Archive for Maio, 2011

A tensão da Mostra Hitchcock: gritos e sussuros

Maio 31, 2011

Conhecido como o mestre do suspense o querido bolachão Alfred Hitchcock está com seu espirito assombrando nossas terras brasilis. Seu espirito são suas produções imateriais, seus cinemas que até hoje suspendem e atonizam muitos além de  ser de uma construção Poe – ética.

E é nesta alegria que supera o medo e nos envolve na criação do novo pelo cinema que o Governo Federal, Ministério da Cultura e Centro Cultural Banco do Brasil estão trazendo a maior mostra do cineasta com sua cinegrafia quase completa: 59 cinemas, 127 episódios de TV ( Alfred Hitchcock Apresenta) totalizando quase 9.000 minutos de suspense.

A mostra começa amanhã (dia 1 de junho) no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro aonde fica até o dia 14 de julho. Do Rio a mostra segue para o São Paulo onde será realizada em dois locais: no Centro Cultural Banco do Brasil SP  onde ficará de 15 de junho à 24 de julho e no CINESESC São Paulo de 8 à 17 de Julho.  Além disso haverão cursos, debates, eventos e masterclass com análises filosóficas, psicológicas, estéticas, televisivas e muito mais. É só conferir a programação completa.

Dentre os 59 cinemas que serão apresentados não poderiam estar ausentes crássicos como Frenesi, Psicose (Psycho),  Vertigo   um corpo que cai, Um Barco e nove destinos, Os pássaros, Sabotagem, Quando fala o coração, Janela Indiscreta, Disque M para matar, Correspondente Estrangeiro, Festim Diabólico, Intriga Internacional, O Homem que sabia demais, O inquilino, Aventura Malgache entre muitos outros.

Além disso haverá ainda a apresentação da versão de Psycho 98 (Psicose) de Gus Van Sant, um fã venerado do mestre. Que Zé do Caixão jogue uma praga nos que não forem.

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UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Maio 31, 2011
Arles, 17 ou 18 de dezembro de 1888

Bruyas em sua casa (1852), TASSAERT


Bruyas dans sa maison, Montpellier, Musée Fabre
Van Gogh continua nesta carta o relatode uma visita ao museu e de uma ala inteira com retratos do colecionador e negociante de arte Alfred Bruyas (Brias):

” Gauguin e eu fomos ontem a Montpellier para ver o museu e especialmente a sala Brias. Existem lá muitos retratos de Brias, feitos por Delacroix, por Ricard, por Courbet, por Cabanel, por Couture, por Verdier, por Tassaert…”

Nicolas François Octave Tassaert foi um pintor e litógrafo francês conhecido principalmente por seus retratos, pinturas históricas, do cotidiano (principalmente dos pobres sempre com uma carga afetiva e humana), além de cenas eróticas.

Nascido no dia 26 de Julho de 1800 em Paris, Tassaert proveio de uma família de origem flamenca sendo ele neto do famoso escultor que viveu em Berlin, Jean-Pierre-Antoine Tassaert. Seus primeiros treinamentos foram com seu pai Jean-Joseph-François Tassaert e de seu irmão mais velho Paul Tassaert.

Ele foi pupilo de Pierre Girard e  posteriormente foi estudante de de Guillaume Guillon Lethière na Escola de Belas Artes de Paris (Ecole des Beaux-Arts) em 1817.  Ele ganhou bastante popularidade em sua carreira, mas não teve muito sucesso com a crítica principalmente no início de sua carreira. Sua grande frustração foi nunca ter ganhado o Prêmio de Roma (Prix de Rome) fracassando nos anos de 1823-1824. Ele Começou a expor no Salão a partir de 1827 ganhando medelha de 1ª classe em 1849. Seus trabalhos foram colecionados pelo colecionador e mecenas Alfred Bruyas e pelo escritor Alexandre Dumas (filho).  Sua obra também produziu ilustrações para diversos livros de Victor Hugo, Alexandre Dumas (pai) e François-René Chateaubriand.

Seu primeiro sucesso foi quando o Duque de Orléans comprou sua tela A morte de Correggio (Salon 1834, Hermitage, St. Petersburg). Neste período diversas de suas pinturas históricas conseguem um reconhecimento passageiro.

