Archive for the ‘Manaus’ Category

PROGRAMA “FALA, BURACO!” MOSTRA MANAUS A CAPITAL-BURACO

Julho 27, 2016

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Leia o diálogo entre o apresentador do programa virtual “Fala, Buraco!”, e um transeunte. Os dois ao analisarem os buracos que dominam Manaus durante décadas e que servem de cabos eleitorais para eleger candidatos, principalmente prefeitos, concluem que Manaus não é uma cidade, mas tão somente um buraco-orbital onde seus habitantes e visitantes acreditam que se movimentam e se relacionam na superfície e não suspeitam que se encontram na voracidade de sua profundidade buraco-negro.

HOMEM (Um homem se aproxima de outra que se encontra fotografando um buraco) – O senhor está fotografando esse buraco?

DSC01915DSC01919DSC01926DSC01935DSC01937DSC01938DSC01943HOMEM II – É. Eu fotografo buracos.

H – Mas para quê? Buraco é tão feio.

H II – Depende.

H – Não. Buraco é sempre feio.

H II – Nem todos têm essa opinião.

H – Não acredito que exista alguém que goste de buraco.

H II – Tem.

H – Quem?

H II – O prefeito. Se ele não gostasse de buraco ele não deixava a cidade cheia de buracos. Quando a gente gosta de uma coisa, a gente mantém. Não é.

H – É, mas buracos.

H II – Pois é, cada um com seus gostos, e gosto não se discute.

H – Então, o senhor fotografa buracos por que gosta?

H II – Não. Eu fotografo porque eu tenho um programa na internet em que os buracos são os principais personagens.

H – E qual é o nome do programa?

H II – Fala Buraco. No programa eu apresento as entrevistas que eu faço com os buracos onde eles contam suas vidas, quando apareceram, como estão se sentindo nessa prefeitura, quais seus planos para o futuro.

H – Então, o senhor tem muito material, porque Manaus é cheia de buracos.

H II – Na verdade, Manaus é um buraco só. Tem buraco da Zona Leste que se junta com buraco da Zona Norte. Tem buraco que nasceu na Zona Sul e se junta com buracos do Centro.

H – É verdade! Um amigo me contou que uma vez um cara muito lombrado, colega dele, caiu em um buraco na compensa. Quando acordo, tudo escuro, ele não onde se encontra. Olhou para sua direita e viu uma luzinha longe, e começo a andar na direção. Andou, andou, andou e quanto mais andava a luz ia aumentado. Aí, ele sentiu que pisava em uma s coisas duras, parecidas com pedaços de pau. Quando olhou bem, eram esqueletos de pessoas, correu e subiu em um buraco, que era uma sepultura. Sabe onde ele saiu? No cemitério dos índios na no fim da Nova Cidade.

H II – Semana passada ocorreu um caso parecido com este. No fim da tarde de um sábado, no Jorge Teixeira III, uma senhora cansada de tanto trabalhar, caiu em um buraco. Os moradores correram para acudi-la, mas não conseguiram: ela desapareceu. Chamaram o bombeiro, e o prefeito, para fazer onda, compareceu no local. Olhou o buraco e negou que a mulher tivesse desparecido no buraco porque o buraco tinha fundo. Uma mulher protestou afirmando que não tinha porque ninguém via. O prefeito contestou afirmando que estava vendo o fundo. Aí alguém disse se ele estava vendo o fundo que ele pulasse no buraco e tirasse a senhora. O prefeito deu uma de ‘migel’ e se mandou. Cinco horas depois a senhora apareceu no meio do palco do Teatro Amazonas onde estavam realizando uma festa às autoridades locais. Quando o diretor viu a mulher toda suja de barro, bosta e lama tentou tirá-la à força do palco. Ela se desviou e gritou que as autoridades deveriam era saber o que tinha embaixo daquele teatro. Milhares de corpos de índios e cabocos que foram mortos na construção daquela casa de vaidade da burguesia. Esse caso foi bem divulgado.

H – Saiu na TV Globo?

H II (Indignado) – Porra nenhuma! A Mulher não era globotária. Bem que a Globo tentou fazer uma matéria com ela, mas a equipe de jornalistas foi expulsa na porrada. A comunidade unida gritou palavras de ordem: Fora Globo golpista! O Povo não é bobo, abaixa a Rede Globo! A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura! Se a Globo acabar o Brasil vai melhorar! A Globo é corrupta, não tem nada de justa! Fora Globo e Leva Temer Contigo! A Globo é imoral, ataca Lula e Dilma em seu jornal! E na correria, o carro de reportagem ainda caiu no buraco.

H – Só estes dois casos mostram que os buracos formam uma família só.

H II – Exatamente. Todos os buracos são parentes. Essa relação de parentesco, e mais o gosto do prefeito, faz com eles se mantenham.

H – O senhor muitos buracos velhos, ou na sua maioria são novos?

H II – Tem muitos buracos novos nascidos nessa prefeitura, mas têm alguns velhíssimos, do tempo do vai pra porra. Mais velhos do que a mentira.

H – Cacete! Então é velho mesmo, porque a mentira nasceu antes de Adão e Eva. Mas como o senhor sabe que eles são tão velhos?

H II – É fácil entender, embora a população não perceba por ignorância e cumplicidade com os políticos.

H – Como assim?

H II – Os buracos são verdadeiros cabos eleitorais. Buraco elege prefeito e deselege. Por exemplo, só para ilustrar. Os últimos quatro prefeitos foram eleitos através dos buracos. As campanhas eleitorais deles tinham como objeto principal o combate aos buracos.  Todos eles afirmaram que iam acabar com os buracos.

H – E o povo acreditou na mentira.

