Archive for the ‘Dança’ Category

ESTUDANTES DO CURSO DE LETRAS DA UEA PROMOVEM FESTA ESTÉTICA-POLÍTICA: SARRADA LITERÁRIA DO BODOZAL

Setembro 16, 2017

Estudantes inquietos e engajados do Curso de Letras da Escola Norma Superior (ENS) da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), promoveram na noite de ontem uma das mais sensíveis e epistemológicas expressões estética-política que há anos não se vivenciava nos territórios dos saberes e dizeres escolares de Manaus.

Uma heterogeneidade de produções artísticas-cognitivas se deslocaram no interior da escola que contou com as frequências de pessoas de várias idades e procedências. Uma enebriante festa. Diria o deus da alegria, Dionísio. Embora fosse Apolo, o deus da poesia, o ser estimulador da Sarrada Literária, entretanto, foi Dionísio quem prevaleceu com seu espírito lúdico-criativo-transgressor.

Uma mostra foi a apresentação do grupo de rap, hip-hop, composto por quatro jovens, As Minas, que encantaram a platéia com músicas cujos temas tratavam dos direitos-revolucionários e singulares das mulheres. No mesmo seguimento inquieto, houve a apresentação do grupo de teatro da Associação Filosofia Itinerante, Teatro Maquínico, com sua nova peça “Pois é, Seu Zé, Tudo é Política, Né?”. Jogo de capoeira, banda de rock, exposição de pinturas, charges, como a do artista plástico Ismael, fanzines, artesanatos, projeção de cinema, guloseimas, bebidas, entre outras ideias e objetos movimentaram a grande Sarrada do Bodozal cuja potência virtual foi atualizada pelas criativas e criativos discípulas/discípulos de Dionísio e Apolo Raquel, Jéssica, Ismael, Adriano, Matheus, entre outros festeiros sarradores.

Fiquem com as imagens criadas pela foto-poiética, Jéssica.

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PESQUISA MOSTRA QUE PRÁTICA DA CAPOEIRA É TERAPIA PARA REFUGIADOS

Setembro 15, 2015

capoeira_para_refugiadosO Projeto Capoeira para Refugiados surgiu em 2007, na Síria. É um projeto sem fins lucrativos e que atua também na Palestina cujo objeto é, como terapia, auxiliar os refugiados, principalmente crianças e adolescentes, a elaborarem suas tensões emocionais e físicas provocadas pelas guerras.

Como expressão-cultural afro-brasileira que encadeia corpos afetivos, ético, psicológicos e físicos, o projeto tem funcionado como terapia importante para esses casos que já vem sendo considerado como necessária a sua continuação e quem sabe espalhado para outros territórios.

Diante dessa realidade, pesquisadores da Universidade do Leste de Londres realizaram uma parceria com o Projeto Capoeira para Refugiados e compuseram um estudo para saber tanto da prática, como dos resultados do exercício da capoeira com refugiados em áreas de conflito. Assim, eles coletaram dados entre os anos de 2013 e 2015 e tiveram como resultado da pesquisa a certeza de que a prática da capoeira auxilia os que a praticam a elaborar seus estados de ansiedade, medo e ódio decorrente da opressão e da perda de segurança.

capoeira_para_refugiados_instrumentoPara os pesquisadores a prática de capoeira desenvolve cinco pontos chaves: estabilidade emocional, tolerância, amizade, força interior e capacidade de brincar. Os apelidos que são dados aos participantes e que faz parte do ritual da capoeira, junto com as relações movidas por brincadeiras; auxilia aos praticantes no fortalecimento de suas identidades, afirma o estudo.

“A capoeira promove a melhora do condicionamento físico e o desenvolvimento das capacidades, o que gera autoestima. Ao mesmo tempo como outras artes marciais, exige autocontrole disciplina. Por meio da incorporação da música e da dança, permite espaço para a criatividade e a expressão pessoal, oferecendo uma dimensão que falta em outras atividades físicas”, mostrou Hannah Prytherch, uma das pesquisadoras.

Os dados obtidos pelo estudo foram obtidos através de discussão com grupos de crianças, entrevistas com treinadores, professores, conselheiros escolares e alunos. O resultado do estudo recebeu o nome de teoria da mudança que tem como corpo principal a capacidade de brincar da criança.

