Archive for the ‘Bio graphia’ Category

Com rock engajado, o underground Lou Reed faz um solo transcedental

Outubro 29, 2013

Lou Reed Friend of Tiny Little Dogs

Lou Reed leva o rock onde poucos conseguiram músicos colocar. Engajado em diversas causas sociais como a Anistia Internacional, o Farm Aid, Lou Reed usou suas músicas para discutir a realidade social em que vivia e para envolver as pessoas em temas variados como a AIDS, guerras, crime, sexualidade, drogas entre outros temas.

Reed participou da lendária banda The Velvet Underground onde junto com os amigos John Cale, Sterling Morrison, Maureen Tucker, e a modelo Nico, revolucionaram o estilo do rock mundial com muito experiencialismo e letras que de certa forma se mostram existenciais . Amigos de Andy Warhol, do cineasta lituano Jonas Mekas, e de vários bambas da cena cultural Reed e o Velvet criaram no cinema, nos palcos, nos clubes, nas ruas…

Reed foi o compositor de boa parte das músicas do Velvet e logo ganhou força para continuar sua carreira solo.

Outra grande inovação que foi influência para os roqueiros de várias bandas como Bowie, Iggy Pop, Roger Waters, foi a forma que Reed lidou com a textualidade. Suas letras não eram apenas ideias simples, mas se aproximavam de um “rock em prosa”.

Patty Smith e Lou Reed (1976)

Patty Smith com o amigo Lou Reed (1976)

O rock de Lou Reed é sempre uma produção e não se repete. Reed sempre cria o novo em sua experiência estética como músico, como compositor, como humano. Nunca se fechou em um estilo… rock, punk, glam, romântico, folk… Reed nunca precisou disto, ele é a multiplicidade musical por onde todos estes perpassam.

Assim ele é aquele que pegou parte da produção feita pelos “pioneiros”, fez a sua, deixou e continua deixando as notas na base da música como produção humana. Assim Lou Reed não é um músico de Nova York, mas um músico global em suas posições e sons.

A música de Reed é ainda parte do pulso do rock que continua vivo e produz a alegria de milhares de pessoas que ainda tem ouvidos perceptíveis e que não se deixam brutalizar. Nosso “coração rock’n’roll” continua na balada como “homem de boa sorte” que conheceu/envolveu-se na música de Reed e neste “ciclo sem fim” Reed é o guitarrista que nos leva adiante a novas sensações com seu solo transcedental.

Tom Wilson entrevista John Cale e Lou Reed

Tom Wilson entrevista John Cale e Lou Reed

David Bowie,  Iggy Pop e Lou Reed

Os englamourados David Bowie, Iggy Pop e Lou Reed

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NORMA BENGELL ENCENA SEU ATO LIMIAR

Outubro 10, 2013

Norma Bengell escreve, canta, compõe, milita nos intermezzos da história do Brasil. Existência inquieta como deve ser a existência de todos que se tomam como originalidade. De todos que acreditam que viver não é ficar na expectativa, mas sim na prospectiva. É tomar o presente e arquitetar um futuro, porque “são frutos da sua época de seu povo”, como se refere Marx ao filosofo. Nesse sentido, Norma Bengell concretiza a história do Brasil como mulher que foi “fruto da sua época, do seu povo”.

Ela sempre soube que uma mulher devém história, assim como um operário. E quando uma mulher é artista, devém o senso revolucionário de seu modo de ser com sua comunalidade. Cinema, teatro, composição, música, ativismo político pelas liberdades, principalmente no período doloroso da ditadura militar que tomou conta do Brasil entre os anos de 1964 e 1985, tudo isso são notas que compõem seus intermezzos. Os meios onde se encontram as potências revolucionárias, como dizem os filósofos Deleuze e Guattari.

Suas notas transmutaram-se em décadas como riquezas históricas. Não há décadas perdidas em sua arqueologia-ontológica. Décadas de 60, 70, 80, 90, 10 – de 2000 -, sempre ativas. As imagens-lembranças-históricas confirmam. Luta pela liberdade estética juntos com outros personagens. Luta pela liberdade feminina, onde nenhuma nudez seria castigada. Luta pelas liberdades políticas contra a ditadura. Sempre lutas. Sempre envolvimentos.

Já na zona fronteiriça, onde o imperceptível, o impessoal e o intempestivo se mostram em névoas, Norma, sentiu a necessidade de continuar atuando como originalidade, mas a imposição da brutalidade lhe negava o devém. Sua efetivação ontológica estava ameaçada, e ela tentou desfazer-se dos objetos que materializaram seus intermezzos acreditando que havia sentidos e inteligências capazes de tomá-los como sublimes. Não havia. Como diria Marx: a época é “sem espírito”.

