a inaugurarem esta RUA e O ESTÁDIO PROVISÓRIO, que depois de três semanas, será desmontado.

Este acontecimento se iniciará com uma SEMANA DE OFICINAS UZYNAS UZONAS MULTIMÍDIAS, e ocuparia o EX-ESTACIONAMENTO DO BAÚ por 3 semanas, para a construção das estruturas provisórias, ensaios das 4 peças e apresentação das mesmas.

Tudo deve acontecer entre a última semana deste mês de Novembro até as semanas que terminam no dia 13 de Dezembro.

Hoje o quarteirão do TEATO OFICINA está cercado pelas demolições, até a Padaria da esquina, a JAVA, entrou em obras.

A Paisagem não é nada bela.

Que grande Alegria despertaria no BIXIGA, na Cidade de SAMPÃ, no BRASIL e no MUNDO este fim de ano com esta EPIFANIA, acontecida no glorioso final do Governo Internacionalista de Lula e do início do Governo da Primeira Presidente Brasileira eleita democraticamente, Dilma Roussef, em que uma Crise num Grupo Financeiro determina uma Saída, numa área de entendimento de todos os Contrários: a ARTE, A CULTURA.

A DEMOCRACIA não é uma palavra vã nesta área em que a LIBERDADE CRIADORA está além dos Partidos, das Religiões, das Ideologias, e onde o que era antes CONTRÁRIO, PODE VIRAR SACRÁRIO.

As apresentações de “TANIKO”, “ESTRELA BRAZYLEIRA A VAGAR CACILDA !!” “BACANTES” e “O BANQUETE”, patrocinadas pelo MINC, de GRAÇA em estruturas de TEATRO DE ESTÁDIO, para MULTIDÕES, em 7 capitais do Brasil, assim como as Oficinas Uzynas Uzonas que as precedem, realizadas com artistas de cada cidade, acontecerão também aqui em SAMPÃ. Estas serão realizadas com certeza, no TERREIRO ELETRÔNICO DA RUA JACEGUAY 520, e as DIONIZÍACAS, é nosso desejo, que aconteçam no TERRENO DO EX-ESTACIONAMENTO DO BAÚ DA FELICIDADE em estruturas provisórias de TEATO DE ESTÁDIO como foram as das 7 capitais percorridas. Será o Embrião deste Complexo Cultural que tem no próprio nome o desejo de associação com a entidade criada por sua pessoa, o ANHANGABAÚ DA FELIZ CIDADE.

Estamos convidando Artistas de todas as Mídias, q amam a Antropofagia, a vir conosco das 7 capitais onde já oficinuzynamos e daqui de nossa cidade, para juntos criarmos as DIONIZÍACAS em SAMPÃ , a 8ª BRASILEIRA, em Oficinas Uzynas Uzonas, um RITO DE PASSAGEM transportador para um além das indecisões finais do Teatro Dramático, do de Câmera, do dos Monólogos, para o SALTO PROFISSIONAL mortal-imortal, ao TEATRO DE ESTÁDIO DA OPERA DE CARNAVAL DA TRAGYCOMÉDIORGYA, Futebol das Emoções da Metrópole, no “ANHANGABAÚ DA FELIZ CIDADE”.

No TOMBAMENTO FEDERAL DO TEATO OFICINA, a parecerista que o apresentou, Jurema Machado, membro do Conselho do IPHAN e CORDENADORA DO SETOR CULTURAL DA UNESCO no BRASIL, no final de seu documento oficial, propõe que o MINISTRO DA CULTURA DO BRASIL, os SECRETÁRIOS DE CULTURA DO ESTADO E DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, unam esforços para comprar ou desapropriar o entorno do TEATRO OFICINA, para a realização do projeto do TEATRO DE ESTÁDIO, da UNIVERSIDADE ANTROPÓFAGA, e da OFICINA DE FLORESTAS, do verdejar que se espalhará por todo BIXIGA.