“A ampliação da capacidade de brincar garantiu aos alunos meios de expressar e chances de aproveitar a infância, levando a um sentimento de felicidade, prazer e liberdade psicológica”, diz trecho do relatório da pesquisa.

Uma menina e um menino falam sobre suas experiências na capoeira.

Menina – “Em vez de sair e agredir uma pessoa que odiamos, jogamos capoeira. Deixamos toda a energia e a dor saírem na capoeira. Deixam a raiva sair. Quando estamos muito preocupadas ou tensas, jogamos capoeira e relaxamos, esquecemos”.

Menino – “O que mais gosto na capoeira é que, sempre que vou para a aula, eu volto para casa feliz. Eu vou para casa relaxado e continuo de bom humor. Estou sempre com o humor da capoeira, cantando as canções até eu dormir. Eu lavo as louças ouvindo canções”.

Não esquecer que no ano de 2014, a capoeira do Brasil recebeu o título de  Patrimônio Cultural da Humanidade.

9ª EDIÇÃO DO FESTIVAL VISÕES PERIFÉRICAS MOSTRA TEMÁTICAS SOCIAIS DE SEUS MORADORES ATRAVÉS DA ESTÉTICA CINEMATOGRÁFICA

Agosto 19, 2015

9c02fab8-717d-416e-9671-b42d2abaff33“O Visões Periféricas é o único com esse perfil no Brasil e é realizado com regularidade há quase uma década, o que não é algo trivial. Ele mostra a produção destes territórios e valoriza os realizadores, independentes de onde sejam. O nosso interesse é visibilizar uma estética viva, real e íntima das periferias e isso acaba sendo nosso diferencial”, observou o idealizador do festival, Marcio Blanco.

Pois é, o Márcio Blanco sintetizou produtivamente o que é a 9ª Edição do Festival Visões da Periferia, que começou ontem, com a estreia nacional, do longa- metragem, Funk Brasil – Cinco Visões do Batidão, composto por cinco episódios dirigidos por Luciano Vidigal, Marcelo Gularte, Júlio Pecly, Paulo Silva, Rodrigo Felha, Cristian Caselli e Cavi Borges. Em um dos episódios é narrada a história do funk sua dança, som, e arte de defesa dos direitos dos moradores das periferias carioca.

O festival vai até o dia 23 desse mês quando serão exibidos 96 filmes independentes entre produções de cinco minutos nos cines-clubes, sala de projeção e internet, sendo que 15 desses filmes são da Mostra Tudojuntoemisturado, 81 serão exibidos em 17 locais diferentes entre eles, cidades do interior.

O festival também exibirá produções do Mostra Colômbia com temáticas da periferia desse país sul-americano. A delegação dos colombianos é composta de 18 produtores de audiovisual da cidade de Medellín.

Durante o festival serão produzidas oficinas de som, imagens e animação. Além de debates sobre os temas pertinentes aos funk e vida nas periferias. Também ocorrerá o III Deseducando o Olhar – Seminário de Educação em Audiovisual que congregará realizadores, pesquisadores e representantes do governo que farão uma reflexão sobre a importância da multiplicidade de olhares no audiovisual e a propagação de ideias.

“O funk, como uma legitima expressão da cultura periférica, sofreu muito preconceito ao longo dos anos e hoje é patrimônio cultural da cidade do Rio de Janeiro. Ele rompeu barreiras sociais, é produzido no Brasil inteiro e pode ser ouvido até na novela das oito. Nada mais justo do que valorizar esse movimento de resistência, que representa a legítima cultura da periferia”, se posicionou Márcio Blanco.

Não esquecer! A entrada é grátis!

TURBANTE – A DANÇA EMBLEMÁTICA

Junho 20, 2015

image_largeA binaridade homem e mulher calcada no modelo macho, branco, europeu produzida pela máquina de abstração como agenciamento de enunciação coletiva que provoca o surgimento do sujeito de enunciado é em verdade um ponto molar paranoico de difícil afrouxamento. Para que essa realidade capturadora enfraqueça são necessárias contínuas linhas constitutivas de micropolíticas desterritorializantes com seus fluxos mutantes e quantas desterritorializantes, como afirmam os filósofos Deleuze e Guattari.

