Archive for Agosto, 2019

DA MÚSICA AO TEATRO E A DANÇA, PEDRO SÁ MORAES MOSTRA EFERVESCÊNCIA DE SUA ARTE

Agosto 31, 2019
INQUIETUDE

Criado no samba e estudioso da literatura, Sá Moreira conta sua trajetória na Rádio Brasil Atual

   
TOMAS RANGEL/DIVULGAÇÃO

Com três álbuns lançados, peças de teatro e muitas curadorias artísticas, Pedro Sá Moreira se firma como um dos nomes da cultura brasileira

 

São Paulo — O cantor, compositor e violonista Pedro Sá Moraes é o convidado desta sexta-feria (30) do programa Hora do Rango, a partir do meio-dia, na Rádio Brasil Atual. Formado em psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC) e mestre em Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), começou sua carreira musical como intérprete de samba e lançou seu primeiro álbum, Claroescuro, em 2010. O disco foi considerado um dos dez melhores de World Music pelo jornal americano Boston Globe.

Com turnês pela Europa, América Latina, Ásia e América do Norte, foi escolhido pela rede nacional de rádios públicas (NPR) dos Estados Unidos como “um dos dez artistas que você deveria ter conhecido em 2012”. Violonista e também ator, Sá Moraes lançou, em 2013, seu segundo álbum, Além do Princípio do Prazer, se consolidando então como um dos expoentes da nova geração da música brasileira.

Membro fundador do Coletivo Chama, Sá Moraes é um dos âncoras do programa Rádio Chama, na rádio Roquette Pinto. A atuação no Coletivo Chama o levou a ser curador de vários projetos, como a mostra anual de música brasileira inovadora em Nova York, o Brazilian Explorative Music; a mostra de música e poesia Nascente e Foz, com participação de Paulo Betti e Júlia Lemmerz; a série de shows e debates Transversais do Tempo, entre outros.

Pelo coletivo, lançou em 2016 o álbum Todo Mundo é Bom, produzido e arranjado por Ivo Senra e Thiago Amud, com músicas de todos os membros do grupo, que inclui artistas como Fernando Vilela, Cezar Altai, Sergio Krakowski, Renato Frazão e Thiago Thiago de Melo. O Coletivo Chama é, ao mesmo tempo, uma reunião de músicos, um núcleo de produção cultural e um grupo de reflexão e pesquisa sobre os caminhos da arte e da cultura no Brasil.

No programa, Pedro Sá Moraes fala sobre a sua trajetória nas artes, que além da música inclui a dança e o teatro, seus projetos futuros e os rumos da cultura no Brasil.

O programa

Hora do Rango, apresentado por Colibri Vitta e premiado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), recebe ao vivo, de segunda a sexta-feira, ao meio-dia, sempre um convidado diferente com algo de novo, inusitado ou histórico para dizer e cantar. Os melhores momentos da semana são compilados e reapresentados aos sábados e domingos, no mesmo horário.

ARTISTAS PARAIBANOS DO FILME “BACURAU” CONVERSAM COM O JORNAL BDF

Agosto 30, 2019

CELEIRO ARTÍSTICO

Suzy Lopes, Thardelly Lima e Buda Lira são três dos seis atores e atrizes que estiveram em Cannes representando o Brasil

Redação BdF

Brasil de Fato | João Pessoa – PB

30 de Agosto de 2019.

Seis atrizes e atores paraibanos no elenco de Bacurau: Buda Lira, Dani Barbosa, Ingrid Trigueiro, Jamila Facury, Suzy Lopes e Thardely Lima  - Créditos: Divulgação
Seis atrizes e atores paraibanos no elenco de Bacurau: Buda Lira, Dani Barbosa, Ingrid Trigueiro, Jamila Facury, Suzy Lopes e Thardely Lima / Divulgação

