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A TERCEIRA PARTE DA ENTREVISTA HISTÓRICA COM O REBELDE-INOVADOR TEATRÓLOGO JOSÉ CELSO MARTINEZ

Março 31, 2014

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Nas duas primeiras partes da entrevista histórica como o teatrólogo José Celso Martinez Correa, realizada por Tite de Lemos expostas por este Blog Esquizofia, publicada pela Revista Civilização Brasileira, em seu segundo caderno especial com o título Teatro e Realidade Brasileira, o rebelde-inovador do teatro brasileiro analisou as condições da sociedade paulista dominada pela burguesia-reacionária com um gosto alienado voltado aos valores culturais importados e começou uma mostra do teatro brechtiano.

Nesta terceira parte Zé Celso fala sobre a eficácia do teatro político, do cinema Terra Em Transe do cinegrafista Glauber Rocha no contexto do Brasil golpeado pela ditadura e da necessidade da criação de uma cultura brasileira no sentido do antropofágico Oswald de Andrade.

JOSÉ CELSO – Hoje, conforme for montada a peça, ela poderia ser conformista. Pois não há hoje uma luta palpável contra o que se poderia (mal) comparar ao nazismo, aqui no Brasil. A peça poderia levar o espectador a uma supercrença no poder mágico da dialética, na própria tese engendrando a antítese, nas contradições caminhando por si e na crença de que há realmente um fenômeno espontâneo de reação histórica ao atual estado de coisas. Na realidade não há. Não há oposição. Esta tem que ser suscitada, criada, não mistificada ou fantasiada. O importante não é somente denunciar os generais e americanos. É mostrar que enquanto nós nos entregamos ao nosso oportunismo, somos os beneficiários do estado de coisas que eles criaram. E não adianta chorarmos ou rirmos nos teatros em que isso é mostrado. Estamos colaborando.

A eficácia do teatro político hoje é o que Goddard colocou a respeito do cinema: a abertura de uma série de Vietnãsno campo da cultura – uma guerra contra a cultura oficial, a cultura do consumo fácil. Com o consumo não só se vende o produto, mas também se compra a consciência do consumidor. O sentido da eficácia do teatro hoje é o sentido da guerrilha teatral. Da anticultura, do rompimento com todas as grandes linhas do pensamento humanista. Com todo descaramento possível, pois sua eficácia hoje somente poderá ser sentida como provocação cruel e total. O dia em que este país tiver um teatro em que cada dramaturgo, ator, diretor, cenógrafo, cada plateia, se manifeste sem medo – é porque alguma coisa de novo poderá estar acontecendo neste São Paulo engravatado, recalcado, introjetado, sem iniciativa e escravizado à imbecilidade do vídeo da TV que compra tudo.

É claro que se nos dirigíssemos a um outro público, e pudéssemos ter um circo para dois mil lugares, por exemplo, onde se pudessem abrigar outras camadas sociais, aí a coisa seria outra. Mas para esse público que paga o mínimo de três cruzeiros novos (ingresso-estudante) para ver o espetáculo, para nós que somos desta mesma classe e para ela falamos, somente a violência e principalmente a violência da arte, sim, da arte, sem o cartilhismo e o pedagogismo barato, nessa situação criadora poderá talvez captar os pontos sensíveis desta plateia morta e adormecida.

Hoje eu não acredito mais na eficiência do teatro racionalista. Nem muito menos no pequeno teatro da crueldade, que na realidade não passa de um teatro de costume; dos maus costumes, com suas prostitutas folclóricas e tudo mais. Para um público mais ou menos heterogêneo que não reagirá como classe, mas sim como indivíduo, a única possibilidade é o teatro da crueldade brasileira – do absurdo brasileiro – teatro anárquico, cruel, grosso como a grossura da apatia em que vivemos. A eficácia política numa plateia que não vai se manifestar como classe não será medida pela certeza do critério sociológico de uma peça, mas pelo nível de agressividade. Nada se faz com liberdade neste país, e não é só culpa da censura. Esta realmente pouco trabalho tem. Se se for medir a censura com a violência do que cotidianamente recalcamos!!! A única possibilidade de eficácia é obrigar a se tomar posições e fazer este país, uma ditadura de classe média, tentar sair do seu marasmo. Não se trata mais de proselitismo, mas de provocação. Cada vez mais essa classe média que devora sabonetes e novelas estará mais petrificada e no teatro ela tem que degelar, na base da porrada.