Em 1863, Octave decide parar de pintar tentando se tornar um poeta  (embora nenhuma de suas poesias são existentes) e neste ímpeto vende toda as suas pinturas ao negociante Père Martin. Ele se entregou  ao alcoolismo, prejudicando sua  visão, sendo tratado em Montpellier e recuperado aos cuidados de Bruyas, voltando posteriormente a Paris.

Depois de não conseguir seu sucesso e de  sofrer pelo empobrecimento ele se suicidou no dia 24 de abril de 1874. Gauguin e Van Gogh reconhecem  como um de seus mestres, devido a uma pintura marcante e realista.

Retrato de Nicolas Octave Tassaert

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Às sextas e terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor monoauricular Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui.

Photo graphein: Yvon

Maio 30, 2011

Notre Dame Year c. 1920s

Photo graphein: Yvon

Histórias das músicas brasileiras

Maio 29, 2011

Cartola foi muito mais que um sambista fundador da Estação Primeira Mangueira (fundada em 28 de abril de 1928). Ele foi uma entidade revolucionária dentro do samba, influênciando toda o pessoal da velha guarda tanto aos sambistas mais jovens.

  Com quinze anos estava solto no mundo, solta na Mangueira e nos carnavais do morro conseguiu lugar no Bloco dos Arengueiros. Tentou trabalhar numa tipografia, mas era um local muito quieto e ele queria agitação. Começou a trabalhar de pedreiro quando começou a compor e logo a vender composições para ganhar um troco . Sempre elegante usava um chapéu coco para que o cimento não grudasse em sua cabeça e logo recebeu o apelido de Cartola. Com a Mangueira fundada é um membro ativo até quando começou o barulho e desorganização do Carnaval das Escolas de Samba, quando o samba desceu o morro. Nos anos 40 fica conhecido internacionalmente, pois Villa-Lobos faz uma gravação dele junto com Pixinguinha, Donga, Zé da Zilda, João da Bahiana, Jararaca e a Orquestra da Juventude Americana.

Mesmo assim a vida músical é dura e não muito rentável e Cartola continua no trabalho de pedreiro. Um belo dia de 1948 Cartola desaparece da Mangueira sem dizer nada a ninguém. Ele só foi encontrado novamente em 1956, ou 1957 por Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, como um paupérrimo lavador de carros em Ipanema. Doente de meningite Cartola levou quase um ano pra se recuperar.  Logo mais conseguiu um emprego em uma repartição pública e conheceu Dona Zica, uma cozinheira de mão cheia com quem casou e abriu o lendário boteco Zicartola, que ficava na Rua da Carioca e foi o espaço de surgimento e produção de muitos novos sambas e sambistas. De aí em diante a vida melhorou um pouco para Cartola e aos 65 anos ele gravou seu primeiro em 1974 um LP pela Disco Marcus Pereira “História das escolas de samba:Mangueira”. Logo surgiram outros solo. Trocando a Pinga pela Cerveja Cartola continuou cantando. Continuou compondo e tocando até sua morte em 1980.

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Meu nome todo é Angenor de Oliveira, e só, não é Agenor, AN. Não tenho culpa se eles botaram errado, meu pai diz que botou Agenor, mas botou um N para atrapalhar e aumentou um bocadinho, ficou por isso mesmo.

Carlos Cachaça é meu amigo, é meu padrinho de crisma,  embora ele me tome a bença. É um grande escritor, ele tem músicas maravilhosas, muito bonito. Eu tenho diversas músicas com o Carlos. Eu conheço ele há muitos anos, ele foi nascido em Mangueira. Eu não. Eu fui pra Mangueira com 11 anos. Eu já o encontrei lá ele era vagabundo, jogador bebedor, mas com todas estas bagunças que ele fazia, ele estudou. Estudou muito e aposentou-se como escriturário da estrada de ferro Central do Brasil. Um dia eu passei na casa do Carlos Cachaça, e conheci a cunhada dele, mocinha mas já viúva. Esta mesma Zica que está aí. A gente combinou logo, desde o início, e num instante estava vivendo junto.

