Archive for Outubro, 2015

TRÊS POEMINHAS DE MOACYR FÉLIX TOCANDO DE LEVE NA POÉTICA DA MORTE

Outubro 31, 2015

moacyr1Como todo poeta Moacyr Félix é um poeta intempestivo. Um poeta que permite ao homem o contínuo-transcendente da história. O aquém e o além ontológico do existir.

Mas o que estamos fazendo, esquizofílicos? Querendo comentar Moacyr Félix? Sem essa pretensão! Deixemos o comentário para seu amigo Antônio Cândido.

“Como fator de unificação, há um certo instinto, que no plano dos conceitos vira convicção e parece consistir na certeza de que a rajada poética é uma em si. Por outras palavras: na certeza de que o poeta é sempre o mesmo na sua integridade, seja transmitindo as emoções do amor, seja fixando a impressão das, seja soltando a indignação da denúncia.

Nesse nível, portanto, não poderia haver um poeta ‘puro’, escrevendo em estado de indiferença quanto ao tema; nem um poeta ‘interessado’, para quem a presença do tema basta como garantia e justificativa de performance. Mas simplesmente um poeta – que não estatui prioridade entre emoção, percepção e convicção, desede que elas possuam a intensidade transformadora da experiência vivida. Um poeta, por conseguinte, que pode reversivelmente se ver no mundo e ver no mundo em si, a cada compasso do seu trabalho”.

Apresentação de Antônio Cândido do livro de Moacyr Félix, Em Nome da Vida, publicado em 1981.

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E se eu, por uma espécie de brincadeira amarga,

afirmasse que o verdadeiro beco sem saída só começa

depois do silêncio que fica atrás do silêncio que rodeia a

vida conversando com a morte dentro da poesia.

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Se eu posso fazer a minha morte, por que não adubo

a criação de um novo dia com a cinza desses códigos e

dessas filosofias e dessas éticas que ainda não incendiei?

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Na realidade nem esta ideia de morte é minha, já que

ela se tece entre os meus neurônios assim como esta

enferma-idade se instala no encarcerado interior da vida

do homem.

foto051Os três poeminhas foram extraídos da obra Introdução a Escombros, publicada em 1998 pela Editora Bertrand Brasil.

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“BETINHO – A ESPERANÇA EQUILIBRITA”, DOCUMENTÁRIO DE VICTOR LOPES

Outubro 30, 2015

6e47caad-2485-4467-9acc-2290c1047dc0“Caía à tarde sobre o viaduto e o bêbedo trajando luto me lembrou, Carlitos. (…) A esperança equilibrista sabe que show de todo artista deve continuar… (Aldir Blanc & João Bosco)”

Agora, no dia 3 do mês de novembro Herbert de Souza, o Betinho, completa 80 anos  de contínua militância compromissada com a liberdade princípio fundante da vida. Em verdade, o Devir-Betinho a potência poiética criadora.

Para mostra a existência engajada do Devir-Betinho, o cinegrafista Victor Lopes criou o documentário Betinho – A Esperança Equilibrista. Nele pode-se constar a importância de Betinho o criador do Instituto Brasileiro de Análises Econômicas Sociais (Ibase) e Campanha Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e pela Vida compostas por artistas, empresários, intelectuais e a sociedade civil.

Betinho é mostrado no documentário como a acepção pura do conceito de homem político. Betinho sempre esteve em constante simpatia com o coletivo. O social como o fundamento da história dos homens. Mas suas lutas políticas não foram somente no campo social. Foi também no campo somático. Fora acometido de algumas enfermidades que ele conseguiu combater. No caso da hemofilia foi até onde conseguiu impor suas criações e produções.

“O que aconteceu comigo ao logo da vida foi uma sucessão infinita de cortes. Eu não era para estar vivo quando eu nasci porque hemofílico não sobrevivia. Depois eu sobrevivi a uma tuberculose, quando tuberculose era aids ou câncer, a lepra dos anos 1950. Eu sobrevivi à clandestinidade. Estou sobrevivendo a aids. E sempre na risca”, narra Betinho no documentário.

