Archive for Fevereiro, 2012

Tréplicas, réplicas…

Fevereiro 29, 2012


Réplicas – É o Tchan do Brasil (1997)

Tréplica: LMFAO – Sorry For Party Rocking (2011)

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A poesia angolana de Agostinho Neto

Fevereiro 28, 2012

 

Sons de grilhetas nas estradas
cantos de pássaros
sob a verdura úmida das florestas
frescura na sinfonia adocicada
dos coqueirais
fogo
fogo no capim
fogo sobre o quente das chapas do Cayatte.
Caminhos largos
cheios de gente cheios de gente
em êxodo de toda a parte
caminhos largos para os horizontes fechados
mas caminhos
caminhos abertos por cima
da impossibilidade dos braços.
Fogueiras
dança
tamtam
ritmo

Ritmo na luz
ritmo na cor
ritmo no movimento
ritmo nas gretas sangrentas dos pés descalços
ritmo nas unhas descarnadas
Mas ritmo
ritmo.

Ó vozes dolorosas de África!

Fogo e ritmo (Sagrada esperança) de Agostinho Neto

 

The sound of chains on the roads
the songs of birds
under the humid greenery of the forest
freshness in the smooth symphony
of the palm trees
fire
fire on the grass
fire on the heat of the Cayatte plains
Wide paths
full of people full of people
an exodus from everywhere
wide paths to closed horizons
but paths
paths open atop
the impossibility of arm
fire
dance
tum tum
rhythm

Rhythm in light
rhythm in color
rhythm in movement
rhythm in the bloody
cracks of bare feerhythm on torn nails
yet rhythm
rhythm

Oh painful African voices

Fire and rhythm (Sacred hope) from Agostinho Neto

Photo graphein: Manuel Alvarez Bravo

Fevereiro 27, 2012

Minicontos

Fevereiro 26, 2012


Gostava de ler os minicontos com acento lusitano daquela moça, cujo nome era um pouco vaidoso, e a alma era dada a profundezas.

 O Acento Lusitano


– Sabia que eu tenho um irmãozinho?
– Ah, é? E onde ele está?
– Na barriga da minha mãe.

Ao Que Vai Chegar

– Você não acha que eu me pareço com a Grace Kelly?
Não achava. Mas como se livrar daquele enrosco? Pensou depressa e respondeu com toda a delicadeza:
– Parece, parece sim, quase irmãs. Mas é que eu prefiro a Judy Garland.

 

Parecenças

Contos internáuticos de Pami

Notas ressacosas

Fevereiro 25, 2012

  • A Sotheby’s, uma das maiores casas de leilões de obras de arte, vai leiloar a única versão que não está em museus de “O Grito”, de Edvard Munch, pertencente a um colecionador privado.  O leilão previsto para 2 de maio em Nova York pretende arrecadar mais de 80 milhões de dólares. Esta é uma “ das mais importantes nas mãos de um colecionador privado”. Disse um diretor de um museu novaiorquino. Quem tiver a quantia módica pelo preço do quadro aproveite que a liquidação é curta.

 

  • O Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro continua com seus encontros musical dos pampas em “Gauchada Sul Gêneris” que ocorrem sempre às 12h30 e às 19h. O segundo encontro da série que traz a música popular gaucha traz nesta próxima terça (28) um agradável encontro com a doce voz de Gisele de Santi e Banda.

 

  • Nesta última quarta um dos grandes nomes da música americana, ao menos nas vozes dos outros, o compositor e guitarrista americano Billy Strange. Além de tocar com os Beach Boys, Nancy e Frank Sinatra, ele é o compositor de clássicos como “A Little Less Conversation”,cantado por Elvis Presley; “Bang Bang (My Baby Shot Me Down)”, por Nancy Sinatra. Que o rock lhe transcenda…

 

  • A partir de segunda( 27)  o Museu de Arte Contemporânea Centro Cultural Dragão do Mar em Fortaleza exibe uma exposição ao artista cearense Zenon Barreto em ”Construção/Figuração” Com entrada franca, a exposição fica aberta indefinidamente. Com uma trajetória significativa em todo Brasil, a mostra traz 25 trabalhos, entre pinturas, desenhos e esculturas do artista já falecido.