Com isso, depois deste golpe, uma coisa ganhou sentido. O sentido de fazer a arte. A arte pela arte. Nada com mais eficácia politica do que a arte pela arte, porque a arte em si é um fenômeno de criação, de descompromissos com fórmulas feitas, é sentido de reivindicação e portanto de subversão. Um filme como Terra Em Transe dentro do pequeno público que o assistiu e que o entendeu, tem muito mais eficácia política de que mil e um filmecos politizantes. Terra Em Transe é positivo no sentido de colocar quem se comunica com o filme em estado de tensão e de necessidade de criação com este país. A agressividade, a violência que tem a arte é mais forte no campo do teatro que mil manifestos redigidos dentro de toda prudência que a política exigiria. A arte não tem compromisso e neste país parado, tradição de compromisso ou então de criação de um Brasil fictício para consumo da boa consciência da burguesia brasileira e da classe média.

Hoje em dia pode-se dizer que existe uma cultura brasileira – mas se formos ver de perto o que é essa cultura, veremos que não passa da aceitação de tudo que aí está e sempre esteve. Uma cultura que parte de uma ideia ufanista, filha do Estado Novo. O incrível é a semelhança do espírito, por exemplo, da “cultura nacional” de integralismo, com suas editoras, seus Alberto Torres, seu culto nacional a qualquer preço, com o projeto de cultura nacional da esquerda festiva. Uma mesma cultura exótica, folclorista, apologética, grandiloquente, romântica, pseudo-revolucionária, tem sido nossa tradição.

Oswald ri de tudo isso e furiosamente devora este Brasilde papelão fabricado para substituto de nossa história real. Oswald é a possibilidade de uma cultura crítica, fora do oficialismo, do lirismo, do romantismo político. E é o oposto disso. É a devoração antropofágica de todos os mitos criados para impedir este país de copular com a sua realidade e inventar sua história. Neste sentido, é um monumentos isolado (continua).

ENTREVISTA HISTÓRICA COM JOSÉ CELSO EM PLENA A DITADURA PARTE II

Março 30, 2014

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Conforme o combinado, esse Blog Esquizofia publica hoje a segunda parte da entrevista histórica com José Celso Martinez Correa feita por Tite de Lemos para o segundo número especial da Revista Civilização Brasileira, Teatro e Realidade Brasileira publicada em julho de 1968.

José Celso, o vanguardista-eterno, apropria-se da realidade da época e dialetiza a conjuntara dominante expressa pela consciência burguesa reacionária e insensível. E de quebra analisa o teatro se referindo ao teatrólogo alemão Brecht, além de mostrar suas realizações teatrais como a encenação do Rei da Vela de Oswald de Andrade.

A ENTREVISTA – “A GUINADA DE ZÉ CELSO”

JOSÉ CELSO – Depois de tudo, o teatro como o único lugar fora das comunicações de massa, sem os entraves dos produtores e sem a necessidade de encarar o espectador como simples cifra de consumo tem que se encaminhar no sentido de despertar a inciativa individual Isto pode ser escoteiro, mas é a única condição para um país onde tudo tem que ser inventado, criado, onde o fator de castração pessoal em função de ortodoxias políticas importadas e atitudes que somente revelam um supercomodismo e a absoluta falta de criatividade, tem sido a nota mais importante.

O teatro não pode ser um instrumento de educação popular, de transformação de mentalidade na base do bom meninismo. A única possibilidade é exatamente pela deseducação, provocar o espectador, provocar sua inteligência recalcada, seu sentido de beleza atrofiado, seu sentido de ação protegido por mil e um esquemas teóricos abstratos e que somente levam a ineficácia. Num momento de desmistificação o importante é a procura de caminhos a ações novas. Neste momento portanto, o sentido da inovação da descoberta, do rompimento com o passado no campo do teatro deve ecoar, ser o reflexo e ao mesmo tempo refletir todo um esquema de projetos e de conscientização de nossa realidade.

Talvez muito mais importante do que uma peça bem pensante ultra bem conceituada, cheia de verdades estabelecidas (que ainda não são verdades, nem podem ser, num momento como este de perplexidade), uma peça inventiva e confusa, que excite o sentido estético, seja mais eficaz politicamente.

