UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Fevereiro 9, 2010 por esquizofia

Paris, 06 de julho de 1875

Retrato de uma Senhora, CHAMPAIGNE

Retrato de uma Senhora – Musée du Louvre (Paris)

Aqui Vincent contra pra Théo sobre as gravuras que pendurou na parede de um quarto alugado em Montmartre. São vários quadros, entre eles, alguns de pintores que já trouxemos aqui neste curso, como Corot, Ruysdael e Rembrandt.

Phillipe Champaigne nasceu em uma família humilde, a 26 de maio de 1602 em Bruxelas. Quando jovem se recusou a trabalhar na oficina dirigida por Rubens (famoso artista barroco dos Países Baixos), na Antuérpia. Foi então ser aprendiz na oficina de Fouquieres, desenhista e pintor de
paisagens de Bruxelas.

Phillippe sempre sonhou em visitar e conhecer Roma, mas a caminho de lá, em 1621, acabou ficando por Paris, se fixando no Quartier Latin. O pintor estudou no College de Laon, onde fez diversas amizades, entre elas com Nicolas Poussin, e trabalhou com os Maneiristas Georges Lallemand e
Nicolas Duchesne.

O pintor largou a oficina de Lallemand em 1625 quando passou a trabalhar por conta própria. Nesta época, Phillippe já possuía alguma fama em Bruxelas, devido a isso foi convidado por Claude Maugis, intendente de construções da corte de Maria de Médici, para colaborar na decoração do Palácio de Luxemburgo. Phillippe pintou vários afrescos e com Faubourg Saint-Jacob decorou o “Carmel”, que era uma das salas favoritas da Rainha-Mãe. A igreja do palácio, pintada por Phillippe, foi destruída no período da revolução francesa.

Concluído seus trabalhos para Maria de Médicis, Champaigne passou a retratar o Cardeal de Richelieu. Phillippe ocupava um cargo de extrema confiança, pois era o único autorizado a pintá-lo, inclusive quando este não estava vestido com suas roupas eclesiásticas. Ele o pintou 11 vezes. Ele era, junto com Simon Vouet, um dos dois principais pintores do Reino da França. Recebendo em 1629 o documento que o naturalizava “cidadão francês”.

Em seguida, trabalhou nos ornamentos de uma das salas da Sorbonne, da igreja Saint-Germain-the Auxerrois e de demais imponentes construções. Até o final de sua vida, Phillippe se dedicou à pintura de grandes construções parisienses, morrendo lá mesmo, em 12 de agosto de 1674.

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Às sextas e terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor monoauricular Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui.

A árvore

Fevereiro 8, 2010 por esquizofia

O sol daquela manhã passou rasante no horizonte, acordando um pouco mais cedo que de usual os trabalhadores  que se reviravam em suas camas. A primeira a despontar na rua foi dona Cotinha que toda manha ia regar as plantas e ao ver aquele troço em frente a sua casa no meio da rua. Berrou acordando aqueles que ainda tentavam o último suspiro do sono. Todos correram para frente das casas para ver o que acontecia. Foi uma surpresa total ao ver que do meio do rua, quebrando o asfalto brotava uma árvore. O primeiro a se pronunciar foi seu Tonho dizendo: Já vi aparecer buraco da noite pro dia (e quantos) mas uma arvore é a premeira vez. E houve um silêncio total. Aquela arvore enorme havia brotado sem que ninguém notasse. Dona Fátima rompeu o silêncio dizendo: É bom que quase não tem árvore aqui no bairro, pelo menos fica mais bonito. Mas não foi que dona Cotinha protestou: É por que não tá na frente da sua casa oras, como vou tirar o carro pra trabalhar, isto deve ser trabalho do trancoso ou dos etês.