  • O vocalista e guitarrista da banda metalesca Soulfly, o lendário Max Cavalera, está se recuperando de  uma doença chamada “paralisia de Bell” que  paralisa o nervo facial. Max notou algo errado em sua cara e sua mulher disse ‘Sua cara está estranha’.  Max se sentiu “como se tivesse sido socado por Mike Tyson”. O cantor logo se recuperará e tocará no Brasil nesta semana vindoura… Raizes faciais até o lançamento do novo disco do  Soulfly, Enslaved, previsto para o dia 13 de março.

 

  • Mermão, tu acha ruim o carnaval ter descido o morro? Pois tá… Neste domingo  (26) a partir das 15 horas  ocorre o último grito de carnaval nas ruas e vielas do Morro da Mangueira, saindo do ponto 13,  com “o bloco Carnavalesco o grita o nome do boi” onde os participantes urram o carnavalesco dos bois. Estão a venda por 10 reais os ABADÁS e PULSEIRAS e um deles  garantem o livre acesso ao bar.  Como este ano não há novos abadás, quem tiver do ano passado deve comprar a pulseira.  Carnavale-se.

 

  • Um grupo de artistas cariocas buscam uma forma criativa de levar suas artes que remete ao início do século passado: os cartões postais. Mesmo não sendo algo inédito, a idéia já produziu o Museu de Arte Postal, lançado este mês na internet. O sítio pretende estimular o colecionismo e fazer circular obras de arte postal de quatro artistas Rogério Reis, Carolina Valansi, Suzana Queiroga e Gustavo Speridião e a cada dois meses haverão obras de mais quatro. Que a arte postal produza novos contatos de correspondência.

 

  • Atenção dançarinos e artistasde todo país. Estão abertas as inscrições para a 2a edição do Concurso Danse Élargie, que aconterá nos dias 16 e 17 de junho, com a apresentação dos vinte trabalhos selecionados no Théâtre de la Ville, em Paris que definirão os três premiados a receber de quinze mil a sete mil e quinhentos euros. O projeto foi criado pelos diretores do Théâtre de la Ville, Paris e o Musée de la Danse, Rennes, Emmanuel Demarcy-Mota (diretor de teatro) e Boris Charmatz (coréografo).  O concurso é aberto a artistas de todas as nacionalidades e  de todas as áreas como: dança, artes visuais, teatro, música, arquitetura, cinema, design e outros. Os trabalhos deverão conter no mínimo três intérpretes e duração máxima de dez minutos e enviados até  21 de março com o formulário de inscrição preenchido e assinado , uma nota descrevendo o projeto, de uma página, biografia do autor de uma página e um DVD com uma “maquete” do projeto.As inscrições devem ser enviadas via postal para Danse élargie – Théâtre de la Ville, 2 place du Châtelet, 75004, Paris – FRANÇA.

  • A cantora Adele bateu um importante recorde. Seu álbum “21”, de Adele, superou a trilha do filme “O Guarda-Costas”, da Whitney Houston  e se tornou o álbum de uma artista feminina por mais tempo à frente da parada Billboard 200. Por 21 semanas consecutivas no topo da parada Adele mantêm seu reinado pop sobre a diva que recentemente partiu.

  • O Sesc Santana de São Paulo recebe até o dia da mentira a exposição “Roteiro Musical da Cidade de São Paulo” que conta a história de 100 anos da cidade por meio da música. Com a presença de discos raros, partituras, letras, fotografias, documentos e depoimentos  a mostra traz músicas de Carlos Gomes a Ari Barroso, passando por Chiquinha Gonzaga, Lamartine Babo, Tom Zé, Luiz Gonzaga, e Itamar Assumpção.  Manda sampa…

  • A Cinemateca Brasileira em São Paulo inaugura nesta terça (28) a mostra “MULHERES NA DIREÇÃO” em homenagem ao Dia Internacional da Mulher que vai até 11 de  com uma programação bastante rica de cinemas de excelentes diretoras que abordam com leveza, ternura e inteligência a questão feminina. Com ingressos populares a mostra traz “Após a reconciliação” de Anne-Marie Miéville, a companheira de Jean-Luc Godard; “Os dois lados da felicidade” da canadense Mina Shum; “Duas amigas”, de Martine Dugowson; “O filho preferido” da francesa Nicole Garcia; “Matilda – à procura de uma paixão “ de Antonietta de Lillo e Giorgio Magliulo;  a comédia espanhola “Minha mãe gosta de mulher” de Daniela Féjerman e Inés París; “Os silêncios do palácio” de Moufida Tlatli (diretora de Tempo de espera); “Síndrome astênica” de Kira Muratova; “Tudo perdoado” de Mia Hansen-Løve; “Vá onde seu coração mandar” de Cristina Comencin.