Norma Bengell se lançou no limiar. Na zona de indiscernibilidade.

A produção de Nagisa Oshima se finda

Janeiro 15, 2013

Nagisa Oshima cinema ai no corrida realm of senses

O cineasta japonês Nagisa Ôshima parou sua produção hoje deixando um legado de mais de 50 filmes sendo o mais recente Tabu de 1999. Conhecido mundialmente por sua obra erótica em O Império dos Sentidos e O Império da Paixão, a cinematografia de Oshima vai muito além d0 erotismo.

Nagisa nasceu em Quioto, Japão no ano 1932 quando o horror da Segunda Guerra Mundial ainda não tinha feito seu estrago. Uma figura de destaque no cinema pós-guerra Oshima estudou direito e se especializou em história política. Porém aparentemente o cinema foi mais importante para o diretor que em 1954 passou a fazer parte de uma produtora de filmes e trabalhou como argumentista e assistente.

Seu primeiro trabalho como diretor foi um curta produzido  em 1959 chamado Asu no taiyô , O Sol de Amanhã em português que foi filmado em uma espécie de trailer de um filme que nunca existiu (idéia que foi usada posteriormente por Pedro Almodóvar).No mesmo ano dirigiu  Uma Cidade De Amor E De Esperança (Ai To Kibo No Machi) um drama que de certa forma foi bastante político e revolucionário sendo inclusive suspenso por seis meses. Seu terceiro filme de 1960 Juventude Desenfreada (Seishun zankoku monogatari) marca o início da Nouvelle Vague Japonesa (ou Nuberu Bagu) mostrando jovens outsiders que vagam pela cidade, pelo crime, pelo amor. Frequentemente comparado à Nouvelle Vague francesa, e a Godard em particular, Oshima na verdade realizou um cinema paralelo às tendências européias da época.

Oshima dirigiu alguns filmes focados na máfia, na violência e na sexualidade mas sempre fazendo uma contextualização política do Japão e da cultura ocidental. Desiludido com o movimento estudantil produz Noite e Neblina no Japão (Nihon no yoru to kiri) cujo o título lembra o cinema de Alain Resnais. Em 1965 dirige Diário de um Yunbogi (Yunbogi no nikki) que mostra a pobreza e destruição da Coréia pelo Japão através da guerra. Ele demonstrou sempre um posicionamento político contra o preconceito japonês contra o coreano como filmou no drama Kaette kita yopparai e Kôshikei, ambos de 1968.

Seus próximos filmes misturavam artes marciais dos samurais como a bela animação O grupo de ninjas (Ninja Bugei-Cho,1967), erotismo em Os prazeres da carne (Etsuraku, 1965) e Nihon shunka-kô (1967)  e política como em O Homem Que Deixou Seu Testamento No Filme (Tokyo Senso Sengo Hiwa,1970).
Nagisa Oshima cinema imperio dos sentidos ai no corrida
Seu grande sucesso em todo o mundo, mas principalmente no Ocidente veio com o cinema O império dos sentidos (Ai No Corrida) de 1976. Este conta a história de uma ex-prostituta que trabalha como empregada em um hotel e acaba conhecendo o senhorio do hotel o senhor Kichizo Ishida que a molesta e ambos acabam vivendo um caso de amor tórrido e obsessivo que começa a ultrapassar todos os limites. Envolvendo sadismo, cenas inusitadas e muito sexo o filme se baseia em uma história real que chocou a moral japonesa de outrora.

Censurado Oshima teve que completar a produção na França e ao ser exibido no Japão teve várias partes cortadas. Com cenas bastante audaciosas, Oshima colocou um ator com uma estatura peniana pequena, mas que deitava e fumava enquanto sua companheira enlouquecia de prazer.  O ator com certeza mexeu com o sentimento de inferioridade masculina dos ocidentais que se buscam a industria pornográfica americana do Oh my god!

Complexos e audaciosos, vivazmente iconoclastas, e combinando violência, erotismo, política e auto reflexão, os filmes de Oshima representam uma ligação crucial entre o modernismo e a percepção não-ocidental das coisas.

Nagisa Oshima cinema Ai no borei Empire of Passion

Seu próximo êxito foi O Império da paixão (Ai no Borei) de 1978 que conta a história de um velho condutor de riquixá que não tem mais forças para fazer honrar sua mulher Seki. Esta então busca o jovem Toyoji, de quem se torna o amante. Rapidamente o marido transforma-se num empecilho. Baseado em uma história policial real esta produção rendeu a Ôshima o prêmio de Melhor diretor em Cannes. Cinco anos depois lançou o drama de guerra Furyo, Em Nome da Honra (Merry Christmas, Mr. Lawrence) que tem no elenco David Bowie, Tom Conti, o músico Ryûchi Sakamoto, e o cineasta Takeshi Kitano.