Estudamos nas 7 capitais com os ARTISTAS e PÚBLICO de cada Cidade, esta Arte do Brasil de hoje, o dos BRICS, países desequilibradores do Monopólio Global de um só Império. A Arte do Teatro, vinda do momento mais forte desta Arte como ARTE PÚBLICA, no Mundo: A Tragédia Grega. Exatamente o Teatro de ÁGORA, que o morador da Rua Ricardo Batista do BIXIGA, OSWALD DE ANDRADE, em 1943, no seu Manifesto pelo Teatro de Estádio no livro “PONTA DE LANÇA”, no texto: “Do Teatro que é Bom”, anunciou como o que mais em se plantando, daria na “Grécia Carnavalesca do Brasil”.

A Prática deste Teatro, tornada pública agora nas Oficinas Uzynas Uzonas de SAMPÃ, no BIXIGA, visam a RE-EXISTÊNCIA deste BAIRRO COMO CENTRO-PERIFÉRICO DE ENCONTRO DE TODOS OS GUETOS DESTA METRÓPOLE, COMO HOJE É A LAPA NO RIO DE JANEIRO.

Este é nosso DESEJO EXPOSTO PUBLICAMENTE NESTE DOCUMENTO.

É PEGAR OU LARGAR.

Se você SILVIO SANTOS, não quiser realizar agora este SONHO de PAZ de 30 anos, ele não acaba. O SONHO estará presente com toda sua explosão cardíaca de entusiasmo, nos RITOS-ESPETÁCULOS que então realizar-se-ão no próprio TEATRO OFICINA.

Mas a NOSSA LUTA de 30 anos criará um GRAN FINALE, UMA VITÓRIA, INICIADORA DE UMA OUTRA ERA PARA O TEATRO E A CULTURA DO BRASIL.

A Grandeza que atingiu a dimensão Trans-humana do SER BRASILEIRO NESTES TEMPOS, está presente em Atos e Atitude de humanos com a sua força, com a do POVO BRASILEIRO, COM A DO NOSSO PRESIDENTE, COM A NOSSA DE PODEROSOS HUMANOS DO OFICINA UZYNA UZONA, QUE INSPIRARÁ DILMA ROUSSEF E A CONTINUIDADE NO MINISTÉRIO DE QUEM PROPICIOU ESTE SALTO, ESTE SONHO: O MINISTRO DA CULTURA JUCA FERREIRA.

José Celso Martinez Corrêa

Autor, Músico, Compositor, Cantor, Ator, diretor, Palhaço do TEATO OFICINA UZYNA UZONA

SAMPÃ, 23 de Novembro de 2010 – 03:31

AMOR LIBERDADE E PROGRESSO EM NOSSA BANDEIRA

OU COMO QUERIA DARCY RIBEIRO

SOMENTE AMOR

O RESTO VIRÁ POR SI


O Rio em sonhos

Abril 8, 2010

Hoje eu tive um sonho inesperado, tão lógico e fiel arquitetonicamente que só um arquiteto poderia sonhar assim.

Sonhei que o rio se transformara por completo: não era mais a Avenida Atlântica com seus prédios de apartamentos a separar, como uma muralha, a cidade do mar. Ao contrário, diante de mim, uma grande ária arborizada a se prolongar até a praia. Um ambiente fantástico como aquele que os portugueses encontraram quando chegaram ao Brasil pela primeira vez.

Ainda em sonho, resolvi descer à rua para ver o que se passava. Por um dos caminhos de saibro penetrei nesse ambiente extraordinário que me levaria até o mar. E entre árvores frondosas e altas palmeiras cercadas de uma vegetação exuberante, fui caminhando devagar. Já não ouvia o barulho dos carros que antes incomodava, substituindo agora pelo canto dos pássaros, que à minha volta voavam tranquilamente. Às vezes, entre palmeiras imperiais que eu andava; outras, protegido pelas enormes áreas de sombra que as árvores maiores espalhavam pelo terreno.