Seu Manoel das Galinhas já foi pegando a peixeira e querendo derrubar. Alguns se indisporam e foram impedir. O doutor Cajuína presidente do bairro pediu calma: Gente, esta árvore nasceu vamos ter que decidir o que fazer com ela, mas brigar não adianta. Os animos foram contidos. Seu João disse que a árvore não poderia ficar alí pois ia encher a rua de folha e quem ia limpar? Seu Tadeu da padaria disse que uma árvore grande destas iria atrapalhar o comércio. Jovelina Fulô sugeriu deixar a árvore na rua mesmo abrindo um tunel dentro dela para os carros .Seu Ildelbrando, aquele que era biologo, disse que a árvore não dava frutos e que teria que ser retirada. O detetive misterioso já se ocupou das investigações da obstrução da rua. Seu Ribamarzito calculou o tamanho da árvore que tinha  12 metros e que  se derrubassem ela iria cair em cima das casas. Já que ninguém queria aquilo, Maria Mole pediu que ajudassem a planta-la em seu quintal. Todos silenciaram novamente. Do silêncio todos começaram a falar, discutir, e brigar pelo o futuro da rua e foi um fuzuê dos infernos. Porém o barulho foi pequeno e foi logo encoberto por um grupo de crianças que apareceram correndo gritando. De onde sairam tantas crianças desconhecidas? Só sei que elas começaram a balançarar a árvore. Da copa cairam millhares de flores e dos galhos diversas flores e frutos diferentes que encheram a multidão de cores, cheiros e sabores. Depois todas crianças subiram pelo galho e começaram a cantar. A árvore soltou-se das raizes e saiu saltitando e dançando pela rua. Naquele dia nenhum chefe acreditou na desculpa pelo atraso e disseram que eles precisavam descançar. Tanto que quase todos ficaram desempregado naquele dia.

A RUA

Fevereiro 7, 2010 por esquizofia

Correr na Rua
Andar na Rua
Dormir na Rua
Transar na Rua
Morrer na Rua
Chorar na Rua
Gargalhar na Rua
Comer na Rua
Beber na Rua…
Ah!, se essa Rua fosse minha!

AMOR DE PERDER A CABEÇA

Fevereiro 7, 2010 por esquizofia

A primeira vez
Que vi
Aquela
Mulher
Perdi a cabeça.
Seis meses depois
Ela tinha em sua cama
Um acéfalo.

MEU PERFIL

Fevereiro 7, 2010 por esquizofia

Sempre quis ter amigo
Mas sempre selecionei
Queria amigos
Com meu perfil
Mas todos que encontrei
Tinham o meu rosto.

Amarelô no Rosal

Fevereiro 6, 2010 por esquizofia

UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Fevereiro 5, 2010 por esquizofia

Paris, 31 de maio de 1875

Os Peregrinos de Emaús, REMBRANDT

Os Peregrinos de Emaús (1648) – Musée du Louvre (Paris)

Espero que um dia você veja os pequenos Rembrandt, Os Peregrinos de Emaús e dos pendants, Os Filósofos.”

Rembrandt Van Rijn é reconhecido mundialmente como um dos mais célebres pintores da História da Pintura. Nascido em 1606 na pequena cidade holandesa de Leiden, Rembrandt teve uma infância simples devido a suas origens humildes, porém graças ao esforço de seu pai, um moleiro, recebeu uma boa instrução e conseguiu ingressar na universidade que acabou abandonando para se dedicar à pintura, em 1620, que o levou ao ateliê de Jacob van Swanenburg. Em 1623, Rembrandt se mudou para Amsterdã, no sentido de apurar sua técnica e lá conheceu um hábil pintor chamado Pieter Lastman, que ensinou a Rembrandt algumas técnicas como chiaroscuro, que é o uso da luz e das sombras para modelar formas.

De volta a Leiden, em 1927, o artista ganha certa fama em sua cidade por retratar cenas bíblicas; além disso, são conhecidas várias águas-fortes deste período. Após 4 anos, o pintor retornou definitivamente a Amsterdã, onde, após pintar o quadro A Lição de Anatomia do Dr. Tulp, atingiu rapidamente a fama e recebeu diversas encomendas para pintar retratos e pinturas sacras. Para dar conta de tudo, Rembrandt arranjou um sócio, o negociante de arte Hedrick van Uylenburgh.

