Archive for Novembro, 2010

O INCRÍVEL SALTO DO COMPANHEIRO MARIO MONICELLI

Novembro 30, 2010

Ontem, 29 de novembro de 2010, da janela do hospital San Giovanni, em Roma, o cineasta italiano Mario Monicelli resolveu dar o salto que ata a corda ao outro lado do abismo em 15 de maio de 1915, em Viareggio, na Toscana.

Assinando a direção de mais de seis dezenas de películas, mais algumas dezenas de roteiros para outros cineastas, além da participação como ator em alguns cinemas, Monicelli, na commedia all’italiana, trabalhou com os mais talentosos atores do cinema italiano, como por Vittorio Gassman, Marcello Mastroianni, Totò e Claudia Cardinale, que estavam naquele Os Eternos Desconhecidos (I soliti ignoti, de 1958).

Em toda a sua longa trajetória o que se vê é consolidação da linha contínua do humor desconcertante, a cine-comédia como linha de fuga para além da náusea da degradação por todos os tipos de miséria e violentação.

No Brasil, tornou-se emblemática a luta daquele professor desempregado de Os Companheiros que resolve organizar a luta dos trabalhadores. Sendo de 1963, chegando ao Brasil em 1964, ano em que explode a ditadura militar.

Em todo o mundo O Incrível Exército de Brancaleone (1966) é citado toda vez que se fala na resistência dos pobres, dos pequenos, de todas as minorias exploradas e excluídas.

E o que dizer de Parente… é serpente (1992), onde Monicelli revela com ironia mordaz o que há de fato e sem ocultação, apenas camuflado na pompa da família burguesa? Só ambição, medo, dissimulação, repulsa, aversão, indiferença…

A cada cena um riso… A casa riso uma fissura que nos faz saltar para a construção de um outro mundo. Foi assim que Mario Monicelli, nessa pontuação 95 anos, atou a corda que nos permite saltar sobre o abismo da náusea da existência malograda – às vezes sem saber bem como, sem uma inteligentzia, mas sem lamentar e sem recapitular -, e entrar todos na composição da potência do desmedido e eterno cômico.

Valeu, companheiro Monicelli!

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UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Novembro 30, 2010

Antuérpia, 2 de janeiro de 1886

O velho mercado de peixe na Antuérpia em 1882 (1882), FARASYN


O velho mercado de peixe na Antuérpia em 1882, Koninklijk Museum Voor Schone Kunsten

Van Gogh conta dos novos quadros do museu moderno:

” Vi alguns quadros comprados para o Museu Moderno, Verhas e Farasyn. Verhas: damas montando em jumentos e rapazes pescando na praia; Farasyn: uma grande máquina do antigo mercado de peixes de Antuérpia”


Edgard Pierre Joseph Farasyn (ou também Edgard Farasijn) foi um aquarelista, gravurista artista gráfico e pintor  belga de cenas cotidianas, interiores, animais e mais  paisagens marítimas e pescadores. Tornou-se famoso com  suas cenas de mercado e cenas de praia com os pescadores,  para o qual ele foi inspirado pela costa de Flandres e da  Holanda. Ele ainda trabalhou durante um tempo com pintura em murais. Por vezes, ele sugeriu uma expressão de um pouco de melancolia, humor sonhador mas trazendo uma  representação precisa de formas.

Farasyn nasceu em 14 de agosto de 1858 na Antuérpia. Ele recebeu a sua formação artística na Academia de  Antuérpia tendo como tutor Nicaise de Keyser . Em 1885 ele se tornou professor na academia.

Em 1891 ele se tornou um membro fundador do grupo ” A XIII  ” sendo um membro muito aberto da sociedade da arte sendo um dos principais promotores da influência flamenga nas artes.