Como nasceu a Estação Primeira? È muito simples, uma estação com o nome Mangueira, tinha uma árvore com o nome de mangueira também com umas frutas e umas folhas verdes e aí nasceu a mangueira. Mas não é em todo lugar que a mangueira é como a mangueira da Mangueira, que as mangas são gostosas como as nossas. Um grupo de rapazes, jovens como eu era também. Naquela época eu, Marcelino, falecido Pedro Caymmi, Saturnino que foi o primeiro presidente da Escola e nós formamos a estação Primeira em 1928, não… Nós começamos a pensar na escola Estação Primeira de 27 pra 28 e quando saiu pra 28, já saiu com cores, com nome oficial, tudo preparado… Os Sambas enredo surgiram em 1938 mais ou menos. Era samba de quadra, no tempo que o samba era um samba lento, calmo, bonito, não é que nem agora que é aquela correria, que ninguém agüenta aquela zoada e o samba de hoje tem que ser corrido, tem que cantar correndo. No meu tempo não, era lento…

O primeiro concurso de escolas de samba foi promovido em 1929 ou 1930, na Parça Onze,pele José Spinelli.Ele comprou umas taças numa loça da Praça Onze mesmo, sentou-se como único juiz numa cadeira e assistiu ao desfile das poucas escolas que havia. Ganhou a Mangueira.

Bom os compositores do passado da Mangueira foram Geraldo Pereira, Zé com fome, que era Zé da Zilda, eu modéstia a parte, Carlos Cachaça, Aluízio e era só. Da nova geração tem aqui a Leci, que vocês já conhecem é uma grande compositora, tem Padeirinho, tem o Zagaia também muito bom, tem o menino parceiro da Leci, o Darci, bom compositor, o Darci da Mangueira, Darci do Violão e tem um outro pequeno que fez um samba muito bonito também. É uma turma, sabe como é que é, eu quase não vou lá, eu me aposentei e hoje é difícil ir na Mangueira. Me aposentei com todos os direitos, tenho minha carteira de trabalho, de sócio benemérito, entro e saio a hora que quero. Não volto mais lá pois minha escola de samba agora é eu, meu violão e minha patroa me preocupo com estas coisas, eu o violão, a patroa e minhas músicas. Agora a Mangueira eu torço, mas longe dela, fico do lado de fora torcendo.Não deixo de sentir aquela emoção. Vibro quando o povo sauda a Mangueira. Só que a zoada é muito grande. Foi um tal de colocar surdos, taróis e cuícas que não existe tímpano que agüente. Antigamente era muito mais bonito, o tamborim reinava na bateria. Nos primeiros tempos da Mangueira, a escola era conhecida de longe pelo ruído das sandálias de suas pastoras na avenida, marcando o compasso do samba. Hoje, com o excesso de barulho, isso não é mais possível.

A Zica foi dá uns passeios por aí, a Zica não para. Ela chegou em São Paulo vira mais paulista do que eu. Eu levanto as vezes e procuro a Zica e ela já deixou um bilhete e saiu, foi em Mirim, não sei o que lá, Bairro de Santa Maria.

 Meu samba tem um ritmo sincopado, um pouco lento. Não sei explicar exatamente por que, mas minha linha melódica é inconfundível. Como também são as de Zé Keti, Paulinho, Nelson Cavaquinho. Reconheço à primeira vista a música deles. Ainda continua a aprender e acho que, daqui para os cem anos, estou fazendo coisa boa.

Transcrição do programa MPB Especial Cartola e Leci Brandão (1974) e pequenos trechos do fascículo Nova História da Música Popular Brasileira.

Cartola foi figura presente no Morro da Mangueira e no início da escola de samba. “Somente” sainda da Mangueira no fim da vida quando foi morar em Jacarépagua.


Cartola e seu grande companheiro o violão, instrumento em que Cartola poetisou e ritmou nossas músicas, nossos sambas.

Cartola trabalhou com diversas coisas, mas seu maior trabalho é o imaterial em seus sambas.

