Archive for Fevereiro, 2010

TODOS OS CRIMES AO VERSO

Fevereiro 28, 2010

poética da crueldade

furar um olho, dois belos olhos
do poeta na escuridão
na sombra
olhar de louco
incindindo sobre o teu

espocar um ouvido, dois ouvidos
do poeta deixar passar
o silêncio de Godard
sussurro cósmico
no ouvido de Bethoveen
barulho desesperador de gota
sempre caindo

extrair o olfato
de fragrâncias simbolistas
forçá-lo a sentir
uma rima na latrina
merda de criança
o pituí dos negros
peçonha animal

desapurar o apurado
paladar
da culinaire française
fazê-lo vomitar a metáfora civilizatória
e ingerir seu único remédio
uma dose de veneno
para limpar seu intestino

decepar a mão recipiente
de insígnias gloriosas
Academia, Escola, Sede do Governo
chicote, ácidos, facão
a descascar do lombo do poeta
a verve comandante

extirpar o sexo-
sexualidade do poeta
para não fecundar a virgem noiva
trezentas vezes
de gozos simulados
bronha objetal
do amor burguês

arrancar a língua
do poeta
retornar à comunicação
dos namorados
dos bichos
dos loucos
dos assassinos

assassinar o poetassassino
impedi-lo de assinar
sua morta
sina

Esquizo Poiethai

Anúncios

TRÊS ACASOS EM DESCASOS

Fevereiro 27, 2010

Por muitos caminhos, vou à procura
Do meu porvir.
Corações leais, à luz do amor ―
Não me sustentareis no combate
Por dominar, esquivar ou moldar
O meu Destino?

Poemas Inéditos, David Mignot

PRIMEIRO ACASO

O rapaz chegou perto da senhora que se encontrava na parada de ônibus e perguntou se ela sabia onde ficava a Rua Das Flores. A senhora, sorrindo, respondeu que não sabia, que não morava no local,  e nada sabia dali.

O rapaz meteu a mão no bolso e perguntou se ela confirmava se que não sabia onde estava. Ao que ela, sorrindo, respondeu qua não sabia, e estava preste a não saber mais quem era ela.

O rapaz tirou do bolso um revólver, e disse que era um assalto, e que naquele momento, naquela rua, ela era uma assaltada. Depois,saiu sorrindo, dizendo para ela nunca mais dizer para estranho que não sabia onde estava e quem era.

SEGUNDO ACASO

O rapaz parou um senhor na rua, e muito preocupado perguntou se aquele senhor poderia lhe ajudar. Ele precisava comprar um objeto muito importante para levar à sua mãe, o homem, que vendia o objeto, não tinha troco. O objeto custava 40 reais, ele tinha  50 reais, mas não tinha dez para dar de troco. E o pior era que o homem, como se achava muito justo, não queria ficar com o troco.

O senhor, meio confuso, perguntou como poderia ajudar o rapaz. O rapaz disse que se ele tivesse 40 reais, ele, daria seus 50 reais. O senhor ficou pensativo, depois meteu a mão no bolso direito e tirou 40 reais e entregou para o rapaz. O rapaz, sorrindo, saiu andando. O senhor, preocupado, perguntou pelos 50 reais, o rapaz puxou um revólver de dentro de sua cueca, apontou para o senhor, e foi andando dizendo que ele não se enganasse, pois dez reais não era nada, mas 40 reais, sim.

TERCEIRO ACASO

O rapaz na frente de uma escola particular parou uma estudante e perguntou se ela acreditava em amor à primeira vista. Ela sorriu maroto, e disse que sim. Acreditava em amor à primeira vista.

O rapaz, então, perguntou se ela já havia tido esse tipo de amor. Ela respondeu que sim. Então ele revelou que nunca tivera essa experiência, e gostaria de saber o que acontece com uma pessoa nesse momento do amor à primeira vista. A estudante, como sentindo uma névoa sobre si, disse que nesse momento a pessoa parece que vai desmair, a pessoa flutua, não sabe o que está acontecendo.