As diversas mudanças que ocorreram na condição da mulher tornando-a mais autônoma e respeitada, por força de suas lutas libertárias, ainda não foram suficientes para que ela possa transitar livremente em uma sociedade que prima para construção e manutenção de seus micros e macros fascismos que em todo momento lhe assaltam. Esses fascismos se mostram muitas vezes até em pessoas que lhes são íntimas e próximas empurrando-a para o devorador buraco-negro.

O espetáculo de dança Turbante – A Dança Emblemática, é exatamente a mostra dessa submissão imposta por esse agenciamento de enunciações coletivas paranoicas representado pelo patriarcalismo predador que não quer a mulher como um devir-minoria. O devir que muda os sentimentos impostos pela cultura branca dominadora. O devir-outro que surge como variável para outras formas de existências.

As bailarinas e educadoras Rosi de Barros e Miriam Sena do Núcleo de Danças Brasileiras (Nudanba) encenam duas jovens negras e mães que sofrem as formas variadas de preconceitos e discriminações que são praticadas por parte da sociedade brasileira. Aliás, são basicamente dois evidentes preconceito e discriminação: ser mulher e negra. O espetáculo mostra não só o sofrimento das duas, mas também os modos que elas apresentam para se defender para não serem totalmente tragadas pela força paranoica do sistema.

18496d15-9fce-436b-a984-67ff532f1cc3Rosi disse que a produção do espetáculo foi difícil pelo fato de não agradar como arte não comercial. Entretanto, mesmo com todos os obstáculos elas conseguiram realizar a produção para poder seguir nas apresentações. O projeto foi beneficiado pela prefeitura de São Bernardo do ABC.

“A obra transformou-se numa ‘biografia’ de tudo de que vivíamos, de que ouvíamos das histórias de amigas, mães, cunhadas, irmãs. E assim foi. A ideia se lapidou em nossos corpos.

É um grande desafio criar um espetáculo que não tem absolutamente nenhum interesse comercial.

No atual formato da Lei Rouanet ou Proac nenhum patrocinador vincula sua marca a uma arte polêmica como é a nossa produção. Durante a montagem ouvimos propostas do tipo: “Este tema é muito pesado, só patrocinamos se vocês mudarem”.

A obra serve como instrumento de denúncia social e também para mostrar para o espectador como a dança contemporânea pode mudar positivamente a realidade de jovens, como é o caso do nosso elenco, formado por jovens negras e mães.

O espetáculo transita entre a delicadeza e a brutalidade, convidando o público para dialogar com as danças e brincadeiras populares, numa performance conteporânea que sensibiliza o olhar para o corpo feminino e suas diversas formas de opressão”, expôs a dançarina Rosi.

BAILARINOS DO PÉLAGOS

Março 13, 2015

image_largeAuxiliar na construção da autoestima através de corpos estéticos e éticos é a função do Núcleo de Dança Pélagos que tem a coordenação e a direção do bailarino e coreógrafo Rubens de Oliveira Martins. Não era para menos, Rubens tem na família o sangue musical. É filho e irmão de músicos. Ele começou sua carreira artística no curso de percussão do Arrastão, onde percebeu a importância da música como arte capaz de mudara as concepções negativas que os jovens têm de si mesmo impostas pela estrutura social que seleciona, classifica e hierarquiza sempre para beneficiar os detentores do poder.

Leiam a matéria realizada pela jornalista Xandra Stephanel para a Rede Brasil Atual.

Bailarinos do Pélagos, em Campo Limpo, mostram a jovens da periferia como criar, cultivar e propagar dignidade e altivez.

São Paulo  – Rubens de Oliveira Martins tem uma agenda e tanto. Com quase 15 de seus 29 anos dedicados à dança, é coreógrafo e diretor dos grupos Chega de Saudade e Gumboot Dance Brasil, do qual também é bailarino – e trabalha como professor em uma escola particular na zona oeste da capital paulista. Mas é na zona sul que estão suas raízes e seu maior orgulho. O Núcleo de Dança Pélagos, que criou em 2010 em parceria com a ONG Arrastão, é onde promove a multiplicação de corpos cidadãos dançantes. E replica sua história, que começou ali mesmo.