Esta sociedade rendeu muito além de negócios, já que o artista casou com Saskia Uylenburgh, sobrinha de Hedrick, em 1634, e foi morar em uma grande casa no bairro judeu da cidade. O casamentou gerou quatro filhos, porém apenas Titus sobreviveu, tendo os outros morrido na infância. Sua esposa também veio a morrer oito anos após o casamento, o que levou Rembrandt a se concentrar na pintura, o que o levou a pintar sua obra mais célebre, Ronda Noturna.

Filósofos em Meditação (1632) – Musée du Louvre

Após um problema na justiça com a babá de Titus, uma nova criada que auxiliou Rembrandt no processo contra a babá, Hendrickje Stoffels, foi contratada. Ela teve uma grande importância no cuidado e companheirismo até sua morte em 1963, inclusive tendo uma filha com ele, Cornélia, fato que gerou grande escândalo na sociedade holandesa por a criança ter sido considerada ilegítima.

Em 1656, Rembrandt teve a falência decretada devido a problemas na administração dos negócios, tendo assim vários quadros seus vendidos em leilões pela justiça. Quatro anos depois, após ter a grande casa do pintor vendida e buscando o restabelecimento dos negócios, Titus e Hendryckje criam uma empresa para tentar comercializar obras do pintor para que estas não caíssem na mão de marchands. Porém, com a morte de Hendryckje, Titus e Rembrandt passam a levar uma vida menos turbulenta e a pintura continua fluindo. Titus acabou morrendo em 1668, um ano antes de que seu pai Rembrandt, que morreu em 1669, sem nunca ter deixado a Holanda. Como herança, Rembrandt deixou um dos mais importantes estudos de arte de seu tempo, principalmente uma enorme quantidade de retratos pintados, incluindo os diversos auto-retratos que o pintor pintou durante toda sua vida.

O que chama a atenção na carta de Vincent a Théo é a observação de obras que na época não eram notadas com perspicácia pelos críticos de arte ou mesmo pelos pintores. Isso demonstra o arguto senso de observação artística de Vincent e o a abrangência de seus estudos sobre outros pintores.

Filósofo com o Livro Aberto (1648) – Musée du Louvre (Paris)

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Às sextas e terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor monoauricular Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui.

TODOS OS CRIMES AO VERSO

Fevereiro 4, 2010 por esquizofia

sequestro à fanopéia

o amor-terror da filha do governador
não foi resgatado rente ao corte
de sua orelha
enviada a Qorpo-Santo

rimar não rimar o Ab-surdo
ouvido surdo
toque de um surdo
baque-mudo
de um ritmo não ritmado

telefonar um gritôôôôôôôôôôôôôôôôô
ecoar a noite noite noite
música inaudível
não resgatar a poesia
inocência de donzela

real-menestrel na janela-princesa
……………………………………marquesa
……………………………………viscondessa
e enviar sempre um outro
Corpo e jamais
o mesmo, o semelhante, a repetição
um ritornelo
há de rir de um rito que o torne um elo
………………………………………..ritorne
…………………………………..rito
…………………………….rir

Kinemasófico: “Photokinema-Criança”

Fevereiro 3, 2010 por esquizofia

Associação Filosofia Itinerante – AFIN®

enuncia

PHOTOKINEMA-CRIANÇA

Especial 1 Ano de Kinemasófico

Diretores: Crianças

Atores: Crianças

Ano: 2010

Duração: 32 Minutos

Sinopse (Resumo da História do Filme) : Este photokinema foi produzido nos entremeios de um ano de Kinemasófico. O Kinemasófico foi criado pelas crianças do bairro Novo Aleixo, Zona Leste de Manaus, juntamente com a AFIN, e traz todos os domingos, na boca da noite (com dente ou sem dente) um cinema especialmente escolhido que tenha a ver com uma produção alegre de movimentação intensiva do devir-criança. Foram escolhidas produções de animadores e diretores de diversos países, como Michel Ocelot, Charles Schultz, Charles Chaplin, Buster Keaton, Albert Lamorrise, Jacques Demy, entre outros. E até quando vai haver o Kinemasófico? Até o dia que tiver uma criança a perguntar: Vai ter cinema hoje?