O rapaz tirou um revólver da cintura, apontou para a estudante, pegou a bolsa dela, e perguntou se o que ela estava sentindo naquele momento era como um amor à primeira vista. Beijou a estdudante e foi embora.

UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Fevereiro 26, 2010

Paris, 06 de julho de 1875

A Aurora, DAUBIGNY

A Aurora (Galo cantando, 1858) – Bibliotèque Nationale de France (Paris)

Continuação da descrição de Vincent a Théo sobre as gravuras que pendurou na parede do quarto alugado em Montmartre.

Charles-François Daubigny foi um pintor parisiense participante da Escola de Barbizon e bastante conhecido como um importante precurssor do Impressionismo. Ele nasceu em 15 de fevereiro de 1817 em uma família de pintores e aprendeu arte com seu pai Edmond François Daubigny e seu tio, o miniaturista Pierre Daubigny. Segundo o pintor, ele aprendeu a pintar e desenhar antes mesmo de saber ler.

Aos nove anos de idade sua mãe o mandou para um internato na região do Val d’Oise. Com quinze anos, Charles já trabalhava decorando relógios, caixas de joias e ventiladores para ajudar no orçamento familiar. Em 1834, ele começou a trabalhar no Louvre restaurando velhas pinturas e recebia 5 francos por obra, posteriormente, trabalhando no Castelo de Versailles. Em 1835, ele entrou no atelier de Pierr-Asthasie-Theodore-Sentiès, um pintor acadêmico. No ano seguinte, viajou por dois meses para a Itália. Durante os anos seguintes, Daubigny se dedicou em estudar e apresentar seus trabalhos no Prix de Rome, uma tradicional competição. Finalmente, em 1848, ele recebeu uma medalha de segunda classe, aumentando sua popularidade.

Inicialmente, Daubigny se dedicou ao estilo clássico, que foi modificado em 1843, quando começou a participar da Escola de Barbizon e trabalhar ao ar livre retratando a natureza. Em 1952, ele começou a trabalhar no barco Botin, que virou um estúdio flutuante, navegando ao longo do Siena e Oise. Durante esta experiência, o pintor conheceu a obra de Gustave Courbet.


Em 1866, Daubigny visitou a Inglaterra, retornando eventualmente por causa da Guerra Franco-Prussiana em 1870. Em Londres, ele conheceu Claude Monet, e juntos partiram para a Holanda. Em Auvers, ele conheceu Paul Cézanne e estes dois encontros foram importantes para o pré-impressionismo, já que estes dois jovens pintores (Cézanne e Monet) foram influenciados pela arte de Charles. Os melhores trabalhos de Daubigny retratam a natureza em seu constante movimento, e este naturalismo tem uma grande preocupação em analisar e retratar a luz natural através do uso da cor, técnica que foi usada daí em diante pelo impressionismo. Seus trabalhos foram de extrema importância para os impressionistas e pós-impressionistas como Van Gogh, por exemplo. O aprendizado da pintura foi passado para seu filho Karl.

Daubigny morreu no dia 19 de Fevereiro de 1878, em Auvers-sur-Oise.

________________________________________________________________________

Às sextas e terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor monoauricular Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui.

Receitas Caseiras: “A Verdadeira Paçoca”

Fevereiro 25, 2010

Quem envia a este bloguinho é a leitora esquiza Sandy em comentário lá na Paçoca de Amendoim do Norte que postamos aqui.

Ingredientes

250g de amendoim
5 colheros de sopa de açucar
1 pitada de sal
2 xícaras  de chá de farinha de rosca

Como fazer

1- Compre o amenoim cru. Torre o amendoim e depopis tire as cascas, colocando o amandoim na mão e esfregando.
2- coloque o amendoim no liquidificador e bate por 1 minuto.
3- Coloque o açúcar, uma pitada de sal e a farinha de rosca no liquidoficador junto do amendoim.
4- Bata no liquidificador por 5 minutos.

5- Depois despeje em uma tijela e deixe um minuto, você vai perceber que vai estar pronto quando a massa da paçoca ficar em alguns gomos, aí vai estar pronto.
6- Se você quiser, coloque em forminhas. Você pode colar em uma forma quandrada, apertar bem e depois cortar em quadrados.