O documentário é narrado pelo próprio Betinho com participação de alguns companheiros, entrevistas, depoimento de familiares, amigos, entre as pessoas entrevistadas está sua esposa Irles Carvalho e seu filho Daniel Souza. Há também o depoimento da segunda esposa, Maria Nakano.

O nome do documentário saiu da música de Aldir Blanc e João Bosco, O Bêbado e o Equilibrista que em um trecho da letra fala da “volta do irmão do Henfil”, seu engajado irmão cartunista, chargista e desenhista, Henfil. Betinho estava na clandestinidade.

“Foi o Henfil que me telefonou e disse: escuta aí. E aí eu comecei a escutar aquela música pelo telefone que falava sobre o bêbedo, o equilibrista e não sei o que… E num determinado pedaço entra a Elis cantando: ‘O Brasil que sonha com a volta do irmão do Henfil’. Aí foi que me dei conta que estava diante do hino da anistia e que eu era parte desse hino”, narra Betinho.

Veja o trailer e depois veja o documentário na íntegra. Se possível junto com amigos compromissados com o mundo para depois, com café, cerveja, cachaça, o que for, realizar um longa conversa sobre esse homem-político e seus feitos.

10ª MOSTRA LATINO-AMERICANO DE TEATRO DE GRUPO APRESENTA ARTIVISMO POLÍTICO

Outubro 29, 2015

la_virgen_triste_compania_galiano_108_foto_pedro_balmaseda_4_net_netPor mais gastronômico que seja um espetáculo teatral, ele é político. Mesmo o teatro encenado com um texto de um dramaturgo burguês, é político, porque através dele se pode analisar a realidade nefasta do mundo burguês que não deve ser copiada. Salvo alguém queira o existir nefasto para si.

Brecht é simplesmente singelo na encenação do teatro burguês, embora não seja um burguês. Suas peças e suas encenações, assim como todos seus escritos, revelam o mundo burguês. Daí seu teatro ser eminentemente político.

A história do teatro, em sua realidade filosófica, mostra que o trágico apresentado nas manifestações dionisíacas nas festas do vinho com seus sátiros, ditirambo, lírica e procissões, era puramente político. Mesmo apesar de institucionalizado já na Grécia, cidades-estados, o teatro mantém fortemente seu cunho político. Confirmam essa realidade os três trágicos Ésquilo, Sófocles e Eurípedes.

A 10ª Mostra Latino-Americano de Teatro de Grupo que inicia na sexta-feira, dia 30, e vai até o dia 8 de novembro, com entrada gratuita, vem confirmar o político do teatro. Só que com um signo-estético influente: Artivismo. Como chama seus idealizadores. A arte-política.

Serão 12 espetáculos apresentados por companhias oriundas de Cuba, Equador, Chile e Argentina, e oito companhias brasileiras. AS apresentações dos espetáculos teatrais não vão se restringir ao centro, mas se prolongarão até as periferias. A escolha do eixo-política, de acordo com os organizadores, foi impulsionado pelo momento atual que passa o país e outros centros latino-americanos que se encontram ameaçados de retrocesso democrático por atos de grupos nazifascistas.

a_cidade_dos_rios_invisiveis_coletivo_estopo_foto_ramilla_souza_6_net_netEmbora cada espetáculo tenha sua clara peculiaridade, todavia o Coletivo Estopô Balaio apresentará um espetáculo que dada à característica de seu palco causa surpresa ao publico. O espetáculo A Cidade dos Rios Invisíveis, baseado na obra do escritor italiano Ítalo Calvino, Cidades Invisíveis, será encenado dentro de um trem da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, entre as estações do Brás e Jardim Romano da Linha – 12 Safira.  

“Esse eixo vem no sentido de colocar no centro da discussão a dimensão política do nosso fazer teatral. Toda manifestação artística possui uma dimensão política, mesmo que o artista diga que não se interessa pela política. Então, resolvemos trazer à tona essa dimensão mais explicitada, escancarada da relação da arte com a política. O ‘artivismo’ nos pareceu um conceito histórico muito adequado.