Cartola em 1976, gravando o segundo LP, em companhia de sua filha Regina

Dona Zica e Cartola no beiral da janela de sua casa em Mangueira, que foi capa do disco de 1976. Juntos até os fins eles foram um casal produtivo e alegre, e criaram o espaço cultural do Zicartola

Festa de aniversário de 33 anos de Hermínio Bello de Carvalho, na Churrascaria Tijucana. Da esquerda para a direita: o jornalista Arley Pereira, Jacob do Bandolim, Cartola (em pé), e Brício de Abreu.

Notas de lutas

Maio 28, 2011

  • Um dos caras da pesada, fundador do movimento hip-hop Gil Scott-Heron caiu fora pra outras bandas ontem (27). Com uma carreira artística que misturava diversos rítmos negros como o jazz e o soul e que era criada junto a um ativismo político importante nos anos 70.

 

  • Em Belém do Pará o Cineclube Nangetu tem uma programação arretada neste domingo(29) sobre o cangaço e os cangaçeiros. O primeiro cinema é sobre os cangaçeiro-as cabras “Corisco & Dadá” dirigido por Rosemberg Cariry seguido do documentário ‘A Musa do Cangaço” de José Humberto . 

 

  • E no Teatro Oficina o projeto Cortinas Lyricas continua balançando com muito lirismo os fins de semanas. Hoje (28) temos um Duo flauta piano com Marta Ozzetti (flauta) e Karin Fernandes (piano) com composições de autores brasileiros. E no domingo (29) a soprano Adélia Issa e o violonista Edelton Gloeden com músicas folclóricae do inglês Benjamin Britten, do polonês Alexandre Tansman, do espanhol Joaquín Rodrigo, do português Fernando Lopes-Graça, dentre outros. Dá ré sem dó si der.

 

  • A companhia de dança americana “Pilobolus Dance Theatre” que tem o nome proveniente de um fungo e 40 anos de dança.é uma palavra grega que designa um tipo de fungo. Agora eles estão em temporada no Brasil com o espetáculo “Metamorphosis”, uma colagem de cinco peças que perpassam diferentes fases de seu repertório.Com preços meio hipertensos eles se apresentam amanhã em Brasilia no Teatro Nacional Claudio Santoro (R$ 140), em BH na terça no Palácio das Artes (R$ 80), no Rio na Quarta e quinta (1 e 2) no Theatro Municipal ( a partir de R$ 40) e em Porto Alegre no sábado (4) no Teatro do Bourbon Country (a partir de R$ 60)

 

  • Atenção Teresina! Eu vim com Nação Zumbi aos seus ouvidos contar, quero ver a galera surgir na boate Taj Mahal. É isso aí Nação Zumbi em Terezina nesta próxima sexta (3)  com ingressos a venda na Tocatta e na Moral entre 40 e 20 jimbra.

 

  • Em São Paulo está rolando o Popporn que traz o cinema pornerótico e outras mostras pornos com fotografias, debates, workshops e outras coisas em diversos espaços. Com uma produção cinematográfica bem mais porno-chanchadas (também), a mostra traz cláxxicos como “histórias que nossas babas não contavam”, “O diabo em Miss Jones”, “Sexo dos Anormais”, entre outros. 

 

  • E por falar em festival está rolando até o meio de junho o 15o Festival Cultura Inglesa que traz diversas atividades culturais com a lingua inglesa. Hoje rola o cinema Frankstein de 1931 na estação Paraiso as 13 hrs. No domingo (29) o cinema 2001 de Kubrick , a banda Cachorro Grande tocando The Who, banda Gang o four e o espetáculo dançante “The hot one hundred Choreographers”. O festival vai até dia 12 de junho. Check the program Oh yes!

 

 

  • Foi aberta no Ceará uma universidade onde metade dos estudantes são africanos de paises lusófonos. Trata-se da Universidade de Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) que pretende criar um intercâmbio ciêntífico do Brasil com a África e fazer uma formação . A universidade contará neste semestre com 180 estudantes e os cursos de Administração Pública, Agronomia, Enfermagem, Engenharia de Energias e licenciaturas em Ciências da Natureza e em Matemática.

  • Segundo os fofoqueiros de plantão (que não somos nós) a diretora Sofia Coppola se casará com  Thomas Mars, o vocalista da banda Phoenix. E com anuência do diretor Francis Ford Coppola. O local será a villa de Francis na Itália.Independente do casamento o casal já entrou em produção há tempos e estão juntos com duas crianças Romy e Cosima. 