Este conta uma história baseada no livro  de Sir Laurens Van der Post sobre os prisioneiros ingleses em solo japonês durante a 2a Guerra mundial. Em 1994, Nagisa documentou os 100 anos do cinema japonês. Dois anos depois sofre um derrame, mas que não impediu de fazer seu último filme Tabu que foi muito premiado contando a história de um jovem samurai na era Shogun.

Nagisa Oshima não se dedicou ao cinema erótico da pinku eiga japonesa e também não se focou apenas em mostrar filmes de samurai ou da máfia japonesa. Ele tinha um entendimento que o cinema é um instrumento político que serve para movimentar a existência e criar novas percepções. Por isso suas produções foram e continuam sendo novas, indo além do constituido e orientando novas produções.

 

DEVIR/DANÇAR

Setembro 27, 2012

Nosso Devir/Dançar continua seus caminhos pela produção artística da dança e hoje completa a segunda parte da história da dança clássica, envolvendo um dos maiores nomes da história do balé que foi responsável pelo desenvolvimento de um método conhecido e difundido mundialmente.

Sua importância no mundo da dança está além de sua produção nos palcos, mas nas salas de ensaio, onde foi professor da maioria dos grandes mestres do balé russo em sua fase clássica e imperial. Trata-se de Cecchetti, bailarino e professor que leva seu nome para um método, assim como a russa Vaganova.

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Enrico Cecchetti foi um virtuoso bailarino italiano  conhecido como o maior professor de balé da  história, principalmente a partir de suas  contribuições para a técnica clássica no método que  leva seu nome, o Método Cecchetti.

Nascido no dia 21 de junho de 1850 em um vestiário  do Teatro Tordinona em Roma, ele foi filho dos  dançarinos Cesare Cecchetti e Serafina Casagli . Sua primeira aparição no palco foi aos 5 anos quando dançou com sua família nos Estados Unidos em 1857. Ele foi pupilo de Giovanni Lepri, que tinha estudado com Carlo Blasis, e logo foi notado especialmente por suas piruetas (pirouettes) e fouetté.

Durante uma carreira de mais de 30 anos, Enrico Cecchetti se apresentou extensivamente em paises como Estados Unidos,Inglaterra, Dinamarca, Noruega, Alemanha e Rússia. Ele criou os dois papeis de Carabosse e do Pássaro Azul em “A bela adormecida” de  Pyotr Ilyich Tchaikovsky e foi considerado um revolucionário na imagem do bailarino na Rússia nas últimas duas décadas do século XIX.

Em 1887 Cecchetti foi apontado como segundo  bailarino mestre da Escola Imperial Russa de Ballet  e foi para o Teatro Mariinsky (hoje Academia Estadual Kirov de Ópera e Ballet).

Enrico Cecchetti e Flore Revalles em Shéhérazade

Entre 1890 e 1902 ensinou muitos alunos da Escola Imperial e associados. Em 1892 assumiu a posição de professor na EscolaImperial de Dança em São Petesburgo. Ele se tornou bailarino mestre da Escola Imperial de Dança em São Petersburgo. Logo ele se torna mestre de Balé na Escola Imperial de dança em Warsaw em 1902 e daí em diante se juntou aos Balés Russos de Serge Diaghilev como professor e mestre de balé.

A influência como maestro foi significante quando  ensinou e trabalhou com dançarinos além de  coreógrafos renomados como Mathilda Kchessinska,  Olga Preobrajenska, Anna Pavlova (quem ensinou de  forma particular entre 1907 e 1910), Tamara  Karsavina, Michael Fokine, Adolf Bolm, George  Balanchine, Vaslav Nijinsky e Leonide Massine.

Cecchetti com suas alunas

Em 1918 Cecchetti começou a se cansar de viajar e  se cansou de viajar se estabelecendo junto com sua  esposa, a dançarina Guiseppina de Maria,em Londres, onde criou uma escola no número 160 da Shaftesbury Avenue. Seu treinamento era fundamental para os trabalhos de Ninette de Valois, Marie Rambert, Frederick Ashton e Antony Tudor e ainda é reconhecido nos trabalhos de David Bintley e outros coreógrafos de ballet como sua estudante Alicia Markova.

Cecchetti retornou a Itália e em 1925, a pedido do  condutor Arturo Toscanini, dirigiu a Escola de Balé  do Teatro La Scala em Milão onde ele tinha dançado  55 anos anteriores. Lá ele ensinou Serge Lifar que  se tornaria a principal figura na evolução do balé  moderno francês.