A ideia é capitalizar cada vez mais dentro do espaço geográfico da cidade, atingindo uma população marcada pela exclusão em vários sentidos. São Paulo é uma cidade estruturada em dinâmicas de exclusão muito perversas. Ampliar o âmbito de circulação da mostra vai no sentido de também furar esses bloqueios de exclusão cultural”, observou Edgar Castro, coordenado-geral da mostra.

Vamos nessa, moçada, já que teatralizar é duplica a existência como objeto a ser observado, comparado, analisado e transformado!

CULTURA E ARTES INDÍGENAS SÃO ATRAÇÕES NOS JOGOS MUNDIAIS INDÍGENAS

Outubro 28, 2015

982167-27102015-dsc_5295Quem acreditou que só ia vivenciar os esportes nos Jogos Mundiais Indígenas que conta com etnias de 30 países e que se realiza em Palmas, Tocantins, se enganou. O que vem chamando atenção dos brasileiros e estrangeiros que estão frequentando o local são os objetos artísticos e culturais que os grupos indígenas vêm mostrando.

São várias as formas de artesanatos que estão sendo mostradas. Assim como também objetos artísticos tipos de danças e músicas executadas com instrumentos singulares das culturas presentes.

982162-to27102015-dsc_5985 981931-dsc_1940Entretanto, um sinal singular indígena tem despertado muito interesse no público presente. São as pinturas em partes do corpo com imagens e tinta particulares das etnias. Inúmeras pessoas foram pintadas com imagens que duram até uma semana. As pinturas têm preços que vão de R$ 5 a R$10.

Mesmo não querendo os indígenas são os próprios marqueteiros de suas culturas e artes, como mostra Manoki. Ele caminhava pela vila, pintado, com cocar, adereços nos braços e pernas quando foi para do por uma turista que pretendia fotografá-lo. Ele, com simplicidade e educação, satisfez o desejo dele.

“Eu acho bom, assim somos mais reconhecidos, mais valorizados. E também para podermos mostrar mais nossa cultura, a cultura do nosso povo. Mas o nosso orgulho é independente do pensamento do homem branco”, disse Manoki.

A pintura indígena carrega significados espirituais de cada povo de acordo com seus rituais e suas vivências. Por exemplo: a pintura corporal.

“A pintura representa alguma coisa, fala alguma coisa. O meu povo se pinta totalmente para a guerra, a nossa pintura é em preto e vermelho. Eu procuraria a pessoa e perguntaria por que ela está se pintando. A pintura é uma manifestação e um meio de mostrar que aquele povo existe e vive”, observou Urias Tsumey’wa, um xavante.

PALMAS - Feira livre de artesanato indígena na Arena dos Jogos Mundiais dos Povos Ingínenas (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

PALMAS – Feira livre de artesanato indígena na Arena dos Jogos Mundiais dos Povos Ingínenas (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Se você quiser experimentar uma pintura indígena com seus traços, suas cores e imagens singulares, ainda tem tempo. Se não for, em Palmas, pode ser que ao seu lado exista um indígena e você pode aproveitar. Mas não esqueça: pintura indígena não é moda.

NA COMEMORAÇÃO DE SEUS 11 ANOS MUSEU AFRO BRASIL APRESENTA TRÊS EXPOSIÇÕES INDEPENDENTES

Outubro 27, 2015

naom_562cfd8b4e021Até o dia 3 de janeiro o Museu Afro Brasil, na capital paulista, estará exibindo três exposições independentes que tratam da cultura popular, fotografias e artes plásticas

As exposições são:

  • Cartas ao Mar, com fotografias de Eustáquio Neves. Doze fotos em grandes dimensões de acordo com as experiências a partir de procedimentos fotográficos.
  • Raízes e Fragmentos – Uma Viagem ao Território Mental, de Duda Penteado. Temas relacionados a fenômenos geopolíticos e sociais como paz, dupla nacionalidade, globalização, diáspora. Penteado trabalha na recomposição de sua identidade de brasileiro e cidadão do mundo.
  • A Nossa Invenção da Arte, partes da coleção do engenheiro Ladi Biezus. A potência da arte popular que não se encontra ligada a qualquer academia em sua criação. Mas uma criação livre.