DSC01945DSC01946DSC01947DSC01948DSC01950DSC01952DSC01956DSC01958H II – Pois é. O quarto prefeito passado jurou acabar com os buracos. Não acabou: aumentou mais. O terceiro prefeito aproveitou os buracos que o quarto tinha deixado e fez sua campanha prometendo acabar com os buracos. Também só aumentou. O segundo na mesma cadência. Só aumentou. E esse agora não deixou barato. Hoje, tem buraco dentro de buraco.

H – Meu Deus! É mesmo?

H II – É. Um dia desse eu fui entrevistar um buraco-abismo onde já havia caído uma família inteira, um ônibus, uma Kombi, uma moto e uma carroça.

H – Uma carroça?

H II – Sim. Com cavalo e tudo. Quando eu comecei a entrevista percebi que não era só o buraco-abismo que falava. Comecei a ouvir outras vozes-buracos. Olhei para todo lado para ver se os outros buracos em redor de mim estavam falando, mas nenhum deles falava. Me concentrei bem, e percebi que as vozes vinham do mesmo buraco-abismo. Era um monte de buraco falando, querendo falar sobre suas vidas e aparecer nas fotos.

H – Que coisa impressionante.

H II – Não é impressionante não, porque o povo não ver. Se o povo prestasse atenção aos buracos ele não votava em quem afirma que vai acabar com eles, porque é mentira.

H – Sem querer defender os prefeitos, que eu sei bem quem eles são, adoram fingir que falam a verdade, mas a chuva também é responsável pelos buracos.

H II – Na-na-ni-na-não! Durante todo ano Manaus é cheia de buraco. Com a mudança climática, tem chovido menos na cidade, e mesmos assim os buracos estão sempre na moda.

H – Bem, com toda essa sua afirmação sobre o predomínio dos buracos em Manaus, e sua capacidade de eleger prefeitos, não seria melhor que os buracos se candidatassem?

H II – É verdade. Mais tem um problema.

H – Qual é?

H II – Na verdade são dois. Se eles se candidatam prometendo acabar com os buracos, e eles são os buracos e são muito éticos, se eles acabarem com os buracos eles desaparecem, morrem e a cidade fica sem prefeito.

H – Essa é uma verdade. E o outro problema?

H II – O outro é muito preocupante. Como Manaus é um único buraco gigante formado por milhares de outros buracos, se eles acabarem com os buracos Manaus desparece. E aí, dança eu, dança tu, dança até a mãe do Jaú.

H – Cara, essa é uma cruel verdade! A que ponto chegamos! Estamos refém dos buracos! E alguns desses prefeitos ainda querem se candidatar.

H II – Mas tem uma saída para Manaus não acabar.

H – Qual?

H II – O prefeito de Manaus deve ser sabe quem?

H – Quem?

H II – O povo!

H – Mas você não disse que ele é ignorante não se compromete.

H II – Mas com uma boa orientação política sobre os direitos dos moradores da cidade, não há analfabeto político que não seja educado democraticamente e passe a ser senhor de seu próprio destino. O povo entendendo que ele criou a sociedade civil, o Estado, e as instituições não tem que lhe engane.

DSC01962DSC01964DSC01967DSC01967DSC01970DSC01965DSC01971DSC01961DSC01972H – É verdade. O povo entendendo que ele existe por si mesmo, que foi ele quem produziu seu ser-social, adeus candidatos exploradores.

HII – É a verdadeira democracia!

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PROJETO FÁBRICAS DE CULTURA ABRE CINCO ESTÚDIOS PARA INICIANTES E PROFISSIONAIS GRAVAREM GRATUITAMENTE

Fevereiro 20, 2015

6d4b2e53-5b49-4a9b-9be4-ce222c9382f8Capão Redondo, Jardim São Luís, na zona sul; Jaçanã, Brasilândia e Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte, são os pontos de cultura que foram agraciados com os estúdios criados pelo projeto Fábricas de Cultura. O objetivo da criação dos estúdios é permitir que tanto músicos profissionais, amadores e iniciantes possam materializar sua produção musical gravando seu CD gratuitamente.

Os chamados estúdios públicos estão aparelhados com equipamentos modernos, segundo seus responsáveis. Todos os equipamentos necessários para que as gravações sejam materializadas são supervisionados por dois técnicos de som. Os responsáveis pelos estúdios não interferem no gosto dos artistas. Por isso, todos os gêneros musicais podem ser gravados.

A programadora da Fábrica de Cultura do Capão Redondo, Bia Sindona, afirmou que que os estúdios chegam para estimular e apoiar os artistas, já que gravar em estúdio privado o peço sai muito caro. Na faixa de R$ 150 por hora. Por isso, qualquer pessoa pode se inscrever.

“Qualquer artista da comunidade, seja iniciante ou profissional, pode se inscrever na Fábrica, e aí os técnicos vão entrar em contato com ele para que possa vir agendar um horário de gravação” disse Bia, mas lembrando que se o artista quiser gravar outra faixa, vai ter que entrar novamente na fila de espera.

Para José Jorge Silva Filho, baixista, a criação do estúdio bem aparelhado é uma boa.

“A gente costuma ir a alguns estúdios de gravação profissional que, às vezes falta microfone, falta peça. Quando tem essa oportunidade, a galera abre o olho e fala ‘nossa que legal’”, disse o baixista José Jorge.

Você quer gravar sua bolachinha-prateada? Então, se dirija a uma das Fábricas de Cultura. Mas não se esqueça de levar o documento de identificação, uma foto e um comprovante de residência atual. Feito isso, é só correr para o abraço! 