Enrico Cecchetti e Serge Lifar

Enrico Cecchetti parou sua produção bastante forte,  ensinando na Itália em 13 de novembro de 1928 – deixando seu legado para dança- seu método de treinamento. O método Cecchetti foi codificado e publicado em 1922, sendo até hoje um dos principais métodos estudados em todo mundo, tendo na Inglaterra a Cecchetti Society desde 1922 e nos Estados Unidos a Cecchetti Council of America desde 1939.

Seu método trata-se de um sistema de treinamento do balé clássico em cinco posições e sete movimentos de balé clássico. Ele é designado estritamente sob as leis da anatomia e reforça dois ingredientes oficiais: desenvolvimento técnico e artístico em um dançarino e reação sensitiva e musical de todos os movimentos do bailarino.

Cecchetti planejou um programa equilibrado de estudo que assegura que cada movimento e passo do repertório exigido pelo dançarino é coberto.

Estes e outros intermináveis Princípios da Dança clásica de Cecchetti estão contidos no método que imbui o dançarino com a simplicidade de estilo, pureza da linha e uma notável musicalidade e teatralidade.

 “Há o velho Cecchetti, mestre de todos nós,

                                                que carrega a tocha do classicismo.”                                                       

Sergei Diaghilev

Enrico Cecchetti e Anna Pavlova

 

Anna Pavlova ensinada por Enrico Cecchetti

Devir/dançar

Agosto 23, 2012

Nossa coluna Devir/Dançar traz hoje mais uma página da história da dança clássica, envolvendo esta vez um grande nome da história do balé. Grande não apenas em seu trabalho de palco e performances, mas grande devido a sua importância em toda a concepção que hoje temos do ballet.

Trata-se de uma mulher que criou um dos mais importantes métodos de balés e cujo os ensinamentos são usados até hoje em todos os países onde há o estudo de balé. Trata-se de Agrippina Vaganova, criadora do conhecido e difundido Método Vaganova de Ballet que foi elaborado na Rússia e formou grandes bailarinos em todo mundo.

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Agrippina Yakovlevna Vaganova foi uma distinta bailarina, coreografa e  bailarina russa. Ela criou seu próprio método de ensino do ballet, o  Método de Balé Vaganova, enquanto seu livro “Princípios básicos do  Balé Clássico” (1934), é ainda respeitado como um dos padrões na  instrução do balé. Nele Vaganova deliniou suas idéias sobre a técnica  e pedagogia do balé.

Nascida no dia 26 de junho de 1879, em São Petersburgo, filha de um  lanterninha do Teatro Mariinsky e foi exposta ao balé desde cedo. Ela  atendeu a Escola Imperial de Balé se graduando em 1897, sendo aluna de  Lev Ivanov, Ekaterina Vazem, Pavel Gerdt e Nikolai Legat. Então entrou  no mesmo ano para o Corpo de Balé de Mariinsky.

O talento de Vaganova foi logo reconhecido pelo coreografo veterano  Marius Petipa. Ela se tornou conhecida pelos críticos como “Rainha das  variaçãoes ” de tão brilhante que eram seu solos em  Coppelia,  Don  Quixote, The Little Hump-backed Horse e nos papéis de Odette-Odile  (Lago dos cisnes), the Mazurka. Vaganova  recebeu o titulo de  Bailarina em 1915, um ano antes de sua performance de despedida.

Agrippina Vaganova ensinando Anna Pavlova

Pouco antes da revolução russa de 1917, Vaganova deixou o palco e  passou a lecionar. Por um tempo ela deu aulas na escola particular de  Balé Russo de Andru H. Volinsky, mas depois se transferiu para a  escola coreográfica de Leningrado. A partir de 1921 Agrippina Vaganova  ensinou os três ultimos níveis da Academia Coreográfica de Leningrado.

Entre 1931 e 1937 a bailarina teve a posição de diretora artística do  Balé GATOB, posteriormente chamado Ballet Kirov. Durante este período  ela montou suas versões de O lago dos Cisnes (1933) e Esmeralda (1935)  que inovava particularmente no virtuoso pas de deux no segundo Ato  “Diana e Actaeon”.Enquanto isso,Vayonen montou As chamas de Paris e  Zakharov produziu A fonte de Bakhchisarai . Estes balés do período  Vaganova ainda são considerados clássicos vivos. Em 1936 ela recebeu o  título de Artista da Federação Socialista da República da Rússica.