  • A rua 15 de Novembro do Varadouro em Olinda será tomada neste sábado a partir das 19 horas com o Encontro de blocos Líricos no pós Carnaval de Olinda. Centenas de blocos como Batutas de São José, Olinda Quero Cantar, Valores do Passado – Edgard Moraes  e muitos outros estarão presentes.

O novo cinema do engenhoso diretor finlandês Aki Kaurimäki

E vamos levando que já cabou a farra e as rosas e só sobrou ressacosas

UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Fevereiro 24, 2012
Londres , começo de janeiro de 1874

Os ‘lesmas’, efeito de neve (1870), FLEURY CHENU

   Les trainards, effet de neige , Paris, Musée d’Orsay

Van Gogh que está em Londres e respira arte e escreve para o irmão suas percepções , desejos e faz uma troca de pintores que admira:

“Escrevo abaixo alguns nomes de pintores de quem eu gosto particularmente: Scheffer, Delaroche, Hébert, Feyen-Perrin, Eugène Feyen, Brion, Jundt, George Saal, Israels, Anker, Knaus, Vautier, Jourdan, Jalabert, Antigna, Compte-Calix, Rochussen, Madrazo, Ziem, Boudin, Gérôme, Fromentin, Tournemine, Pasini, Decamp, Bonington, Diaz, Th. Rosseau, Troyon, Dupré, Corot, Paul Huet, Wahlberg, Jacque, Otto Weber, Daubigny,  Bernier, Émile Breton, Chenu, …”.

Fleury Chenu foi um pintor francês cujo o nome real era Augustin Pierre Bienvenu Chenu e cujo principais tipos de pinturas eram retratos, paisagens (principalmente de Lyon ou paisagens com neve), de animais e do cotidiano. Seu nome Fleury é também considerado para que não se confunda com outro artista, o gravurista produtor de agua-fortes do rococó francês (a partir de 1730) também chamado Pierre Chenu.

Nascido no dia 12 de Maio de 1833 em Briançon nos Alpes franceses. Aos 13 anos se mudou com sua família para Lyon e em 1847 entrou para a Escola de Belas Artes (Ecole des Beaux-Arts), onde estudou pintura com Jean-Claude Bonnefond e Michel-Philibert Genod, além de trabalhar com o pintor de animais Jean Baptiste Louis Guy .

Ainda no ínicio de sua carreira de amador ele trabalhou pintando decorações em murais para ganhar sua sobrevivência. Com o tempo ele começou a pintar a cidade e o interior ao refor de Lyon, se juntando com Jean Baptiste Beuchot e Joseph Benoit Guichard. Em 1854 faz sua estréia no Salão de Lyon em 1854 e 1855 com “Annibal defendem os romanos em Cannes” e “Efeito da manhã”.

Por volta de 1858 passa a integrar a um grupo de artistas românticos que incluia os pintores Francis Verney, Antoine Vollon, Joseph Ravier e Joseph and Jean Antoine Bail. Sua estréia no Salon parisiense é em 1867 com “Sobre o cais” e “A Neve”, fazendo Alexandre Dumas perceber seus trabalhos.

Ele morreu no dia 9 de maio de 1875 em Lyon, estando enterrado no cemitério de Loyasse.

SOBRE A OBRA
O Segundo Império na França sempre manteve, na metrópole e suas colônias, uma armada importante afim de sustentar, com diversas fortunas, tanto a segurança nacional quanto a defesa dos interesses e posses no estrangeiro.  Reservado aos fieis do regime segundo uma organização hierárquica que empregou largamente as concepções militares do primeiro império, o oficial de uma armada permanente e numerosa não apresentava fora do conflito, o rigor que seria esperado daquela instituição. Apesar as frequentes caminhadas militares, as grandes manobras e a expedição do México a partir de 1861, que os jornais regularmente reportavam, após as vitórias heróicas nos anos de 1840, em Sébastopol, Magenta ou Solférino, o exército francês parecia dormir num sonho de glória que se interrompe brutalmente em Sedan, quando a França de Napoleão III se rende ao exército prussiano (alemão), encerra seu segundo império e inicia a fase da Terceira República Francesa.
 