Este é um momento de invenção de uma saída para uma situação nacional insustentável. Esta sápida terá que ser encontrada dentro de um contexto de um mundo já distante dos bons anos pacíficos do após-guerra. Hoje, no mundo da terceira guerra mundial, na violência que acaba com todos estes conceitos bonzinhos, no momento em que eclode o fenômeno de guerras e das revoluções quase impossíveis no Vietnã e na própria América Latina, fenômenos onde o fator invenção, criação é fundamental, a eficácia do teatro tem que estar ligada à existência deste mundo de violência, a tão grande distância dos caminhos de transformismo, do reformismo, da educação das massas e tudo o mais.

Uma peça como Galileu Galilei, que pretendo montar em breve, por exemplo, corre o risco de mistificar o público. Foi escrita em 39 quando se operava a luta contra o nazismo. A peça é toda escrita dentro de um sentido historicista – a história como movimento, uma fase negra que será superada (todos sabemos que um dia o pensamento de Galileu terá vigência aceita). Depois da bomba de Hiroshima o próprio Brecht reescreveu a peça, já impressionado com o fato de que o tipo de eficácia do pensamento de Galileu passava a ser outro, diametralmente oposto do que ele imaginava. E passou a ver as consequências da ciência desvinculada da política (continua).

ENTREVISTA HISTÓRICA COM O TEATRÓLOGO VANGUARDISTA JOSÉ CELSO MARTINEZ NO AUGE DA DITADURA

Março 29, 2014

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No ano de 1968, a Revista Civilização Brasileira publicou três cadernos especiais. O de número dois causou um profundo contágio-político nos leitores, porque se tratava do Teatro e a Realidade Brasileira, já que o teatro é a arte mais expressiva da condição política do homem. Não é por acaso que as sociedades que alcançaram grande dimensão histórica tiveram uma sublime existência teatral. Não é por acaso, também, que nas ditaduras a primeira arte que sente o tacão destruidor das tiranias é o teatro. É por isso, que o teatro, junto com a filosofia, são os discursos mais perseguidos pelas ditaduras. Mas, também, são os discursos que mais rapidez tem de recuperação no contexto da liberdade.

O CORPO-POLÍTICO DOS ENGAJADOS

O caderno Teatro e Realidade Brasileira, é de uma riqueza ímpar – ou par, como queiram -, porque seus conteúdos são compostos por eminentes, talentosos, inquietos, engajados e irrepreensíveis personagens. Augusto Boal, Fernando Peixoto, Luiz Mendonça, Tite lemos, Nelson Werneck Sodré, Anatol Rosenfeld, Dias Gomes Paulo Pontes, Maria Helena Küner, Luiz Carlos Maciel, Hermílio Borba Filho, José Celso Martines Correa, Joracy Camargo, Oduvaldo Viana Filho, Abidias do Nascimento, é de uma loucura estética revolucionária.

Daí que no meio dessa loucura estética revolucionaria se movimenta como um cometa transformador a entrevista histórica que Tite de Lemos fez com o teatrólogo vanguardista José Celso Martinez Correa, criador do escrachado Teatro Oficina, com provocou o título, A Guinada de José Celso. Zé analisa todo os sistema burguês que infecta a cultura, faz referências sobre o teataro do alemão Brecht, e de suas montagens, principalmente o Rei da Vela.

OS ESQUIZOS NOS 50 ANOS

Como estamos no mês e ano de lembrança-triste – cultuamos o sofrimento? – dos 50 anos da imposição cruel da “gloriosa”, este Blog Esquizofia da Associação Filosofia Itinerante (Afin) que é comprometido com as artes, decidiu publicar em quatro partes a histórica entrevista ocorrida no mês de julho de 1968, o ano em que o “pau torou” com a implantação do Ato Institucional N° 5. O tenebroso AI5 que fechou os territórios que expressavam liberdade democrática.

A ENTREVISTA – “A GUINADA DE JOSÉ CELSO”

TITE LEMOS – Neste contexto politico, Brasil 68, que eficácia tem o teatro?
JOSÉ CELSO – Depois de ajudar a mistificar a boa consciência burguesa, antes e imediatamente após o golpe, qual poderia ser a eficácia política do teatro hoje? O que poderia atuar politicamente sobre a plateia dos teatros progressistas, vindo majoritariamente da pequena burguesia em lenta ascensão ou da camada da “alta-burguesia” da classe estudantil? O que vai exatamente procurar este público que dentro de uma certa instabilidade de opções vai aos pouco se beneficiando das raras e magras possibilidade que o subdesenvolvimento brasileiro oferece? No teatro, e no caso de toda cultura, este público em geral tem procurado consumir uma justificativa de mediocridade de soluções que seu status oferece, enquanto participação na vida nacional.