Bacurau chega aos cinemas nacionais envolto em reações diversas. O encontro de gêneros: horror, faroeste, ação, ficção científica e fantasia também mostra uma mistura de brasis. O link para a realidade brasileira atual é marcante e, ao mesmo tempo, sutil, com bastante simbologia, mas também explícito: na história, os inimigos do povoado são invasores estrangeiros, espelhando a história brasileira de cultivo às armas. No elenco, estrelas como Sonia Braga, Udo Kier, Karine Teles e Bárbara Colen. Kleber Mendonça, que já recebeu vários prêmios por Aquárius, comenta: “É um filme brasileiro do tipo que não existem outros muito parecidos, com ação e efeitos especiais que eu gostaria de ver no nosso cinema. Ao mesmo tempo, é sobre história, educação e sobre pessoas que exigem respeito. No momento em que elas são desrespeitadas e julgadas como simples e dispensáveis, elas mostram que não são”, contou ele na estréia no Rio de Janeiro. 

O filme Bacurau se passa em um futuro próximo, e gira em torno de um povoado que se vê assombrado por estranhos fenômenos. Literalmente apagada do mapa, a comunidade isolada, que vive utópica convivência entre as diferenças, se vê ameaçada por violentos invasores estrangeiros.

Bacurau ganhou um dos mais importantes prêmios do Festival de Cannes 2019, o Prêmio do Júri. Essa é a primeira vez que o Brasil ganha na categoria, considerada a terceira mais importante da competição oficial do evento. O longa já foi convidado para mais de 100 festivais e mostras ao redor do mundo. Também foi premiado como melhor filme na principal mostra do Festival de Cinema de Munique. 

Bacurau está no mesmo guarda-chuva de outras produções com atrizes(es) paraibanas(os) premiadas neste novo ciclo. Há uma semana (24), o filme Pacarrete recebeu os prêmios de melhor atriz para Marcélia Cartaxo e o de melhor atriz coadjuvante para Soia Lira, além da presença poderosa da atriz Zezita Mattos, todas elas, atrizes paraibanas. 

Elenco de Bacurau conversa com BdF

No elenco do filme estão seis atores e atrizes: Buda Lira, Dani Barbosa, Ingrid Trigueiro, Jamila Facury, Suzy Lopes e Thardely Lima. Conversamos com três deles: Buda Lira, Suzy Lopes e Thardelly Lima, para captar suas impressões sobre a repercussão de Bacurau no Brasil e na Paraíba. 

O ator Thardelly Lima interpreta o prefeito de Bacurau (Tony Jr) um típico político do interior, um sucessor que “herda” o cargo do pai, que já foi do avô…e ainda tentando a reeleição, aparecendo claro, próximo das eleições! Indagado sobre o que é Bacurau, Thardelly descreve: “Além de ser um pássaro noturno e “brabo”, Bacurau representa a resistência do povo nordestino! O filme é uma miscelânea de gêneros, uma grande aventura, uma fantasia fantástica que reproduz muito bem nossa realidade, principalmente nessa atualidade tenebrosa”, comenta ele. Sobre representar o Brasil em Cannes: “Foi uma das sensações mais maravilhosas da minha vida! Eu que venho de Cajazeiras, sertão da Paraíba, estar naquele festival em volta de tantos artistas que admiro, e estar competindo com eles de igual para igual, com um elenco tão diversificado e potente! Foi uma experiência incrível e uma carimbada da força do cinema nacional. Estamos vivos!”, disse ele. Sobre a Paraíba estar bem no cinema nacional, exportando atrizes/atores exponencialmente a cada ano, o ator atribue à safra enorme de artistas de todo o estado: “Estes artistas são pessoas que vêm de diversas cidades. Estamos produzindo muito, temos muitos festivais independentes, de guerrilha. Como o cine grande, festival de Nazarezinho, Coremas, onde podemos assistir filmes rodados aqui e de todas as regiões do país. A Paraíba tem um histórico de grandes grupos de teatro e espetáculos que entraram para história do teatro nacional. Tudo isso move inspirações. Recentemente em Gramado, Marcélia Cartaxo e Soia Lira (cajazeirenses) ganharam melhor atriz e atriz coadjuvante no mesmo filme – (o filme Pacarrete) Isso só reforça a nossa “escola” de representação. O sertanejo é antes de tudo, um forte – Euclides da Cunha”, explicou Thardelly.