Com um tratamento virtuoso dos fenômenos atmosféricos ligados a neve, a chuva e a neblina nas composições quase monocromáticas unicamente reveladas de alguns toques de cores, Fleury Chenu recebe as graças da críticas por seus envios ao Salon de 1867 e ao de 1868, edição que obtêm uma medalha. Durante o Salon de 1870, exibe novamente uma vasta paisagem de neve de construção minuciosa, sua simpres e eficaz composição é adquirida pelo Estado Francês pelo preço elevado de 8 000 Francos.

A paisagem é plana e se perde no horizonte, esbarrando sobre uma vila quase indistinta no plano traseiro. Ocupando quase um terço do alto, a paisagem nevoenta onde dominam os brancos e escuros é somada a um céu cinza-amarelado, carregado de ameaças, onde se distingue malmente uma lua cheia laranjada e onde circulam os corvos de mau-agouro. A animação colorida por si só entre estes dois universos gelados se encontra no centro da parte inferior, sobre a estrada que traça um sulco grisalho onde “os granadeiros (soldados a pé) escoltam uma carruagem onde está deitado um soldado doente e conduz um camponês” (Théophile Gautier). Apesar da animação que se introduz no grupo militar de atitudes variadas e a presença anedótica de um cachorro, a neve que tudo cobre faz pesar sobre o conjunto da composição um cobertor de silêncio.

Ilustração reconstruida no atelier por um paisagista, esta cena militar participa das numerosas produções anedóticas inspiradas por uma armada em busca de ideais, a partir do meio dos anos de 1860. Apesar das numerosas intervenções armadas (Argélia, Rússia, México…), os dirigentes políticos franceses após a Restauração se opõe a herança guerreira dos anos revolucionários e não mantêm mais a doutrina de guerra que tinha fundamentado o período de 1789-1815. Os regimentos militares de 1831 e 1863 fornecem poucas referências aos diferentes corpos da hierarquia militar e defende uma ação defensiva (trincheiras-abrigos, fogo a longa distância…) contrária a tradição francesa. O grande projeto de reforma do marechal Niel foi recusado em 1868, e o exército mantêm o sistema de sorteio, pouco mobilisador. Apesar de sua vontade em ter o papel de comandante como chefe das Forças Armadas, Napoleão I não saberá liderar suas tropas. D, o imperadorl’empereur ne saura mener ses troupes. Assim, a frança  buscará confrontar um problema duplo: a falta de uma doltrina de guerra e um líder para a aplicar.

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Às sextas e terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor monoauricular Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui.

Devir/Dançar

Fevereiro 23, 2012

Nossa coluna deviriana da dança continua seus trabalhos pós-folia trazendo mais uma biografia de um dos mais importantes bailarinos soviéticos que se naturalizou norte-americano. Com uma grande experiência em palcos, Mika experimento as mais variadas formas da dança e por isto merece um espaço deviriano.

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Mikhail Baryshnikov é um bailarino natural de Riga, na Letônia, nascido em 27 de janeiro de 1948, Mikhail começou a estudar ballet aos nove anos e durante a adolescência (em 1964) entrou na tradicional Acadêmia Vaganova em Leningrado estudando com Aleksander Pushkin e logo vencendo o grande prêmio da divisão júniod da Competição International de Varna. Com o tempo ele passa de estudante para o principal dançarino do Ballet Kirov em 1969, apenas dois anos após de sua estréia na companhia no espetáculo “Giselle” apresentado no Maryinsky Theater. Logo ele se torna o principal bailarino soviético e diversos coreógrafos como Oleg Vinogradov, Konstantin Sergeyev, Igor Tchernichov e Leonid Jakobson criam ballets para ele.


Em 1974, ele deixa a União Soviética como desertor para dançar com as maiores companhias de ballet do mundo incluindo o American Ballet Theatre em Nova York onde dançou Giselle com Natalia Makarova no mesmo ano. Em 1980 ele passa a integrar o New York City Ballet e onde ele trabalhou com George Balanchine e Jerome Robbins. Em 1980 ele começa uma estabilidade de 10 anos como diretor artístico do American Ballet Theatre, promovendo uma nova geração de dançarinos e coreografos em espetáculos como “Metamorfose”. Logo Baryshnikov passa a trabalhar no cinema com Momento de Decisão (1977) e Dancers (1987) ambos de Hebert Ross, além de atuar no filme com tons autobiográficos “O sol da Meia-Noite” e policiais como “Companhia de Assassinos”.