NELSON NOEL, 13 VEZES NATAL REFRESCANDO COM PICOLÉS E SORVETES CRIANÇAS DOS BAIRROS DE MANAUS

Dezembro 25, 2014

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No início era Papai Noelson, mas o verbo se fez necessidade então, para se autentificar, se fez Nelson Noel. Na intensidade de Papai Noelson e, agora, Nelson Noel, se movimentam 13 anos junto com as crianças no Natal. É a festa refrescante com picolés e sorvetes distribuídos para as crianças no encantamento da alegria no calor de Manaus.altAlc6eCPcJYrkBGzWTvZ6tYUv5WDjR4MgOd-gd2ztezwJ

altAg1GXqZC1BeiJLckM-vsYwApmVmWiJypTN0VzsuVAtnQaltAg1PfmyARTpgp1z7tnoNjb7FDkCx5kU8L3-ZFcR4TrZYaltAg6ITwQdkG_Pu3uK_3YzE0n2BfBS7nDBF8Mp8arwg7ckaltAg6rzHfTZk7DvzH0laNYzthMdUfMsxB9wNVSlfOTK85naltAhXBMwd1sMfeiPAVRujkK7wWDZl9pODRS3FsEov2EVHualtAiYivLwsESLJsNBKLdrD7b7WlgkZhQ-hyqQzkw4FbFo-altAj9FgRzvXb6taEgc5rthOkfgMrAUuzMa42-KH9yE9AIyaltAk-AY9nCnofP6cUGq3SXVjRyaKnd6BIp9t1cslSopb3QA não-cidade de Manaus carrega um triste passado quando se trata de entretenimento público. Todos os prefeitos nada ofereceram de festividade pública para as crianças no Natal. E agora, o presente de Manaus, contínua triste nessa gestão pouco pública do prefeito Arthur Neto do PSDB, partido da burguesia-ignara. Daí a necessidade e a importância da atuação do Nelson Noel nesse período. Não é pela falta de administração pública, que as crianças dos bairros desassistidos de Manaus vão ficar sem uma alegria.

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altAoGoa_iedtoEGFIlfvcnMksmbPENuQ8X6ooG8Z9EWK_PaltAohBSi5ZMtkyRB8Ecig0heS_3IYaqRNElqx1GtOnYrFlaltAoOoDkZS7KgykB6JH_yV36sW_uQVDB_HUO7E7Qg9lPZ2altAp85IH32IQDIq-DjjjyETJWKLOvskK28KOBvpq4gupu2altApEJoX5GXWpJ7Wa-Rfm_IU5RNw6q69vkXhgnYTHvnKTLaltApFYU3EQ3khORVUOmKLSBFnoZ_qqxZy3NZetujkY4f91altApGlsIpC2JjIDRVltd-1hkWmPMYOgR-ipAhX9K1xmDGnaltAq0qOWygFVQ6y0y13tIkaKtgr2oZwm-YCOin4VxUq8ueEntão, chegou o Natal! E lá vai Nelson Noel com seus milhares de picolés e sorvetes para os bairros desassistidos pelo poder público. Nelson Noel acorda bem cedo e, junto com amigos colaboradores, inicia o ritual preparativo para a caminhada. Com sua barba branca de salão de beleza, visto ainda manter a barba preta e que deixou crescer durante todo o ano, se traveste de bom velhinho, como dizem alguns, e cai na estrada.

Ao contrário do alcunhado bom velhinho, que só se materializa nas famílias com dinheiro, Nelson Noel, democratiza o Natal com crianças de famílias desassistidas e só assistidas pelo Bolsa Família. Poderia até se afirmar que o Natal que Nelson Noel proporciona às crianças é o Bolsa Família picolé e sorvete do Natal. Bem que ele gostaria (gosta) que todo dia pudesse distribuir os refrescantes sabores nessa Manaus onde as crianças são cada vez mais empurradas para o isolamento. Mas, ele não é financeiramente um empresário com essas condições.

Não importa, ele vai à luta, como dizem os engajados socialmente que não se restringem a privacidade familiar que só persegue seu pirão primeiro. Então, nesse Natal, Nelson Noel, mandou ver. Quase 40 mil refrescantes distribuídos em vários bairros. Uma festa colorida de crianças e picolés e sorvetes. Crianças com panela, saco, copo, balde, bacia, entre outros objetos, para ganhar suas partes.

Vejam as fotos e confirmem a festividade. Vejam como se encadeou essa festa das crianças que quase sempre não têm dinheiro para comprar o mais simples picolé. Entretanto, essas crianças têm uma diferença abismal em relação às crianças cujos pais têm condições financeiras para comprar sorvete e picolé. Essas crianças saboreiam os refrescantes com os sentidos experimentadores. Saboreiam de forma inusitada, como se fosse pela primeira vez. Uma primeira vez que produz um afeto alegre inesquecível. E ainda mais porque é uma experiência coletiva. Uma experiência entre outras crianças, onde ninguém se encontra em uma posição superior à outra. São intensidades alegres.

altArKZgPEW-zvR3WHKm25e6F4gS5IVvmWfegrFjJgYPfYJaltArOlTInWjY02GwMuc4jZ46nN3BVii0PhJSO1m1ccxHOEaltAsd3p7z9PU1n42L7wRBfwjqomLr_MfRMNsRpi2LA_7pDaltAspFJyelmeh9xy6EV4CIbHQG_5kVFuMH7NQNtPGI3FgdaltAt5hW979_Eua4YrwlyIBvDcNk-y0uwna5bFoWzJozBFyaltAtKKSBQJAKPdbhxagtXDfPlzLvClpdxSHlT7hDi_Q03ealtAtLY8cdCmkx887BpxY9aiZtL-h6ohAkXeFCJSeOnm8BValtAtQOYiFfLKwrl_tArcaA5h5-RIKd4rtb8F32DzqoA5x_altAvEmeJdwEpbMZ-_f8t1Gt4ukJBs9VLMpHobJETEKZemraltAvgsAzwESLqRXinlUaaBRJt-NAsxlw1X_GQF45aa94rNÉ provável que seja essa a fundamentação da atuação política de Nelson Noel como pedagogia-social. Possibilitar a experiência coletiva das crianças. Um ato que elimina a desigualdade unindo as crianças no afetivo e biológico. 

