Archive for the ‘Historia’ Category

TRÊS POEMINHAS DE BRECHT TOCANDO DE LEVE NAS COSTAS INDIFERENTES

Setembro 10, 2015

Bertold Brecht Berliner EnsembleBertolt Brecht, na verdade Berthold, nasceu em 10 de fevereiro de 1898, em Augsburg, sul da Alemanha. Estudou medicina, tocou guitarra, treinou boxe com exercício físico, mas cedo descobriu Marx e sentiu o cheiro do povo. Embora tenha sido de uma família onde se era acostumado a ser servido. Dessa experiência, aprendeu todos os truques, as artimanhas e as trapaças da classe burguesa. Aprendizagem que o fez o grande pedagogo do povo mostrando-lhe a moral burguesa como egoísmo de dominação de classe.

Criou o método de distanciamento do Teatro Dialético que tem como objetivo didático ensinar o publico a examinar sua condição social e buscar novas formas de existências dignas do homem livre. Um teatro- laboratório de análise social. Seu espectador principal, segundo suas intenções estéticas, era o trabalhador, sujeito que deveria ser o senhor de sua própria história.

Brecht foi teatrólogo, ensaísta, crítico, romancista, cinegrafista, militante, autor de obras teatrais revolucionárias que correram o mundo, e de tanto correr o mundo foi perseguidos pelos capachos de Hitler, que propagavam e defendiam sua doutrina nazista, o que o levou a mudar de “país mais do que de sapato”, até chegar aos Estados Unidos e ser preso acusado de propaganda comunista pela ala conservadora do Senado.

Mas Brecht também criou belos poemas revolucionários no verdadeiro sentido revolucionário: poemas que propõem mudanças de afetos tristes aos afetos alegres. Poemas que potencializam a existência. Por isso, escolhemos três poeminhas, com tradução de Paulo Cesar Souza, para que você esquizofílico, leia e se permita elevação de potência estética e ética.

PARA LER DE MANHÃ E À NOITE

Aquele que amo

Disse-me

Que precisa de mim

Por isso

Cuido de mim

Olho o meu caminho

E receio ser morta

Por uma só gota de chuva.

 

E EU SEMPRE PENSEI

E eu sempre pensei: as mais simples palavras

Devem bastar. Quando eu disser como é

O coração de cada um ficará dilacerado.

Que sucumbirás se não te defenderes

Isso logo verás.

 

CANÇÃO DE UMA ENAMORADA

Quando me fazes alegre

Penso por vezes:

Agora poderia morrer

Então seria feliz

Até o fim.

E quando envelheceres

E pensares em mim

Estarei como hoje

E terás um amor

Sempre jovem.

AGORA QUE OS COXINHAS VÃO EXPELIR MAIS COLESTEROL! A EDITORA BOITEMPO VAI PROMOVER CURSO SOBRE MARX E ENGELS NA PERIFERIA DE SÃO PAULO

Junho 25, 2015

 

0473883f-3a7a-4c64-94c8-b6401ffdddbcNos desfiles nazifascistas promovidos pelos coxinhas de São Paulo havia toda forma grotesca de irracionalidade usada como expressão de quem nem precisa se expressar por ser tão óbvia. Formas delirantes lançadas como bumerangue: em direção a Dilma com volta sobre os próprios coxinhas.

Entre esses delírios havia os que pediam a volta da ditadura militar e a condenação do método do educador transformador Paulo Freire: A Pedagogia do Oprimido. Os cartazes afirmavam que Paulo Freire era marxista. Lógico que os que afirmavam mostravam que não tinham nunca lido Marx. Por dois evidentes motivos: não sabem quem é Marx, e não tem elementos epistemológicos para entendê-lo. 

Agora, a forma se obscureceu, a linha tremeu e o plano ficou mais vazio para os coixinhas. A Editora Boitempo em parceria com a Secretaria de Cultura de São Paulo, do prefeito Fernando Haddad vai promover na periferia cursos de introdução as obras e vidas de Karl Marx e Friedrich Engels. Colesterol vai espirrar.

Com data marcada para os meses de setembro e outubro o primeiro encontro se dará no Centro Cultural da Juventude da Zona Norte. Para realização da singular iniciativa estão convidados os intelectuais, o cineasta Felipe Bragança, a socióloga Silvia Viana e o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), o filósofo Guilherme Buolos.

A Editora Boitempo que realiza seus 20 anos de grande difusão cognitiva e afetiva ao publicar autores e autoras singulares que escapam da segmentaridade dura da expressão burguesa dominante, já realizou um seminário com personalidades nacionais e internacionais com o tema fundamental para a pós-modernidade: Cidades Rebeldes.