Para Suzy Lopes, Bacurau tem uma forte camada política: “É um western brasileiro, nordestino. Ele é político, ele é entretenimento também, porque a arte, quando é reflexiva, quando ela é de gênero, ela também é um entretenimento. E eu acho que o entretenimento pode estar ligado às questões que estão acontecendo. E Bacurau é exatamente isso, é um entretenimento que vai te fazer refletir e te fazer pensar sobre tudo que está acontecendo no Brasil hoje. E é uma miscelânea de muito cineastas, de muitos estilos de filmes, tem muita influência tanto musical quanto cinematográfica no filme. E ir pra Cannes é representar o Brasil, porque na verdade, um filme quando chega num festival como esse nao é so a equipe daquele filme que está no festival: é o país. Então, naquele tapete vermelho era a produção Bacurau sim que tava passando. Mas essa produção carregava a indústria do audiovisual brasileira que precisa ser respeitada, que tem sido terrivelmente atacada e perseguida por esse desgoverno que não entende o que é cultura porque, na verdade, ele entende que a cultura pode fazer o povo pensar, e isso é exatamente o contrário do que eles querem. Suzy comemora a da exuberância da Paraíba no cinema: “a Paraíba sempre foi um celeiro de grandes atores. Todas as vezes que estive conversando com todos os diretores com quem já trabalhei, Kleber Mendonça Filho, Juliano Dornelas, Marcelo Gomes, Gabriel Mascaro e o Hilton Lacerda, todos esses diretores falam da Paraíba e sempre elogiam os atores e atrizes paraibanas. A Paraíba realmente é um grande celeiro de grandes atores e atrizes. A gente bota para lascar”, comenta Suzy Lopes.

Buda Lira considera o filme fundamental para o momento atual e para a Paraíba: O cinema tem esse componente do entretenimento, que é necessário, importante, fundamental. E o Bacurau se apresenta como uma mistura de gêneros, aí você fala no faroeste, ficção, suspense,esse conjunto de elementos”, ele aproveita para comentar sobre o festival de Cannes: “Evidente que é de suma importância considerando que o festival de Cannes, é um dos maiores – se não, o maior – mais conceituado, que tem um critério muito rigoroso na seleção dos filmes. Então Bacurau se fazer presente com Kleber Mendonça e Juliano Dornelles, e Kleber pela segunda vez em Cannes, primeiro com Aquários, e agora com Bacurau, representa um grande prestígio para o cinema nacional e acabou repercutindo na Paraíba que está bem representado com seis atores e um técnico”. Sobre a Paraíba: “É claro que a resposta positiva, temos uma história de realização muito forte, em documentários e também na ficção,  principalmente nos últimos tempos que toda uma série de fatores contribuíram para que nossos criadores, artistas, diretores e os atores, pudessem expressar com todas as forças a sua capacidade criativa e inventiva. E o desdobramento disso é a repercussão que tem tido, a produção em festivais importantes. Sejam os filmes indo para festivais importantes, sendo também premiados, e quando não, com produção da Paraíba, ou então com atores e atrizes em filmes da região Nordeste, no cinema nacional. Isso nos dá uma força muito grande para continuar, para lutar, principalmente agora. Então eu acho que é uma tradição que se renova de de tempos em tempos”, declarou Buda Lira.

Edição: Cida Alves

RETRATOS DO BRASIL ATUAL, FILMA “BACURAU” CHEGA AOS CINEMAS NACIONAIS

Agosto 30, 2019

Durante a pré-estreia no Rio, diretores defenderam cultura e explicaram que ela gera milhões de empregos no país

Jaqueline Deister

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

Agosto de 2019.