Valeu, Nelson Noel! Valeu, vale e valerá como forma democrática de produzir afetos alegres como expressão de autoestima das crianças! 

CRIANÇAS AFINADAS MALHAM OS JUDAS

Abril 22, 2014

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Dois Judas, um referente ao Judas real e outro referente ao Judas imaginário. O primeiro é reflexo histórico constituído pelas experiências de mundo do próprio personagem que antes de ser incluído no discurso paulino bíblico, foi protagonista de suas ideias políticas e sociais. O segundo é reflexo da transfiguração do real em personagem mistificado pelo discurso paulino bíblico que fez uso da propaganda para transfigurá-lo em personagem traidor de Cristo, que o vendeu por 30 denários e o dedurou com beijo. O imaginário beijo de Judas.IMG_7842IMG_7843IMG_7844IMG_7849IMG_7850O segundo tem sua representação maior nos anseios de Paulo que precisava de alguém para justificar a permanência de Cristo crucificado que morreu para nos salvar, e aí, então, instituir a culpa, a dívida, o ressentimento, a má consciência que abolidas com o perdão. Um perdão que se conquista através do autoconhecimento como pecador. Nada do que Cristo pregou. Cristo só amou. Não um amor banal, individualista, de classe, de grupo, mas um amor coletivo que não funciona como compensação como pretendem os tiranos exploradores da fé verdadeiramente cristã.IMG_7860IMG_7861IMG_7862IMG_7863IMG_7866ENTÃO, AS CRIANÇAS FESTEJARAM Nesse ano houve na festa do Judas uma inovação. O testamento do colega Judas não foi escrito antecipadamente para ser lido no momento da festa. Dessa vez, as próprias crianças criaram, versejaram e rimaram as estrofes. Quer dizer: criaram as estrofes de forma coletiva. Exemplo: pergunta-se qual a criança que quer receber uma lembrança de Judas. Uma criança, em questão, Eduardo, que quer receber. Então, começa a estrofe: “Ao meu amigo Eduardo”. Pergunta-se ao Eduardo de que ele gosta, ele responde: “Gosto de feijão”. Aí, pergunta-se (alguém que coordena a construção da estrofe), às crianças: “O que Judas deixa como lembrança ao Eduardo que, no fim do verso, rima com feijão? Uma criança (responde de sua criação), responde (respondeu na festa): ”Arroz, farinha e macarrão”. E a estrofe lembrança de Judas fica:IMG_7867IMG_7868IMG_7871IMG_7872IMG_7873IMG_7874“Ao meu amigo Eduardo Que gosta de feijão Deixo como lembrança Arroz, farinha e macarrão”. E a festa continua rimada até enquanto crianças queiram ganhar lembranças de Judas. Nessa festa de Judas de 2014, foram realizadas outras brincadeiras com elementos teatrais todos referentes à Páscoa e Judas. Mas sempre ocorrem dois grandes momentos nessa festa: tirar foto abraçado com o bom Judas, e a hora da malhação. Antes era só malhar. Extravasar energias, e muitas vezes ressonâncias a-históricas: “O Judas é mal, traiu Jesus”! Agora, a malhação mudou: as crianças malham o Judas para encontrar presentes dentro deles, principalmente bombons..IMG_7880IMG_7883IMG_7884IMG_7890IMG_7902Como criança é devir humano que necessita de nutrientes para colocar sempre em práxis suas faculdades intelectiva, sensorial, imaginativa, memorial, biológica, tem sempre que haver o mata broca, além do tradicional ovo de Páscoa caseiro. Nada de ovo industrial. Cristo sempre se considerou um Homem-Natural. Carregava elementos da filosofia estoica e epicurista que cultivavam amorosamente a Natureza. Daí o nome da habitação do filósofo Epicuro ser chamada Jardim de Epicuro.IMG_7908IMG_7910IMG_7912IMG_7913IMG_7917IMG_7919IMG_7921IMG_7922IMG_7926IMG_7929IMG_7930No mais, é só bradar: Valeu, criançada! Valeu, Judas!

TÊNIA

Abril 5, 2014

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Marcos Ney*

Escreve com o cuspe!

A cabeça está entre os joelhos. Há sessenta anos se senta no ânus. No chão de espuma. Tão distribuindo chupetas para a multidão de provetas. O bebo, bebe, bebês de leite. De repente se explodem fogos nucleares. Uma banda do ouvido estoura. Pega a navalha. Corta a barriga. Tira de dentro da tripa, uma latinha de cerveja. Do lado de dentro do prédio está atrás das grades. Só com o movimento de um olhar exibe os olhos de sempre. Dono do território dentro da cabeça. As pernas são bandas de bundas levando o desbundado.

Na poça de saliva as cordas de tripas parecem solitárias. A tênia joga só. Teve que se dividir em quatro para jogar. A quantidade de tolice aumenta com a quantidade de tolos. Para cada atração uma rejeição. O micropolítico, esse micróbio tem risinhos em todas as partes da boca. Morde a língua. Berra pelos dos olhos. Toma um copo de leite para satisfazer a barriga.