Agora é só saborear a sua/nossa paçoca!!!

Phylum em camiseta encardida

Fevereiro 25, 2010

Jabuti 2005-AFIN®..

Sujo limpar

Fevereiro 25, 2010

Eu vivo na suja higiene
Adoro emporcalhar de perfume
Adoro emporcalhar em creme
Eu só me sujo pra limpar
E neste doce lambuzar
No meu corpo a lama é a pele
Envolvendo a sujeira de ter
Todas as máculas de uma vida suja
Cheia de amarras e correntes
Que me prendem e me tornam
Cada vez mais presa neste sujismundo

Cinesquizo: Cocalero

Fevereiro 24, 2010



A palavra cocalero se refere aos que plantam e cultivam a folha de coca. Esta folha é uma planta que tem cultivo milenar pelos povos andinos da América do Sul, assim como ocorre com outras plantas e leguminosas como o milho, mandioca, abacaxi, banana, capim santo, entre outras. Porém a partir desta folha alguns cientistas europeus desenvolveram a cocaína que passou a ser difundida como droga de abuso. Como droga de abuso é extremamente danosa a saúde e foi criado uma vasta movimentação comandada pela Colômbia e os Estados Unidos. O tráfico de droga só existe ,pois há um mercado que necessita lucrar com este determinado produto independente dos fins. Para a ONU qualquer forma de coca é prejudicial.


Porém a folha de coca é usada por milênios como elemento importante para os povos andinos em sua religiosidade e sua alimentação sendo inclusive a folha de coca considerada pela Universidade de Harvard como um dos mais ricos alimentos em vitaminas e proteínas. Ao contrário do que prega os países ricos que são grandes consumidores das drogas e lucram muito com este mercado, a folha de coca plantada na Bolívia não é para coca. Conforme foi amplamente discutido no ” O “barato ” que preocupa a  ONU que não dá barato” o vício criado pelo mercado e a moralização da folha de coca, faz com que associe a folha de coca com a cocaina. Porém uma coisa medicinal não deve ser confundida com algo voltado a um mercado vicioso.

Evo, o presidente cocalero em defesa dos indigenas


No ano de 2005 ocorreu a eleição para presidente da Bolívia. Nas eleições anteriores os vencedores sempre estavam ligado a política norte-americana de George Bush, como pode ser visto no documentário Crise é o nosso negócio, visando a erradicação da folha de coca (coca zero) e privatização em massa.Grande parte da população da Bolívia vive da produção da folha de coca, usando a mesma para alimento e medicamento e sofreram muito com as privatizações, principalmente com a de água (caso de Cochabamba que foi revertida por pressão popular-Vide The Corporation (baixar via torrent e legendas ou rapidshare). Na eleição de 2005, um dos candidatos era Evo Morales, um indígena da etnia aymará que havia sido líder sindical e cocalero (produtor da folha de coca) e que na eleição de 2002 havia sido o segundo colocado. Com uma produção política voltada à minoria indígena e aos pobres, Evo teve grande apoio popular. Nesta eleição Evo foi eleito o primeiro presidente indígena da Bolívia com uma maioria absoluta de 54% dos votos contra os 28% de Queiroga. Era a confirmação do que havia ocorrido no Brasil, Venezuela, Argentina, Equador, Paraguai e Chile: a vitória da esquerda e de governos voltados para as minorias pobres.


O documentário, além de mostrar a organização da campanha de Evo Morales e do partido MAS (Movimiento al Socialismo Boliviano) nas eleições presidenciais, faz um panorama da condição dos povos que habitam a Bolívia principalmente os indígenas. Neste documentário mostra a produção da folha de coca pelos chamados cocaleros cujo Evo foi dirigente, e o uso como alimento (considerada  por Harvard o mais completo e nutritivo alimento) e produção de medicamentos. Ainda há relatos de práticas que não condizem com a ideologia do partido, mas que provavelmente ocorrem devido as linhas duras presentes em certas pessoas. Um relato para uma América Latina, nesta Bolívia que segundo o linguista e analista político Noam Chomsky é uma dentre as cinco principais democracias do mundo, assim como o Brasil. Isto reflete nas políticas públicas voltado para os mais pobres e anteriormente excluídos aumentando a potência da vida para todos.