Seus primeiros trabalhos foram escuro e cinza, banhados  por uma atmosfera áspera.  Depois ele mudou para uma luz e  cores brilhantes. Atraído pelo mar, ele pintou muitas cenas realistas da vida dos pescadores e de suas famílias. Seu trabalho foi principalmente em Antuérpia, onde pintou muitas cenas da cidade, além de Mol, onde . Ele era um amigo íntimo de Ernest Midy e sempre ia visitá-lo e, em seguida, pintava paisagens de Kempen. Ele também visitou lugares típicos regularmente nos Países Baixos (Scheveningen, Katwijk, região de Zuiderzee e Zelândia).

Em um trecho do relato ocorrido na sequência da sua exposição em Antuérpia, em 1901 já percebemos o trabalho do pintor:

“Farasijn foi gradualmente evoluindo, seus dons para passar o despertar completo – em se doando permanente para a problemática que se jogou e por isso sendo o fermento em nosso cenário artístico jovens (…)Ele procurou  trabalhar por conta própria – estudar a si mesmo ea natureza, e lutando para a frente em primeiro lugar, tão sincera e honesta possível quanto interpretar este artista poderia ser interessante.”

Em 1899 ele foi convidado por Frank Kuyck , deputado da principal da cidade de Antuérpia, para decorar a escadaria da Prefeitura, em colaboração com Pierre Verhaert, de Edouard Jans, Charles Spear e Henri Houben.

Farasyn participou dasu mostras de Bruxelas (1878) e da Antuérpia, em 1889, 1893 e 1901.  Ele recebeu vários prêmios: Feira Mundial de Sydney (1879), medalha de ouro no Salão de Ghent (1883), Mundial da Antuérpia (1894) e Expo Mundial de Bruxelas (1897).

Farasyn morreu no dia 22 de março de 1938, na mesma cidade em que nascera.Atualmente, seu trabalho está incluído na coleção de Bruxelas KMSK,Museu Kortrijk, KMSK Antuérpia, Jacob Smith, no Museu de Mol, o Museu Nacional de Pesca, Dunkirk Oriente eo Museu Katwijk.

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Às sextas e terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor monoauricular Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui.

Três fósforos

Novembro 30, 2010

… um a um acesos na noite
O primeiro para ver o teu rosto inteiro
O segundo para ver os teus olhos
O terceiro para ver a tua boca
E toda a escuridão para recordar tudo isso
Apertando-te nos braços

 

***

Trois allumettes une à une allumées dans la nuit
La première pour voir ton visage tout entier
La seconde pour voir tes yeux
La dernière pour voir ta bouche
Et l’obscurité tout entiére pour me rappeler tout cela
En te serrant dans mes bras.

 

Jacques Prévert- poeta e roteirista

5a Mostra Cinema e Direitos Humanos- Manaus e Belém

Novembro 29, 2010

A cidade de Manaus vai dar início hoje (29) e seguirá até dia  5 de dezembro, a 5a Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul que está percorrendo o Brasil desde o início do mês de novembro e que gratuitamente vem trazendo para discussão os direitos humanos na América do Sul, este local tanto sofreu com as linhas duras da ditadura militar apoiada pelos Estados Unidos e que minou a democracia latino-americana que hoje em dia felizmente está reestabelecida e com todo o gás. A programação que percorre todo o Brasil,como este bloguinho já divulgou outrora traz cinemas, documentários e curtas ligados aos direitos humanos. A mostra é organizada pela Secretaria de Direitos Humanos, Ministério da Cultura, Governo Federal e Cinemateca Brasileira e conta com o patrocínio da Petrobrás.

Em Manaus a Mostra ocorre no Palácio da Justiça localizado na Av. Eduardo Ribeiro, Centro. Aos paraenses não se preocupem que a mostra que ocorreu semana passada ainda continuará de 02 a 05 de dezembro no Cine Líbero Luxardo. Bons kinemas democráticos.