Filho e irmão de músicos amadores, Rubens se inscreveu no curso de percussão do Arrastão e logo sua intimidade com a linguagem artística o promoveu a monitor assistente. Foi a porta de entrada para o projeto Dança Comunidade, que o coreógrafo e bailarino Ivaldo Bertazzo abriu para jovens voluntários ou aten­didos por organizações da periferia, em 2003. Não demorou para que ele começasse a ensinar o que aprendia a outros jovens de comunidades, tanto dentro da Escola de Reeducação do Movimento ­Ivaldo Bertazzo como no Campo Limpo, no mesmo lugar onde havia começado.

Rubens trabalhava intensamente na companhia de Ivaldo, mas reservava seu único dia de folga, as segundas-feiras, para ir ao Arrastão. “Eu via as crianças e os jovens que acompanhavam meu processo com muita vontade de aprender. Eles viam matérias na TV, nas revistas, e queriam saber o que era. Daí o próprio Arrastão me convidou para dar aula, conta.

Quando saiu da companhia, em 2009, o dançarino propôs à ONG um projeto pontual de oficinas para os jovens do Campo Limpo. Assim nascia o Núcleo de Dança Pélagos. No ano seguinte, estreava seu primeiro espetáculo, Volúpia. “Foi muito especial. Tentei recuperar no meu corpo e na minha cabeça a experiência que eu tive em 2003. Refleti sobre como comecei e como estava ali. Tentei trazer na memória corporal qual é o início de tudo em um trabalho com um jovem que passa pelo momento mais importante da vida, que é a adolescência. Eles viviam intensamente cada segundo”, lembra.

Segundo Rubens, o objetivo principal do núcleo é fazer com que a dança seja uma ferramenta de formação e de autoconhecimento. “O Pélagos tem um projeto de dança que leva os jovens atendidos ao palco com um espetáculo, mas não só isso. A ideia é que no momento mais difícil da vida, que é essa transição da adolescência para a vida adulta, eles tenham um autoconhecimento, equilíbrio, e aprendam a lidar com os desafios da vida adulta”, afirma. Os integrantes do grupo têm fisioterapia, aulas de danças brasileiras, balé clássico, dança contemporânea, capoeira e aulas teóricas sobre história da dança, empreendedorismo, planejamento de carreira, nutrição, sexua­lidade. Além do aprendizado, os alunos recebem uma bolsa-auxílio.

“Tudo isso faz com ele entenda quem ele é nessa comunidade, para que possa levar sua comunidade para onde for”, diz o professor. “Eu percebi que era também um arte-educador. Diariamente, eles vi­nham com questões sobre a família, pessoais, físicas e emocionais para as quais eu tinha de dar um suporte, dar segurança.” Aprendeu e ensinou. Em 2015, a previsão é que os alunos mais antigos do núcleo comecem a dar aula em um projeto em São José dos Campos, no inte­rior paulista, em parceria com a prefeitura.

Bons exemplos

Muitos alunos já começaram a replicar seus conhecimentos. Renan ­Marangoni, de 19 anos, entrou no grupo em 2011. Dá aulas no Movimento Comunitário Estrela Nova, no Campo Limpo, e até formou seu próprio grupo, o Corpo Molde, que ­estreou­­ com o espetáculo Saga Tiba em novembro do passado. “Muitas coisas que aprendi no Pélagos eu levo para o Corpo Molde e para o Estrela Nova. Vejo o Pélagos como um dos disparadores para que eu começasse a criar. Ganhei mais segurança, mais estrutura, mais base para poder estabelecer aulas em outros lugares, criar meu próprio grupo, dar oficinas… Não é só você ir lá e ensinar o passo. É o seu papel de educador, é todo um processo: você tem de entender o seu corpo para poder dançar”, declara Renan, aluno do Pélagos e professor de cerca de 70 crianças e jovens do Estrela Nova.

Está seguindo o mesmo caminho de Rubens? “Não é a mesma coisa porque nós somos diferentes, mas o olhar dele para a dança me traz muitas referências. O meu sonho é criar essa possibilidade de mais pessoas poderem vivenciar a dança”, afirma Renan, cujos alunos também já começaram a promover oficinas. “Eu vejo que esses jovens estão fazendo diferença na comunidade.”