Esta justificativa ideológica tem girado em torno de um maniqueísmo que o colocou como vítima, emocionada ou gozadora, das pedras do seu caminho. Isto é: os militares, os americanos, ou burgueses reacionários. Estas figuras então impedindo sua realização e participação mais profunda no processo brasileiro e ao teatro se vai para rir ou chorar por causa delas. “Nós somos o bem e nada temos com isso”. Ou então esta justificativa partirá para o historicismo. “esta situação medíocre de hoje é um momento de um processo”.

Nós somos os termos de uma contradição, mas como canta Vinicius de Moraes, um dia virá “e eu nem quero saber o que este dia vai ser até o sol raiar”. E vamos esperar por esse dia. Ou então essa ideologia pode ainda se beneficiar com a imagem mística do homem brasileiro “sempre de pé”, “o sertanejo antes de tudo é um forte”, o “carcará que pega mata e come”. E não se dá uma transformação social. Este é o público mais progressista. E não me refiro ao outro. O que economicamente decide o teatro em São Paulo: província do TBC, a burra e provinciana burguesia paulista que ainda quer que o teatro lhe forneça a ilusão de que ela é uma grande burguesia.

Esta classe, que tem em Primo Carbonari seu mais fiel retratista, ainda espera que a mistifiquem criando subliteratos e dignas Antígones, ou fresquíssimas mulheres de branco ao lado de homens de smokings, assexuados e belas vozes empostadas, tomando chá ou guaraná nas garrafas de uísque estrangeiro e soltando leves plumas falando o que esta burguesia julga ser o “bom-gosto”. Vamos falar do melhor público até agora. O público que procura pelo menos uma ideologia na cultura e não simplesmente uma badalação.

Entretanto, hoje com o fim dos mitos das burguesias progressistas e das alianças mágicas e invisíveis entre operários e burguesia, este público mais avançado não está mais muito longe do outro. Ele faz um bloco único ainda na mesma expectativa de uma mistificação (em níveis diferentes, não importa). E tomado no conjunto – a única possibilidade de eficácia política que pode sofrer será a da desmistificação – a da destruição de suas defesas, de suas justificativas maniqueístas, historicistas (mesmo apoiadas nos Gramscis e nos Lukács). É a sua reposição no seu devido lugar. No seu marco zero. Esta plateia representa a ala mais privilegiada deste país, ala que vem se beneficiando ainda que mediocremente de toda falta de história e da estagnação deste gigante adormecido.

O teatro tem hoje a necessidade de desmitificar, colocar este público no seu estado original, cara a cara com sua miséria, a miséria de seu pequeno privilégio feito às custas de tantas concessões, de tantos oportunismos, de tanta castração e recalque e de toda a miséria de um povo. O importante é colocar este público em termos de nudez absoluta, sem defesa, incitá-lo à iniciativa, à criação de um caminho novo, inédito, fora de todos os oportunismos até então estabelecidos – batizados ou não como marxistas.

A eficácia política que se pode esperar do teatro para este setor que ele atende – para a pequena burguesia – é a eficácia de ajudar a estabelecer em cada um a necessidade de iniciativa individual – a iniciativa de cada um começar a atirar sua pedra contra o absurdo brasileiro. O importante é mostrar que o de brasileiro não é quebrar seu próprio galho e depois apelar para os Garaudys. Mas, sim, começar a mandar sua pedra contra este absurdo que é a vida cotidiana deste país (continua na próxima)…

 

“EM BUSCA DE IARA”, DOCUMENTÁRIO COM ROTEIRO E ARGUMENTO DE MARIANA PAMPLONA, CONTA O ASSASSINATO PELA DITADURA DE IARA IAVELBERG

Março 28, 2014

http://www.redebrasilatual.com.br/entretenimento/2014/03/documentario-desmonta-tese-oficial-de-suicidio-de-iara-iavelberg-1741.html/em-busca-de-iara/image_preview

É um caminho simples para entender por que a justiça deve ser feita. Era o mês de setembro de 1971. As três forças armadas, mais as policiais federais, DOPS e Polícia Militar formavam um contingente-repressivo de 200 homens na Bahia, chamado Operação Pajuçara, cujo objetivo era capturar vivo ou morto Carlos Lamarca. Seu consumo se deu com a morte do combatente.