“A editora está organizando uma série de eventos no segundo semestre para comemorar seus 20 anos e um dos planos é organizar uma nova edição do Curso Marx e Engels, junto com a Secretaria Municipal de Cultura.

Muitas vezes pensamos no que não queremos, mas pensar o que queremos concretamente, pensar utopias e uma cidade construída por afirmações é um grande desafio e esses eventos vão no sentido de responder a esse desafio.

Temos o entendimento que organizar eventos inclusivo, democráticos e agregadores é importante para promover o pensamento crítico, sobretudo porque é uma forma de ocupar o espaço público”, observou Kim Doria, representante da editora.

O evento toca dolorosamente nos coxinhas e excita suas invejas e ódios que lhes deixam mais inferiorizados. E o pior, para eles, é que colesterol de coxinha não serve para reciclar.

É FESTA JUNINA ENTÃO VAMOS DE BOI BARRICA

Junho 21, 2015

De Madre Deus, em São Luiz, Maranhão, o Boi Barrica urra e brinca pelos campos do mundo.

Boi Barrica em Praia Grande, em São Luiz.

QUADRINHO “O INIMIGO DA VEZ” DE VITOR TEIXEIRA E RONEY RODRIGUES E GUILHERME WEIMANN MOSTRA A PERVERSÃO DA REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL

Junho 13, 2015

 

OinimigodavezCapaFazer do olhar – não do olho – uma intensidade desveladora, e encadeado com o intelecto o conceito-politico disjuntivo capaz de desfazer o ponto molar paranoico que pretende eliminar a criança e o adolescente. Se dispor a não aceitar que eles sejam transformados em vítimas das sublimações das culpas-paranoicas dos que lhes querem imolar construídas como dívidas familiares.

Crianças e adolescentes não devem ser responsabilizadas pelas infâncias castradoras dos que lhes querem sem vida.

O quadrinho fala aos olhos e é considerado pelo entendimento.

Construa sua ideia. Não se alie ao medo dos parlamentares cujas violências inconscientes escolheram as crianças e adolescentes para serem seus objetos-paranoicos de sublimação.

Freud, diz que os impedidos na meta – impulso da libido sexual ao objeto de desejo, obstruída pela força da repressão, cria sintoma – se convertem em seu contrário. Os medrosos se tornam valentes principalmente quando estão protegidos por uma força que eles consideram superior. No caso dos parlamentares que querem aprovar a redução da maioridade penal, a fantasia de proteção é o Congresso Nacional. Só que a sociedade civil é quem é composta pelo sentido sublime da potência democrática. 

OInimigoDaVez

SEMINÁRIO INTERNACIONAL CIDADES REBELDES

Maio 23, 2015

0e4240ff-5bc1-4461-8a32-00f2dff51e9eEntre os dias 9 e 12 de junho, no Sesc Pinheiros, em São Paulo, estará sendo realizado o Seminário Internacional Cidades Rebeldes. Tudo bem, e o que vai debater esse seminário rebelde? É fácil responder, mas difícil colocar em prática em função da alienação urbana que predomina na maioria das cidades do mundo que se tornaram um território vazio de vitalidade política, estética e social.

Sim, mas qual vai ser o debate, pô!? O seminário cidades rebeldes vai debater o presente e o futuro das cidades e tentar encontrar alternativas para que os urbanos possam ter uma vida política, estética e social com boa qualidade. Entende, por que é difícil realizar? Os habitantes das urbes estão confinados em um mundo narcísico, seus interesses individuais, como se não houvesse cidade. Como dizem os filósofos Deleuze e Guattari, eles encontram-se molarmente imobilizados sem as práxis das máquinas desejantes. Protegidos em suas linhas duras. Apavorados com as linhas de fugas que possam arranca-lhes dessa imobilidade buraco negro.

E quem são os sujeitos dessa práxis? Companheiro esquizofílicos, só devir-fluxo-mutante! Observa, só para excitar! Stephen Graham, professor de Cidades e Sociedades na Escola de Arquitetura da Universidade de Newcastle, na Inglaterra. Na abertura, Ermínia Maricato e Márcio Pochmann, ministrarão um curso sobre David Harvey, o geógrafo-filósofo. Em seguida o autor da obra movente, Luta de Classes: Uma História Política e Filosófica, o italiano Domenico Losurdo. O autor da não menos movente, Tempo, Trabalho e Dominação Social; Uma Reinterpretação da Teoria Crítica de Marx, o canadense Moishe Postone.