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Liliane: ‘… acabo dividindo muita coisa do que eu aprendo no Pélagos. A cultura tem que ser passada adiante’

Liliane Rodrigues entrou no Núcleo Pélagos em junho de 2013, aos 19 anos, depois de ter participado do projeto Jovens Urbanos e ter feito curso de mediação de leitura, de multiplicadora e de comunicação. Convidada por um professor a assistir o segundo espetáculo do núcleo, Garimpo, a jovem ficou encantada e não demorou muito para que fizes­se parte do grupo. “Percebo a minha evolução como dançarina e também na minha formação, porque o Pélagos não forma só bailarinos, tem várias outras coisas.”

Liliane pretende fazer curso técnico, faculdade e dar aula de dança. “O Rubens dá essa oportunidade para a gente, de sair, dar oficinas, vivências. É uma forma de passar adiante o que a gente aprendeu. Eu participo de um grupo de dança urbana no Grajaú (bairro da zona sul) e acabo dividindo com eles muita coisa do que eu aprendo. E é isso que me faz trabalhar.”

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Replicador Renan: ‘Ganhei mais segurança, mais estrutura, mais base…’

A inclusão é ali

Lucas Saraiva não faz parte do Pélagos, mas entrou no projeto Cidadança, de Ival­do­ Bertazzo, por indicação de Rubens, em 2007. “Ele começou no Cidadança e eu e a equipe toda trabalhamos muito nele. Depois de um tempo, ele me falou que seu sonho era entrar no Grupo Corpo. Depois do Cidadança, o Ivaldo o contratou para a companhia. Para mim, foi um prazer ter trazido esse menino do Arrastão, ter participado da sua formação e tê-lo dançando ao meu lado”, lembra Rubens.

Depois de ter viajado o mundo como bailarino, Lucas teve seu sonho realizado – já completou um ano no Grupo Corpo, de Belo Horizonte. “Sempre quis dançar nessa companhia. Estou realizando um sonho que me estimula a sonhar cada vez mais. Projetos desse tipo têm uma importância sem tamanho. É uma forma de você poder dar para esses jovens uma esperança de que pode dar certo e que eles podem ser felizes”, acredita. Mesmo que muitas vezes eles nem imaginem o tamanho do mundo que os espera. “Treinar esses jovens a sonhar é dar ferramentas e discernimento para que possam evoluir seus talentos e realizá-los. Não é preciso formar bailarinos, mas formar grandes pessoas, grandes humanos que possam fazer diferença no futuro.”

MARCIA MINILLO
Cena de Y Khyssa, terceiro e mais recente trabalho do Pélagos

A dança é o que move esses meninos e meninas bailarinos e arte-educadores. Eles são o orgulho de Rubão, o espelho, professor e paizão. “Eu acho errôneo falar sobre ‘incluir esse jovem da comunidade’. Ele já está incluído faz tempo. É que existe uma sociedade paralela que não é conhecida, que é a nossa periferia. É lógico que é importante saber a história do Masp, mas também existe um grande reper­tório cultural na comunidade. Esse jovem também circula por esses lugares onde a cada esquina tem um sarau, uma exposição de artistas locais, um show… Está sendo construída na periferia uma maneira de viver dessa arte.”

Rubens afirma que a arte é apenas uma ferramenta para que esse jovem reconhe­ça seu poder. “Eles têm voz e entendimento; um entendimento que nasceu na periferia. Esse jovem começa a entender, na arte, o poder que ele tem e que é dele.” É sobre isso o terceiro e mais recente espetáculo do Pélagos, Y Khyssa, que significa “o que é meu”, no dialeto Yathê, da tribo indígena Fulni-ô, de Pernambuco. O espetáculo foi apresentado no final de novembro na 31ª Bienal de Artes, em São Paulo, e é tema de um documentário que os próprios alunos do Projeto Arrastão estão fazendo.

Fome de vida

Professor de dança em uma escola de classe média em Perdizes, Rubens diz que o “corpo periférico” tem suas especificidades. “Esse corpo do jovem da periferia tem fome de vida. Tudo o que ele faz, ele faz com muita fome, é um corpo que anda a pé, pega ônibus, arruma a casa, leva o irmão mais novo na escola, carrega uma mochila durante quilômetros para chegar até a escola, joga bola, vive a rua… E esse corpo acaba apresentando muitas possibilidades. Somos um corpo marcado por histórias boas e ruins.”