 

  • E futebol arte não é só no campo. O futebol como arte é também no cinema, é pelo menos o que diversas exposições propoem sob o nome de “CINEfoot-FESTIVAL DE CINEMA DE FUTEBOL” é um tipo de festival inédito por aqui e acontece de 26 a 31 de maio no Rio, no cinema Unibanco Arteplex na Praia de Botafogo, no Rio de Janeiro, e posteriormente de 2 a 5 de junho, no Museu do Futebol, em São Paulo. No Cine Glória, Rio de Janeiro, nos dias 27 e 28 de maio, acontece a primeira Mostra Cineesporte, voltada para o público infanto-juvenil. E no Museu do Futebol, em São Paulo, no dia 4/6, ocorre mais uma iniciativa inéditado CINEfoot: a Mostra Infantil Dente-de-Leite.

 

  • Goiás também esta na onda com mais uma edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica) sob a coordenação geral do cineasta João Batista de Andrade. O Festival possui uma programação multicultural paralela, pondo em cena espetáculos que valorizam a criação musical, o teatro, a dança e literatura. Dentre os filmes participantes destaque para ACERCADACANA (BR), ALIMENTAR A BESTA (FR), DIGA 33 (BR),  EU SOU CONTRA (Armênia), O SOM DO TEMPO (BR), NO MEIO DO RIO, ENTRE AS ÁRVORES (BR). Entre outros confira no sítio do evento.

 

  • A cidade de Recife vai ser invadida pelos sons alienigenas de Jack Johnson que toca hoje (28) no Centro de Convenções de Pernambuco as 21hrs com ingressos a preço de banana de ouro: R$ 200,00 (Inteira) e R$ 100,00 (Meia).

  • E por falar em Iron Maiden o ex-vocalista do Iron Paul Di’Anno foi liberado mais cedo que previsto do xilindró, vulgo prisão. Ele cumpriu apenas dois meses da sentença que previa 9 meses de reclusão devido a uma fraude no benefício.

 

  • O 17º Salão Unama Pequenos Formatos de Belém do Para que acontece na Galeria de Arte Graça Landeira – UNAMA traz até o fim de junho traz 72 obras de 43 artistas brasileiros com entrada gratuita. A obras foram premiadas e pertencem a artistas como Danielle Fonseca – Pará (A dobra somo nós); Claudia Hersz – Rio de Janeiro (Broken China); Reynaldo Candia – São Paulo (Teu amigo que te quer)

 

  • Já no Museu da Universidade Federal do Pará está rolando a  exposição “RUMA, CAMINHO REVERSO” que fica aberta até  até o dia 26 de junho de 2011 com entrada liberada. A mostra traz diversas fases de um artista na concepção da arte

 

  • A Orquestra Tabajara e para continuar dando festa a Fundição Progresso fará uma série de shows mensais Orquestrando a Lapa. A temporada que começou hoje vai até setembro. Foi Tabajara na terra de Tupã…

  • Amy Winehouse está em sua pausa existêncial e foi internada na Clinica de rehabilitação The Priory clinic em busca de tratamento para seu vício em álcool e drogas. Amy tem uma agenda marcada a partir de junho como o BBK Festival em Bilbao. Mas aguardem que chega a volta por cima.

 

  • Além da partida de Abdiasde Nascimento para Orún, outra artista tomou seu rumo a pintora e escultora surrealista e mexicana Leonora Carrington. Ela tinha uma relação com o o pintor surrealista Max Ernst. Agora continua tecendo suas te-i-l-as em Orún.

 

  • Em São Paulo a carioca Abayomy Afrobeat Orquestra que é uma mistura musical única vai se apresentar gratuitamente no Sesc Pompéia Choperia nesta terça, dia 31 as 21hrs com um repertório que envolve Jorge Ben, Tim Maia e outros afrogods. Valeu!