Baixe o documentário Cocalero via Torrent, Emule e a legenda em Português do Brasil

UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Fevereiro 23, 2010

Paris, 06 de julho de 1875

A Tarde, JULES DUPRÉ

A Tarde (Por-do-sol, 1847) – Bibliotèque Nationale de France (Paris)

Continuação da descrição de Vincent a Théo sobre as gravuras que pendurou na parede do quarto alugado em Montmartre.

Jules Dupré foi um outro membro importante da Escola de Barbizon. Nascido em Nantes no dia 5 de abril de 1811, Dupré é conhecido por sua vivacidade dramática.
Segundo relatos, o pai de Dupré, assim como o de Troyon, era um produtor e diretor de várias fábricas de porcelana, onde Dupré primeiro trabalhou pintando porcelana na fábrica chinesa de seu tio em Sèvres. Em 1829, Dupré foi para Paris, onde se desenvolveu como um artista através de sua amizade com Cabat. Ele também se reuniu com os artistas Decamps, Jeanron e Huet neste momento.

A primeira exibição do pintor foi no Salão de Paris em 1831, e três anos depois foi condecorado com a medalha de segunda classe. No mesmo ano viajou para a Inglaterra, onde teve contato com a genialidade de John Constable, apreendendo a expressar o movimento da natureza. No distrito de Southampton e Plymouth, com várias reservas naturais de água, um belo céu e solo, o pintor teve boa oportunidade de estudar o tempestuoso movimento das nuvens e da folhagens pelo vento. No seu regresso, ele viajou pelas províncias francesas, que foram uma grande inspiração para ele. Foi nessa época que Dupré se tornou uma figura-chave no grupo de Barbizon. Ele desenvolveu estreitas relações com outros pintores de Barbizon, e começou a promover as relações com os negociantes de arte independente. Quando Dupré mostrou sete pinturas no Salon de 1839, foi a sua última exposição até 1852 e um ponto de viragem na sua carreira. Isso ocorreu devido à insensibilidade do júri, e da falta de compreensão de muitos de seus colegas. Ele organizou, juntamente com Cabat, Huet, Isabey, Corot e Rousseau, uma petição para mudar o sistema de júri. Em 1848, ele recebeu a Legião de honra.

Auto-retrato, Jules Dupré

As cores de Dupré são sonoras e ressonantes. Os temas que ele apresenta mostram efeitos dramáticos com a luz do sol e céus e mares tempestuosos.

No fim de sua vida ele mudou um pouco seu estilo e ganhou reconhecimento por lidar muito bem com a harmonia das cores. Entre suas obras primas estão A Manhã e A Noite, hoje no museu do Louvre, além de uma de suas primeiras obras, Cruzando a ponte, que se encontra na Wallace Collection.

Dupré morreu na L’Isle-Adam, Val-d’Oise, em 6 de Outubro de 1889.

________________________________________________________________________

Às sextas e terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor monoauricular Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui.

Gatabolizar

Fevereiro 23, 2010

Chovia na hora que a menina
viu correndo sob a mesa
um gato persa brincalhão

que corria atrás do som

do vendedor de cascalho

que passava pela porta

como se fosse um turbilhão

TODOS OS CRIMES AO VERSO

Fevereiro 21, 2010

batedor de logopeia

velocidade olho-cinema oriental
com mãos de entortar deuses ao fogo
acariciar renda a ensopar-se
entrepernas à iminência
dentro de um ônibus
no meio da multidão
alegria dos dedos sujos de Giacometti
sacar a carteira
palavra e recheio

— momento exato —

sacola esfarrapada sobre a mesa
descartar líricas-pessoas
e distribuir líricos-objetos
desencontrados em palavras r-
achadas in-verter o capital
numa procriação
novamorosa
…………………………….Esquizo Poietai