Se abrirmos o estômago veremos fios, estiletes, arames e lixo. O frio está com frio. Hoje não ventou nem venta. A terra parrou de girara para cair de uma vez por todas. Os olhos de vidros estão todos quebrados. Os cacos estão quebrados por toda face. Uma tênia para cada barriga solitária. As nádegas batem palmas. Na dobra aparece outro corredor correndo.

A multidão de androides se manifesta no labirinto do intestino. O meio urbano é uma barriga solitária cheia de tênia. As pessoas passeiam com as vermes encolerizadas. Gente de colares. Tênia de coleira. As pessoas passeiam solitárias com suas tênias. A rua é festa de passos. O dedo sente prazer em tirar remela dos olhos. O nariz chega a ser obstruído pelo catarro.

Há quantos anos o ânus é atravessado pela merda? A boca saboreia vidas mortas que estão em pedaços. Hoje as almas dormem dentro da geladeira. O rosto que aparece na tevê é real.

O rosto dessa gente de carne é desacreditado. O mundo dos crentes está degenerado. Partidos degenerados. Políticos degenerados. Operário degenerados. Putas degeneradas. Computadores degenerados. Crianças degeneradas. Dados degenerados. Dedos degenerados. Bêbados degenerados.

Fragmentos fragmentados. Pedaços de corpos nos copos quebrados. Tênia passeia pelo intestino. Vermes saindo pelo buraco do destino. Dedos nos dados. Tênia eterna por todos os lados. Ruas. Fugas. Becos. Casas. Intestino. Pessoas dentro da barriga da cidade.

Escreve o nome com o cuspe!

Se senta na espuma. Estar junto de si no conjunto vazio. É querer ser preenchido pelo nada. Fragmentos fragmentados. Tudo em pedaços. Em cada parte, tudo. E cada pedaço um eu. Tênia é a multidão solitária.

A palavra libertária é a seguinte: pedaços de tudo unidos pela solidão de estarem juntos do diferente. O eu é a cópia de nós. Dizemos: a cabeça do dedo. A boca do estômago. O olho do ânus. A flor da pele. O coração do sistema. Uma parte da multidão é igual à outra parte.

Tênia solitária. Multidão só. A verme tem gosto de saliva.

*Marcos Ney é filósofo, escritor-esquizo e educador nas zonas ribeirinhas de Manaus.

“AMAZÔNIA EM CENA” OBRA DE SELDA VALE E EDINEY AZANCOTH SOBRE A HISTÓRIA DO TEATRO NO AMAZONAS SERÁ LANÇADA AMANHÃ

Março 26, 2014

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Amanhã, 27, Dia Internacional do Teatro, estará sendo lançada a obra “Amazônia em Cena” da socióloga e professora da Universidade do Amazonas (UFAM), Selda Vale e do filósofo-ator, Ediney Azancoth. A obra é o terceiro volume da História do Teatro no Amazonas e apresenta o movimento teatral da década de 70 até os dias atuais.

Como se trata do movimento teatral no Amazonas na década mais cruel da ditadura militar que foi instalada no Brasil entre os anos de 1964 e 1985, o livro em si é muito representativo. Nele é possível encontra material e entrevistas com os membros participantes do Grupo de Teatro Universitário do Amazonas (GRUTA) que foi uma das resistências durante o triste período que cercou as liberdades. O Gruta tinha como tema básico de suas encenações o método do Distanciamento do teatrólogo alemão Bertolt Brecht.

Os autores mostram algumas peças encenadas pelo Gruta, e alguns casos em que ele sofreu censura em seus trabalhos. Com exemplos cômicos quando da censura à obra O Novo Othelo de Joaquim Manuela de Macedo. Uma comédia com traços da comédia europeia. Nada de subversivo. Além de fatos relativos ao teatro, os autores também narram perseguições sofridas por alguns membros do grupo teatral que tinha a política como seu devir-dionisíaco-cênico.

Também são encontradas indicações sobre o Grupo de Teatro Chaminé dirigido pelo engajado e insigne jornalista-ator Mário Freire. Ele um diretor-ator com início de atuação em Goiânia. Os trabalhos do Grupo Chaminé também apresentaram comédias e trabalhos da poetisa Cecília Meireles e Chico Buarque.

Outro grupo que é apresentado pelos autores é a Companhia Vitória-Régia dirigida pelo talento artesão Nonato Tavares. A Companhia Vitória-Régia se dedicou mais aos temas de cunho regional. Nonato Tavares também é um dos iniciadores do movimento ecológico em Manaus.

Breve sinopse.
Fato: Lançamento da obra “Amazônia em Cena”.
Autores: Selda Vale e Ediney Azancoth.
Quando?: Dia 27/3/14.
Tempo: 19 horas.
Onde?: Livraria Valer.

 

Manaus tem oficina de grafite para iniciantes

Março 7, 2014

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Os muros da cidade de Manaus serão os primeiros alvos do Coletivo Miscelânea, com a oficina “Grafite para Iniciantes”, que promete dar um visual mega criativo às ruas do Centro. O projeto é realizado em parceria com o Ponto de Cultura Casa do Centro, da Companhia de Teatro Vitória Régia e o programa da Rádio Batukada, Banzeiro de Ideias.

Ministrada pelo artista e ilustrador Robson Silva, a oficina tem como objetivo desenvolver aulas práticas para alunos iniciantes. Não serão aceitos participantes com idade inferior a 17 anos. Os interessados deverão solicitar a ficha de inscrição por e-mail: coletivomiscelanea@gmail.com. O pagamento da taxa de inscrição (R$ 15) será realizado no momento de sua confirmação, que acontecerá meia hora antes do inicio das atividades. São apenas dez vagas. Então, não perca a oportunidade de conhecer o nosso trabalho!