Entre 1990 e 2002, Baryshnikov foi diretor e dançarino com o”White Oak Dance Project”, onde fora co-fundador com o coreógrafo Mark Morris e nasceu do desejo de Mikhail de “ser uma força condutora na produção da arte”, e, notavelmente expandiu o repertório e visibilidade da Dança Moderna Americana.

Em 2005, ele abriu o Baryshnikov Arts Center (BAC), um lar criativo para artistas locais e internacionais desenvolverem e apresentarem trabalhos. Dentre os vários prêmios de Baryshnikov estão Kennedy Center Honors, a medalha de honra nacional (dos Estados Unidos), o Prêmio do Bem-estar e recentemente oficial da Legião da Honra (da França).

Como diretor de ballet e também como dançarino Mikhail teve muita liberdade em diversos trabalhos, inclusive dançando em trabalhos de Adam à Tchaikovsky, de Dmitri Shostakovich à Philip Glass, de Duke Ellington à Frank Sinatra. Ele ainda fez várias expêriencias de dançar com o silêncio ou com a própria batida do coração, sempre com uma grande sensibilidade pós-moderna. Até hoje ele surpreeende muito dançando com seus mais de 60 anos.

Mikhail Baryshnikov e Liza Minelli

Photo Graphein: Walker Evans

Fevereiro 23, 2012

BANDINHA DO OUTRO LADO 2012

Fevereiro 22, 2012

MARCHINHA DA BANDINHA DO OUTRO LADO 2012

Composição: Crianças do Novo Aleixo

“Chegou! (a brincadeira)
Chegou! (a fantasia)
Chegou! (a alegria)

A bandinha do outro lado
Pra mostrar seu carnaval
Trazendo um tema que toca em todo  mundo
 O compromisso com a defesa ambiental

A bandinha do outro lado
É a criança brincando em sua beleza
Por isso ela canta, dança, pula, bole
Sempre livre, Não dá mole
Porque ela é natureza

O carnaval que tem suas origens nas festas pastoris gregas em homenagem ao deus Dionísio, em celebração à vida e à colheita, teve sua potência libertadora dionisíaca passando pela existência de várias crianças, jovens, pais e moradores do Novo Aleixo, Zona Leste de Manaus, que produziram todos um encontro transformador, deixando seus afazeres domésticos e cotidianos para deixar passar a vida.

Sabemos que a não-cidade de Manaus é produtora de tristezas que imobilizam muitos corpos inclusive no carnaval. Além de sofrer com os problemas infelizmente cotidianos da falta d’água, transporte coletivo inoperante, falta de opções de lazer e eventos culturais nos bairros, ruas sem pavimento, calçadas e bueiros, praticamente não há a produção de bailes, blocos e produções dionisíacas durante o carnaval. Mas no bairro do Novo Aleixo, as crianças produzem todo ano o sentido alegre da vida, além desta desconstituição de não-cidade.

A festa que iria acontecer neste domingo, 19/02/2012 de carnaval foi transferida para o dia 20/02/2012 devido a chuva torrencial que desabou sobre toda a não cidade. Porém, nenhum fato pode abalar o encontro momesco da 5a edição  Bandinha do Outro Lado que começou sua concentração às 16:30, na Rua Rio Jaú, na casa da Mirian, palco onde aos domingos se opera era a criação kinemasófica, se transformou em uma oficina de retoque dos últimos detalhes das fantasias carnavalescas. Neste ano a grande novidade é um palhaço gigante afinado que tem suas raizes nos maravilhosos bonecos gigantes de Olinda, do grande Mestre Salustiano.

Clique nas imagens para ampliar



Enquanto as crianças se pintavam e terminavam suas fantasias os músicos foliões da Bandinha esquentavam a garotada ao som das marchinhas. Com tudo na agulha, as crianças e adultos se posicionaram à beira da rua para começar a caminhada que  se seguiu pelas ruas do bairro cheias de lixos, entulhos,  desviando-se para dar passagem à Bandinha.