Agosto de 1971, Iara Iavelberg, 27 anos, militante do MR-8, é morta em Salvador. Como ocorria em casos com esse, os homens da ditadura afirmaram que a militante havia cometido suicídio. Uma versão jamais concordada pela família. Foi então que em 2003, a cinegrafista Mariana Pamplona, e o cinegrafista Flávio Frederico, diretor do cinema premiadíssimo, É Tudo Verdade, resolveram iniciar a pesquisa para revelar a verdade sobre a morte de Iara Iavelberg. Tia de Mariana Pamplona. Mariana era o codinome de Iara Iavelberg, na clandestinidade.

Os dois cinegrafistas, que são casados, começaram as pesquisas para a realização do filme que poderia mostra a verdade de que a militante do MR-8 havia sido assassinada e não se suicidado. A família de Iara conseguiu na Justiça que o Cemitério Israelita do Butantã exumasse os restos mortais da ala desonrosa dos que se suicidam. O médico, depois das análises, afirmou que Iara, não poderia ter desfechado o tiro que a matou. A versão oficial caiu por terra.

“Mesmo porquê de qualquer versão dada pela ditadura isentando-se da maioria de crimes é preciso desconfiar”, observou Mariana.

Com essa revelação as buscas por outros documentos se tornaram mais intensas. Foram feitas tentativas para ouvir a presidenta Dilma, que fora amiga de Iara, mas não foi possível.

“Seria um registro histórico, mas não era imprescindível”, considerou Mariana.

Agora, depois de dez anos, o documentário foi exibido. Em Busca de Iara tem a direção de Flávio Frederico com argumento e roteiro de Mariana. O cinema revela a verdade que o povo brasileiro precisa saber para entender melhor a História do Brasil recente. A verdade sobre o assassinato daquela foi a paixão de Carlos Lamarca.

OS CINEGRAFISTAS SÍLVIO TENDLER E MÁRIO MAGALHÃES FALAM SOBRE A QUESTÃO DE FILMAR BIOGRAFIAS E AS PROIBIÇÕES

Março 27, 2014

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Em meio as exposições sobre os 50 anos de implantação da ditadura militar-civil no Brasil entre os anos de 1964 e 1985, e sua relação com o cinema, os cinegrafistas Sílvio Tendler e Mário Magalhães fizeram alguns comentários sobre a impossibilidade de filmarem biografias de personagens importantes que movimentaram o cenário político dessa época perversa contra a liberdade.

Tendler conta a tentativa frustrada de filmar a obra de Guimarães Rosa, Grande Sertão Vereda. Bem ele tentou, mas a família do escritor, depois de muito lhe fazer esperar, negou a filmagem. Mas Tendler encontro outra forma de contornar a frustração.

“Em 2012 comecei a trabalhar um projeto, para o cinema, que deveria trazer o conceito de patrimônio imaterial e pensei na literatura. Queria filmar o livro de Guimarães Rosa Grande Sertão Veredas. Entrei em contato com a família para usar as imagens e eles foram me enrolando até que chegou a resposta negativa.

Optei por gravar com Zezé Mota e Milton Nascimento, o falar característico do vaqueiro. Como fui proibido de usar essas imagens coloquei, em toda fotografia que aparecia o escritor, uma sombra branca. Brinco dizendo que é Alzheimer natural. Acabei filmando O Sujeito Oculto – Na Rota do Grande Sertão e sem qualquer imagem de Guimarães.

É uma bobagem enorme. Nós queremos contar uma história e a legislação nos proíbe. O nosso trabalho é garimpar. Não olho a história para iluminar o passado, mas o futuro”, disse tender.

Já o cinegrafista Mário Magalhães, não teve a mesma frustração de Tendler ao tentar filmar a biografia de Carlos Marighella. A família do revolucionário não tornou nada impossível. Pelo contrário, a esposa do combatente, Carla Charf, se demonstrou claramente facilitadora para ele escrever o livro que realizaria o cinema Marighella – O Guerrilheiro que incendiou o Mundo.