As interações acontecerão na Casa do Centro, localizada na rua Frei José dos inocentes, nº 150 – Centro antigo.

Mutirão Hip-hop Rua produz encontro para criação de Manaus

Dezembro 17, 2013

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Manaus é uma não-cidade devido a forma em que os (des)governantes se apropriam do estado como extensão de suas famílias, que constantemente permanecem governando através do poder econômico.

Porém estes (des)governantes não possuem força nenhuma sobre a potência produtora do povo quando este decide se unir para se expressar e produzir formas de relações libertadoras.

Foi isto que aconteceu no último domingo na rua ao lado do Arar do Bairro do Mutirão (Zona Leste) quando diversos movimentos e expressões como produtores culturais, grafiteiros, DJs, MCs, B-boys e B-girls, skatistas e muita gente ativa se reuniu para engendrar um encontro da arte de rua e da cultura hip-hop.

IMG_5262Organizado pelas ativistas do MariaM – Movimento Ari-Poriá Ativistas de Manaus e pelo companheiro Maranhão, o evento contou com mais de 200 presentes, começando as 14 horas e indo até o fim da noite. Nosso bloguinho esteve presente conversando com as organizadoras e aproveitando para trocar uma ideia com a integrante do grupo, Rose:

“O Coletivo Marian foi criado em 2005 com a junção de doze garotas, onde cada uma representava os quatro elementos do hip-hop: tinha as grafiteiras, as DJs, no caso eram duas na época, as MCs e as B-girl. Com isto resolvemos montar este coletivo para tentar dar visibilidade às mulheres dentro da cultura hip-hop que na época era vista só por homens, a mulher não tinha espaço no hip-hop. Hoje em dia, com a volta do coletivo somos oito e não lutamos só pelo espaço da mulher, mas para levantar o hip-hop em si em Manaus. Por que quando fazia eventos era ou só grafite, ou só break, ou só MC e por isto estamos querendo voltar com eventos para levantar os quatro elementos: b-girls, grafite, MCs e DJs. E este evento hoje foi para mostra que em Manaus o rap é muito visado, ele é amplo e queremos unir os quatro elementos com força total. E buscamos que as pessoas vejam que no Amazonas e principalmente em Manaus, os grupos de rap são muito bons, assim como tem muito grafiteiro bom mesmo não tendo muito espaço para eles. A gente convidou 11 grafiteiros para pintar, mas só apareceram cinco, o resto foi o pessoal que veio com seu material na possibilidade de ter espaço pra eles pintarem e a arte deles é bonita. Grafite não é marginalização, é rua e queremos mostrar que na rua tem arte, que no rap tem poesia. Por isto não é só mostrar que o Marian tá voltando mas unir os quatro elementos. É a união pois somos uma família, e a rua junta a gente nesta família que a gente quer esclarecer” Rose do MariaM

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Desde cedo a moçada do grafite e do bomb colou junto aproveitando a tela cabulosa que o muro do Arar propicia e mandaram seus traços esquizos, mostrando que a arte de Rua tem valor.

A produção do grafite atravessou a noite e contou com artistas de rua de ótima qualidade que mostraram que Manaus produz arte no grafite que é tão boa como em outros cantos. Alguns grafiteiros da antiga estiveram presentes também para prestigiar e acompanhar a moçada que está chegando.

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Grafite do companheiro Mega já finalizado

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E como o movimento foi organizado para mostrar que o grafite feminino possui uma potência singular e tem um impacto muito mais transformador, houve a presença de diversas grafiteiras como Kisy, Ami, Anie, Rosa etc.

Conversamos com a grafiteira Ana Paula que aparece na foto acima junto a seu cachorrinho grafitado dedicado a seu filho Iago nos falou um pouco sobre a importância do evento e da união da moçada do hip-hop.

“O evento aqui do Mutirão está sendo um grande espaço como sempre. Todo evento aqui é uma grande porta aberta pra arte de rua, pro grafite, pro bomb, pro rap, DJ, mc, break. Espero que continue acontecendo mais eventos que possam abrir mais portas para gente poder demonstrar nosso trabalho, o que a gente é capaz. Falam que o grafite é uma arte vandal, é uma arte proibida, mas não, se a pessoa parar pra perceber os grandes pintores usavam as telas e a gente usa o muro pra expor nossos trabalhos. Continue, vandalismo, grafite e é nós.” Ana Paula

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E a festa foi rolando com a presença de diversos DJs Sanci, Carapanã, Bené que mandaram um som para a moçada que trazia toda a cultura de rua com o rap e similares. O som das quebradas foi juntando toda família que logo

E teve o som do rap de Angola, de Manaus, do Nordeste e de todo o Brasil que saia das caixas pelos dedos nas pickups e equipamentos dos DJs.

E no fim da tarde começaram a rolar as apresentações do rap manauara com a moçada da Renúncia Pessoal, Reação MC (foto Abaixo) e Conexão Zona Norte.

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Nosso bloguinho conversou com a moçada do Conexão Zona Norte, grupo formado por Bira M.C., Base M.C., Nego Rasta, Blaster e Dj Sanci. Eles mandaram um grande salve a toda moçada do hip-hop e rap de Manaus, contando sobre a sua história e sobre o evento.