Contudo o que foi de real importância- O Método Vaganova, que foi  desenvolvidos ambos nas salas de ensaio de Teatro Kirov (Mariinsky) e  na Escola Coreográfica Leningrado, agora Academia de Balé Vaganova.  Nesta época o balé russo era dominado pelo velho estilo imperial- uma  plasticidade romantica aliada com a bravura italiana- e misturando a  movimentos atléticos e acrobáticos do balé russo, para formar o que se  tornaria conhecido como seu método. Este não isolava uma parte  particular do corpo, mas treinava-o como um todo harmônico e dava uma  atenção ao desenvolvimento das costas, permitindo fazer saltos  elevados e manobras no ar. Ao invés de vagas correções dadas aos  pupilos, e usando uma análise da musculatura, Vaganova deu correções  precisas para a colocação própria. Podemos dizer que Vaganova também  aprendeu muito observando Enrico Cecchetti e sua estudante, a prima  ballerina Olga Preobrajenska.
 

Durante 30 anos que ela passou ensinando balé e pedagogia, desenvolveu  uma precisa técina e sistema de instrução. De seu ensino emergiram  bailarinas brilhantes. A primeira, em 1925 foi Marina Semeonova, uma  bailarina de grande profundidade e eloquência. Logo seguiram outras  personalidades e talentos, mestrandos da Escola Vaganova.Olga Jordan  foi brilhante e doce, Galina Ulanovsa trouxe mais a suas performances  do que perfeição técnica- ela revelou profundezas não realizadas em  seus velhos papéis e quando notícias de sua fama alcançaram Josef  Stalin, ele ordenou sua transferência para o Balé de Bolshoi, onde ela  se tornou a estrela ou prima ballerina assoluta durante 16 anos. Outra  estudante de Vaganova- Tatiana Vetcheslova com seus dons de uma atriz  alcançava as alturas nas partes cômicas e dramáticas. Natalia  Dudinskaya, a mais amada das pupilas de Vaganova se tornou a estrela  do balé de Leningrado, e além de sobressair nos balés tradicionais ela  criou muitos papéis em repertórios modernos. Alla Shelest podia  transmitir a mais sutis nuâncias psicológicas.

Cada primavera trazia adiante uma nova bailarina de brilhantismo  superador instruido por Agrippina Vaganova. Em 1950 Alla Osipenko se  graduou pela escola. Sua beleza primorosa de linha não tinha igual. Em  1951 o último pupilo de Vaganova apareceu: Irina Kolpakova, uma  dançarina cujo refinamento ainda é lembrado hoje. Porém no dia 5 de  novembro deste mesmo ano Vaganova parou sua produção e ensino em  Leningrado.

Seu método de ensino foi preservado por instrutores como Vera  Kostrovitskaya. Em 1957, a escola foi nomeada “A Academia de Balé  Vaganova”, em reconhecimento da realização da professora e bailarina.  Há na entrada da Academia russa de Balé um retrato escultural que  guarda o nome Vaganova.


 

Alfredo Volpi e suas bandeirinhas juninas

Junho 24, 2012

 

Alfredo Volpi foi um pintor italiano nascido em Lucca em 1896, mas que com um ano de idade veio com sua família para o Brasil e residindo em São Paulo. Ainda criança, estuda na Escola Profissional Masculina do Brás e posteriormente arranja ofício de marceneiro, entalhador e encadernador. Em 1911, torna-se pintor decorador de ambientes e começa a pintar sobre madeiras e telas. Sua primeira obra é datada de 1914 e até 1930 sua pintura tem como base a aproximação naturalista das formas e cores, resolvidas de maneira impressionista ou expressionista. Em 1925 inicia sua participação em mostras coletivas e dois anos depos conhece Mário Zanini  sobre quem exerceu grande influência.

Na década de 1930 passa a fazer parte do Grupo Santa Helena onde conheceu sua grande influência, o pintor Ernesto de Fiori, e estudou junto com vários artistas, como Mário Zanini e Francisco Rebolo. Em 1936, participa da formação do Sindicato dos Artistas Plásticos de São Paulo e integra, no ano seguinte, a Família Artística Paulista – FAP. Sua produção inicial é figurativa, destacando-se marinhas executadas em Itanhaém, São Paulo. No fim dos anos de 1930, mantém contato com o pintor Emídio de Souza.