Alguns artistas que estrão nas exposições – Antônio Botero, Agnaldo Manuel dos Santos, Chico da Silva. José Antônio da Silva, Isabel de Jesus, Mirian Inês da Silva, Emygdio de Souza, Valdomiro de Deus Souza, Mestre Guarany, Mestre Dezinho, Mestre Vitalino, Mestre Nosa, Raimundo de Oliveira. Elza O S Conceição dos Bugres, Véio (Cícero Alves dos Santos), Ivonaldo Veloso de Mello e Maria Auxiliadora.

“O museu é uma referência nacional e internacional. Ele tem uma missão que é a de defender a história, a arte e a memória de nosso país e, com isso, afrodescendentes, portugueses e o povo brasileiro em geral. Por isso que ele se chama Afro Brasil.

Essas grandes fotos trazem memórias de antigos escravos, de gente que foi jogada ao mar.

Invenção no sentido da invenção mesmo, popular, que não está vinculada a nenhuma academia e que é uma manifestação cultural do povo brasileiro. Nós somos um dos poucos países que tem essa arte voltada para essas condições de invenção”, observou Emanoel Araújo, curador das exposições.

GUILHERMINA E CANDELÁRIO, PERSONAGENS NEGRO DO DESENHO INFANTIL COLOMBIANO, SÃO EXIBIDOS EM QUILOMBOLA

Outubro 26, 2015

fotografia_6A 123 quilômetros de São Luiz, Santa Joana, faz parte dos mais de 500 quilombolas nas terras do estado do Maranhão que lutam pela defesa e manutenção da cultura africana cujo processo de vivacidade é transmitido de geração a geração.

Pois bem, no fim da semana passada, o quilombo Santa Joana, foi palco de uma inusitada cerimônia estética-afro. A exibição do desenho animado colombiano Guilhermina e Candelário que é exibido na EV Brasil. A televisão pública que tem a melhor rede de programa por seguir os princípios democráticos socias da comunicação: serviço público e disciplina cívica. O que não se encontra em qualquer TV Globo, aberta ou fechada.

Foi uma festa das crianças, principalmente, e os adultos que se regozijaram com os personagens negros e suas aventuras solidárias. Os personagens são dois irmãos negros que contracenam com o avô Justino

“Estamos mostrando para o Brasil e para o mundo que estamos aqui. Que existimos”, observou o líder da comunidade, o babalorixá, João Batista, que protesta contra inexistência de negros nas telas das TVs brasileiras.

Já o responsável pelo Projeto Mandigueiros do Amanhã, que comporta aprimeira orquestra quilombola composta por 300 crianças e adolescentes, Mestre Bamba, afirmou que os desenhos apresentam os aspectos éticos e sociais que a cultura afro passa de geração a geração.

“Guilhermina e Candelário retrata o povo negro e seus valores morais e éticos. O desenho faz que a gente se veja na televisão”, disse Mestre Bamba.

A criança Renilson Gomes, de 11 anos, viu nos desenhos relações com suas próprias vivências.

“É como eu e minha irmã: eles discutem, mas depois ficam bem. Eles são bonitos”, disse Renilson.

fotografia_2O adulto que tiver envolvido com a educação de crianças e pretender que elas tenham outro olhar sobre o mundo, pode levá-las a assistir os desenhos na TV Brasil de segunda a sexta-feira no programa Hora da Criança que vai ao ar em dois horários das 8 horas às 12 horas e 12h30 às 17 horas.

A produção da animação sai dos talentos criativos da Señal Colombia e da Fosfenos Média.