“Há 4 anos, em 2008/2009 a gente entrou no rap para resgatar a cultura de rua e a gente acabou gostando. Quem começou a parada do Conexão foi o MC Bira e o Base. Estamos aqui pra mandar um salve para toda rapaziada, é o Conexão Zona Norte, Mutirão, Cidade Nova, Fronteira com a Zona Leste. É uma satisfação estar colando junto com vocês da Afin e fortalecendo a cultura hip-hop para que não perca a essência, por que a cultura hip-hop sempre está presente na periferia junto com todo mundo daqui: o tiozinho da padaria, o borracheiro e toda esta rapaziada, por que a cultura hip-hop veio da rua e sempre vai ser da rua. Por isto este evento mostra a união de toda rapaziada da rua. Salve! Nosso som é bem quebrada mesmo, é periferia, skate, bomb, grafite, adrenalina. Hoje vamos mandar som, rima de rua 100 porcento original, rima canibal aqui da capital, rap nacional direto de Manaus pra vocês. Pra terminar salve toda moçada do movimento hip-hop de Manaus e que esta mensagem chegue a outros estados e que aqui a cultura hip-hop ta muito forte, principalmente o rap que está fortalecendo e esperamos que pelo contato da rapaziada chegue até vocês.”Conexão Zona Norte

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Encontramos ainda o Mano Sinoé (a esquerda da foto) que participou de toda a construção do bairro do Mutirão e do movimento Hip-Hop no Mutirão e na Zona Leste. Ele contou uma parte desta história e sobre o Mutirão Hip-Hop Rua.

“Aqui no Mutirão não era asfaltado era só barro, a gente ia pegar ônibus no sexto batalhão.O Mutirão tem mais de 20 anos de história e cresci junto com os manos aqui que estão envolvido com o movimento Hip-Hop e seus elementos que começamos fazendo aqui no Mutirão. A gente não tinha espaço mas no Arar a Dona Anália e o Braguinha deu um grande apoio. Na época era o Mano Vagner, Cabeça, o Mano Cross, o Mano David, o Base, Igor Cabeça,  o Bruno, o Mano Rasta, Mano Azul, Mano Deri,  Mano Bira, Baron, o David Down, o Mano Bill, Mano Pulga, e muitos moleques daqui mesmo como Mococa, o Cabecinha, todos formamos uma família. Nós fizemos um projeto em 2001, entregamos pra Dona Anália , foi aprovado o projeto no planejamento do Arar e fizemos o primeiro Exporua dentro do Arar. Aí liberaram pra nós seis microsistens pra sortearmos, liberou tinta, jogo de cama, brinquedo, boneca pra criança. Foi um projeto de interação, mobilização e consciência através da arte, música e do esporte. A gente já teve professor de basquete de rua, a bike, skate, inline, hip-hop com os b-boys e fizemos o 1º Exporua. Até igrejas vieram apresentar teatro. Quem colou com nós e não podemos esquecer: Mano Fino que não cobrou nada e trouxe a aparelhagem, o Mano D12 que pediu pra divulgar seu trabalho e muitos outros. Este projeto continuou todos os dias pois tínhamos uma família, juntou muita gente para aula de rap com o Mano Cross e Mano Vagner, o pessoal da Igreja Católica com a Periferia Ativa, tinha aula de grafite, arte no pano, arte na cerâmica, atividade que existe até hoje na Igreja Católica Nossa Senhora da Conceição. Ai a moçada do rap começou a aparecer. O Reação MC e Conexão Zona Norte foram pra França, passaram em Roma.Hoje está tendo um evento inédito muito especial que ta reunindo gente que está na rua faz muitos anos e que tem que parabenizar pois muitos deles saíram do nada e deu a volta por cima” Mano Sinoé

E este encontro da família Hip-hop manauara varou a noite trazendo muita alegria e união a toda a arte de rua que se fortaleceu com mais uma produção.

No próximo fim de semana o Hip-Hop de Manaus continua com dois eventos: No sábado a moçada do Grafite vai estar reunida pelo Alvorada em um grande encontro e no domingo acontece a Batalha de Hip-hop [Break] da Juventude do MHM no Centro de convivência (ARAR) do Mutirão a partir do meio-dia.

No dia 29 de dezembro haverá ainda a 2a Edição da Batalha de Fim de ano que ocorrerá no CDC do Coroado 3 com entrada a 5 reais. No mesmo dia 29 haverá das 9 às 17 horas o 165 Graffiti Action no Muro do Residencial Cruzeiro do Sul, beirando a Av. Das Torres no bairro Águas Claras com presença de moçada de responsa como Audio, Broly, Blur, Godo, Izy, Lobão, Mafia, Paradise, Radar, Tina e muitos outros. Quiser uma tela esperta é só colar.

Festival de Hip-hop embala Manaus

Dezembro 14, 2013

O hip-hop, como produção libertadora dos jovens de todas quebradas de Manaus, coloca a não-cidade em movimento com a cultura de rua trazendo os quatro principais elementos do hip-hop: dj, mc, break, grafite.

O evento realizado pelo MariaM – Movimento Ari-Poriá Ativistas de Manaus traz uma moçada envolvid@/envolvente da cena manauara. O evento que ocorrerá neste domingo (15) na Rua 44, bairro Mutirão (ao lado do Arar) a partir das 14 horas será embalado com as rimas rasgadas dos rappers da Conexão Zona Norte, Reação Mc´s, Denny ViraLata,Tassia Nami, Jander Manauara,  e a animação dos Mcs: Bia Mc, Nativos Mc´s. E não poderia faltar a presença dos DJs Carapanã, Sanci e Bené.

Na dança de rua destaque para os crews Break Monster King, Kannybal´s Crew. A moçada do grafitti tem uma moçada muito talentosa como Dina, Clair, Isi, Flor, Kenya, Rel, Hipz, Mafia, Sonekz, Mega e quem mais colar por lá.

Quem quiser multiplicar as forças e produzir uma tarde afetiva nos hip e nos hops que farão rachaduras na estrutura estanque desta não-cidade, é só chegar que a parada é loca mas com respeito e produção coletiva.