Cri-ações: Modigliani

Novembro 29, 2010

Criar é perceverar

Desnudar-se de todo visível

e em fim um novo olhar

Esculpir nossas origens

Saltar frente ao escuro

Desmembrar todas raizes

Viver sem ser

Ir sendo um tecer

que nunca finda nos sobre-o-viver

Photo graphein: Bettina Rehims

Novembro 29, 2010

Histórias das músicas brasileiras

Novembro 28, 2010

Elza Soares é uma cantora de samba que transborda os estilos músicais cantando por hora funk, soul, rock e o que aparecer. De uma infância paupérrima, teve que se virar para viver e cantar foi apenas uma destas formas. Durante um tempo teve um impasse ir ao Estados Unidos para acompanhar Louis Armstrong, que ficara fascinado e estremecido com a voz e quebras de Elza, e o jogador da seleção Garrincha. E ela preferiu o amor de Garrincha.

Com uma vitalidade de sua juventude atual, Elza não está preocupada com o aprisionamento do tempo Chronos e vive uma vida sem idade, mantendo uma saúde impecável e um belo namorado. Elza é uma existência autêntica que não está preocupada em definições.

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Eu nasci em Padre Miguel, mas foi fui criada na Água Santa. (…) A favela da minha época, eu não sou de favela, favela, favela. Eu morei na Água Santa porque era uma pedreira que meu pai era trabalhador dessa pedreira e ali nesta pedreira cada um fazia seu barraquinho e meu pai construiu nosso barraco ali. Mas eu acho que favela é dignidade, favela tem dignidade também, é preciso olhar a favela com mais dignidade.  É preciso levar para essa gente o voto de postura, de atitude. Favela não é tudo isso que as pessoas classificam, acho que não.  Quer dizer, a gente não tinha tempo, não, porque minha mãe tinha 25 lavagens de roupa e a gente tinha que carregar água, tinha que fazer muito trabalho e estudar. Então, não tinha nem muito tempo, mas sabia da existência do samba, porque meu pai tocava um bom violão, já fazia o fundo de quintal em casa, sabia da existência boa do samba. (…)Eu acho que eu já nasci música. Eu acho que eu chorava cantando e meu pai era músico, tocava violão e tinha o maior prazer de dizer para as pessoas que tinha uma filha que cantava, isso quando eu era pequenininha. Quando eu levei o negócio a sério, meu pai disse: “Não, cantar não”. Mas eu nasci cantando, se eu não cantasse, eu morreria, eu já disse várias vezes “cantar ainda é remédio bom”, e cantando para não enlouquecer. Canto em casa, acho que em casa eu desafino, acho que não tem nada a ver. Agora já cantei em fábrica, quando trabalhava na fábrica de sabão, começava a cantar e era despedida dos empregos. Eu começava a cantar e era um desespero, né? Mas em casa eu acho que não, nada a ver, nem no chuveiro eu canto.

O Início(…. )Eu trabalhava na boate Texas Bar, fui levada pelo Moreira da Silva. Uma noite, eu estava cantando, passou uma mocinha dançando, eu tinha um medo louco, porque naquela época, se chegasse em casa tarde, tudo que você fazia fora de hora era como prostituição total. E tinha um aviso em casa: se chegar com uma barriga em casa, rua!  Eu não entendia nada, né?  E passava uma mocinha dançando assim perto de mim na boate Texas Bar, com dentinhos assim meio coelhinho. Falei: “Pô, eu tenho medo de homem e essa mulher me olhando, o que aconteceu na minha vida?” E ela disse assim: “Quando você acabar, você quer se sentar à mesa com a gente ali?”. Eu falei: “Olha, eu acho que a senhora  está muito enganada. Eu fui contratada para cantar, mas não para ir à mesa com ninguém”. E era Silvinha Teles. Eu passei a maior vergonha. Ela disse: “Mas meu nome é Silvinha Teles”. Eu disse: “Dona Silvinha, mas a senhora não disse nada”! Ela falou: “Mas você parece um bicho!” Me levaram para a Odeon e nessa noite ela tinha levado Aloísio de Oliveira. Já sabia, porque antes já tinham dito na gravadora RCA Victor da minha existência. Só que eles não queriam porque eu era negra. Disseram: “Que cor a menina tem?” “É negra.” “Então, a gente não quer”. O Darcy Louro que me contou essa história. Ele era o divulgador na época…

 

