Archive for Dezembro, 2014

EXPOSIÇÃO ARTES E OFÍCIOS: SABERES E FAZERES ANCESTRAIS E CIVILIZATÓRIOS

Dezembro 31, 2014

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As artes têm uma poiesis singular: proporcionar aos artistas e ao público vivências de prazer que os deslocam da concretude opressiva do mundo objetivo. O que até Freud sabia. As artes são corpos proporcionadores de prazer. Um dos significados elevados da existência.

Como se reconhece, qualquer pessoa pode se expressa artisticamente e se sentir atuante em sua comunidade. Foi, com esse sentido que foram criadas e realizadas oficinas no Quilombo do Jaó, em Itapeva, São Paulo, e no Museu Casa de África del La Oficina Del Historiador Del Habana, em Cuba, entre os meses de fevereiro e outubro. As oficinas foram de capacitação artesã, sustentabilidade econômica, formação de multiplicadores e de intercâmbio cultural.

Assim, 120 mulheres, crianças e jovens criaram peças, baseadas na tradição de suas regiões, que se expressaram como estamparia africana, bordado sobre juta e escultura em argila. Essas criações impulsionaram a organização da Exposição Artes e Ofícos: Saberes e Fazeres Ancestrais e Civilizatórios que se encontra sendo realizada no Complexo Cultural Funarte São Paulo, e vai até o dia 11 de janeiro.

Os artistas idealizadores do evento João Pedro Cury e Eloisa Marques, também participam da exposição com uma série de Baobás.    

O projeto que tenciona promover o ensino da história e da cultura afro-brasileira e africana e nomear a importância da cultura negra na formação do povo brasileiro, tem o apoio do Programa Mais Cultura dos ministérios da Cultura, Educação e Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

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TEMPORADA DO PROJETO MÚSICA NO MUSEU TEM ENCERRAMENTO COM 60 OBRAS DE ARTISTAS PLÁSTICOS

Dezembro 30, 2014

musica-no-museu-_783996473031Ao completar seu 17º ano de saudosa e produtiva existência, o projeto Música no Museu, criado em 1997, pelo músico/violinista Turíbio Santos e que realizou mais de 500 consertos com uma média de público anual de 65 mil pessoas, termina sua temporada de 2014 com a exibição de 60 obras de artistas plásticos.

O projeto Música no Museu que reúne também, além da música, obras de artistas plásticos e que executa consertos em museus, igrejas, centros culturais, é apoiado pelo Ministério da Cultura. Iniciado no Rio de Janeiro, o projeto já ramificações por diversos estados do Brasil e em alguns lugares do exterior.

O objetivo do projeto é criar um público que se dedique ao culto da música, principalmente o público infantil. Uma realidade já constada porque é comum se observar crianças assistindo os consertos. O projeto também visa à formação de novos músicos e confia a eles apresentações de seus talentos ao público.

Durante o encerramento foram apresentadas 60 obras de artistas plásticos entre elas obras dos artistas Miguel Paiva, Iara Tupinambá e Ziraldo que são autores dos desenhos das cinco últimas edições do programa do Música no Museu e que foram expostas ao público. As 60 obras foram doadas pelos seus autores ao Musica no Museu.

IDA”, CINEMA DE PAWEL PAWLIKOWSKI MOSTRA O NAZISMO E O STALINISMO NA POLÔNIA

Dezembro 29, 2014

528acfe5-4c77-4a1b-af09-8105f27ada3aIda. O público pode escolher entre uma percepção e um entendimento freudiano e político ou, simplesmente, um dos dois, porque a trama do cinema de Pawel Pawlikowski faz esses percursos que marcam a história.

A personagem Ida, interpretada pela atriz Agata Trzebuchowska, encontra-se preste a realizar seu voto religioso como freira, mas antes vai conhecer sua tia Wanda, protagonizada pela atriz Agata Kulesza.

Durante o encontro, Wanda conta à sobrinha um segredo antigo que ela não conhecia: seu nome não é Anna, mas Ida. O nome havia sido trocado, porque ela era judia. Um recurso que seus pais, ao a entregarem a um convento, usaram para que ela não fosse perseguida pelo nazismo na Polônia.

É nessa rede de construções históricas que desfilam os códigos dominantes do nazismo e o stalinismo que o cinema Ida, se movimenta. Uma construção de identidade da personagem e de seus pais que ela nada sabia de seus passados. Um forte componente freudiano como produção de identidade do eu da personagem que até então acreditava que os fundamentos de sua escolha religiosa católica vinham de outra fonte.