MOSTRA DE CINEMA E DIREITOS HUMANOS COMEÇA EM MANAUS TRAZENDO O CINEMA PARA QUEM NÃO O TEM DIREITO

Novembro 30, 2013

IMG_5180A Mostra de Cinema e Direitos Humanos na América do Sul chega em sua 8a edição como referência no debate dos direitos humanos através das imagens em movimento. Neste ano com o projeto “Inventar com diferença” a mostra chega a 600 pontos fora das grandes capitais sendo exibida até o dia 20 de dezembro em cineclubes, associação comunitárias, pontos de culturas etc.

Desta forma a cada ano que passa a Mostra traz novas imagens humanitárias produzidas por realizadores engajados no fim da exploração e qualquer forma de dominação de seres humanos.

Neste ano a Mostra trouxe produções de diversos países sulamericanos além de uma mostra indígena e uma homenagem ao documentarista Vladimir Carvalho que tem produções ímpares como O país de São Saruê, Barra 68 ou Conterrâneos Velhos de Guerra.

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Em Manaus, onde tirando o kinemasófico afinado não existe uma programação cinematográfica que chegue aos bairros e as pessoas relegadas pelo governo, a Mostra de Cinema e Direitos Humanos é o único espaço institucional para brotar a inteligência. Tudo sem o falso glamour da projeção de filme e festiva de filmes para uma classe mediana ignara feitos em Manaus pelas secretarias.

Desta forma em Manaus sempre a programação programada nunca adentra os bairros, ficando segregada em grande maioria a parte central da cidade. Mesmo a Mostra ocorrendo no centro da cidade, há a possibilidade como falamos da sociedade civil ampliar esta limitação geopolítica imposta sempre pelos secretários e governantes.

IMG_5167Da mesma forma que ocorreu no ano passado, estudantes de uma escola na proximidades foram “liberados” para assistir a mostra. Embora a presença de todos seja muito importante, há de se convir que eles são utilizados pela secretaria como forma de mostrar que em Manaus “tem jovens interessados”.

Porém ao contrário de cidades como Belém, São Luiz, Aracaju, Cuiabá, Rio de Janeiro etc, não existe um interesse das secretarias de cultura/educação em que os estudantes possam ir ao menos uma vez por mês (sem nenhum custo) a qualquer atividade cultural.

Desta forma os jovens, crianças e adultos em Manaus são distanciados da arte, que grande parte das vezes não chega aos bairros. Bom seria que os jovens tivessem acesso constantemente a estas experiências.

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Nesta última quinta (28) a abertura do evento contou com a projeção do tocante curta “A onda traz, o vento leva” de Gabriel Mascaro e da animação “História de Amor e Fúria” de Luiz Bolognesi.

A organização da mostra deste ano ficou por conta da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH) e da Universidade Federal Fluminense (UFF). Esteve presente na ocasião a representante da SDH, Ana Lúcia que conversou com nosso bloguinho sobre esta nova edição da Mostra e a importância dos cinemas trazidos.

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Nesta 8a mostra como nas 7 anteriores, há uma compreensão holística dos Direitos humanos. Sabemos que sempre vai ter um pouco mais de uma temática direcionada em determinada mostra, como neste ano na mostra indígena, mas não há um direcionamento. Temos também bons produtos com todas temáticas, o que contribui com a seleção independente. A 8a Mostra estárá em 26 capitais, no Distrito Federal e em centenas de outros espaços fora dos grandes centros, podendo uma cidade estar com mais do que três lugares de exibição. Isto é uma construção que só é possível quando a gente percebe que o Brasil não é só das instituições governamentais, mas que a gente precisa buscar parceira com a sociedade organizada, com quem pensa a cultura e tem interesse em trabalhar o humano de forma de ampliar o conhecimento, de sinergia, de aumentar a capacidade de entender o outro humano.

Os cinemas da Mostra criam a possibilidade de propiciar outros debates como de inclusão, de integração, de valorização das pessoas, da ética, da diversidade, da compreensão, da tolerância. Levam a refletir de forma integrada em que some, que seja uma sinergia das mais diversas variantes que se tem da cultura e também por que o Brasil é esta diversidade. Não podemos permitir um Brasil raivoso, sectário, de discriminação, conservador. Até por que o Brasil é um pais para todos, onde as pessoas se respeitem, se amem sem ódio e é o que temos tentado construir.”

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Ana Lúcia ainda destacou a importância da mostra deste ano contar com um novo parceiro, a UFF, e da preocupação da secretaria e do governo federal com a educação como uma forma geral de ampliar o desenvolvimento social.

A mostra conta hoje como parceira a Universidade Federal Fluminense, que tem também um departamento de produção cultural inegável, mas continua havendo o apoio do Ministério da Cultura. Pelo que temos percebido esta nova parceria será exitosa.

A Secretaria de Direitos Humanos tem feito o exercício ou condução da política de direitos humanos pela ministra Maria do Rosário, que é professora, que foi sindicalista do sindicato dos Educadores do Rio Grande do Sul, vereadora, deputada estadual, deputada federal. A atuação dela foi sempre relacionada a educação e a gente sabe que não há outro caminho no Brasil que não seja o de incentivar de forma mais ampla a educação. Não é simplesmente dar instrução, mas a educação como sendo a base que pode de fato gerar diferença e confirmar a liderança do Brasil. Por isto o presidente Lula apostou em carreira da docência superior, concurso público, em ampliar as universidades,as escolas técnicas, profissionalizantes e expandir em toda territorialidade do Brasil.”

Em Manaus a Mostra continua hoje e na próxima semana de quinta à sábado no Teatro da Instalação no Centro da Cidade. No próximo ano esperamos auxiliar nesta ampliação humana e cultural que o Cinema e Direitos Humanos propicia a todos.