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Filme de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles mostra reação de povoado do Nordeste à opressão - Créditos: Victor Jucá/Divulgação
Filme de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles mostra reação de povoado do Nordeste à opressão / Victor Jucá/Divulgação

Um filme catártico. Este tem sido o adjetivo usado por muitos espectadores após assistirem a “Bacurau”. O Brasil de Fato esteve na pré-estreia do filme no Rio de Janeiro, na última segunda-feira (26), e conversou com os diretores Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles sobre o longa-metragem, que mistura os elementos históricos da cultura brasileira, como o cangaço, a capoeira e o repente num faroeste autêntico e nordestino. 

Os “brasis” que compõem “Bacurau” extrapolaram a fronteira das telas. Em uma conjuntura conturbada de país, os diretores falaram sobre política, indústria cinematográfica, censura e esperança. Para Kleber, o sucesso da ficção, que estreia em circuito nesta quinta-feira (29), se dá em razão da linguagem do gênero “western” (faroeste), mas também pela urgência do tema. 

“É um filme brasileiro do tipo que não existem outros muito parecidos, com ação e efeitos especiais que eu gostaria de ver no nosso cinema. Ao mesmo tempo, é sobre história, educação e sobre pessoas que exigem respeito. No momento em que elas são desrespeitadas e julgadas como simples e dispensáveis, elas mostram que não são”, contou Kleber, diretor também premiado por filmes como “O som ao redor” e “Aquarius”.

A reação do povoado é, inclusive, um dos pontos altos da ficção que Kleber Mendonça classifica como “um retrato artístico de um estado de espírito do Brasil atual”. Para Juliano Dornelles, a resposta dos habitantes de “Bacurau” é o que vem provocando identificação do espectador com esses personagens. 

“’Bacurau’ carrega uma ideia política forte de resistência. As reações do público vão nessa direção, pela satisfação de ver uma comunidade oprimida respondendo e se defendendo. É um filme com uma energia crua de uma Brasil real, com uma visão honesta sobre o nosso país. E é popular por conta de uma linguagem de cinema de gênero, sem medo de lidar com a catarse do público pela forma como Bacurau reage às ameaças”, afirma Juliano, acrescentando que a ficção ganhou um peso maior diante do Brasil atual.

Censura

Apesar de deixar claro que “Bacurau” vinha sendo produzido há alguns anos, Kleber Mendonça reconhece o diálogo na recepção do filme com a perseguição, as censuras e as tentativas de desmonte que a cultura brasileira vem sofrendo pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL).

“Fico pasmo e não entendo por que motivo estamos voltando a falar em censura, nossa Constituição garante que ela não possa existir. ‘Bacurau’ foi desenvolvido por muitos anos sem nenhum tipo de censura, nenhuma interferência. E o cinema brasileiro é uma parte da indústria que faz o Brasil existir, ele é parte da identidade cultural que faz desse país algo tão grande e importante”, disse Kleber.

Ainda segundo o cineasta, “falta uma assessoria dos que estão nesse governo para entender que eles mesmos estão querendo promover desemprego”, já que a produção de um filme gera centenas de empregos diretos. “Como artista, eu também seria contra algum governo que quisesse desmontar, por exemplo, a indústria naval ou a farmacêutica do país”.

Protagonista de “Bacurau”, a atriz Sonia Braga também conversou com o Brasil de Fato. Ela também reforçou o cinema como parte de uma cultura que gera milhões de empregos no país. A atriz, que também está em “Aquarius”, filme exibido com protestos em Cannes na época do golpe parlamentar que resultou no impeachment da presidenta Dilma Rousseff, disse que a população tem muitas necessidades.

“Eu sou uma trabalhadora de um setor que gera muito trabalho, muitos empregos. É importante defender a arte na vida do ser humano, a educação e muitas outras coisas. A gente quer arte, cultura, mas a gente quer também três refeições por dia, um teto para as pessoas, a terra para as pessoas plantarem, agricultura e bem-estar para o povo brasileiro”, reivindicou a atriz.

Edição: Mariana Pitasse | Redação: Eduardo Miranda | Reportagem: Jaqueline Deister

DEBATE SOBRE AUDIOVISUAL POTIGUAR E FEIRA DO MST ANIMAM FIM DE SEMANA EM NATAL (RN)

Agosto 30, 2019

AGENDA CULTURAL

Programação conta com 2º Fórum do Audiovisual Potiguar e 2° Feira Cultural da Reforma Agrária Popular do RN

Da Redação

Brasil de Fato | Natal (RN)

30 de Agosto de 2019.