Eu estava no Chile, que eu fui como madrinha de seleção de 1962, que eu não sabia o que era ser madrinha da seleção. Fui levada por um grande empresário, que era o Edmundo Klinger, na época. E eu, cantando no Chile, estava cantando “Rei do mundo”: “Rei do mundo nunca sabe bem o que faz!”  E escuto um trompete fazendo aquelas variações, e as pessoas, os músicos estavam todos nervosos e diziam: “Olha para trás, olha para trás”. Eu olhei e vi um soweto, parecia um soweto. E aquele negão, se parece mesmo.  Lindo, né, aquele lenço. Eu falei: “Tá bom, aqui é a Elza Soares”. Quando eu terminei de cantar, ele pediu que me levasse ao camarim. E me levaram ao camarim dele, aquela coisa toda. E veio aquele negão. E ele dizia: “Yeeaaah!” Eu olhava… Que coisa é esta? Não entendia nada de inglês. E o negão lá: “Yeaaah!!! I’m doctor!” O que é isso? Ainda me traz aqui e me chama de doutora, pô! E ele: “Yeah, doctor”. Eu falei: “Por que está me chamando de doutora, cara? Você não viu que eu me chamo, Elza”?  E eu acho que o cara pensou que eu estivesse brincando. Ele disse: “Você não sabe o que quer dizer doctor”?  Falei: “Doctor, eu sei, é doutora”. E ele: “Não, daughter in English”, quer dizer filha”. Eu digo: “Não tem nada a ver, doutor!” Agora vai lá e faz um carinho no cara. Eu digo: “Começo por onde?” Parecia um armário, “faz um carinho no cara”! Eu digo: “Começo por onde, meu Deus do céu”! “Vai lá, faz um carinho nele e chama ele de “my father!”. Eu digo: “Não, aí não, agora pega”. “Como é que eu vou chegar perto do cara e dizer: “my father”?] Ele disse: “Mas você não sabe o que quer dizer isso”? Eu disse: “Lógico que eu sei o que quer dizer father, todo mundo sabe, só não vou chamar o cara para mim, pô”. Ele disse: “Não, vai e diz isso daí que ele vai gostar muito”! Falei: “Olha, que eu vou dizer agora, logo agora”. E cheguei perto dele e disse assim: “My… father!” E ele disse: “Yeeeaaahh!” E eu digo: “Ele gostou da coisa”, agora o que é que eu disse pra ele”? “Você chamou ele  de pai”. E eu disse: “É, tem a ver, father e filha!” Assim que eu conheci o Louis Armstrong. Foi uma paixão, que ele queria que eu fosse embora com ele, mas não tinha… Como na minha vida tudo começa torto mesmo, até foi escrito por pernas tortas a minha vida, até minha garganta, até minha corda vocal é torta, cara. Começa a cantar, ela começa a ficar meio que fora de linha né, e acontece isso aí, que eu faço tranqüilamente… e começo a falar novamente, foi isso que assustou Louis Armstrong, que eu faço normal e falo normalmente.