Seu encontro com sua tia desdobre outras intenções e objetivos. Na passagem-construtora de sua nova existência, Anna-Ida, encontra um homem a quem ama, e experimenta outras realidades que antes não experimentara. É que um novo mundo vai se configurando ao seu redor como história passada e presente-futurável.

Como muitos já sabem, a segunda guerra mundial foi estruturada em três estratos ideológicos: capitalismo, nazifascismo e comunismo. A Polônia era um país pró-comunista, mas com a guerra foi submetida às forças nazifascistas. Entretanto, havia uma resistência religiosa católica que embora aparentemente esfacelada, mantinha-se em atuação. Como região, a Polônia era de interesse das três ideologias. Essa uma das percepções e entendimentos políticos do cinema, Ida.

Como é possível entender, não é cinema para disputar Oscar, mas seu diretor inscreveu-o para disputar o concurso fílmico-capitalista-comercial em sua edição de 2015. Compreende-se que ele sabe de sua obra, mas não demonstra saber do endereçamento real do público ao qual ela deve chegar.

Veja o trailer.

4ª EDIÇÃO DA MOSTRA INTERNACIONAL DE ARTE DA MULHER NEGRA – MIMUNEGRA, HOMENAGEA ZEZÉ MOTTA

Dezembro 28, 2014

zeze_motta2-galeria_de_ministerio_da_saudecc_by-ncDepois de homenagear, nas três edições, passadas a escritora Carolina Maria de Jesus, na primeira, a cozinheira Tia Ciata, na segunda, e na terceira várias personalidades femininas, a 4ª Edição da Mostra Internacional de Arte da Mulher Negra – Mimunegra, está homenageando a atriz e cantora Zezé Motta.

A mostra que começou ontem, dia 27, tem como objetivo estimular a maior participação das mulheres negras na sociedade como também possibilitar novas produções artísticas com as participações diretas delas. A mostra é uma forma da artista negra, além de apresentar suas obras, também fortalecer seu papel no mundo.

A escolha de Zezé Motta como homenageada tem marca essa perspectiva, visto que a biografia da cantora e atriz é rica em atuação política pela causa negra. Na verdade, não só pela causa negra, mas pela causa dos direitos humanos. Zezé Motta sempre esteve comprometida na luta política-cultural. Dos seus 70 anos, 50 são de existência ativa em sua profissão. Um exemplo de sua atuação foi a criação do curso de Arte de Representar Dignidade que instalado em várias comunidades do Rio de Janeiro formou diversos atores e atrizes negros.

“Neste ano, Zezé Motta completa 70 anos de idade e 50 de carreira, nada mais justo homenageá-la por tudo que representa. É uma atriz negra que se transformou em símbolo internacional. É com certeza a primeira atriz brasileira que ganha este estrelato interpretando um ícone nacional que é Chica da Silva.

Ela fundou o Cidan, Centro de Informação e Documentação do Artista Negro. Por meio deste centro muitos artistas negros estão hoje na mídia, têm visibilidade, e eles começaram no Cidan. Ela tem essa preocupação de aumentar a atuação de atores e atrizes negros, ocupando os espaços”, disse Iléa Ferraz, uma das idealizadoras da Mimunegra 2014.

VISITA DE NATAL*

Dezembro 27, 2014

nevoeiroA família estava sentada ao redor da mesa, pronta para a ceia natalina, exatamente às 24 horas, quando a campainha tocou. A irmã mais nova levantou-se e foi até a porta para atender a visita. De repente um grito de alegria tomou conta da casa. A moça, depois de abraçar e beijar o visitante correu para os familiares avisando que o irmão voltara.

Ele entrou na sala, onde todos estavam reunidos, chegou perto da mesa e pediu que ninguém se levantasse e disse que a visita era curta. Foi até a mãe, que se encontrava sentada a cabeceira da mesa e deu-lhe um terno beijo no rosto e acariciou os seus cabelos grisalhos. Durante alguns minutos ficou com a mão esquerda sobre o ombro da mãe.

A irmã mais nova, maravilhada, contemplou o rapaz belo, com os cabelos negros compridos, a camisa de algodão branca, a velha calça jeans, em um corpo magro, de 22 anos, sobre um par de sapatos grossos que a irmã mais velha dizia ser de andarilho. Lá estava ele, o irmão que todos amavam e que partira há anos e que agora se fazia presença. O tempo passara, mas ele continuava a inconfundível e eterna beleza juvenil capaz de ofuscar Dorian Gray, de Oscar Wilde.