E por parte do Brasil, o filósofo Vladimir Saflate, deputado Jean Wyllys, jornalista Juca Kfouri, prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, os psicanalistas Christian Dunker e Maria Rita Kehl, os arquitetos e urbanista Raquel Rolnik e Guilherme Wisnik, o filósofo e presidente do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, e, também, o ex-presidente Lula que com 40 debatedores internacionais examinarão o tema e proporão indicadores.

TRANSIÇÃO E EXCLUSÃO – O NEGRO NO MERCADO DE TRABALHO EM SÃO PAULO PÓS-ABOLIÇÃO – 1912/1920, LIVRO DO HISTORIADOR RAMATIS JACINO

Maio 11, 2015

image_large (1)Um das mais perversas verdades que vigora na sociedade global foi a verdade imposta pelo racismo internacional em relação ao negro. Negro, é raça inferior, e como inferior deve ser tida como perigosa, diz a moral etnocêntrica-discriminadora. Por isso, só os racistas afirmam que não há racismo. Uma forma de ocultar seus ódios étnicos.

Daí, que embora essa evidência seja incontestável, sempre é necessário alguém se debruçar sobre esse tema para cada vez mais revelar sua realidade. Foi o que fez o historiador Ramatis Jacino, como tese de doutorado. Ele pesquisou a condição de trabalho do negro entre os anos de 1912 e 1910, em São Paulo, e encontrou leve e solta a discriminação imposta pela elite branca sobre os negros trabalhadores.

Essa forma de embranquecer paranoicamente a sociedade paulista excluindo a força de trabalho negra, onde a elite privilegiava trabalhadores brancos e emigrantes, que apareceu fortemente nesse período, é encontrada no livro do historiador, Transição e Exclusão – O Negro no Mercado de Trabalho em São Paulo Pós-Abolição – 1912/1920, publicado pela Nefertiti Editora. O livro é demonstração da tese de doutorado de Ramatis em História Econômica pela Universidade de São Paulo (USP).51iT-a2HaUL

“A ideia de pesquisar a exclusão do negro no mercado de trabalho ao final do período escravagista surgiu durante a minha graduação, quando pensei buscara as razões da atual discriminação que homens e mulheres vivenciam no mercado de trabalho e na sociedade.

Por serem profundamente racistas, compreendiam que o crescimento e a modernização do país pressupunha o ‘branqueamento’ do seu povo. Os efeitos desses ‘branqueamento’ são econômicos, pois homens e mulheres negros ainda estão condenados mais insalubres, mais remunerados e mal valorizados socialmente; são sociais, pois os descendentes de escravizados continuam marginalizados; são políticos, pois estão sub-representados nos espaços de poder; e são culturais, uma vez que a extraordinária contribuição dos descendentes de africanos permanece desprezada, demonizada, criminalizada, ou na melhor das hipóteses, tratada como folclore”, analisou o autor.

UM SONHO INTENSO, DOCUMENTÁRIO DE JOSÉ MARIANI SOBRE O DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO DO BRASIL EM 1930

Abril 24, 2015

8fe88ee2-452f-4be9-adb3-e489a80d3341O cinegrafista-documentarista José Mariani, desenvolveu uma técnica dentro da estética cinematografia das mais importantes para que lança na concepção pedagógica do documentário. Ele constituiu o entrelaçamento entre a pesquisa sobre os temas que deseja filmar e a análise dos depoimentos dos personagens apresentadas coesas às imagens de filmes relacionados com esses depoimentos. Assim, ele fez com o seu longa O Longo Amanhecer – Cinebiografia de Celso Furtado.

Agora, com o documentário Um Sonho Intenso, José Mariani deixa deslizar sobre o écran a técnica reveladora. Assim, o publico terá, de forma comercial, a oportunidade de assistir esse seu novo documentário que já fora exibido antes em centros culturais e universidades. O documentário narra o desenvolvimento socioeconômico do Brasil na década de 1930.

Para compor sua obra, José Mariani entrevistou algumas personalidades e autoridades do pensamento econômico do pai como Conceição Tavares, João Manuel Cardoso de Mello, Celso Amorim, Luiz Gonzaga Belluzzo, Lena Lavinas, o historiador José Murilo de Carvalho e os sociólogos Adalberto Cardoso e Francisco de Oliveira. O cinegrafista-documentarista faz a análise de Getúlio Vargas deixando de lado sua personagem de ditador para focar no homem que contribuiu para o desenvolvimento do Brasil.