 

  • E a paraibana Elba Ramalho vai se apresentar sem cobrar num show neste domingo (29) no Santana Parque Shopping Pça. central. Agora imaginem uma mulher sair da Paraiba pra ir ao antro do consumo, o local mais esvaziado afetivamente que é o showpinguin. Antes fosse no picadeiro…

  • Eddie Vedder é Pearl Jam, mas não só. Ele é um músico com ou sem o Jam. E por isto está lançando seu segundo disco solo “Ukelele Songs”, e pensou em nós, disponibilizando na internet alguns trechos para ouvir. O disco sai nesta semana

 

  • Quem você convidaria para participar da ceia de natal? Se você respondeu Lady Gaga, pelo menos poderá ouvir (se vingar) o seu mais recente projeto: um álbum de Natal. Assim não haverá mais natal de horrores, só de amores. A idéia não é tanto tradicional quanto a do álbum de Bob Dylan, mas de um álbum com covers de jazz. E Gaga é no toco Iron Maiden pra cá e jazz natalino pra cá também, fofa!!

 

  • E aos metaleiros agora fica a má notícia. O tradicional Ozzfest foi cancelado. O organizador da festa Ozzy Osbourne avisou que decidiu fazer uma turnê europeia. O próprio evento já estava sendo promovido. 

 

  • Carlos Santana e Paul Simon são os dois principais músicos que protestaram contra a redução de mais de 30 categoria do Grammy sem o consentimento dos membros da Acadêmia Musical. Mas o que esperar também de uma administração arbitrária e facista destes prêmios americanos?

 

  • O cantor vaidoso Marilyn Manson está bem próximo de lançar seu novo álbum CYMK e também presenteou os fãs com um trecho do novo álbum.

 

  • E um dos cantores de metal lírico (ou melódico) mais cultuados pelo mundo André Matos está com um show Marcado com sua banda. Ele se apresenta neste domingo as 19 horas  no Clube Cabo Branco em João Pessoa.

UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Maio 27, 2011
Arles, 17 ou 18 de dezembro de 1888

Cristo coroado com espinhos (1850), VERDIER

Christ crowned with thorns, Montpellier, Musée Fabre
Van Gogh continua nesta carta o relatode uma visita ao museu e de uma ala inteira com retratos do colecionador e negociante de arte Alfred Bruyas (Brias):

” Gauguin e eu fomos ontem a Montpellier para ver o museu e especialmente a sala Brias. Existem lá muitos retratos de Brias, feitos por Delacroix, por Ricard, por Courbet, por Cabanel, por Couture, por Verdier…”

Marcel-Antoine Verdier é um pintor francês conhecido principalmente por seus retratos, pinturas do cotidianho além de históricas. Nascido em 1817  ele estudou na Escola de Belas Artes de Paris (Ecole dês  Beaux-Arts), sendo aluno de Ingres. O seu mecena Alfred Bruyas lhe encomendou um retrato de sua amante, mantendo em sua coleção.Em 1835, a primeira pintura mostrando a escravidão entrou no Salon a pintura  de François Biard “La Traite des nègres”. Foi uma pintura contida e que precedeu  “Castigo dos quatros piquetes na colônias”, que foi um quadro bastante polêmico e denunciador da colonização francesa na Africa. O tema foi recusado pelo júri do Salão de 1843 que temia que levasse a um “ódio popular contra as colônias.”     

A vida e obra Verdier carece de maiores informações, sendo um assunto quase inexistente nos estudos em história da arte, entretanto sabemos que ele morreu em 1858.

A obra clássica citada acima de Marcel-Antoine Verdier- Chatiments des quatre piquets dans les colonies(Beating at Four Stakes in the Colonies- 1843)

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Às sextas e terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor monoauricular Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui.

Devir/Dançar

Maio 26, 2011

Em mais um bailado existencial deste devir/dançar, trazemos nesta semana mais alguns poem-ovimentos da parte “Corpo, Tempo e Espaço do livro” obra de  Ricardo Teixeira Salles “O corpo respira relâmpagos” que vem sido composto há 35 anos com o tema da dança.

ADÁGIO DO VENTO

Sábio é o movimento
irmão do infinito
que ao vento é semelhante

ilimitadas são as danças
sonhos as motivam
sonhos jamais se extinguem

emoção é sentir
antes de entrar em cena
a espera e o pressentido.