“No nosso primeiro encontro perguntei a ela como tinha sido o primeiro beijo deles. Ela respondeu dizendo que não eram essas perguntas que eu queria fazer a ela. Disse que sim, já que, sobre as outras coisas, eu encontraria em outro lugar.

Depois dessa conversa passaram-se cinco anos e eu caminhava com dona Clara, em direção ao Arouche, quando ela disse: “Foi assim, eu estava andando com Marighella, nas ruas do Rio de Janeiro, quando nos beijamos pela primeira vez”. Foi um grande momento da pesquisa do livro.

Em 1984 foi lançado um perfil biográfico do Cabo Anselmo, e o autor do livro era francamente contrário a ele. O lançamento não causou qualquer constrangimento, mas hoje isso seria impossível. Se hoje alguém resolver falar sobre o Cabo Anselmo, ele tem o direito, de acordo com os artigos 20 e 21 do Código Civil, de tirar o livro de circulação, se considerar que a publicação afetou sua boa imagem. Essa é a discussão atual”, observou o cinegrafista que ainda pretende filmar as biografias de Leonel Brizola, Mário Pedrosa e Carlos Lacerda.

“AMAZÔNIA EM CENA” OBRA DE SELDA VALE E EDINEY AZANCOTH SOBRE A HISTÓRIA DO TEATRO NO AMAZONAS SERÁ LANÇADA AMANHÃ

Março 26, 2014

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Amanhã, 27, Dia Internacional do Teatro, estará sendo lançada a obra “Amazônia em Cena” da socióloga e professora da Universidade do Amazonas (UFAM), Selda Vale e do filósofo-ator, Ediney Azancoth. A obra é o terceiro volume da História do Teatro no Amazonas e apresenta o movimento teatral da década de 70 até os dias atuais.

Como se trata do movimento teatral no Amazonas na década mais cruel da ditadura militar que foi instalada no Brasil entre os anos de 1964 e 1985, o livro em si é muito representativo. Nele é possível encontra material e entrevistas com os membros participantes do Grupo de Teatro Universitário do Amazonas (GRUTA) que foi uma das resistências durante o triste período que cercou as liberdades. O Gruta tinha como tema básico de suas encenações o método do Distanciamento do teatrólogo alemão Bertolt Brecht.

Os autores mostram algumas peças encenadas pelo Gruta, e alguns casos em que ele sofreu censura em seus trabalhos. Com exemplos cômicos quando da censura à obra O Novo Othelo de Joaquim Manuela de Macedo. Uma comédia com traços da comédia europeia. Nada de subversivo. Além de fatos relativos ao teatro, os autores também narram perseguições sofridas por alguns membros do grupo teatral que tinha a política como seu devir-dionisíaco-cênico.

Também são encontradas indicações sobre o Grupo de Teatro Chaminé dirigido pelo engajado e insigne jornalista-ator Mário Freire. Ele um diretor-ator com início de atuação em Goiânia. Os trabalhos do Grupo Chaminé também apresentaram comédias e trabalhos da poetisa Cecília Meireles e Chico Buarque.

Outro grupo que é apresentado pelos autores é a Companhia Vitória-Régia dirigida pelo talento artesão Nonato Tavares. A Companhia Vitória-Régia se dedicou mais aos temas de cunho regional. Nonato Tavares também é um dos iniciadores do movimento ecológico em Manaus.

Breve sinopse.
Fato: Lançamento da obra “Amazônia em Cena”.
Autores: Selda Vale e Ediney Azancoth.
Quando?: Dia 27/3/14.
Tempo: 19 horas.
Onde?: Livraria Valer.

 

UVA: Pinot Noir

Março 20, 2014

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Dando a continuidade as series uvas cada tipo de uva e sua historia. Vamos postar sobre uva Pinot Noir.

Umas características dessa uva Pinot Noir é: Delicada, elegante e aromáticas são adjetivos podem ser utilizados para dar o conceito Pinot Noir. Criada na região da Borgonha(França), essa uva possui casca fina, poucos taninos e é difícil de ser cultivada devido ao clima que precisa ser moderadamente frio. Zonas quentes dificilmente são de seu agrado. São poucas regiões dão boa composição do terroir pra essa uva. Terroir são melhores no Novo Mundo como: Chile, Argentina e Estados Unidos. Não quer dizer outras regiões dão bons Pinnot Noir, a questão que essa uva muito delicada precisa certos cuidados de cultivo, não apenas questão de terroir, sim climas frios e temperaturas moderadas. No Velho Mundo a França tem uns melhores potenciais pra essa uva, como a região da Borgonha e famosa pela uva Pinnot Noir.

