Archive for the ‘Teveleseira’ Category

Cordel da Regulamentação da Comunicação

Agosto 30, 2012

Para que a liberdade chega aos ditos meios de comunicação que com as atuais consessões. Por uma televisão e rádio mais educativa, que represente as varias vozes, sotaques, expressividades, vivências, festas, histórias de nosso povo.

Vídeo produzido pelo Centro de Cultura Luiz Freire (CCLF) para a Campanha Nacional Para Expressar a Liberdade (www.paraexpressaraliberdade.org.br). 

Ficha técnica:

Direção: Dea Ferraz;
Produção: Laura Lins;
Fotografia: Luiz Henrique;
Som: Rafa Travassos;
Realização: Centro de Cultura Luiz Freire;

Anúncios

Sorria meu bem… Você está sendo tape/ado

Janeiro 23, 2010

O Olho, de René Magritte

Os chamados realityes shows se proliferam tevês afora, mostrando uma rotina de um “espaço social”. Já é a milésima repetição dos “big brothers”, que sempre espreitam e tenta criar o hipercontrole. Os participantes vivem uma subjetividade restrita a “conhecer o outro” e viver aquele vazio. Para o telespectador tapeado só é mostrado a rotina de vida dos participantes. “A rotina embrutece o espírito”… Nesta Adam Smith estava preciso.

Pensemos um espaço de uma empresa. Lá um trabalhador doa seu tempo e parte de sua vida para produzir algo que não poderá usufruir financeiramente. Naquele espaço, a individualidade produtiva é coagida a desaparecer, dando lugar à produção de uma subjetividade do espaço de trabalho, uma zona sem gostos, ou emoções, uma zona morta. Uma zona instável, onde o lado mais fraco pode rachar. Isto contraria as ideias do pensador Pico della Mirandola: “Nosso trabalho no mundo é criar, e a maior criação é moldar a história de nossas próprias vidas”. Ao trabalhar em uma indústria percebe-se um dia que já se tem 50 anos e se descobre muito velho para a empresa, que o demite… E o tempo.

Na casa fechada do reality show, o sistema é um pouco diferente. Há uma exploração da imagem do participante até que esta fique tão saturada que não importe mais a ninguém. Esta imagem é manipulada de forma a ser adaptada ao tipo de subjetividade que o programa e a emissora possuem. Cria-se a ideia de que existe um mundo exterior fora daquela casa, o mundo onde estão a família, o emprego, etc. Porém, o espaço ocioso dentro da casa é um espaço duas vezes midiatizado: uma por ser exibido na televisão, e outra por carregar os signos desta televisão. Assim sendo os personagens desta trama ociosa na busca por uma recompensa são constantemente torturados por uma dureza global, expostos, gravados, tape/ados. É preciso ser pré-disposto a ser explorado para se candidatar na participação dos realityes, ter uma existência pontuada por um “querer se dar bem”, uma vidiotização. Porém, quando eles adentram aquele espaço estriado, não há criação nenhuma, não se produz nada de novo, e a Pico della Mirandola não é dado importância. O tempo não é tirado como no mundo do trabalho, embora ele também seja improdutivo, na televisão o tempo é vendido para ser reproduzido enquanto for conveniente, e aquelas pessoas se tornarem um personagem para ser mostrado na tela.

Falso Espelho, de Magritte

Outros roubos

Embora a televisão se aproprie das imagens daqueles seres e as use à sua vontade, criando uma ilusão do tipo “controle a vida daquelas pessoas 24 horas”, “vejam, vejam as aberrações do circo”, vendendo um serviço capitalizante pay per view (pague para ver) onde, além de criar uma ideia judicativa de espaço de controle, está vendendo o tempo dado daqueles participantes que buscam uma ilusão da grana, status, glamour, fotos nuas e namoros inconstantes.

Porém as notícias mostram que sites na internet estão reproduzindo gratuitamente “tudo” o que acontece na casa na internet. Mas isto não deveria ser pago? A rede Globo explora a imagem daquelas pessoas e cria um espaço tedioso e vazio de novas imagens, exibindo para ganhar a sua usura televisiva. Quem são os torturadores? Os que exibem o programa, o que retransmitem pela internet expondo o superexposto, os que assistem ou, letra E, todas as alternativas? A retransmissão neste caso pela internet pode ser considerada judicialmente um crime, já que os direitos sobre a existência temporal e subjetiva é da Globo? Segundo a CGCom, essa transmissão “configura uma infração de direito autoral, estando sujeita às penas da lei”. Quem vai ficar vigiando o que já está exposto e todos já percebem ser a mesma coisa desde a primeira edição…? Segundo a direção do programa”, estão fazendo um monitoramento constante e tem notificado os sites e determinando a retirada de qualquer conteúdo indevidamente publicado na internet”.

Pobre Globo, sempre monitorando e nunca criando. E nem sabe que o único olho que vê é o espaço por completo, é o olho criativo da nebulosa de Hélix.

A Nebulosa de Hélix