Além dos debates no Fórum Audiovisual, também será feita a Mostra de Filmes Potiguares Jussara Queiroz - Créditos: Henrique José
Além dos debates no Fórum Audiovisual, também será feita a Mostra de Filmes Potiguares Jussara Queiroz / Henrique José

Cinema potiguar

Como parte da programação do Encontro do Audiovisual Potiguar, que ocorre desde o dia 26 de agosto, o evento traz a realização do 2º Fórum do Audiovisual Potiguar e Mostra de Filmes Potiguares Jussara Queiroz, nos dias 31 de agosto e 1 de setembro. Os debates do Fórum propõem discutir sobre as políticas públicas específicas para o setor no estado e nos municípios. A entrada é gratuita no IFRN Cidade Alta.

Feira agroecológica

No próximo dia 31 de agosto o MST/RN realizará a 2° Feira Cultural da Reforma Agrária Popular do Rio Grande do Norte. O evento reúne apresentações com poesias, músicas, teatro, danças, além da venda de produtos agroecológicos oriundos de assentamentos e acampamentos de todo estado. A feira ocorre no Museu Café Filho, localizado no bairro de Cidade Alta (Zona Leste de Natal), a partir das 7h da manhã.

 

Edição: Marcos Barbosa

LIVRO RESGATA HISTÓRIAS DE PRESOS E DESAPARECIDOS PELA DITADURA CONTADAS PELO TEATRO

Agosto 29, 2019

LITERATURA

Obra é fruto de diários, fotos e minibiografias feitas pela performance “Procura-se um corpo: Ação nº 3”

Vanessa Gonzaga

Brasil de Fato | Recife (PE)

Agosto de 2019.

O espetáculo tem uma performance que simboliza a dor da perda e do desaparecimento misturada a relatos de militantes contra a ditadura - Créditos: Rubens Henrique
O espetáculo tem uma performance que simboliza a dor da perda e do desaparecimento misturada a relatos de militantes contra a ditadura / Rubens Henrique

Há quatro anos, o Núcleo de Teatro do SESC, em Petrolina, no Vale do São Francisco, iniciou a construção de uma apresentação para levar gratuitamente às ruas, praças, escolas e espaços culturais a reflexão sobre as implicações e consequências da ditadura militar brasileira. É a partir dessa iniciativa que surge a peça “Procura-se um corpo: Ação nº 3”.

O espetáculo tem uma performance que simboliza a dor da perda e do desaparecimento misturada a relatos de militantes políticos vítimas da ditadura militar. “O livro nasceu da necessidade de comunicação com Tânia Farias, da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, de Porto Alegre, que foi uma das criadoras da peça. Ela veio fazer uma residência, que é um processo de imersão por uma semana, para criar algo, que resultou nesse trabalho. Como ela não pode estar aqui em todas as exibições, surgiu a ideia de escrever os diários de cada apresentação, que muda sempre de acordo com o local e o público” explica Thom Galiano, coordenador e professor do Núcleo de Teatro do SESC Petrolina. 

Misturando relatos do diário, o próprio roteiro da peça, fotografias das dezenas de apresentações e mini-biografias dos militantes que são retratados, o livro, que leva o mesmo nome do espetáculo, trabalha também aspectos da luta pelo direito à memória, verdade e justiça. Inicialmente, 12 pessoas tinham suas histórias contadas, onde cada um contava uma. Com a ampliação do grupo, mais histórias foram incluídas, chegando a 28 mini-biografias de pessoas como Helenira Rezende, ex-vice-presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE) e morta na Guerrilha do Araguaia até Ruy Frazão, militante que foi preso pela repressão em Petrolina. 