'Vizinho' o Rei do Carnaval e a Rainha Poli

 

E a alegria brincante começa trazendo a origem dionisíaca do carnaval, com o bode (tragos em grego) a frente da bandinha representado pela criança afinada Hayssa, seguida do Rei Momo e da Rainha do carnaval, além dos cantos, sátiros e a alegria do Dionísio cuja imagem estava em num porta estandarte.

Aos poucos a Bandinha foi tomando as ruas e enchendo todo o bairro da contagiante festa do carnaval que acontece sem os preconceitos e bloqueios produzido pelos homens que pontuam suas existências por limites, especificamente religiosos inertes, conservadores e imóveis. Logo vários moradores saíram de suas casas e integraram a transformação feita bandinha.

Mesmo com as ruas entulhadas de lixo, cuja a coleta foi prometida aos moradores há mais de um mês pela prefeitura (com  inoperância de um prefeito cassado) , a bandinha não diminuiu sua potência de agir e elevou a vida do Novo Aleixo a outro plano, longe da perversidade dos governantes.

Após o andar  de encontros transformadores do Novo Aleixo, a bandinha voltou a sua concentração, onde o bode do carnaval a criança Hayssa falou um pouco sobre a história desta festa.


Depois a festa continuou com os toques da Bandinha músical e o cantar de diversas músicas e marchinhas do carnaval brasileiro, e o alegre dançar dos passistas, ritmistas, pais, foliões, reis e rainhas da nossa bandinha.

E na Bandinha do Outro Lado um dos grandes momentos do salão carnavalesco é a marchinha “Corre, Corre lambretinha” do grande compositor carnavalescos João de Barro, o Braguinha.  Como se vê no video o correr da lambretinha é o motor da alegria contagiante da Bandinha do Outro Lado.

Logo depois houve o desfile das fantasias e cada criança pode mostrar seu trabalho na produção de fantasia e fazer outros percursos diferente que faz na escola e em casa. E na passarela os dançarinos da bandinha.

E a festa tomou o salão até a boca da noite, com a bandinha em seus encontros crianças alegres produzia novos movimentos nos corpos e deixando neles rastros da animação. Muitas marchinhas, danças, movimentos , sorrisos seguiram até a hora de recompor as energias com um delicioso mata-broca carnavalesco que trazia vatapá, arroz, frango, seguido de bolo de chocolate, doces e o delicioso sorvete doado pelo afinado Nelson que nas quadras não-carnavalescas é conhecido como Nelson Noel. E a alegria dionisíaca da bandinha irradia durante todo ano até que as comunalidades se encontrem na produção de uma nova Bandinha.

 

BANDINHA DO OUTRO LADO

TODO DOMINGO GORDO NO NOVO ALEIXO

BLOCO DAS BONECAS DE MANAUS

Fevereiro 22, 2012

O carnaval é um período festivo onde as pessoas produzem encontros alegres que rachem com a dureza ecerteza daquilo que definem como seus cotidianos. Desta forma o carnaval produz como festividade uma nova forma de existência que transforma a rigidez dos corpos e rostos em um alegre regogizo.

Desta forma o carnaval cria uma rachadura na ‘realidade’ e propicia outras vivências. Por este motivo durante o carnaval vários homens aproveitam para se travestirem, deixando para trás todo o peso milenar feito pela busca opressiva da superioridade do homem frente a mulher.

Nesta época o movimento cortante do devir-minoria da fêmea pode ser produzido por todos. Tendo esta vontade de deixar passar a força transformadora desta minoria, neste domingo a tarde antes da tempestade, alguns afinados deste bloguinho encontramos por acaso, vários homens, mulheres e bonecas se reuniram em frente ao restaurante Vishy localizado na esquina da Av. Japurá com R. Silva Ramos no Centro de Manaus para mostrar um desfile carnavalesco de várias bonecas. Decidimos registrar este evento organizado de um bloco que não vende sua alegria ao mercenarismo do carnaval$.

Os apresentadores devidamente caracterizados chamaram os candidatos para apresentarem sua beleza e alegria. Em um país alegre como o Brasil, onde ainda se tem conquistado vários direitos da cidadania, a brincadeira é tida com um grande respeito aos que escolhem o Transgênero como uma escolha de vida e sexual.

Além de personagens femininos como a Mulher Maravilha, houveram também outras caracterizações e até um personagem masculino, Quico do Chaves.