Desenvolve a partir de então um cromatismo mais vívido, em detrimento da textura, quase translúcida. Participa em 1938 do Salão de Maio e da I Exposição da Família Artística Paulista, ambos em SP. Em 1939, após visita a Itanhaém, inicia série de marinhas. Participa do VII Salão Paulista de Belas-Artes em 1940. Ainda no mesmo ano, ganha o concurso promovido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, com trabalhos realizados com base nos monumentos das cidades de São Miguel e Embu e encanta-se com a arte colonial, voltando-se para temas populares e religiosos. Realiza trabalhos para a Osirarte, empresa de azulejaria criada em 1940, por Rossi Osir. Em 1941, do XLVII Salão Nacional de Belas-Artes do Rio de Janeiro, da I Exposição do Osirarte e do I Salão de Arte da Feira Nacional de Indústrias, em São Paulo. Sua primeira exposição individual ocorre em São Paulo, na Galeria Itá, em 1944.

Em 1950 viaja para a Europa e visita a Itália na companhia de Rossi Osir e Mário Zanini. Seduz-se com a arte renascentista e dos góticos, principalmente Giotto. Substitui, nesse período, gradativamente o óleo pela têmpera. Inicia, também, uma fase construtivista, que compreende um período estático, com fachadas e casas abstraídas, seguido a uma fase construtivista, que se transforma nos anos 60, em esquemas óticos e vibráteis puramente cromáticos, das bandeirinhas e fitas. Recebe em 53, o prêmio de Melhor Pintor Nacional da II Bienal Internacional de São Paulo, dividido com Di Cavalcanti , e com o qual adquire fama.

Os geométricos paulistas o apontam como seu precursor. Participa da XXVII Bienal de Veneza. Em 1956-57 participa da I Exposição Nacional de Arte Concreta e mantém contato com artistas e poetas do grupo concreto. Em 1957 tem sua primeira retrospectiva, no MAM – Rio. Em 1958,  recebe o Prêmio Guggenheim; em 1962 e 1966, o de melhor pintor brasileiro pela crítica de arte do Rio de Janeiro, entre outros.  Em 1975, no MAM – SP e em 1976 no MAC – Campinas.

Em 1980, a galeria A Ponte, em São Paulo, faz a exposição retrospectiva Volpi/As Pequenas Grandes Obras/ Três Décadas de Pintura. Em 1984 participa da mostra Tradição e Ruptura, Síntese de Arte e Cultura Brasileiras, da Fundação Bienal. Em seu aniversário de 90 anos, o MAM-SP faz a exposição Volpi 90 Anos. Morre em 1988, em São Paulo.

Em 1993 a Pinacoteca do Estado de São Paulo expõe Volpi – projetos e estudos em retrospectiva, Décadas de 40-70. Em Bienais, participou da I, II (Prêmio dePintura Nacional), III, IV (Sala Especial) e XV. Participa da mostra Bienal Brasil Século XX, na Fundação Bienal.

Luperce Miranda, o grande mestre do bandolim e da música brasileira

Junho 19, 2012

Luperce Miranda foi compositor e o grande mestre do bandolim no Brasil ao lado de Jacob do Bandolim. Ele nasceu em Recife em 27 de julho de 1904 e faleceu no Rio em 5 de abril de 1977. Gravou diversas músicas em todos estilos, da valsa ao samba, do choro ao bolero, da seresta as marchinhas carnavalescase ao frevo. Em algumas músicas parecia que tocava dois bandolins em um só, como na tocada por Sivuca acima.Também era conhecido como Sapequinha e gravou ao lado de Noel Rosa, Pixinguinha, João da Bahiana, Almirante,Carmem Miranda, Francisco Alves, Mario Reis, Aracy Cortês, Tute, João de Barro- Braguinha, entre outros.

Começou a ter contato com o bandolim aos oito anos de idade. Sua primeira composição data de 1919, um frevo. No ano seguinte, organizou a orquestra Jazz Leão do Norte, integrada por nove músicos, onde tocava piano. O grupo apresentava-se na confeitaria “A Glória”, de Recife. Sempre foi considerado, em vida, um virtuose do instrumento, mantendo, por isso mesmo, uma certa rivalidade com Jacob do Bandolim, o que por sinal, ficaria evidenciado em seu depoimento ao Museu da Imagem e do Som – MIS, que mereceu resposta enfurecida do rival, em outro depoimento, feito a seguir.

Paulo César Saraceni e o imortal cinema brasileiro

Abril 16, 2012

Muitos podem falar que viram o cinema brasileiro através das produções pseudo(novelicas) fílmicas, ou das violências de ‘elite’, sem saber que realmente houve e ainda há uma produção transformadora da imagem no Brasil. Estes não sabem que houve o cinema novo, o cinema marginal (boca do lixo), cinema brasileiro atual. Muitos outros dizem sobre a morte de Paulo César Saraceni, que embora tenha deixado de produzir, está no imortal do cinema brasileiro.