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Características uva Pinot Noir

A Pinot Noir também elabora vinhos bons brancos, fazendo parte da composição do Champagne também na França juntamente com a Pinot Meunier e a Chardonnay. Pinot Noir faz bons cortes essas uvas como estão escrita

Os aromas variam de cada terror, são os aromas que apresentam são: de cereja, framboesa, morangos, groselha, bastante as vezes floral(dependendo de onde e feita a Pinot Noir) terra úmida, notas de especiarias como pimenta caramelo e especiarias doces, quando maduro, e nuances de tosta, se for amadurecido em carvalho.

Quando cultivada em regiões como Novo Mundo passa a transmitir aromas exuberantes de fruta vermelha madura ou de geleia, deixando de lado a elegância. Nesse caso os Pinots do Novo Mundo possui mais “corpo” do que Velho Mundo. As vezes podem apresentar álcool demais e nesse caso o vinho precisa amadurece pra ter bom equilibro.

Para as harmonizações essa uva bem versátil. Pinot umas das poucas uvas faz bela composição com peixe, quebrando o mito que vinho tinto não dar bem com peixes. Como e vinho leve faz bom equilibro com receitas tem peixes. Vai bem o carnes leves com pouca gordura, frangos, sopas e massas.

Nesses tempos tomei dois belos Pinot do Novo Mundo.Foi Bridlewood Monterey Pinot Noir 2011 e 2012 ambos muito bom pra tomar, eu particularmente gostei mais safra de 2011 demonstra bem como e características da Pinot Noir no mundo. Outro foi Chono Single Vineyard Pinot Noir 2012, esse vinho aproxima pouco dos vinhos da Borgonha temos leve e bem aromáticos. Esses dois tem no site da http://www.wine.com.br. Vale a pena toma esses belos Pinots do mundo. 

No próximo post vamos falar da historia da uva Malbec. Desejo bons goles da uva Pinot Noir de maneira de Dionísio.  

   

Baden Powell jazzsambeando no violão no Berlin Festival

Março 13, 2014

Coala Festival traz uma produção de diversidades culturais

Março 12, 2014

A música como produção humana sempre cria novos sentidos para a existência e possibilita novas formas de encontros e sensibilidades. Desta forma um dos mais importantes espaços culturais de São Paulo, que foi projetado por Oscar Niemeyer,  abrigará uma celebração em ode a música. Trata-se do Memorial da América Latina que abrigará neste sábado (15) a partir das 14 horas, o Coala Festival 2014.

Segundo os realizadores o Coala Festival “é a manifestação de um movimento cuja tônica é o fomento da cultura e da criatividade brasileira. Tem como objetivo propagar tendências, levar o que está acontecendo de bom para um público aberto ao novo.

Bom comentar que o Coala é um movimento colaborativo de cineastas, artistas plásticos, designers, músicos entre outros na composição de um festival voltado ao povo. E é por isto que as atrações do festival serão pessoas com um entendimento diferente das questões sociocultomusicais como o MC que segura as paradas Criolo (ex- Criolo doido), Tom Zé, O Terno, 5 a Seco, Trupe Chá de Boldo, Charlie E Os Marretas e Shaka.

Para os coalas a meia-entrada não se resume apenas aos estudantes, mas aqueles dispostos a doar na hora do evento 1kg (um kilo) de alimento não perecível ou 1 livro. Para quem comprar ingressos até hoje a meia entrada sai 50 reias e a partir de quinta sai 70 reais. Deixe de coalambança e entre neste som.


Meu amor que te foste sem te ver…

Março 11, 2014

que de mim te perdeste sem te amar
quem sabe se outra vida tu vais ter
ou se tudo se perde sem voltar

ou se é dentro de mim que tem de haver
tanta força no meu imaginar
que o poeta que é Deus o vá reter
e te dê vida e faça regressar

para de novo o sonho desfazer
num contínuo surgir e retornar
ao nada que dá ser ao que é querer
ao fado que só dá para se dar

por tudo estou amor e merecer
o que venha para eu te relembrar
só adorando o nada pretender
só vogando nas águas de aceitar.

Agostinho da Silva, in ‘Poemas’