Pediram que ele sentasse e provasse da comida e da bebida. Ele agradeceu e disse que só voltara para anunciar a boa nova. Todos ficaram em silêncio e ele contagiado de alegria disse, sorrindo, que haviam vencido. A mãe chorando de contentamento lembrou que era o que o pai dele sempre dizia durante o tempo que viveu.

Ele abraçou e beijou todos e se despediu. A irmã mais nova correu e se abraçou com ele pedindo que ficasse. Ele a beijou e cantou um trecho da música Flora, de Ednardo. “Há um tempo de plantar saudade. Há um tempo de colher lembrança. Pra depois com o tempo chorar”. E completou, dizendo que o tempo de chorar havia passado e que agora era tempo de fazer o sertão florir.

A irmã quis lhe acompanhar ate a porta, mas ele pediu que ela ficasse com os outros que ele gostaria dele mesmo fechar a porta às suas costas.

*Conto do livro Contos Sem Dez Contos, em preparação.

“A ESPINGARDA”, CONTO DO ESCRITOR, BERNARDO KUCINSKI, VENCEDOR DO CONCURSO DE CONTOS DE NATAL DE OURINHOS

Dezembro 26, 2014

donc-kucinski1A Associação de Amigos da Biblioteca Pública de Ourinhos realizou um Concurso de Contos de Natal. Participaram vários autores e autoras, muitos já conhecidos no mundo literário. Depois de realizada seleção e escolha, o primeiro lugar ficou para o engajado escritor e jornalista Bernardo Kucinski, com o conto a Espingarda. E o segundo e terceiro lugar ficaram para Maria Cristina Lobo pelo conto Decepção, e Ricardo Carvalho Cenaldo pelo conto O Envelope Vermelho.

Aproveitando, ainda, a quadra natalina, esse Esquizofia publica A Espingarda, de Bernardo Kucinski.

Como dizem as engajadas professoras, vamos à leitura!

NELSON NOEL, 13 VEZES NATAL REFRESCANDO COM PICOLÉS E SORVETES CRIANÇAS DOS BAIRROS DE MANAUS

Dezembro 25, 2014

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No início era Papai Noelson, mas o verbo se fez necessidade então, para se autentificar, se fez Nelson Noel. Na intensidade de Papai Noelson e, agora, Nelson Noel, se movimentam 13 anos junto com as crianças no Natal. É a festa refrescante com picolés e sorvetes distribuídos para as crianças no encantamento da alegria no calor de Manaus.altAlc6eCPcJYrkBGzWTvZ6tYUv5WDjR4MgOd-gd2ztezwJ

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altAoGoa_iedtoEGFIlfvcnMksmbPENuQ8X6ooG8Z9EWK_PaltAohBSi5ZMtkyRB8Ecig0heS_3IYaqRNElqx1GtOnYrFlaltAoOoDkZS7KgykB6JH_yV36sW_uQVDB_HUO7E7Qg9lPZ2altAp85IH32IQDIq-DjjjyETJWKLOvskK28KOBvpq4gupu2altApEJoX5GXWpJ7Wa-Rfm_IU5RNw6q69vkXhgnYTHvnKTLaltApFYU3EQ3khORVUOmKLSBFnoZ_qqxZy3NZetujkY4f91altApGlsIpC2JjIDRVltd-1hkWmPMYOgR-ipAhX9K1xmDGnaltAq0qOWygFVQ6y0y13tIkaKtgr2oZwm-YCOin4VxUq8ueEntão, chegou o Natal! E lá vai Nelson Noel com seus milhares de picolés e sorvetes para os bairros desassistidos pelo poder público. Nelson Noel acorda bem cedo e, junto com amigos colaboradores, inicia o ritual preparativo para a caminhada. Com sua barba branca de salão de beleza, visto ainda manter a barba preta e que deixou crescer durante todo o ano, se traveste de bom velhinho, como dizem alguns, e cai na estrada.

Ao contrário do alcunhado bom velhinho, que só se materializa nas famílias com dinheiro, Nelson Noel, democratiza o Natal com crianças de famílias desassistidas e só assistidas pelo Bolsa Família. Poderia até se afirmar que o Natal que Nelson Noel proporciona às crianças é o Bolsa Família picolé e sorvete do Natal. Bem que ele gostaria (gosta) que todo dia pudesse distribuir os refrescantes sabores nessa Manaus onde as crianças são cada vez mais empurradas para o isolamento. Mas, ele não é financeiramente um empresário com essas condições.