PAULO CÉSAR SARACENI

Cena de Arraial do Cabo

O cineasta Paulo César Saraceni é um cineasta brasileiro. Embora algumas de suas produções sejam ligadas ao cinema novo (sendo Paulo um de seus criadores), ele tem uma filmografia diversificada com mais de 15 títulos. Estreiou em 1960 com o curta documental “Arraial do Cabo”, que traz a fotografia deslumbrante de Mário Carneiro, que co-dirige o filme, e texto do jornalista Claudio Mello Souza. Este documentário mostra as transformações sociais e as interferências nas formas primitivas de vida de pescadores do vilarejo de Arraial do Cabo, no litoral do Estado do Rio de Janeiro. A Fábrica Nacional de Álcalis, que se instalou no local, causa a morte dos peixes, o que faz com que muitos integrantes da comunidade partam em busca de trabalho. Os modos tradicionais de produção se chocam com os problemas da industrialização.

Cena de O desafio

Seu primeiro longa, Porto das Caixas (1962), é um grande clássico do cinema brasileiro, e é atuado por Reginaldo Faria, Irma Alvarez, Paulo Padilha e Margarida Rey.Este drama conta a história de uma mulher que é maltratada por um marido bruto e ignorante e decide assassina-lo. Este longa é seguido por Desigualdade Racial (1964) e um dos grandes sucessos de Saraceni: O desafio (1965). Este último é uma crítica ao regime militar, contando a história de um jornalista que encara passivamente as imposições da ditadura e entra em crise pessoal ao se apaixonar pela mulher de um industriário. Este cinema contou com participação de João do Vale, Nara Leão, Elis Regina, Zé Ketti, Hugo Carvana,Isabella Cerqueira Campos, Maria Bethânia entre outros.

Paulo ainda dirigiu uma adaptação de Dom Casmurro em “Capitu” (1968), um filme sobre “Anchieta, José do Brasil”, um documentário sobre a “Copa de 78”, o belo drama “Ao sul do meu corpo” (1982) e a obra prima “O viajante” (1999).

Com uma produção de vanguarda Paulo teve vários de seus filmes proibidos e censurados devido aos temas e histórias. Ele ainda dirigiu documentários sobre um tema que lhe interessava: a música popular do Brasil. Um deles sobre o samba carioca em “Natal da Portela” (1988), outro sobre o samba e música bahiana em “Bahia de todos os sambas” (1996). Além disso teve sua última produção documental em 2003 sobre a carnavalesca “Banda de Ipanema – Folia de Albino” que ocorre todos os anos.

A história de “O gerente” escrita por Carlos Drummond de Andrade foi a última produção dirigida por Saraceni, porém ainda não foi lançada…

Eadweard J. Muybridge, inventor do projetor cinematográfico, na era digital

Abril 9, 2012

Caso estivesse vivo,Eadweard J. Muybridge completaria hoje 182 anos. Nascido Edward James Muggeridge, na cidade de Kingston-upon-Thames, Inglaterra no dia 9 de Abril de 1830, foi o responsável pela criação de Zooscópio (Zoopraxinoscope), uma maquina que se destacou na história do cinema como uma capturadora de imagens e o primeiro projetor. Nosso bloguinho já havia citado seu invento no material afinado e gratuito Breve Cenas sobre a história do cinema: um plano para crianças.

Ele mudou para Nova York em 1851 para trabalhar vendendo livroe logo se interessou muito pela fotografia. Após um acidente de carruagem em 1860, volta para a Inglaterra, e aprende o funcionamento do processo fotográfico do colódio molhado. De volta aos Estados Unidos em 1867 cria um estúdio fotográfico ambulante, o “The Flying Studio”.

Em 1877,Eadweard partiu em uma viagem e desenvolveu um disparador fotográfico que tira fotos em 1 milésimo de segundo. Em um experimento pegou 24 câmaras movida por uma corrente elétrica e colocou-as por onde o cavalo passaria em uma pista de corrida. Neste momento o dispositivo fotográfico dispararia durante 24 vezes dentro de um segundo. Isto pois nosso olho tem a ilusão de movimento (permanência luminosa da imagem na retina) quando se passa 24 imagens por segundo, o que gera a percepção de movimento no cinema. E ao analizar as 24 fotografias não deu outra, as câmeras viram além dos nossos olhos: o cavalo voa. O resultado foi publicado em periódicos fotográficos e científicos e tiveram grande atenção mundial.

Logo depois deste experimento, Muy Bridge deixou sua mulher em casa e partiu para uma viagem fotográfica. Enquanto esteve fora sua mulher teve um caso amoroso com o Major Harry Larkynse engravidou. Ao descobrir que o filho não era seu Muybridge entrou em um confronto e atirou em Harry, o matando, sendo posteriormente inocentado por homicídio justificado.