PROGRAMAÇÃO DO MEMORIAL DA RESISTÊNCIA

Outubro 25, 2015

130601850289642032_celas62Encontro de Aprofundamento Temático – Dia 24 de outubro de 2015, das 9h30 às 13h30 
Empreiteiros da tortura, burguesia associada e terrorismo de Estado (1964-1985)

O Encontro de Aprofundamento Temático deste mês apresentará a palestra “Empreiteiros da tortura, burguesia associada e terrorismo de Estado (1964-1985)”,que objetiva discutir as continuidades e rupturas da confomação econômica, política e dos movimentos sociais presentes durante a Ditadura Civi-Militar e herdados pela contemporaneidade. A reflexão buscará evidenciar o legado de violência institucionalizada e a transição política conciliadora imposta pelos militares que impediu, na atualidade, o julgamento dos responsáveis pelas atrocidades cometidas no período em foco.
Para mais informações acesse:  

http://memorialdaresistenciasp.org.br/memorial/?c=calendarioeventos&dataevento=24/10/2015

Encontro com Educadores – Dia 31 de outubro de 2015, das 9h30 às 13h30
A visita acaba, mas a conversa segue: ação continuada, acessibilidade e projetos interdisciplinares.

O Encontro visa dialogar sobre as possibilidades de desenvolvimento de ações continuadas e projetos interdisciplinares por meio das diferentes atividades educativas e jogos lúdico-pedagógicos disponibilizados pela Ação Educativa do Memorial da Resistência de São Paulo. Dentre as propostas, destaca-se o Projeto Memorial ParaTodos que promove o acesso de pessoas com deficiência à Instituição.  Além da apresentação dos recursos multissensoriais, a programação conta com uma visita sensorial à exposição de longa duração.
Para maiores informações acesse: 

http://memorialdaresistenciasp.org.br/memorial/?c=calendarioeventos&dataevento=31/10/2015

Encontro com Educadores – Dia 07 de novembro de 2015, das 9h30 às 13h30
Desafios na contrução de projetos interdisciplinares

As ações educativas do Memorial da Resistência de São Paulo e os Encontros com Educadores promovidos ao longo de 2015, suscitaram uma série de reflexões. No último Encontro do ano, convidamos a todos(as) a participarem de atividade prática: a fim de subsidiar a composição de projetos e trabalhos interdisciplinares, promoveremos uma oficina que reflita e aponte perspectivas de utilização de material de apoio produzidos pelo Memorial, outras fontes documentais e potencialidades temáticas considerando, principalmente, a dimensão coletiva e articulada na construção de projetos.
Para maiores informações acesse: 

http://memorialdaresistenciasp.org.br/memorial/default.aspx?c=269&mn=&s=0

Yuyanapaq. Para Recordar – Exposição Temporária
De terça a domingo, das 10h às 17h30 (permanência até as 18h)
Entrada gratuita

Para aqueles ainda não visitaram o Memorial da Resistência de São Paulo neste semestre, convidamos a todos(as) para sua exposição temporária Yuyanapaq. Para recordar, uma das realizações da Comissão da Verdade e Reconciliação (CVR) do Peru.
Para maiores informações acesse:

http://memorialdaresistenciasp.org.br/memorial/?mn=&c=240&s=

TRÊS POEMINHAS DE ARTAUD TOCANDO DE LEVE NO NEUTRO FEMININO MASCULINO

Outubro 24, 2015

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                                                   Há detalhes suficientes para a compreensão.

                                                                    Explicitar seria estragar a poesia das coisas.

Antonin Artaud! Teatro da Crueldade! Corpo Sem Órgãos!

“Nunca, quando é a própria vida que nos foge, se falou tanto em civilização e cultura. E existe um estranho paralelismo entre esse esboroamento generalizado da vida que está na base da desmoralização atual e a preocupação com uma cultura que nunca coincidiu com a vida e que é feita para dirigir a vida”.

Esse o Teatro da Crueldade de Artaud: escapar de uma cultura “que nunca coincidiu com a vida”. Uma cultura que se toma com o direito de “dirigir a vida”. Não se deixar apanhar por uma cultura Corpo Com Órgãos, mas escapar como Corpo Sem Órgãos. Ser sempre intensidade. Fluxos de desejo. Desejo revolucionário.