Não importa, ele vai à luta, como dizem os engajados socialmente que não se restringem a privacidade familiar que só persegue seu pirão primeiro. Então, nesse Natal, Nelson Noel, mandou ver. Quase 40 mil refrescantes distribuídos em vários bairros. Uma festa colorida de crianças e picolés e sorvetes. Crianças com panela, saco, copo, balde, bacia, entre outros objetos, para ganhar suas partes.

Vejam as fotos e confirmem a festividade. Vejam como se encadeou essa festa das crianças que quase sempre não têm dinheiro para comprar o mais simples picolé. Entretanto, essas crianças têm uma diferença abismal em relação às crianças cujos pais têm condições financeiras para comprar sorvete e picolé. Essas crianças saboreiam os refrescantes com os sentidos experimentadores. Saboreiam de forma inusitada, como se fosse pela primeira vez. Uma primeira vez que produz um afeto alegre inesquecível. E ainda mais porque é uma experiência coletiva. Uma experiência entre outras crianças, onde ninguém se encontra em uma posição superior à outra. São intensidades alegres.

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Valeu, Nelson Noel! Valeu, vale e valerá como forma democrática de produzir afetos alegres como expressão de autoestima das crianças! 

“OS VENCEDORES – A VOLTA POR CIMA DAS GERAÇÕES ESMAGADAS PELA DITADURA DE 1964”, DE AIRTON CENTENO

Dezembro 24, 2014

7c814012-f567-40ab-976d-e485613748f5“Quando um muro separa uma ponte une… Você vem me agarra, alguém vem me solta… Você corta um verso eu escrevo. Você me prende vivo eu escapo morto. Olha eu de novo”, afirmam Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro.

O biólogo August Weismann com seu plasma germinal já defendia que o ser vivo é uma afirmação e continuidade da vida. O filósofo Spinoza também defendia a impossibilidade de destruir o ser vivo em razão sua potência-natural ou seu conatus. Sua forma de perseverar a vida.

O que significa que o homem, mesmo como sujeito cultural-social, não pode ser impedido de se mostrar em atuação como liberdade. Esse o dom e o tom da humanidade em cada um. Nisso se pode afirmar que nenhum mau, como materialização do ódio contra a humanidade, pode destruir esses elementos que afirmam a vida, enunciados pela ciência e a filosofia. Na verdade, pela natureza como vida movente.

É o que mostra, depois de observar e analisar a história recente da repressão no Brasil, jornalista Airton Centeno, em sua obra, publicada pela Geração Editorial, Os Vencedores – A Volta Por Cima das Gerações Esmagadas pela Ditadura de 1964. Personagens que formaram a geração de 40. Muitos adolescentes ou em fim da adolescência que ocorreu da ditadura que iria durar de 964 a 1985.

Para escrever o período de chumbo que passou a sociedade brasileira, tempo que alguns que lutaram pela liberdade democrática foram perseguidos e depois passaram à ser personagens respeitadas, Airton Centeno entrevistou vários desses personagens como Frei Beto, Dilma, José Abreu, José Genoíno, Tarso Genro, Gilberto Gil, José Celso Martinez, entre outros e outros que não quiseram conceder entrevista como Caetano Veloso e Gabeira.

“O fato de que os vencedores de 1964 hoje estão esquecidos enquanto derrotados de então eram, décadas depois, são os reais vitoriosos. O ponto de partida foi uma entrevista com a então ministra da Casa Civil e pré-candidata à presidência Dilma Rousseff, que eu havia feito em 2010.

Pode-se dizer que o material existente, os depoimentos a serem concedidos, as histórias a serem contadas dariam material para uma alentada coleção da resistência. Foi necessário fazer escolhas. A primeira delas foi a de ouvir apenas os resistentes. O livro, portanto, tem lado. O que significa que pretenda subverter a verdade factual. Quanto aos entrevistados potenciais, houve alguns que procurados, preferiram não se manifestar.

Na disputa pela memória, os perdedores venceram. Revolução, terrorismo, subversão deram lugar a golpe, tortura, resistência. Repisada a sério anos a fio, a expressão ‘Revolução Redentora’ é lida apenas pelo viés da galhofa. Mesmo a imprensa que quase sempre perfilou-se com os militares, agora refere-se a 1964 como golpe, sem nenhuma cerimônia.

Costumo dizer que a direita que está na rua em 2014 se faz direita menos por sua atividade intelectiva do que por sua operosidade intestinal. Mas, cuidado: todo mundo sabe perfeitamente que, adicionando agressividade e violência a este coquetel, o resultado é o fascismo.