Em 1880, Muybridge palestroupelos Estados Unidos e Europa, projetando seu resultado em movimento  com seu projetor Zooscópio ou Zoopraxinoscope. Esta máquina, descrita pelo Illustrated London News como uma “lanterna mágica que ficou doida (com método de loucura)” foi basicamente um phenakistiscope projetável,  com um obturador contra-rotacional. As images em silhueta, derivaram de suas sequências fotográficas que estava na extremidade de um grande disco de vidro (posteriormente, imagens coloridas translúcidas foram usadas). Em agosto de 1883, ele recebeu uma subvenção de 40.000 dolares da Universidade da Pennsylvania para continuar seu trabalho lá. Durante 1884 e 1885, suando o processo superior de prato seco de gelatina e novos aparatos em câmera, ele produziu mais de 100.000 sequências fotográficas , das quais 20.000 foram reproduzidas nos fólios Animal Locomotion em 1887.

Os temas eram animais de todos os tipos, e figuras masculinas, a maioria nus, em um grande alcançe de atividades. Suas sequências em movimento foram projetadas no Zoopraxographical Hall na Exibição de Chicago de 1893. No ano seguinte ele retorna para seu local de nascimento.

Suas últimas publicações foram Animais em movimento (1899) e Figura Humana em Movimento (1901). Sua influência no mundo da arte é enorme, anulando a representação convencional de animais usadas até então por artistas.

Seu trabalho foi pioneiro e muito importante para o cinema e a invenção do cinematógrafo dos Irmãos Lumière. Além disso seu trabalho no uso da sequência fotográfica foi revolucionário, levando a criação da ciência da cronofotografia desenvolvida pelo professor Étienne Jules Marey, o criador do Fuzil Fotográfico para fotografar pássaros em 1882.

Ele também influenciou muitos inventores como Emile Reynard, William Freise-Greene, os irmãos Auguste e Louis Lumière e Thomas Edison.

MUYBRIDGE HOJE

Zoopraxinoscópio (Fonte: Hyperscience)

Os inventos de Muybridge ajudaram-nos a termos diversas tecnologias que utilizamos hoje, que envolve a fotografia, o cinema, e a animação.O pioneirismode seus estudos faz com que hoje desfrutemos perceptivelmente de certas tecnologias.

E por causa disto um dos instrumentos tecnológicos da internet, o buscador Google, colocou hoje em sua página inicial uma homenagem, que eles chamam Doodle. Sempre em datas específicas eles deixam uma homenagem. Seria Muybridge um dos precussores da tecnologia voadora “em nuvens” do google?

Devir/Dançar

Março 29, 2012

O Devir/Dançar em seu movimento semanal traz nesta quinta mais um encontro dançante que desta vez inclui uma nova biografia de uma das mais brilhantes dançarinas de ballet brasileiras da atualidade, a saudada bailaria principal do Royal Ballet de Londres, Roberta Marquez.

Com uma carreira internacional de sucesso desta brasileira já é reconhecida como uma das mais talentosas artistas em atuação hoje no mundo.

Roberta Marquez é uma bailarina conhecida mundialmente. Talvez ela seja a mais importante bailarina a representar o país na atualidade, onde ocupa o posto de bailarina principal do Royal Ballet de Londres. Pesando 43 quilos e com estatura de 1,56, Roberta é casada com o também bailarino André Valadão.

Nascida no Rio de Janeiro em 1980 , ela foi treinada na Escola Estadual Maria Olenewa de dança a partir dos oito anos de idade. Em 1994 ela entrou no Balé do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, trabalhando com Nathalia Makarova, se tornando a bailariana principal em 2002. Recebeu prêmios como Melhor dançarina do Ano (Rio, 2001) e a medalha de prata individual além de melhor casal (Competição Internacional de dança de Moscow,2001).

No ano de 2004, entrou para o The Royal Ballet of London e já assumiu o papel de bailarina principal. Um ano antes ela havia sido convidada para dançar em A bela adormecida para substituir uma bailarina contundida, e ela encantou os britânicos. Desde que entrou no Royal já dançou O lago do cisne de Balanchine, Cinderela, A tarde de um Fauno, La fille mal gardée, e muitos outros.

Um sucesso tão grande de uma bailarina brasileira no exterior talvez só seja comparado ao de Márcia Haydée, ex-diretora do Balé Nacional de Stuttgart e parceira de Rudolf Nureyev, que brilhou em outra época.

No fim de 2011 Roberta participou do Dia Mundial de Luta contra a fome, de um projeto mundial contra a fome no espetáculo “The Royal Ballet’s Gary Avis and Friends”. O evento ocorreu na cidade americana de East Anglia.