Além de talento e bagagem acumulados, o pertencimento pa­rece fascinar esses 30 jovens do Núcleo Pélagos. “Eu me vejo diariamente nesses meninos, a cada dificuldade que eles têm, porque são as mesmas que as minhas. Já me perguntaram: ‘Rubens, você já dançou no Ivaldo, já conhece tanta gente importante, já viajou o mundo, por que está voltando para lá?’”. Depois de um suspiro emocionado, ele mesmo responde: “Eu não estou voltando. Simplesmente, eu nunca saí de lá”.

O reconhecimento vem também­ de ­Ivaldo­ Bertazzo. “Ele possui familiaridade com nossas tradições, é um homem forte, com expressões fortes. É bom vê-lo seguindo os mesmos propósitos que tanto perseveramos nessas últimas quatro décadas. Desenha-se com muita nitidez que ele preencherá um grande espaço na linguagem da dança, unindo diferentes biotipos e classes sociais. É uma honra lembrá-lo como ex-aluno e parceiro”, diz Ivaldo.

2ª MOSTRA LATINO-AMERICANA DE DANÇA CONTEMPORÂNEA

Dezembro 2, 2014

danca_-_barry_goyette_-_wikimedia_commonsAté o dia 8 de dezembro será apresentado no Centro de Referência de Dança, nos Baixos do Viaduto do Chá, a 2ª Mostra Latino-Americana de Dança contemporânea que contará com as participações de treze companhias do México, Colômbia, Venezuela, Uruguai, Bolívia, Paraguai e Costa Rica, além de receber 25 companhias, coletivos e artistas independentes da Bahia, Ceará, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

A abertura ficou por conta do espetáculo Albedo, da Companhia Paulista Maurício de Oliveira e Siameses que tem a figura de Dom Quixote como condutor entre o imaginário e o real. Também serão apresentados os espetáculos Duo Para Dois Perdidos, da Cia, sobre a peça do dramaturgo Plínio Marcos, Dois Perdidos Numa Noite Suja. Lá Perforadora, companhia colombiana, apresentará p espetáculo Motación. O espetáculo mostra os bailarinos interagindo com imagens projetadas. Já o Núcleo de Dança e Performance Marcos Sobrinho, homenageará a cantora Carmen Miranda com o espetáculo, Um Poema Para Carmen.

Durante a mostra ocorreram intervenções, saraus, oficinas, fóruns de debates, videodança, workshop e um espaço Derivas Partilhadas onde coreógrafos e diretores traçarão uma roda de conversação.

“A mostra pretende agregar inúmeras companhias, coletivos e artistas independentes da dança contemporânea da América Latina.

Essa ideia de agregar é de provocar uma imersão. Eles não vêm apenas para apresentar e mostrar seus trabalhos: ficam imersos nessa pastilha de experiências durante oito anos. Há atividades que ocorrem a partir das 10h30 e se estendem até 22h30”, disse a diretora-geral do Dança à Deriva, Solange Borelli.

23ª EDIÇÃO DO FESTIVAL PANORAMA

Novembro 3, 2014

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Até o doa 16 de novembro, os teatros e casas de espetáculos do Rio de Janeiro estrão apresentado várias atrações de dança. O fato artístico será materializado pela 23ª Edição do Festival de Dança da América Latina.

O festival que tem como temática “festa como um ato político”, contará, em suas performances, nove companhias estrangeiras e oito brasileiras. O princípio básico do festival são os movimentos que se tornaram expressão e posicionamentos sociais.

A abertura do festival ocorreu no Theatro Municipal do Rio de Janeiro com o espetáculo “Antigone Sr./Paris is burning at the Judson Church (L), do coreógrafo norte-americano Trajal Herrel. Em seguida, no domingo, foi a vez da obra do coreógrafo suíço Gilles Jobin, “Quantum” que para realiza-la residia o ano de 2012, no famoso laboratório de física de partículas do mundo, CERN, em Genebra.

Por parte das companhias brasileiras, revela-se o espetáculo de Tuca Pinheiro, “Hyenna, não deforma, não tem cheiro, não solta as tiras” que será apresentado nos dias 14 e 15, no Espaço Cultural Sérgio Porto. O espetáculo toma a hiena como  subcondições de vida como referência simbólica ao neocolonialismo.

“O Panorama 2014 se apresenta como uma janela para estares festivos, políticos e sociais. Se dá conta de que como é latente, e não só no Brasil, a vontade sublinhar festivamente  a importância de estar junto e assumir o desejo de fazer coisas, que permitam a identificação de liberdades e diferenças”, observou a curadora, Catarina Saraiva. 