“Este documentário, de certa forma, é um desdobramento daquele sobre Celso Furtado. Só que desta vez o protagonista é o processo, uma visão de história que inclui a história social, cultural, econômica, uma forma de ver a economia de modo orgânico”, disse José Mariani.

 Veja e ouça o trailer.

“HISTÓRIA DA FRATELLI VITA NO RECIFE”, LIVRO DO ESCRITOR GUSTAVO ARRUDA

Abril 18, 2015

191c78ef-69d4-4ed2-9824-904f50aef43dÉ possível que muitos alienados que consomem a Coca-Cola saibam que esse tipo de refrigerante é o maior marketing político do imperialismo norte-americano no mundo onde se faz presente. Ele foi servido na guerra como uma bebida estranha para concorrer com as outras que lá estavam. Alguns combatentes, alienados a priori, aderiram ao novo sabor estranho. Eles não poderiam saber que antes da força imperial entrar em um país para dominá-lo e subjugá-lo, entra primeiro a Coca-Cola com sua marca simbolizada de Papai-Noel.

É possível que os alienados saibam, mas como a Coca-Cola é uma marca, um signo que não apresenta o real, como diz o filósofo Jean Baudrillard, eles não deixam de consumi-la. É por ser apenas um signo e não uma realidade que essa bebida se transformar na mais poderosa arma política econômica de seus fabricantes que agora impera no mundo. Todavia, não se encontra, hoje, com todo esse poder. Existem países que estão investindo em bebidas próprias de suas regiões e mudando o hábito hipnótico de muitos consumidores.

No Brasil, a história da entrada da Coca-Cola contou com a resistência de algumas bebidas. Entre essas resistências a bebida Fratelli Vita fabricada em Recife que durou 80 anos, quando a força concorrencial do mercado lhe tirou da cena-oral passando a vigorara a bebida norte-americana. Pois é exatamente sobre a existência do Fratelli Vita que o escritor Gustavo Arruda pesquisou e no dia 25 faz lançamento virtual de seu livro A História da Fratelli Vita no Recife.

Embora trate da história da bebida em Recife, a Fratelli Vita também foi fabricada e consumida em Salvador. Foi em 1902, que foi criada sua fábrica que produzia águas gaseificadas, licores, bebidas como guaraná nos sabores pera, limão e maçã. A Fratelli Vita no Recife, criada em 1912, tinha como principal objetivo da família italiana, concorrer com um refrigerante fabricado por outra família espanhola. Coisas do mercado capitalista.

“Se você sair às ruas aqui no Recife e gritar ‘Fratelli Vita’ fatalmente alguém com mais de 40 anos vai responder que conhece que é o melhor do mundo.

Recife era outra capital forte do Nordeste e por isso conquistar esse mercado foi fundamental para Fratelli Vita se manter ativa”, disse Arruda.

O livro pretende com sua “memória gustativa” atingir os jovens para que eles saibam um pouco mais de sua cidade e suas produções. No caso, a bebida Fratelli Vita, já quem tem havido muitas histórias e lendas sobre a bebida deixando sinal de que ela precisa ser novamente fabricada.

Se a Fratelli Vita voltar a ser fabricada certamente vai contar com a oposição dos alienados que se submeteram ao signo de consumo, Coca-Cola.

NO DEVIR EDUARDO GALEANO “AS VEIAS ABERTAS DA AMÉRICA LATINA”

Abril 14, 2015

9891038b-ac20-4449-91ba-44ff187e23c0Ontem foi dia 13 de abril, Eduardo Galeano continua em fluxos mutantes e quantas desterritorializantes. A literatura filosoficamente engajada que leva a América Latina a sua condição de território de produção de libertação. A literatura que não pretende o descritivo, o interpretativo e o figurativo, mas o movimento.

As veias da América Latina se abrem não somente como indignação, mas como produção de liberdade política, cultural, literária, artística, científica, antropológica, econômica como corpo de disjunção da força opressiva imperialista. Veias que pulsão em continua produção de um sempre vir a ser. Devir Eduardo Galeano como processual literário encantador e desbravador de novas potências

divulgacao_lusa3Um filósofo cuja literatura faz vibrar as paredes das artérias cerceadoras dos movimentos. Dos transcursos, dos percursos. Filósofo como condição de observar, examinar e apresentar o novo. Da quadratura do futebol à sua liberdade criativa. Eduardo Galeano tem o jogador como um artífice de seu esporte que não deve se submeter às regras dos cartolas que seguem as regras do mercado. O jogador deve criar fruindo com alegria para criar a alegria do povo. Seu livre futebol é sua dimensão política que escapa das grades cerceadoras.