Artaud teatrólogo intensivamente poeta.

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                                    NEUTRO

E em meu Neutro há um massacre!

Vocês compreendem, há a imagem inflamada de um massacre

que alimenta minha guerra pessoal.

Minha guerra se alimenta de uma guerra,

e cospe sua própria guerra.

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                                     FEMININO

Quero experimentar o feminino terrível.

O grito da revolta sufocada, da angústia armada em guerra e da reivindicação.

É como a queixa de um abismo que se abre:

a terra ferida grita, mas vozes se elevam, profundas

como o buraco do abismo, e que são o buraco do abismo que grita.

Neutro. Feminino. Masculino.

Para lançar esse grito eu me esvazio.

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                                MASCULINO

O Masculino, para fazer sair o grito da força,

se apoiaria primeiro no ponto do estrangulamento,

comandaria a irrupção dos pulmões na respiração

e da respiração nos pulmões.                         

Os poemas-textos foram extraídos do livro O Teatro e Seu Duplo, de Antonin Artaud.

MULHERES QUE ATUARAM CONTRA A DITADURA É O TEMA DE “ATRÁS DE PORTAS FECHADAS”, DANIELLE GASPAR E KRISHNA TAVARES

Outubro 23, 2015

imageNo dia 4 de outubro, no Festival Cine Direitos Humanos, será lançado o documentário longa-metragem Atrás de Portas Fechadas, das documentaristas e pesquisadoras Danielle Gaspar e Krishna Tavares. O documentário apresenta entrevistas com mulheres que no período da ditadura civil-militar que dominou o Brasil entre os anos 1964 e 1985, lutaram contra a opressão e a falta de liberdade.

O documentário mostra a contradição política das muitas mulheres no país. De um lado as mulheres não-alienadas, engajadas, que lutavam contra a ditadura feroz que se apossou do Brasil, e do outro lado mulheres bem comportadas e satisfeitas que se opunham a luta pela liberdade afirmando que estavam defendendo o país do perigo comunista.

Um mote criado pelos Estados Unidos e os ditadores e seus simpatizantes, como até hoje ocorre de maneira farsesca. As mulheres que lutavam contra o chamado perigo comunista, seriam hoje as coxinhas. Muitas delas descendentes dessas coxinhas passadas. Deus, Pátria e Família é a clara demonstração desse tipo de personagem que aparece no documentário.

3917ec44-e9e4-4166-a751-df9868603c07Maria Helena foi uma dessas mulheres que escolheu o comunismo para ser seu objeto de investimento libidinal do mal, já que não sabia que o mal que carregava era decorrente de suas repressões sofridas em famílias através de seus pais e que a levaram ater uma concepção de família totalmente burguesa: privada e egoísta. Ela foi participante da União Cívica Feminina (UFF) que auxiliava a repressão a combater os que lutavam pela liberdade.

“Que Brasil é este que nós vamos ter? Nós já tínhamos o exemplo de Cuba, do Che Guevara aquela desordem toda das quais tínhamos notícias constantes… E eu estava vendo o Brasil ir pelo mesmo caminho. Então, aquilo me deixava muito preocupada. Aí eu entrei na União Cívica Feminina (UCF) diretamente e fortemente, para fazer tudo que fosse possível.

Eu sabia que na Operação Bandeirantes eles tinham um trabalho muito grande de desbaratar aparelhos, que eram as células comunistas que se reuniam. Como nós fazíamos nossas reuniões, eles também faziam. Nós fazíamos as nossas porque eles faziam as deles. Então, eu me ofereci e disse: ‘Você me liguem quando tiverem alguma denúncia que eu vou guardar na minha memória visual chapas de carro para passar para vocês, para desbaratar aparelhos’. Assim eu consegui desbaratar muitos aparelhos”, afirma convicta e envaidecida Maria Helena.