O  do Lupicínio também foi outra gafe, né?Eu cantava na boate Texas Bar e estava cantando e tinha uma pessoa sentada, assim, toda de branco, umas rosas, muitas rosas, e me olhando o tempo todo. Eu falei: “Ih, meu Deus do céu! Mais um que estava olhando!” E eu que tinha um medo louco, né, já tinha aquele aviso de casa… Aí, acho que ele não agüentou de tanto me olhar, e eu só olhava pro Lupicínio com uma cara muito feia. Ele disse: “Com licença, eu trago umas rosas para outra rosa!” Eu disse: “Olha, o senhor se enganou, não me chamo Rosa, detesto rosas, não gosto de rosas, por favor”… Ele disse: “Mas eu sei que você se chama Elza e eu sou Lupicínio Rodrigues e sou o autor de ‘Se acaso você chegasse’”. Aí eu: “Seu Lupicínio”!  Mas aí já não dava mais tempo, já tinha cometido a gafe! Não adiantou mais nada. Ary Barroso também foi outra, aí não foi gafe, aí foi uma humilhação mesmo, do Ary. Meu filho Carlinhos, que é o meu primeiro filho, estava muito doente, precisava ganhar uma grana para levar meu filho ao médico, precisava de dinheiro e a única maneira era cantando, porque não sabia como salvar meu filho. E tinha um programa de calouros que estava com a nota cinco acumulada. E eu fui no programa do Ary Barroso, fiz inscrição com o Samuel Rosemberg, que era às terças-feiras, e ele me disse o seguinte: “Domingo aqui todo mundo bonita”! Eu falei: “Pô, mas bonita como?” Não sabia como. Aí eu fui no programa do Ary Barroso no domingo, que era um programa de uma audiência tremenda, acho que tão grande quanto o Roda Viva aqui, né? Aí ele disse o seguinte…. Eu fiquei ali, era um banquinho, tinha um banco, ficava todo mundo sentado, parecia gado que já ia para ser detonado. E foi um dia de festa, cara, eu nunca tinha visto aquilo, eu sentada naquele banquinho ali esperando.  Cada um que levava um gongo, que era gongado, era uma festa, e eu morria de rir. Só que eu me esqueci que eu também fazia parte daquilo ali. Daqui a um bocadinho ele disse: “Elza Gomes da Conceição”! Eu disse: “Sou eu”. Aí eu me levantei, quando eu me levantei, aquele auditório veio a baixo, todo mundo rindo muito, porque eu estava com uma roupa de minha mãe, com uma porção de alfinetes, porque eu pesava trinta e poucos quilos,  e a minha mãe pesava um pouquinho mais de sessenta e poucos. Então para aquele pessoal eu era uma bruxinha, um ET, que estava entrando ali com duas maria-chiquinhas. O Ary Barroso ficou meio apavorado quando viu minha figura, ficou meio parado assim, perto do piano e disse: “Aproxime-se”. Aí, eu cheguei. Tinha um neguinho que rodava um pau, uma coisa assim, um pretinho que rodava um pau – a minha vida já tava perseguida pelo “pau grande”– que era para poder rodar o pau, que era pra alongar. Aí, eu já olhei, né, e o Ary Barroso rindo muito, todo mundo rindo, o Ary Barroso sério. Ele disse: “O que você veio fazer aqui”?  Eu disse: “Seu Ary, eu acho que aqui a gente canta, né”?  “E quem disse que você canta?”  Eu disse: “Eu canto”.  E antes que ele perguntasse o nome dos atores, eu disse o nome dos autores, que eu cantei em […?].  E ele disse: “Então me faz o favor e me diga de que planeta você veio”?  E aí aquilo ficou… meio magoada, né? Eu disse: “Do mesmo planeta seu, seu Ary”. Ele disse: “E qual é o meu planeta”?  Eu disse: “Planeta fome”.  E naquele momento quem estava rindo parou, botou a bundinha na cadeira, todo mundo quietinho, terminei de cantar, ele me abraçando e dizendo: “Senhoras e senhores, nesse exato momento nasce uma estrela”. E eu comecei a procurar estrela, como nasce uma estrela assim à toa, eu nunca tinha escutado dizer que nasce uma estrela assim. (…)Toda vez que eu entro no palco, eu me sinto o máximo, te juro. Porque eu acho que eu nasci para o palco. Eu sem o palco eu sou completamente nada, fora do palco eu me sinto… eu sou outra, sou a Conceição mesmo, né. Agora, quando eu entro no palco, me sinto linda, me sinto maravilhosa, eu me sinto a negra mais gostosa, me sinto a mulher mais sedutora.

Eu acho que a música é música, você tem o direito de ampliar. Se você tem capacidade de cantar, canta, por que você tem que ser rotulada só uma coisa?  Eu acho que o samba, na minha opinião, é a coisa mais linda que nós temos, é um poder, é rico, é maravilhoso, mas eu acho que neste momento ele é muito mal produzido. A gente, graças a Deus, que a gente tem o Zeca Pagodinho que está aí fazendo o que eu amo, tem o Jorge Aragão, que é meu afilhado. Mas eu acho que a força do rock, o samba tem a mesma força. Se a gente pudesse fazer a garotada trazer para nossa juventude o que é o samba, para que eles entendessem nossa cultura seria maravilhoso. Mas eu não me incomodo com isso, não, eu amo todo mundo, eles gostam de mim, eles sabem que eu sou assim mesmo e não vou mudar por isso.