Thom ressalta a importância não apenas de preservar a memória dessas pessoas e das atrocidades cometidas durante a ditadura militar, mas a necessidade de fazer uma relação disso com o atual cenário político brasileiro “Acredito que a gente vive hoje uma guerra, inclusive em relação à narrativa. Quando se toca no nome do Ustra ou qualquer outro torturador, você acaba puxando esse assunto. Talvez nunca tenhamos falando tanto sobre a ditadura, nem quando saiu o relatório da Comissão da Verdade se falou tanto sobre esse tema”, ressalta. 

O livro “Procura-se um corpo: Ação nº 3” será lançado no dia 30 de agosto, na programação que faz parte do evento Aldeia do Velho Chico, o Tecendo Ideias, que é uma roda de conversa sobre a importância da memória nas artes cênicas, onde também será lançado o livro “Dionísio pelos trilhos do trem: circo e teatro no sertão do Brasil”, de Reginaldo Carvalho da Silva. O lançamento é gratuito e acontece a partir das 19h no SESC, que fica na R. Pacífico da Luz, nº 618, Centro, Petrolina.

Edição: Monyse Ravenna

NO RIO, PEÇA “ENCRUZILHADA FEMININA” EXPÕE RACISMO E MACHISMO DA SOCIEDADE

Agosto 29, 2019

TEATRO POLÍTICO

Espetáculo aborda questões como religião, entrada na universidade, mercado de trabalho, política e sexualidade

Redação

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

Agosto de 2019.

Espetáculo está em cartaz na Casa das Pretas - Créditos: Divulgação/Valmyr Ferreira
Espetáculo está em cartaz na Casa das Pretas / Divulgação/Valmyr Ferreira

As diversas histórias, superações e preconceitos que são atravessadas pelas mulheres negras na sociedade ao longo da vida. O espetáculo Encruzilhada Feminina é um projeto político de arte cênica que busca, a partir de inquietações, evidenciar o que as mulheres negras, em muitas esferas sociais têm sofrido com o racismo “explícito e implícito” na sociedade brasileira.

O espetáculo aborda questões como intolerância religiosa, entrada na universidade, mercado de trabalho, política e sexualidade. Confira entrevista com a diretora do espetáculo, Cynthia Rachel Esperança, concedida ao Programa Brasil de Fato.

Brasil de Fato: O que te inspirou na produção do espetáculo?

Cynthia Rachel Esperança: Nasceu de uma inquietação de querer falar da condição das mulheres negras na sociedade. É muito difícil ainda, parece que é uma lamúria, mas não é. Elas estão em situações precarizadas o tempo inteiro, na universidade, no espaço de trabalho, no translado que os nossos corpos fazem pela cidade. A partir dessa visão dos corpos negros que se movimentam na sociedade que nasceu essa “Encruzilhada feminina”.

Como o racismo e o machismo entram em cena?

É uma atriz em cena, são sete atos, com sete temas diferentes, que contam um pouquinho da trajetória das mulheres negras nessa sociedade racista, patriarcal e desigual. O racismo está o tempo inteiro em cena. E o machismo vem na sutileza: nas palavras, numa situação que a mulher enfrenta no ônibus ou na universidade. O machismo e o racismo estão não só na truculência, mas nas sutilezas.

Quais desafios enfrentados para colocar em cartaz essa peça?

Nós somos um coletivo de mulheres negras, a gente não tem financiamento, patrocínio, apoio de nada. É muito difícil viver de arte no Brasil. A cultura está sendo sucateada, assim como a educação. Nosso maior palco tem sido as escolas, mas até para isso precisamos desses translados. Quem banca isso pra gente? Somos nós mesmos. A nossa maior dificuldade tem sido levar a arte onde dificilmente ela vai: nas escolas, nas praças, nas ruas, nos lugares alternativos, que não são os grandes teatros.

Serviço:

O quê? Espetáculo Encruzilhada Feminina

Onde? Casa das Pretas (Rua dos Inválidos, 122, no Centro do Rio).

Quando: Sexta-feira (30), às 19h.