O contraponto do documentário em relação as que trabalharam em benefício da ditadura surge no écran quando as cinegrafistas mostram o resultado da ditadura e a impunidade dos que a alimentaram.

“A impunidade dos crimes políticos perpetua-se nas mortes cotidianas, por meio das chacinas, massacres e outras arbitrariedades cometidas por policiais, grupos de extermínio e seus mandantes”, declara Atrás das Portas Fechadas.

As cinegrafistas explicam por que realizar um documentário com personagens reais que se posicionaram contra e a favor da ditadura.

“Existe uma questão histórica com relação às lutas políticas e ideológicas no Brasil que precisamos resgatar para responder essa pergunta. Em vários momentos da história dos movimentos da esquerda, no Brasil e na América Latina, vivemos a expectativa de mudanças sociais e políticas significativas que na maioria das vezes não s efetivou.

Além disso, historicamente, a esquerda latino-americana se fragmenta em dissidências, se fragiliza. Entender e escutar o outro, que é ideologicamente contrário, ou igual, faz-se necessário na medida em que se pretende refletir sobre esses processos históricos de forma mais orgânica ”, afirmam as cineastas Danielle Gaspar e Krishna Tavares.  

A estreia é no Espaço Itaú, Shopping Frei Caneca, em São Paulo.

“32 – UM HOMEM PARA CADA ANO QUE PASSEI COM VOCÊ”, LIVRO DE ISABEL DIAS QUE TRATA DE SEUS ENCONTROS PÓS-SEPARAÇÃO

Outubro 22, 2015

4e33186a-1e34-48c5-b8b3-2c9e4fe72030Sem moralina, como diz o filósofo Nietzsche! Antes da vingança, que é um triste caso reativo de ressentimento: sou infeliz por tua causa, há um desejo que dormita como antecessor de outra existência. Talvez tenha sido esse antecessor que colocou Estela, personagem do livro autobiográfico de Isabel Dias, 32 – Um Homem Para Cada Ano Que Passei com Você, em movimento depois do transbordamento insuportável do casamento.

Isabel Dias é uma empresaria que depois de 32 anos – aí o nome do livro – vivendo conjugalmente com um homem, com direito a álbum de família, batizados, aniversários, formaturas, festas natalinas, fins de anos, e outros adereços que enfeitam o casamento burguês, descobriu que ele tinha quatro amantes e, então, resolveu se separar e na sequência escrever o livro onde narra seus encontros com homens de várias idades até atingir 32, tempo que conviveu com o marido Don Juan. Para encontrar os homens com quem iria se relacionar Isabel Dias, criou um site.

“A última à saber ficou sabendo, caiu a casa, o lar doce lar desmoronou depois de 32 de vida conjugal, três filhos e um farto álbum de retratos de família aparentemente feliz do interior paulista. E da fúria de uma mulher ferida, a administradora de empresas Isabel Dias, de 50 e alguns anos, viveu o luto amoroso e refez, sob a lei do desejo, a dignidade de estar viva e no jogo da existência”, foi o que escreveu Xico Sá no prefácio do livro.

Traspassada por preconceitos de classe, Isabel Dias, foi aos pouco se liberando e assumindo uma nova condição de mulher livre. Pelo menos livre nesses modos. Daí porque seu livro tem na capa a fotografia da filósofa Simone de Beauvoir nua, no banheiro de seu namorado Nelson Algren, diante de um espelho.

“Mas cada um dos 31 encontros foi real dentro do processo de mudança na minha imaginação, me deu tudo que eu queria, ou o que eu precisava. Não sei bem por que sinto que mais os usei do que qualquer outra coisa. A intenção era aprender, me sentir no controle. Provar que eu não era só aquilo e que cada um deles abriria uma porta, entre as tantas que estavam trancadas. Nem que fosse para arromba-las, uma a uma. Nem que a dor fosse maior que o prazer, nem que o asco superasse o gozo”, observou Isabel Dias.

O livro foi publicado pela Editora Livros de Safra, 216 páginas ao preço de R$38,60.