‘ Entrevista ao Programa Roda Viva’

 

Elza que desde menina já cantava para enfrentar a vida

Elza nos anos 60 já era uma cantora de sucesso, e o governo a levou para cantar aos jogadores brasileiros na Copa de 1962, e ela acabou foi cantando o craque Garrincha.

Ela decidiu ficar com Garrincha e não aceitar a proposta de ir aos Estados Unidos para uma carreira e companhia internacional.

Elza deslancha no palco e solta a voz rouca que rasga o regaço dos reis da rudeza.

 

Elza e Lobão

 

Notas conotativas

Novembro 27, 2010

  • Uma das atrizes boas atrizes trash do mundo do cinema, a bela  Ingrid Pitt, foi para onde sempre esteve: o mundo do  sobrenatural. Ela que foi sobrevivente dos campos de  concentação, e se tornou a famosa atriz semi-erótica da  produtora Hammer, 73 anos. Dentre os filmes que participou  “Desafio das Águias”, “Condessa Draculla’,  “Karmilla’,  “Minotauro”, “Falstalff”.

 

  • Continuando a execução do encontro ExpoIdéia no Recife,  hoje (27)  vai haver uma palestra sobre “Repertório  Autoral: bandas filarmônicas, orquestras sinfônicas e  conjuntos de câmara” as 16 horas, além de diversos  concertos músicais com o melhor da música popular  nordestina na Torre Malakoff, se liga:  Naná Vasconcelos e banda (17:30),  Ciranda Mimosa do João da Guabiraba (18:40) e o Grupo Coco  do Manoel (19:20).

 

  • Um dos espaços de exibições artísticas da cidade de São  Paulo vai um corte em sua estrutura. O Instituto de Arte  Contemporânea que ainda se situa na USP foi escurraçado de  sua sede pelo reitor da Universidade de São Paulo, João  Grandino Rodas. O motivo não foi divulgado, porém houve o  termino do contrato que a reitoria achou melhor não  renovar. A reitoria diz que há outros planos para o espaço  e que já havia comunicado o IAC informalmente. Esperamos  uma boa resolução para o caso.

 

  • Para os admiradores de quadrinhos mais conhecidos como Agá  Q, trazemos duas boas novas: a primeira é a publicação de  Agá Qs da Toon Books no Brasil. O público destes  quadrinhos é o infantil e mostram quadrinhos bem  inteligentes. O primeiro lançamento feito pela Companhia  das Letrinhas, é O Ratinho se Veste, de Jeff Smith. Logo  logo outros virão. A segunda nova é a publicação por aqui  do quadrinho Éden de Kioskerman – pseudônimo do argentino  Pablo Holmberg que traz um humor filosófico.

  • Esta semana começaram a serem vendidos os ingressos para  os shows da britanilouquita Amy Winehouse que fará quatro  apresentações. Os ingressos de Rio e Florianópolis já  podem ser comprados no sítio do Livepass. Os de Recife  serão vendidos a partir de  02/12 e Sáo Paulo a partir de  30/11. Lembrando dos shows: Floripa (8 de janeiro) na  boate Pacha; Rio (11/01) no HSBC Arena; Recife (13/01) no  Centro de Convenções e São Paulo (15/01) na Arena Anhembi.

 

  • A ciência vive descobrindo coisas interessantes sobre o  mundo da informática. Depois de na semana passada declarar  que usar o laptop sobre as pernas, como o nome sugere,  pode deixar os espermatozoides meio capengas e inuteis.  Agora é sobre a radiação emitida pelas conexões Wi-fi. Mas  acalmem-se… Não é nos humanos. Esta radiação pode ser  danosa as árvores, causando “sangramento” e fissuras nas  cascas das àrvores. Salve as árvores, compre um modem.