Quanto? R$20 (inteira) | R$10 (meia) | R$5 (ingresso solidário – levando um agasalho para doação)

Edição: Vivian Virissimo

HORA DO RANGO: BAILE DO PADILHA

Agosto 29, 2019

ANA CAÑAS CONTA QUE VOLTOU A SE RELACIONAR COM MULHERES E REVELA BULLYING NA ADOLESCÊNCIA

Agosto 28, 2019
28 DE AGOSTO DE 2019.

“Fiquei traumatizada com esse bullying excessivo e passei a namorar homens na vida adulta. Há algum tempo, reconectei com a minha homossexualidade maravilhosa e voltei a namorar mulheres”, contou a cantora

Foto: Reprodução

A cantora brasileira Ana Cañas publicou em seu Instagram, nesta quarta-feira (28), um texto contando que voltou a se relacionar com mulheres e que reprimiu sua sexualidade na adolescência por conta de bullying. A cantora deu entrevista na última sexta-feira (23) ao jornal O Globo contando sobre esse processo e, nas redes sociais, fez mais uma retrospectiva sobre as piadas sexistas que sofreu, ressaltando a importância do jornalismo para contar histórias “que propaguem a luta das minorias políticas”.

“Minha primeira relação sexual foi com uma mulher. Na adolescência, me envolvi com as meninas da escola e por conta disso, fiquei com fama de ‘sapatão’. Me lembro, no colegial, de atravessar os corredores e ouvir muito comentários homofóbicos”, contou Ana Cañas.

A cantora também ressaltou a importância da prática jornalística em momentos de “recrudescimento de direitos”. “É muito importante que o jornalismo brasileiro propague nossa luta e exponha a violência contra todas as minorias políticas, especialmente nesse momento em que vivemos recrudescimento de direitos e acessos, homofobia, transfobia, racismo, prisões políticas e desmonte do aparelho cultural”, completou.

Leia o relato da cantora:

“Minha primeira relação sexual foi com uma mulher. na adolescência, me envolvi com as meninas da escola e por conta disso, fiquei com fama de “sapatão”. Me lembro, no colegial, de atravessar os corredores e ouvir muito comentários homofóbicos. Também fiquei conhecida mundialmente no ambiente escolar como “canetão” >> a menina que se masturbava com uma caneta de 10 cores. eu tinha 14 anos. Alguns professores homens me chamavam de canetão dentro da sala de aula.
Fiquei traumatizada com esse bullying excessivo e passei a namorar homens na vida adulta. Há algum tempo, reconectei com a minha homossexualidade maravilhosa e voltei a namorar mulheres. Hoje, me considero bissexual e plena, pleníssima. 
Essa matéria no globo publicada domingo passado conta essa história e aborda muitos outros temas como política, ativismo, antirracismo, LGBTQIA+, música, arte, poesia, masculinidade tóxica, relacionamentos abusivos e feminismo, hoje tudo entrelaçado em meu trabalho. Agradeço à jornalista clarissa pains @clarissa.pains pelas perguntas e temas escolhidos e ao jornal @jornaloglobo. É muito importante que o jornalismo brasileiro propague nossa luta e exponha a violência contra todas as minorias políticas, especialmente nesse momento em que vivemos recrudescimento de direitos e acessos, homofobia, transfobia, racismo, prisões políticas e desmonte do aparelho cultural”. 

HORA DO RANGO: ENTREVISTA COM JOHNNY HOOKER

Agosto 27, 2019

ODAIR JOSÉ, TULIPA RUIZ E DEZENAS DE ARTISTAS FARÃO SHOWS NA JORNADA AGROECOLÓGICA

Agosto 26, 2019

A 18ª Jornada de Agroecologia terá quatro dias de muita música e comida boa, em pleno centro de Curitiba.

Ednubia Ghisi

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

26 de Agosto de 2019.

Ouça o áudio:

 

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Trabalhadores aproveitam as atrações gratuitas da Jornada. - Créditos: Melito
Trabalhadores aproveitam as atrações gratuitas da Jornada. / Melito

A 18ª Jornada de Agroecologia terá quatro dias de muita música e comida boa, em pleno centro de Curitiba. O cantor e compositor Odair José é presença confirmada com um grande show em que apresentará seu novo álbum “Hibernar na Casa das Moças Ouvindo Rádio”, além de grandes sucessos da carreira.  