“MADE IN BRAZIL” – VEJA ESSE FILME COM O BAILARINO DOUGLAS, DG, ASSASSINADO NA FAVELA E REFLITA SOBRA UMA MORTE A PRIORI

Abril 24, 2014

Em 2013, Douglas Rafael da Silva Pereira, dançarino, foi protagonista desse curta, Made In Brasil com a direção de Wanderson Chan. O objetivo era só mostrar “os nossos problemas sociais em paralelo com a euforia da Copa”, disse o diretor.

Na segunda-feira ele foi assassinado na Favela Pavão-Pavãozinho, segundo o laudo da perícia. Sua mãe, Maria de Fátima, afirmou, depois de examinar o corpo do filho, que ele fora torturado antes de ser assassinado. Há acusações que Douglas foi assassinado por policiais. O secretário de Segurança do Rio de Janeiro não descarta a possibilidade.

Vejam o filme perscrutem sobre se há possibilidade de uma morte a priori. Ainda mais a morte de um jovem. O senso comum diz que só se morre na hora, mas será possível morte a priori? Vejam o filme e tentem responder.

 

Um que de negritude na dança: Logunedé, Oxum e Yemanjá

Novembro 18, 2013

Theatro Municipal do Rio encena versão para balé de Carmina Burana, inédita no Brasil

Agosto 23, 2013

da Agência Brasil

A versão para o balé da cantata Carmina Burana, uma das mais conhecidas obras sinfônicas com coral do século 20, chega pela primeira vez ao Brasil, no palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. A estreia ocorre hoje (22), às 20h, e a temporada vai até o próximo dia 31, com mais seis apresentações. Composta em 1937 pelo alemão Carl Orff, a obra ganhou coreografia do argentino Mauricio Wainrot e terá como solistas Cecília Kerche, Cláudia Mota, Márcia Jaqueline e Francisco Timbó, primeiros bailarinos do Balé do Theatro Municipal.

Cantada em francês antigo, alemão medieval e latim, Carmina Burana é baseada em textos poéticos do século 13, pertencentes a um manuscrito encontrado em 1803 no convento de Benediktbeuern, na Baviera, Alemanha. Além de compor, Orff fêz o arranjo para orquestra e coro, estruturando a obra em um prólogo e três partes, que exaltam, respectivamente, a deusa Fortuna, o encontro do homem com a natureza, o vinho e o amor. Ao final, repete-se o coro de invocação à Fortuna.

De acordo com o coreógrafo Mauricio Wainrot, o balé segue a mesma estrutura, mantendo as seções em que a música de Orff é dividida. “Em cada parte o corpo de baile tem muito a dizer e a dançar, como também há diferentes solistas principais e solos importantes. Carmina Burana é uma obra coreográfica para uma companhia de balé inteira”, disse.

A coreografia foi criada para o Royal Ballet de Flandres, na Bélgica, e hoje integra o repertório de companhias da França, do Canadá, dos Estados Unidos, da Turquia e Argentina. No Theatro Municipal do Rio, Carmina Burana envolve, além do balé, os demais corpos artísticos da casa: o coro e a orquestra sinfônica, regidos pelo maestro convidado Abel Rocha.

Para a presidenta da Fundação Theatro Municipal, Carla Camurati, “este trabalho proporciona aos nossos bailarinos a chance de mostrar seus talentos em coreografias contemporâneas, junto com solistas e cantores de nosso coro e os músicos de nossa orquestra”. Os solistas são Lina Mendes (soprano), Sebastião Câmara (tenor) e Homero Velho (baixo) e o espetáculo também tem a participação do coral infantil da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Além de Carmina Burana, mais duas coreografias de Mauricio Wainrot completam o programa. Chopin nº 1 é baseada no Concerto nº 1 para Piano e Orquestra, de Frederic Chopin, e Ecos, elaborado sobre a música Adágio para Cordas, de Samuel Barber.

Uma hora e meia antes de cada apresentação, o Theatro Municipal promoverá mais uma edição do projeto Falando de Balé. Trata-se de palestras sobre o espetáculo, a cargo do maestro assistente da orquestra sinfônica do teatro, Tobias Volkmann. A entrada é franca, mediante apresentação do ingresso para Carmina Burana.