E foi a parar de vez em quando diante de tanta beleza cheguei à pria afinal. E de longe fiquei a olhar a cidade agora tão diferente: as grandes áreas de apartamentos que, urbanisticamente desorganizadas, escondiam parte das montanhas do Rio, não mais se avistavam. Agora eram extensos blocos, tão leves e bonitos que nas encostas pareciam pousar docemente.

Mas o sonho terminara. Curioso, fui até a janela, e senti que a realidade se impunha mais uma vez. Eram os altos edifícios de Copacabana, a rua cheia de carros, e esse ambiente hostil e desumano das grandes cidades modernas.

É evidente que o Rio de Janeiro tão bonito, com suas montanhas a marcarem o céu com as curvas mais inesperadas, ainda resiste a esse crescimento urbano que ocorreu sem um plano geral definido, a se estender pelas praias, a atingir as encostas, sem outra preocupação que não a da especulação imobiliária, que o regime capitalista favorece.

Quando vejo uma foto do Rio antigo, agrada-me sentir que, na simplicidade da sua arquitetura, ainda havia uma boa relação entre volumes e espaços vazios. Mas depois, com a construção de novos prédios mais altos, aquele equilíbrio desapareceu- o espaço entre prédios perdeu a antiga escala e o urbanismo se desmereceu.

É claro que não pretendo cair no pessimismo, que desagrada aos cariocas e a mim próprio, orgulhosos desta cidade magnífica, para nós a mais bela do mundo.

Oscar Niemeyer- Rio de Janeiro. Retirado do belo livro ilustrado Crônicas- Oscar Niemeyer, Editora Revan

Imagem acima: Vista do MAM, projetado por Niemeyer

EnrrOscar

Dezembro 20, 2009

O lápis desliza no papel fazendo curvas, preenchendo o vazio como lã

que vão brotar do chão como uma fogueira de São João

entortará e rasgará o céu sem machucar como um pedaço de papel

e pelo Copan, enrrOscará os andares urbanos para o moderno não virar do tirano

O arquiteto em Oscar

Dezembro 17, 2009

O trabalho de um arquiteto (assim como o do artista. Um arquiteto-artista…) envolve ver o que não existe. É preparar uma construção sem ela estar pronta. É antever como o ambiente virtual vai se tornar real no meio das outras construções que já eram reais e de pessoas que já existiam antes daquela nova produção.

Por isso mesmo que a construção do arquiteto é uma construção artística. Oscar, assim como vários outros arquitetos, soube usar formas simples para construir prédios. Alguns prédios enunciam subjetividades pesadas, duras, que afastam os bons encontros; porém, no caso da arquitetura de Niemeyer, a leveza de suas curvas e a liberdade do traço não conduz a isto. Muitas vezes há casos como o Congresso Nacional, projetado por Niemeyer, que mesmo o contínuo e expressivo mal uso do poder e o rastro de corrupção conseguem produzir rachas na estrutura do arquiteto.

O trabalho de um arquiteto (assim como o do artista. Um arquiteto-artista…) envolve ver o que não existe. É preparar uma construção sem ela estar pronta. É antever como o ambiente virtual vai se tornar real no meio das outras construções que já eram reais e de pessoas que já existiam antes daquela nova produção.

Por isso mesmo que a construção do arquiteto é uma construção artística. Oscar, assim como vários outros arquitetos, soube usar formas simples para construir prédios. Alguns prédios enunciam subjetividades pesadas, duras, que afastam os bons encontros; porém, no caso da arquitetura de Niemeyer, a leveza de suas curvas e a liberdade do traço não conduz a isto. Muitas vezes há casos como o Congresso Nacional, projetado por Niemeyer, que mesmo o contínuo e expressivo mal uso do poder e o rastro de corrupção conseguem produzir rachas na estrutura do arquiteto.

Projeto e fotos do Palácio do Planalto em Brasília, construido em 1958.