Acho que o livro será útil mesmo para quem grita pela volta dos militares. Basta encará-lo com o espírito desarmado, sem milhares de certeza e nenhuma dúvida. É que Os Vencedores, entre outras tarefas, também cumpre a função de descrever algumas das situações e práticas que tornaram a ditadura uma experiência tão nefasta. Para nunca mais ser repetida”, disse o escritor.

 Ele ainda pergunta: E como estão aqueles que perseguiram, torturaram e mataram nos porões da ditadura?

“FEMINISMO E POLÍTICA: UMA INTRODUÇÃO”, FLÁVIA BIROLI E LUIZ FELIPE MIGUEL

Dezembro 23, 2014

cover-1-300x450A partir da década de 80 começou a se expressar de forma mais realista e concreta os movimentos que tratavam claramente da questão de gênero. No caso, a desigualdade que levava a mulher para uma posição, historicamente, submissa e com os direitos limitados, negados, em verdade, pela sociedade patriarcal/fálica/judaica/burguesa.

Milhares de mulheres, e também homens, passaram a lutar pela igualdade de direitos, que são os fundamentos necessários para uma sociedade racionalmente democrática. Esses movimentos chamados de feministas, que já vinham da década de 60, em verdade, já no começo do século XX, ocorreram em vários países do mundo e o Brasil não ficou de fora. Exemplo como Rose Marie Muraro, confirma essa tendência política feminista. Uma clara mostra de que o movimento teve um grande impulso na década de 60, é a atuação de Angela Davis.eb7bc1f9-b56a-4f5f-be2b-565f1698f114

É esse tema que a obra Feminismo e Política: Uma Introdução, dos escritores e professores da Universidade Nacional de Brasília (UNB), Flávia Bitoli e Luiz Felipe Miguel propõem aos leitores interessados no movimento. Publicado pela Editora Boitempo, com 168 páginas e com a capa criada por Antônio Kehl sobre ilustração da militante Angela Davis, o livro quesitos importantíssimos como Feminismo e Política, Justiça e Família, O Público e Privado, Gênero e Representação Política entre outros instigadores temas.

“As relações de gêneros atravessam toda a sociedade, e seus sentidos e seus efeitos não estão restritos às mulheres. O gênero e, assim, um dos eixos centrais que organizam nossas experiências no mundo social. Onde há desigualdades que atendem à padrões de gênero, ficam também definidas as posições relativas de mulheres e de homens – ainda que o gênero não o faça isoladamente, mas numa vinculação significativa com classe, raça e sexualidade”, mostram os autores.

41° SALÃO INTERNACIONAL DE HUMOR DE PIRACICABA

Dezembro 22, 2014

chargeAté o dia primeiro de março público pode vivenciar mais de 200 charges, caricaturas e histórias me quadrinhos no 41° Salão Internacional de Humor de Piracicaba no Museu da Língua Portuguesa. Durante a exposição ocorrerá uma retrospectiva do artista belga O-Sekoer, cujo pseudônimo é Luc Descheemaeker, e a sessão de Micros Contos de Humor que contém 140 caracteres.

A exposição tem como corpo de atuação a indignação. A indignação foi o afeto que fez surgir o movimento de humor no Brasil no período da ditadura civil-militar que se manteve entre os anos de 1964 e 1985.

O afeto indignação é um corpo que tem como intenção atingir o publico e possibilitar envolvimentos que possam transformar o afeto triste que domina a sociedade contemporânea em afetos sociais alegres. Daí a exposição ter uma clara e afetante condição de apresentar a democracia como sociedade da alegria. Na verdade uma exposição como mostra o corpo politico que é o humor.

É lógico que se trata de humor no sentido do filósofo Nietzsche que é a vida ativa, e não no sentido, sem sentido, das projeções psicóticas que se apresentam nas televisões e outros alhures. Ou outros sítios, como dizem os nossos patrícios. As enunciações nazifascistas da extrema-direita televisiva, radiofônica, revista e jornal.

“O interessante da linguagem é que a reflexão sobre assuntos difíceis nos é permitido por meio de uma visão crítica e bem-humorada, tornando os temas não menos sérios, mas mais palatáveis.

O Salão de Humor de Piracicaba nasceu como ato de resistência em plena a ditadura militar e hoje é considerado o evento mais importante do gênero em todo o mundo”, observou Antônio Carlos Sartini, diretor do museu.