 

  • A nova vacina contra o virus HIV está chegando e agora  mais efetiva e que já provou ser inofensiva.. E ela vem da  união de três laboratórios russos que anuncia que a  efetividade pode chegar 30%, o que já pode levar milhões  de vidas a serem salvas. O governo russo investiu 23,5  milhões de euros na pesquisa de vacinas contra o HIV.

 

  • Tintin em novas aventuras no sítio do Pedrinho… Assim  como no Brasil querem proibir depois de décadas o livro  “As caçadas de pedrinho”, na Bélgica um tribunal ouviu  nesta semana a fala de um cidadão congolês e uma  associação francesa querem proibir o quadrinho “Tintin no  Congo” de 1931 por considerarem racista no que fala sobre  os africanos. Isto pode proibir as vendas do HQ ou que  tenha uma nota no prefácio explicando o contexto do Congo  quando colônia da Bélgica.

Genet com a Black Panther Angela Davies

  • No centenário de nascimento de um dos grandes  transgressores da escrita Jean Genet, está ocorrendo uma  grande festa. O “Saint Genet” como dizia Sartre vai ter  espetáculos, debates, filmes e show de rock até o fim do  mês.Sua vida como desertor da Legião Estrangeira,  envolvido em movimentos negros como Os Black Panthers  contra a situação discriminatória que os negros sofriam e  ainda por cima ladrão, amante e escritor.

 

  • O papa quer ser pop. Depois de ter se mostrado várias  vezes como um lider conservador e reacionário o papa  declarou em um livro que a camisinha pode ser justificada  para impedir a propagação HIV, e que pode ser usada tantos  para homens quanto mulheres, incluindo as prostitutas que  devem usar. O papado está caindo na real e o buraco é mais  embaixo.

 

  • O programa ligado ‘Manos e Minas’ volta a ser exibido hoje  as 18 horas e trazem como apresentadores Max B.O. e a  querida Anelis Assumpção. Nas palavras o rapper Dexter  conta as histórias. O fim do programa antes anunciado  agora tem de ser mantido com ajuda de sangues bons como  Mano Brown e Danilo Santos. Então se ligue.

 

  • Um dos maiores sítios de troca de material via internet o  Pirate Bay tem agora 3 dos lideres atrás das grades. Isto  foi o que decidiu a justiça sueca. Derrubaram os  criadores, mas o sítio e o Partido Pirata ainda estão em  pé. Aguarde os piratas contratacam com suas canhoneiras.

  • A pintora niponica Tomie Ohtake está completando 97 anos e  para celebrar esta data ela está lançando uma exposição  com pinturas novas, feitas nos últimos 15 meses. Que sua  arte continua fluindo em cortes vitais. Domo

 

  • Nesta semana a Bahia é o local dos debates produtores de novas formas de socialidade. Na terça (30) a Rádio Educadora (e muitas vezes educativa) vai promover a partir das 19hrs no Instituto Cultural Brasil Alemanha um encontro sobre a produção musical bahiana onde qualquer pessoa pode criticar, sugerir e até colocar as músicas na rádio. No mesmo dia 30, ocorre o “Encontro Baiano Mulheres e mídias” as 9 horas da mañana no Cine XIV com articulações de diversos movimentos no Brasil e da negritude.

 

  • E a 5a mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul chega arrasando o Rio de Janeiro, terra que vem sofrendo com dificuldades que refletem a mal organização da cidade dita maravilhosa. Com uma programação ampla como já haviamos mostrado e cinemas de toda América do Sul, a mostra tem ótimos docs como A Batalha do Chile, dramas como Abutres de Pablo Trapero e Kamchatka e História Oficial e ainda uma homenagem ao ator argentino Ricardo Darin

 

  • A Agência Nacional de Cinema- Ancine liberou esta semana 17,7 milhões de reais para que sejam produzidas 23 obras independentes pra TV. Uma ótima escolha já que a TV precisa de uma programação decente.