AULA DE DANÇA

Buscamos no exercício físico
um contraponto dionisíaco
motor do movimento
verniz do desempenho

inflamamos silêncios
na extração das formas

sobrepomos fúria e afeto
para nossos corpos se tornarem
fluentes em corpos.

Photo graphein: Francis Pacheco

Maio 26, 2011

Depois da Orgia

Maio 26, 2011

O prazer que na orgia a hetaíra goza
Produz no meu sensorium de bacante
O efeito de uma túnica brilhante
Cobrindo ampla apostema escrofulosa!

Troveja! E anelo ter, sôfrega e ansiosa,
O sistema nervoso de um gigante
Para sofrer na minha carne estuante
A dor da força cósmica furiosa.

Apraz-me, enfim, despindo a última alfaia
Que ao comércio dos homens me traz presa,
Livre deste cadeado de peçonha,

Semelhante a um cachorro de atalaia
Às decomposições da Natureza,
Ficar latindo minha dor medonha!

Augusto dos Anjos

ABDIAS DO NASCIMENTO DO ÀIYÉ AO ÒRUN

Maio 25, 2011

Ò tó ‘ rù egbé ma sokún omo ò tó ‘ rù egbé ma sokún omo
Égun ko gbe eyin o! Ekikan ejare àgbà
Orixá gbe ni másè ekikan esin enia niyi r’ òrun*

No Candomblé, segundo o dialeto africano yorubá, quando um negro nasce e recebe o sopro dado por Olorum, vem ao Àiyé, de onde, um dia seguirá para o Òrun. Na África, os grandes guerreiros da tribo tinham direito ao Adósù, um ritual sagrado para essa passagem. Com certeza é o caso de Abdias de Nascimento.

Economista, poeta, escritor, pintor, ensaísta, jornalista, dramaturgo, teatrólogo e ator-negro, Abdias declinou a linha poiética da negritude com vozes, movimentos, tambores, tanto como realizador quanto como defensor das produções afetivas políticas artísticas dos negros no Brasil e no mundo.

Publicou diversos livros de poesia e de diversas áreas das ciências humanas, fundou em 1944 o Teatro Experimental do Negro (T.E.N.) e foi um dos mais ativos participantes do Movimento Negro no Brasil. Recebeu diversos títulos e prêmios nacionais e internacionais pelas causas que lutava, como a Ordem do Rio Branco, no grau de Comendador, a honraria mais alta outorgada pelo governo brasileiro, que ele recebeu ano passado das mãos de Lula.

Abdias do Nascimento não nasceu na França, nasceu em França, interior de São Paulo, em 14 de março de 1914, e faleceu ontem, 24 de maio de 2011, no Rio de Janeiro. Mas, como soi acontecer às entidades dos cultos afro, Abdias por aí entre nós com suas ideias, seu vigor, sua integridade, sua alegria, humor e inteligência…

Vem do fundo escuro do tambor
esse aflito olhar magoado
(não vencido apenas derrotado)
das irmãs e irmãos em África
fixo olhar pungente
absorvendo a beleza vital do meu corpo
incrustação do ixé
projeção amorosa de Oxum
em minha origem plantado
por desígnio paterno de Olorum
o olhar a devolvendo
à intensidade e pungência
da antiga luta comum
processada à regência
do agadá transformador
e do nosso cálido
recíproco
e solidário amor
Ogunhiê!
(Trecho d’O Agadá da Transformação)

*Tradução do trecho do Adòsú acima (aqui): Ele alcançou o tempo (de converter-se) no érù egbé (o carrego que representa o egbé). Não chore, filho (oficiante do rito), não chore. Alcançou o tempo (de converter-se) no carrego (no representante) do egbé. Não chore, filho. Que Égun nos proteja a todos! Proclamai o que é justo. Que Àgbà Orixá nos proteja a todos! Proclamai (que) foi enterrado um dos seus, que foi para o òrun.(Isto quer dizer, falai alto, com justa razão, porque enterram alguém venerável que irá ao òrun).

Leia também a entrevista que este bloguinho intempestivo fez com Abdias do Nascimento no Quilombolas Bar:

TEATRO NEGRO DO BRASIL — UMA EXPERIÊNCIA SÓCIO-RACIAL