O artista é um clássico do popular-romântico-brega brasileiro e mantém um público fiel, que atravessa gerações. O show será dia 31, sábado, a partir das 20h. 

Tulipa Ruiz também sobe ao palco da Jornada, com show marcado para o dia 30, sexta, às 20h30. A artista vai apresentar músicas do álbum “Tu”, entre outras canções. 

DIA 29 DE AGOSTO | QUINTA-FEIRA

12h: Banda Mãe Terra 

Grupo de música da ABAI

Local: Praça Santos Andrade

15h: Nhanderekó: uma história de todxs nós 

Peça de teatro com o Grupo Baquetá

Local: Praça Santos Andrade

17h: Taiobas

Show de batuque, groove e rap

Local: Praça Santos Andrade

18h: Abertura da 18ª Jornada de Agroecologia

– Apresentação da Trupe dos Encantados

– Artista convidada: Raissa Fayet

Local: Teatro da Reitoria da UFPR 

20h30: Show do grupo “Mistura Popular” 

Local: Praça Santos Andrade

DIA 30 DE AGOSTO | SEXTA-FEIRA

12h: Semeadores de Sonhos 

Show com os músicos Susi Monte Serrat e João Bello

Local: Praça Santos Andrade

13h: Apresentação do grupo Mistura Popular

Local: Boca Maldita

15h: O terreno baldio

Peça de teatro com o Grupo Olho Rasteiro

Local: Praça Santos Andrade

17h: Fole Variado

Grupo de forró pé de serra

Local: Praça Santos Andrade

18h30: Ato em defesa da Educação Pública 

Artistas convidados: 

Guego Favetti

Rogéria Holtz

Luciana Worms

Ana Chã

Local: Praça Santos Andrade

20h30: Tulipa Ruiz

Músicas do álbum ‘Tu’, além de grandes sucessos da carreira

Local: Praça Santos Andrade

21h: Show “Territórios” – Grupo de MPB da UFPR

Local: Teatro da Reitoria da UFPR 

DIA 31 DE AGOSTO | SÁBADO

10h: Chama Crescente

Show de reggae

Local: Praça Santos Andrade

12h: Oswaldo Rios & Amigos

Show de moda de viola 

Local: Praça Santos Andrade

14h: Partigianos

Show de músicas e hinos da luta mundial contra o fascismo

Local: Praça Santos Andrade

14h15: Intervenção cultural com a “Bloca Feminista”: Ela pode, ela vai”

Local: Boca Maldita

14h30: Visita dos atores Fábio Assunção e Guta Stresser 

À Feira da Agrobiodiversidade Camponesa e Popular e Culinária da Terra

Local: Praça Santos Andrade

15h30: Madrecita y sin nombre

Pablo Benedini, artista plástico argentino

Local: Boca Maldita

16h: Ita Canções

Show de música com Itaercio Rocha

Local: Praça Santos Andrade

17h – Bloca Feminista Ela pode, ela vai!

Local: Boca Maldita

18h: Leões da Mocidade

Bateria da Escola de Samba Leões da Mocidade de Curitiba

Local: Praça Santos Andrade

20h: Odair José

Músicas do seu novo álbum ‘Hibernar na Casa das Moças Ouvindo Rádio’, além de grandes sucessos da carreira

Local: Praça Santos Andrade

DIA 01 DE SETEMBRO | DOMINGO

8h30: Folia do Divino Espírito Santo

Salvas e cacuriás com as Caixeiras do Divino Espírito Santo de Curitiba

Local: Santos Andrade

10h: Radiola de Ficha CWB

Show de forró pé de serra

Local: Santos Andrade

11h30 – Lirinha e Otto (a confirmar)

Local: Santos Andrade

13h30 – Fandango Caiçara

Baile de Fandango Caiçara com o Grupo Mandicuera da Ilha de Valadares

Local: Santos Andrade 

Edição: Laís Melo