4dc54bdd-c728-44d7-97ca-73f919e5a9b8Escrever filosofando é se movimentar entre todas as ambiências-histórias tocando de leve ou pesado em seus personagens e suas causas, com a condição de comprometer o presente como excitação-futuro. No caso da literatura nada de superficialidades negadoras da vida. E no caso da América Latina comprometer todas as causas e condições pela singularidade do home latino.

910866-feira do livro_galianiComo um literato-filosofante, Eduardo Galeano carrega o entendimento, o os sentidos no homem alegre, como seu amigo Jose Mujica, o presidente o revolucionário-movente. Os dois acreditam que as veias são corpos do movimento do sangue-vida. Que estejam abertas ou fechadas contanto que se movimentem.

Eduardo Galeano, a grandeza e a sobriedade exaltadoras da vida contra a “ditadura do medo”.

Veja a entrevista que Galeano concedeu ao sociólogo e escritor Emir Sader na TV Brasil.

DIONÍSIO CONCLAMA OS LIVRES: É CARNAVAL, É CARNAVAL, VAMOS EMBORA PESSOAL! AS DIREITAS NÃO BRINCAM, SÃO ESCRAVAS

Fevereiro 14, 2015

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Dionísio mandou soltar os sátiros e as ninfas! Então, o que estamos esperando? Vamos à embriaguez-criadora que é o carnaval, enquanto a carne não vai. A dogmática diz: carnaval é a carne vai. Mas a carne é o abrigo, ou morada, da sensualidade. Sem carne não há sensibilidade, e não havendo sensibilidade não há conhecimento. E não havendo conhecimento não há festa. Ainda mais, festa dionisíaca.

carna 003Dizem os empiristas: nada existe na mente sem que antes tenha passado pelos sentidos. O que significa que as representações-imagéticas do mundo humano são produzidas primeiramente pelos sentidos. Uma imagem alegre ou uma imagem triste tem seu nascedouro na sensibilidade. Os significados alegres e tristes já são produtos da cognição.

Daí que o carnaval, com a carne bem disposta-sensivelmente, é um reflexo epistemológico da sensibilidade. A embriaguez ou estado euforizante que proporciona a festa dionisíaca é um movimento-vital da poiesis e da práxis. Daí o carnaval ser uma manifestação poiética e produtiva. A liberação que ele proporciona é uma forma geral de revitalização da vida como consagração do existir. Já dizia o filósofo Nietzsche, um filho de Dionísio.

car 001Não é por acaso que não só a estética-trágica saiu de Dionísio como também a filosofia. Ambas exaltam a vida como processual continuou como diziam os gregos como Heráclito. Quando Nietzsche afirma que não acredita em um deus que não dance ele afirma que a vida é uma festa. Como a filosofia é uma festa comunitária.

Apesar da Igreja Católica, ter usado elementos dionisíacos, como a celebração da missa, a estética-teatral, mesmo considerando o teatro uma arte profana-pagã, e os pensamentos filosóficos de Platão e Aristóteles para estruturação de sua dogmática, entretanto ela não teve a sinceridade de deixar o carnaval em seu devir-natural. Para isso aplicou a pena do castigo e da condenação aos foliões que fazem uso de suas sensibilidades como corpus de produção do movimento-vital. Crasso erro!

O carnaval como emanação dionisíaca, movimenta-se, em seus primórdios, como festa agrária da coleta da uva, depois transformada em vinho. O néctar dos deuses. De onde nasce o conceito-natural de cultura: colere, o que cria-vida. Cultura, fazer brotar a vida. Nada a ver com dogmática. Dai que brincar o carnaval significa tomar parte em uma festa coletiva pulsante da vida. Nada que as direitas, como escravas da negação da vida, o existir-reativo, possa vivenciar.  Nelas não há cultua a vida, mas sim tânatos, a morte. Basta observar o comportamento paranoico delas perpetrando trapaças e conspirações contra a democracia brasileira.  

carna 002Daí que não se pode descarnar a vida, mesmo pela força da dogmática. Então, o devir é carnavalesco! Não há “pecado” principalmente abaixo do equador, como diz Chico Buarque. Vamos fazer um frevo rasgado que ninguém é de ferro.

Vamos nessa que o carnaval com seu espírito dionisíaco-comunitário é uma festa-política! Uma festa democrática! Para quem a existência é um espírito filosófico e uma concepção estética, sempre é carnaval! Por isso, vamos embora pessoal!