A platéia compôs com o cinema sendo ao mesmo tempo ator/espectador.

Foi apresentada e empossada a nova diretoria da Afin (da direita para a esquerda): Miguel Oliveira (secretário),  Bianca Sotero (Presidenta) e Anderson Littaif (Tesoureiro).

No final teve a distribuição do complemento dionisíaco: sanduiche, pipoca e sorvete cedido pelo amigo afinado Nelson Rocha, o Papai Noelson (antes, durante e depois das quadras natalinas).

Para baixar o vídeo Photokinema-Criança,  com imagens de um ano de caminhar, via torrent, clique aqui.

O Kinemasófico é um vetor cinematográfico que a Afin realiza todos os domingos à boca da noite, contando com um curso artístico (teatro, cinema…), sempre com a apresentação ao final da atividade de um cinema. Mais informações, clique aqui.

UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Fevereiro 2, 2010 por esquizofia

Paris, 31 de março de 1875

O Bosque, RUYSDAËL

O Bosque (1647) – Musée du Louvre (Paris)

Os Ruysdael do Louvre são magníficos; especialmente O Bosque, A Paliçada e O Raio de Sol.”

Jacob Ruysdaël (ou Ruisdael) foi um gravador e pintor holandês. As datas de seu nascimento não são precisas, supõe-se o ano de 1628. Ruysdael nasceu em Haarlem, capital da província da Holanda do Norte e que, durante a Idade Média foi uma das mais ricas dos Países Baixos. Este último período coincide com a trajetória do artista numa cidade que além de rica era famosa por sua caríssima comercialização de tulipas.

Ruysdael era filho de Isaac, pintor, e sobrinho de Solomon von
Ruysdael, um conhecido paisagista de seu tempo. Sua aprendizagem artística, provavelmente, ocorreu em meio familiar.

Sabe-se que em 1648 entrou para a guilda (corporações medievais de trabalhos artesanais e de ofício) de Haarlem e lá trabalhou com o mestre Cornelis Vroom, do qual recebeu grande influência de estilo. No início de sua carreira, Ruysdael retratou em diversos trabalhos as manhãs de Haarlem, nos quais identifica-se principalmente as dunas e as encostas.

A Paliçada (1660) – Musée du Louvre (Paris)

Acredita-se que a partir de 1650 iniciou uma viagem pelo interior da Holanda e Alemanha, a fim de conhecer e estudar sua paisagem. Em 1658, mudou-se para Amsterdam e lá permaneceu até a velhice, quando retornou para sua cidade natal.

Nos registros dessa viagem é possível perceber a relação que Ruysdael mantém com a natureza selvagem, na qual aparece uma enorme quantidade de ilustrações de cachoeiras, florestas de pinheiros e montanhas em meio a violentas tempestades. Tais produções demonstram que Ruysdael trabalhou nelas até a exaustão e tais paisagens só reforçam seu amadurecimento artístico.

Muito se fala sobre o modo como Ruysdael conseguia capturar a poderosa força da natureza que é, ao mesmo tempo, tão arrasadora e tão frágil.
Jacob Ruysdael, assim como Van Gogh ,não teve prestígio em vida, e, uns 200 anos depois, teve suas obras bastante admiradas pelos franceses e pelos artistas da Escola de Barbizon. Sua morte data de 1682 e seus trabalhos, assim como citados por Van Gogh, ainda se encontram no Louvre.

O Raio de Sol (1670-79) – Musée du Louvre (Paris)

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