 

  • A escritora de romances e livros infantis Ana María Matute foi a agraciada com o prêmio Cervantes deste ano. Com mais de 60 anos de carreira Ana foi a 3a mulher a receber o prêmio.

Kinemasófico: Vista Minha Pele

Novembro 26, 2010

No domingo passado em uma noite agradável ocorreu no Novo Aleixo a apresentação de um cinema. Desta vez em um domingo envolvido pela temática da negritude. A festa começou com o curta Vista a Minha Pele que trata a temática do racismo de uma maneira invertida. Depois da curta foi feito um debate sobre o preconceito e na forma que as crianças recebe e propaga estes valores. Seguido esta atividade de uma apresentação de uma competição de dança de rua (Break) do hip-hop e que agitou todos presentes, principalmente os jovens que envolve seu corpo e manifestação na dança. O hip-hop deu lugar a capoeira que foi jogada pelos companheiros Elton, Monica e Lie, além de várias crianças que cairam na roda.Por fim foi distribuidos o sanduiche e o bolo ao som das batidas esquizas dos negros.

VISTA A MINHA PELE

 



Titulo Original: Vista minha pele

Diretor: Joel Zito Araujo

Personagens: Maria, Suely e Luana

País: Brasil

Ano: 2003

 

Duração :15 minutos

Sinopse (Re sumo da História do Filme) : Imagine que o Brasil fosse diferente. Os negros fossem os ricos e tivessem preconceito com brancos. Maria, a garota pobre de pele branca, estuda em um colégio tradicional graças a uma bolsa de estudos e decide se candidatar para a Miss Festa Junina. Para ganhar precisa vender mais votos na comunidade. Sua melhor amiga Luana, uma garota negra, a apoia nesta competição. O objetivo não é apenas vencer uma competição contra Suely, a garota negra mais querida e cruel da escola, mas mostrar que existe mudanças, que nada está parado, tudo está mudando, se movimentando.

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O Kinemasófico é um vetor cinematográfico que a Afin realiza todos os domingos à boca da noite, contando com um curso artístico (teatro, cinema…), sempre com a apresentação ao final da atividade de um cinema. Mais informações, clique aqui.

Music for One Apartment and Six Drumm

UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Novembro 26, 2010

Antuérpia, 2 de janeiro de 1886

Passeios de burro na praia Heist (1884), VERHAS


Passeios de burro na praia Heist, Koninklijk Museum Voor Schone Kunsten

Van Gogh conta dos novos quadros do museu moderno:

” Vi alguns quadros comprados para o Museu Moderno, Verhas e Farasyn. Verhas: damas montando em jumentos e rapazes pescando na praia”

Jan Francois Verhas foi um pintor realista que teve sua produção em retratos, pinturas históricas, do cotidiano, paisagens (principalmente no mar).Sua obra é de extrema importância para arte belga, sendo ele considerado o fundador da escola de Dendermonde junto com o irmão Frans Verhas e foi muito conhecido por pintar as crianças ricas belgas, em um estilo clássico mas com um sentido natural a eles. Sua pintura é pioneira no estilo naturalista na Bélgica.

Jan nasceu na cidade de Termonde em 9 de Janeiro de 1834. Filho de Emmanuel Verhas, ele estudou com o pai e posteriormente na Academia de Anvers com Keyser indo depois para a Academia de Bruxelas.

Durante certo tempo ele se instalará em Paris, porém após receber o prêmio  de Roma ele se muda para Itália participando de algumas comissões belgas, passando a residir lá entre 1862 à 1867. Durante sua estada na idade italiana de Binche Jan se casou. De retorno à Bruxelas ele se consagra com suas pinturas de crianças e das paisagem marinhas. No Salão de Paris em 1881 ele recebe medalha de segunda classe e finalmente é agraciado na “Exposition Universelle” de 1889, e com o título de “Chevalier de la Légion d’Honneur” (Cavalheiro da legião de honra em 1881.

Jan morreu em Bruxelas no dia 31 de Outubro de 1886.

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Às sextas e terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor monoauricular Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui.